trekking/trilha açores-solidão-saquinho-naufragafos-caieira

P_20190209_174222

mais de 8 horas na trilha,  ≅ 6h22 caminhando… mais de 10,7 km caminhados. com direito a banho de bica, de cachoeira, cochilo e uma breja ao longo da trilha. ótimo dia na parceria de fukutamaru.

«VISUALIZAÇÕES» por Mário Cesariny 

#umpoetaumpoemapordia #283 (9/8)

POETA: MÁRIO CESARINY

Mário Cesariny de Vasconcelos GCL (Lisboa, Portugal, 9 de Agosto de 1923 — Lisboa, 26 de Novembro de 2006) foi poeta e pintor, considerado o principal representante do surrealismo português. É de destacar também o seu trabalho de antologista, compilador e historiador (polémico) das actividades surrealistas em Portugal.

POEMA: VISUALIZAÇÕES

I
suave
a vela abre
e principia
o dia

ela
que pelo azul
que corta
considera e chama
outras velas irmãs para o claro rio
e enquanto
o cais
é um enorme navio
que se nega
e no entanto cumpre
a mais estranha viagem

ela
que parte
vira
para o que abandona
um olhar de brancura
que é toda a matemática
singela
da manhã que a inspira

+ SOBRE

https://pt.wikipedia.org/wiki/Mário_Cesariny
https://www.escritas.org/pt/mario-cesariny
https://www.portaldaliteratura.com/autores.php?autor=336
http://users.isr.ist.utl.pt/~cfb/VdS/cesariny.html
https://cesariny.blogs.sapo.pt
http://www.antoniomiranda.com.br/Iberoamerica/portugal/mario_cesariny.html
.

OUTROS

Luisa de Medrano, poetisa e filosofa espanhola
John Dryden, dramaturgo e poeta britânico
Jacobo Balde , poeta alemão
Lörinc Orczy, poeta húngaro
Philip Larkin, poeta britânico
Luis Alvarez Lencero, poeta, escultor e pintor espanhol
Mercedes Durand, jornalista e poeta salvadorenha
Gabriel Sopeña, poeta e compositor espanhol.
John Oldham, poeta e tradutor inglês

«CALLING ON ALL SILENT MINORITIES» por June Jordan

#umpoetaumpoemapordia #252 (9/7)

POETISA: JUNE JORDAN

June Millicent Jordan (Harlem, Nova York, EUA, 9 de julho de 1936 – 14 de junho de 2002, Berkeley, California, EUA) foi um poetisa, ensaísta, professora e ativista caribenho-americana. Ela usou sua escrita para discutir questões de gênero, raça, imigração e representação.

POEMA: CALLING ON ALL SILENT MINORITIES

CALLING ON ALL SILENT MINORITIES

HEY

C’MON
COME OUT

WHEREVER YOU ARE

WE NEED TO HAVE THIS MEETING
AT THIS TREE

AIN’ EVEN BEEN
PLANTED
YET

TRADUÇÃO DE: Sandra Santos

CHAMO TODAS AS MINORIAS SILENCIADAS

HEY

VÁ LÁ
ANDA LÁ

ESTEJAS ONDE ESTIVERES

NÓS PRECISAMOS DE NOS REUNIR
NESTA ÁRVORE

QUE NÃO FOI
PLANTADA
AINDA

+ SOBRE

https://en.wikipedia.org/wiki/June_Jordan
https://poemargens.blogspot.com/2017/07/june-jordan.html
https://escamandro.wordpress.com/2016/11/01/june-jordan-por-sandra-santos/
https://anarquivoo.blogspot.com/2017/11/june-jordan.html

OUTROS

Johann Nikolaus Götz, poeta e autor alemão
Ann Radcliffe, escritor e poeta inglês
Jan Neruda, jornalista e poeta checo
Michael Lederer, autor americano, poeta e dramaturgo
Ali Chumacero, poeta e editor mexicano
Akiane Kramarik, pintor e poeta americano

«UM PEIXE» por Pagu

#umpoetaumpoemapordia #222 (9/6)

