Ser Vida Loka ou Robozim do Sistema

charge27 imagem extraída daqui: omnibiociencia

abaixo o resumo e um excerto do trabalho ’Como é bom ser vida loka’ de Liana Roxoa Vieira. Vale leitura integral. Excelente texto

«Como é bom ser vida loka: Juventude, escola e o consumo musical do funk – Liana Roxoa Vieira
O trabalho constitui-se em uma pesquisa sobre juventude e consumo musical do estilo funk. Analisa como os jovens significam o consumo de tal estilo em suas vidas e principalmente como percebem a relação da escola com esse gênero musical. Tem como objetivo compreender o que o funk representa para os jovens pesquisados e problematizar os aspectos do consumo desse estilo musical dentro da escola. A pesquisa é do tipo qualitativa com características de estudo de caso e teve como instrumentos de análise observações e entrevistas realizadas com jovens alunos em idades entre 12 e 16 anos de uma escola pública de Porto Alegre/RS. As análises dos dados estão ancoradas nos estudos de Dayrell (2002; 2007), Giroux (2009), entre outros. A partir da interação com os jovens foi possível identificar que consumo, sexualidade, pertencimento, entre outros temas estão presentes na cultura do funk. A pesquisa também identificou que o consumo do estilo musical funk é marginalizado na escola, sendo inclusive ponto de conflito entre alunos e professores. Ou seja, essa cultura juvenil não é bem vinda na escola.»

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«3 ESCOLA, JUVENTUDE E O CONSUMO DO FUNK
A escola, desde sua criação, teve papel fundamental no campo histórico e político do país. Os múltiplos aspectos e funções colocados sobre ela: moralizadora, socializadora, transmissora de conhecimentos, têm sido centrais nos debates e estudos produzidos por teóricos educacionais. Segundo Silva, Silva e Freitas

a instituição escolar configura-se, na atualidade, como um locus primordial na educação dos indivíduos, além de ser, ela mesma, um espaço sociocultural onde convivem grupos em um processo contínuo de construção e reconstrução de suas identidades. Em outras palavras, a escola não apenas transmite conhecimentos historicamente acumulados, ela também produz identidades culturais (SILVA, SILVA e FREITAS, 2012, p. 3).

As identidades produzidas pela escola não são quaisquer identidades, o que a teoria educacional tem apontado é que tais identidades são marcadas pela seleção de determinados valores e saberes, de acordo com padrões e normas relacionados à classe social, ao gênero e a raça/etnia, entre outros marcadores sociais. De acordo com Meyer e Soares (2012):

Desde sua constituição, a escola moderna é marcada por diferenças e está implicada, também, com a produção dessas diferenças. Embora não seja possível atribuir a ela toda a responsabilidade pela construção das identidades sociais, ela continua sendo, para crianças e jovens, um local importante de vivências cotidianas específicas e, ao mesmo tempo, plurais. (MEYER e SOARES, 2012, p.43).

Apesar desses temas não serem recentes não significa que sejam temas fáceis. Ao contrário, operar com a diversidade cultural é cada vez mais umtema que se complexifica no decorrer da história. Por diversos motivos, a escola encontra dificuldades em integrar suas práticas educativas cotidianas com a diversidade cultural trazida por seus alunos. Louro (1995) aponta que as práticas educativas e de poder que se desenvolvem em nossa sociedade se dão também entre gerações: adultos e crianças, jovens e velhos. Porém, a cultura juvenil é outro aspecto que parece não ser bem-vindo à escola. As condições culturais em que vivem os jovens, como coloca Giroux (1996), são  quase totalmente ignoradas por professores e professoras.

Nesse sentido, incorporar essas diversas culturas e acima de tudo, respeitá-las torna-se um desafio para a escola que “ainda domina uma determinada concepção de aluno gestada na sociedade moderna” (DAYRELL, 2007, p. 1119). 
A cultura juvenil, vista pela escola como uma ameaça à ordem, muitas vezes é caracterizada como perigosa, tornando-se um problema social. Há uma tendência de se realizar um controle moral, uma repressão preventiva e uma interminável vigilância para amenizar os possíveis estragos cometidos pela juventude. Há também a tentativa de cuidá-los e mantê-los sempre ocupados para que não se desviem daquilo que lhes é imposto. Green e Bigum (1995) trazem um retrospecto da visão de juventude:

a juventude era, antes, vista como algo do qual, ao final, a pessoa acabava se livrando, como um estágio temporário no movimento em direção à normalidade, a ser superado na totalidade, na completude da fase adulta. Essa passagem tornou-se agora carregada de uma incerteza arbitrária. Cada vez mais alienados/as, no sentido clássico, os/as jovens são também cada vez mais alienígenas, cada vez mais vistos como diferentemente motivados/as, desenhados/as e construídos/as (GREEN e BIGUM, 1995, p. 212).

Desde a época em que eu lecionava para esses jovens, algo me inquietava. Era nítido que a escola reprimia o funk, proibindo que os alunos escutassem esse gênero musical na escola, argumentando que as letras das músicas eram “indecentes”. Eu ficava pensando como a escola legitima certas atitudes, preferências e hábitos e exclui outros, nesse caso, o funk. Por que “menosprezar” um estilo musical apreciado pelos jovens? Por que tentar evitar que o funk seja consumido pelos jovens? Por que não incorporar a cultura popular dos jovens na escola a fim de viabilizar um planejamento contextualizado e significativo aos alunos? Por que reprimir ao invés de compreender os fatores culturais que os levaram a consumir esse estilo musical?

