A coleira do cão

a cólera entre os dentes
a coleira do presente
o cão imundo já não é bicho
e o pássaro disforme vira o lixo
e este poema era pra ser
sobre as coisas findas da manhã,
estes destroços que narram
que até o belo não passa de entulho.

e que a voz caso não corte
o tecido da normalidade
será apenas um grunhido,
um grito surdo de um vida estéril…

e cada verbo refugiado
atravessa ileso a incomunicabilidade
dos seres alheios…
traduz dos silêncio esses nós

e estes que vão são tristes
e estes que vem são feios
e todos os homens são nojentos
e os olhos são presas
os cães andarilhos
o sol amargo
a névoa gélida
e o destino
passageiro…
(no subsolo
de um navio negreiro).
[seg] 7 de setembro de 2015

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