POETISA: PAGU

Patrícia Rehder Galvão, conhecida pelo pseudônimo de Pagu, (São João da Boa Vista, 9 de junho de 1910 — Santos, 12 de dezembro de 1962) foi uma escritora, poeta, diretora de teatro, tradutora, desenhista, cartunista, jornalista e militante política brasileira. Teve grande destaque no movimento modernista iniciado em 1922, embora não tivesse participado da Semana de Arte Moderna, tendo na época apenas doze anos de idade. Militante comunista, foi presa por motivações políticas. wikipedia

POEMA: UM PEIXE

Um pedaço de trapo que fosse
Atirado numa estrada
Em que todos pisam
Um pouco de brisa
Uma gota de chuva
Uma lágrima
Um pedaço de livro
Uma letra ou um número
Um nada, pelo menos
Desesperadamente nada.

TRADUÇÃO DE:

+ SOBRE

https://pt.wikipedia.org/wiki/Pagu
http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/sao_paulo/pagu_patricia_galvao.html
http://apoesiadobrasil.blogspot.com/2014/03/patricia-galvao-pagu-1958.html
http://poesiaeprosapopeia.blogspot.com/2010/09/patricia-pagu-paixao.html
http://www.elfikurten.com.br/2014/04/patricia-galvao-pagu-musa-antropofagica.html

A Poesia de Patrícia Galvão (1910-1962)

OUTROS

Daniel Heinsius, escritor e poeta neerlandês
José Gomes Ferreira, escritor e poeta português
Manuel Camilo dos Santos, poeta brasileiro
José Antonio Ramos Sucre , poeta venezuelano
Gaspar Núñez de Arce , poeta espanhol.
Armando Buscaini , poeta espanhol.
Francisco Rodríguez Marín , poeta e lexicologista americano
John Gillespie Magee, Jr. , piloto e poeta sino-americano
Alex Templeton-Ward , cantor e compositor inglês, baixista e poeta

«OROPA, FRANÇA E BAHIA» por Ascenso Ferreira

#umpoetaumpoemapordia #191 (9/5)

POETA: ASCENSO FERREIRA

Ascenso Carneiro Gonçalves Ferreira (Palmares, 9 de maio de 1895 – Recife, 5 de maio de 1965) foi um poeta brasileiro, conhecido por integrar o movimento modernista de 1922 com uma poesia que destacava a temática regional de sua terra. Usava sempre um grande chapéu de palha, que o caracterizava.

POEMA: OROPA, FRANÇA E BAHIA

“Oropa, França e Bahia”
(Romance)

Para os 3 Manuéis:
Manuel Bandeira
Manuel de Souza Barros
Manuel Gomes Maranhão

Num sobradão arruinado,
Tristonho, mal-assombrado,
Que dava fundos prá terra.
( “para ver marujos,
Ttituliluliu!
ao desembarcar”).

…Morava Manuel Furtado,
português apatacado,
com Maria de Alencar!

Maria, era uma cafuza,
cheia de grandes feitiços.
Ah! os seus braços roliços!
Ah! os seus peitos maciços!
Faziam Manuel babar…

A vida de Manuel,
qque louco alguém o dizia,
era vigiar das janelas
toda noite e todo o dia,
as naus que ao longe passavam,
de “Oropa, França e Bahia”!

— Me dá uma nau daquelas,
lhe suplicava Maria.
— Estás idiota , Maria.
Essas naus foram vintena
Que eu herdei da minha tia!
Por todo o ouro do mundo
eu jamais a trocaria!

Dou-te tudo que quiseres:
Dou-te xale de Tonquim!
Dou-te uma saia bordada!
Dou-te leques de marfim!
Queijos da Serra Estrela,
perfumes de benjoim…

Nada.
A mulata só queria
que seu Manuel lhe desse
uma nauzinha daquelas,
inda a mais pichititinha,
prá ela ir ver essas terras
“De Oropa, França e Bahia”…

— Ó Maria, hoje nós temos
vinhos da quinta do Aguirre,
uma queijadas de Sintra,
só prá tu te distraire
desse pensamento ruim…
— Seu Manuel, isso é besteira!
Eu prefiro macaxeira
com galinha de oxinxim!