A escola deveria ser um espaço de liberdade de expressão, de trocas de idéias, de debates de assuntos pertinentes aos alunos, mas “é comum que a realidade cultural desses alunos seja invisibilizada pelas práticas educativas” (SILVA, SILVA e FREITAS, 2012, p.2). Tais práticas esquecem o “jovem” existente no aluno, como se os alunos fossem seres sem cultura, sem um tempo histórico, sem um contexto de vida. Cada vez mais se torna necessário a imersão do professor na vida do aluno, a fim de estimulá-lo a sentir prazer de estudar, buscar conhecimento e ver a escola como significativa e parte constituinte de sua vida, mas o que percebemos é que

para os jovens, a escola se mostra distante dos seus interesses, reduzida a um cotidiano enfadonho, com professores que pouco acrescentam à sua formação, tornando se cada vez mais uma “obrigação” necessária, tendo em vista a necessidade dos diplomas (DAYRELL, 2007, p. 1106). »

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Outras coletas pela rede:

Interfaces da vida loka – Um estudo sobre jovens, tráfico de drogas e violência em São Paulo por Paulo Artur Malvasi – http://www.neip.info/upd_blob/0001/1193.pdf

Resumo: O tráfico de drogas é reconhecido pela Saúde Pública como um dos principais fatores de risco e de vulnerabilidade a que os jovens brasileiros são expostos desde, pelo menos, a década de 1980. Este estudo objetiva descrever e analisar a vida cotidiana de jovens (de 15 a 29 anos) moradores de bairros periféricos de São Paulo, em que há a coincidência entre o comércio varejista de drogas feito em suas ruas, relações comuns de vizinhança e ações combinadas e intensivas das forças de repressão, aliadas às de assistência e às de atenção governamentais. Um bairro na cidade de São Paulo e outro no entorno da capital paulista foram assim identificados e escolhidos para que o estudo fosse realizado. Ao todo vinte e sete jovens participaram do estudo baseado no método etnográfico; o pesquisador permaneceu durante dois anos (2009 e 2010) acompanhando o cotidiano dos jovens nos dois bairros por meio da observação participante e da realização de entrevistas em profundidade. Na pesquisa de campo, o entorno do tráfico de drogas se caracterizou pela justaposição de três instâncias de saber e poder: uma dimensão territorial, simbólica e existencial – a quebrada; um ambiente de mercado – o tráfico de drogas– disparador de práticas e, também, inserido em um “marco discursivo” – o “mundo do crime”; e um sistema político-estatal voltado para atender adolescentes “em conflito com a lei”, organizador de discursos e de tecnologias sobre crime e drogas – o socioeducativo. O trabalho observa as manifestações do poder na ação de uma diversidade de jovens, no agir reiterado e na linguagem que delineiam os modos de vida constituídos nas dobraduras do tráfico de drogas Estes jovens da periferia navegam em uma dinâmica social complexa, fluida e porosa e, no anonimato do espaço político que ocupam, eles se relacionam com diferentes modos de regulação da vida cotidiana. A vida loka surge no dialeto das quebradas como uma noção capaz de unificar a diversidade de experiências dos jovens, demarcando o campo da comunicação e ação cotidiana entre eles – dialeto que baliza as interpretações sobre a vida. Nas zonas de contato entre a quebrada, o crime e o socioeducativo desenrolam-se relações e dinâmicas, intersticiais, que atuam nos processos de construção da subjetividade dos jovens e incidem nos problemas de “vida” e “morte” que eles enfrentam.

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QUESTÃO DA VIOLÊNCIA NO MOVIMENTO HIP HOP: QUEM SÃO E O QUE É VIDA LOKA? FORMAÇÃO DA IDENTIDADE DO JOVEM QUE TEM COMO MODELO A VIDA LOKA por A. P. Correa

Palavras chaves: Vidal loka, rap, movimento Hip Hop, cultura, identidade, crime e criminalidade
http://www.forumafrica.com.br/textoforumafrica22006.pdf

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Há isto…

https://www.youtube.com/watch?v=K2wKzKAMxbY Vídeo clip da música: “Um pião di vida loka” do Trilha sonora do gueto (T$G).

https://www.youtube.com/watch?v=ahEllnyfHbI Racionais MC’s – Vida Loka parte II (Vídeo-Clipe OFICIAL) [HD]

https://www.youtube.com/watch?v=ORP1LBAV9G8
Criolo, Emicida, Mano Brown – Vida Loka I

Mas também há isto…
https://www.youtube.com/watch?v=p0oFWgwUqHU
MC Rodolfinho – Como é Bom Ser Vida Loka (Videoclipe Oficial)

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Marginalidade e esforço civilizatório: os poemas dos Racionais MC’s. – por Shirlania Almeida de Oliveira http://dspace.bc.uepb.edu.br:8080/jspui/handle/123456789/2165
Este trabalho busca analisar como a literatura designada como marginal, em especial Os Racionais MC’s, grupo de HIP HOP da periferia paulistana, abarca um novo conceito de literatura e de poesia uma vez que aborda acima de tudo questões ligadas ao lugar social onde os indivíduos estão inseridos, lugar este que encontra-se à margem das questões econômicas e culturais da elite social, tendo assim como principal característica a inserção de um lócus que não é considerado nas produções da tradição literária. Outras características ainda destas produções diz respeito ao coletivismo presente nestas e numa tentativa de exclusão do individualismo, tornando-se assim uma literatura com peculiaridades políticas, desta forma, seria necessário uma mudança no conceito de literatura mantido pela tradição literária, abarcando uma maior abertura teórica e metodológica.

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FILOSOFONET – Os rolezinhos: segregação e apartheid social.

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“ORDEM” E “PUREZA” NA SOCIEDADE DO CONSUMO: UMA
PERSPECTIVA DE ANÁLISE DA TENDÊNCIA AO
(HIPER)ENCARCEIRAMENTO

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