“Ó lua que alumias
esse mundo de meu Deus,
alumia a mim também
que ando fora dos meus…”
Cantava Seu Manuel
espantando os males seus.

“Eu sou mulata dengosa,
linda, faceira, mimosa,
qual outras brancas não são”…
Cantava forte Maria,
pisando fubá de milho,
lentamente no pilão…

Uma noite de luar,
que estava mesmo taful,
mais de 400 naus,
surgiram vindas do Sul…
— Ah! Seu Manuel, isso chega…
Danou-se de escada abaixo,
se atirou no mar azul.

— “Onde vais mulhé?”
— Vou me daná no carrosé!
— Tu não vais, mulhé,
— mulhé, você não vai lá…”

Maria atirou-se n´água,
Seu Manuel seguiu atrás…
— Quero a mais pichititinha!
— Raios te partam, Maria!
Essas naus são meus tesouros,
ganhou-as matando mouros
o marido da minha tia !
Vêm dos confins do mundo…
De “Oropa, França e Bahia”!

Nadavam de mar em fora…
(Manuel atrás de Maria!)
Passou-se uma hora, outra hora,
e as naus nenhum atingia…
Faz-se um silêncio nas águas,
cadê Manuel e Maria?!

De madrugada, na praia,
dois corpos o mar lambia…
Seu Manuel era um “Boi Morto”,
Maria, uma “Cotovia”!

E as naus de Manuel Furtado,
herança de sua tia?

— continuam mar em fora,
navegando noite e dia…
Caminham para “Pasárgada”,
para o reino da Poesia!
Herdou-as Manuel Bandeira,
que, ante a minha choradeira,
me deu a menor que havia!

— As eternas naus do Sonho,
de “Oropa, França e Bahia”…

TRADUÇÃO DE:

+ SOBRE

https://pt.wikipedia.org/wiki/Ascenso_Ferreira
http://www.jornaldepoesia.jor.br/af.html
http://www.releituras.com/ascensof_menu.asp
http://www.algumapoesia.com.br/poesia2/poesianet166.htm

OUTROS

Lucian Blaga , poeta romeno , dramaturgo e filósofo
Carlos Bousoño , poeta e filólogo espanhol
Fernando Vidal , magistrado espanhol, presidente do Superior Tribunal de Justiça das Astúrias
Bulat Okudzhava , poeta russo, romancista e cantor
Daniel Berrigan , sacerdote americano, poeta e ativista
Mona Van Duyn , poeta americana e acadêmica
Charles Simic , poeta e editor sérvio-americano
Dan Chiasson , poeta e crítico americano

«ENIVREZ-VOUS (Embriague-se)» por Charles Baudelaire

#umpoetaumpoemapordia #161 (9/4)

POETA: CHARLES BAUDELAIRE

Charles-Pierre Baudelaire (Paris, 9 de abril de 1821 — Paris, 31 de agosto de 1867) foi um poeta boémio, dandy, flâneur e teórico da arte francesa. É considerado um dos precursores do simbolismo e reconhecido internacionalmente como o fundador da tradição moderna em poesia, juntamente com Walt Whitman, embora tenha se relacionado com diversas escolas artísticas. Sua obra teórica também influenciou profundamente as artes plásticas do século XIX

POEMA: ENIVREZ-VOUS

Il faut être toujours ivre. Tout est là: c’est l’unique question. Pour ne pas sentir l’horrible fardeau du Temps qui brise vos épaules et vous penche vers la terre, il faut vous enivrer sans trêve.

Mais de quoi? De vin, de poésie, ou de vertu, à votre guise. Mais enivrez-vous.

Et si quelquefois, sur les marches d’un palais, sur l’herbe verte d’un fossé, dans la solitude morne de votre chambre, vous vous réveillez, l’ivresse déjà diminuée ou disparue, demandez au vent, à la vague, à l’étoile, à l’oiseau, à l’horloge, à tout ce qui fuit, à tout ce qui gémit, à tout ce qui roule, à tout ce qui chante, à tout ce qui parle, demandez quelle heure il est; et le vent, la vague, l’étoile, l’oiseau, l’horloge, vous répondront: “Il est l’heure de s’enivrer!

Pour n’être pas les esclaves martyrisés du Temps, enivrez-vous; enivrez-vous sans cesse! De vin, de poésie ou de vertu, à votre guise.

TRADUÇÃO DE: JORGE PONTUAL

EMBRIAGUEM-SE

É preciso estar sempre embriagado. Isso é tudo: é a única questão. Para não sentir o horrível fardo do Tempo que lhe quebra os ombros e o curva para o chão, é preciso embriagar-se sem perdão.
Mas de que? De vinho, de poesia ou de virtude, como quiser. Mas embriague-se.
E se às vezes, nos degraus de um palácio, na grama verde de um fosso, na solidão triste do seu quarto, você acorda, a embriaguez já diminuída ou desaparecida, pergunte ao vento, à onda, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo o que foge, a tudo o que geme, a tudo o que rola, a tudo o que canta, a tudo o que fala, pergunte que horas são e o vento, a onda, a estrela, o pássaro, o relógio lhe responderão: “É hora de embriagar-se!

Para não ser o escravo mártir do Tempo, embriague-se; embriague-se sem parar! De vinho, de poesia ou de virtude, como quiser”.

TRADUÇÃO DE: ANTÔNIO PINHEIRO GUIMARÃES

Enivrez-vous (Charles Baudelaire, Petits poémes en prose, 1869). Tradução Antônio Pinheiro Guimarães, 1963.

Poesia da Semana – Embriaga-te (Charles Baudelaire)

 

+ SOBRE

Charles Baudelaire – poemas


http://www.algumapoesia.com.br/poesia/poesianet003.htm

Os 11 melhores poemas traduzidos pelo jornalista Jorge Pontual


http://www.elfikurten.com.br/2016/05/charles-baudelaire.html
https://www.escritas.org/pt/charles-baudelaire
http://www.tatianafeltrin.com
https://www.youtube.com/user/tatianagfeltrin/search?query=POESIA+DA+SEMANA

Lesbos: uma nova tradução do poema de Charles Baudelaire, seguida de comentários

OUTROS

Charles Baudelaire, poeta francês
Enrique de Mesa , poeta espanhol
Rafael Porlán , poeta espanhol
Juan Eduardo Cirlot , poeta e crítico da arte espanhola
Lotty Ipinza , poeta e cantora venezuelana.
Johannes Bobrowski , compositor e poeta alemão
.Joolz Denby , poeta e escritor inglês
.Jorge Reis.  escritor e editor português

«LA CAPRA» por Umberto Saba

#umpoetaumpoemapordia #130 (9/3)

POETA: UMBERTO SABA

Umberto Poli (Trieste , 9 em março de 1883 – Gorizia , 25 em agosto de 1957 ), Umberto Saba , poeta e romancista italiano. Considerado dentro do hermetismo em seus primeiros livros, ele inaugurou uma linha poética alternativa, alheia à busca de uma linguagem pura e absoluta.

POEMA: LA CAPRA

Ho parlato a una capra.
Era sola sul prato, era legata.
Sazia d’erba, bagnata
dalla pioggia, belava.

Quell’uguale belato era fraterno
al mio dolore. Ed io risposi, prima
per celia, poi perché il dolore è eterno.
ha una voce e non varia.
Questa voce sentiva
gemere in una capra solitaria.

In una capra dal viso semita
sentiva querelarsi ogni altro male,
ogni altra vita.

TRADUÇÃO DE: GERALDO HOLANDA CAVALCANTI

A CABRA

Conversei com uma cabra.
Estava só, no campo, amarrada.
Saciada de erva, molhada
de chuva, berrava.

Seu berro monótono era fraterno
a minhas dores. E eu respondi-lhe, primeiro
brincando, depois porque também eterno,
invariável e monótono é o sofrimento.
Essa era a voz que eu ouvia gemer numa cabra
solitária.

Numa cabra de rosto semita
ouvia o lamento de todas as dores,
de todas as vidas.

 

+ SOBRE

https://es.wikipedia.org/wiki/Umberto_Saba
http://revistamododeusar.blogspot.com.br/2008/09/umberto-saba-1883-1957.html
http://bibliotecariodebabel.com/geral/tres-poemas-de-umberto-saba/

O POETA ITALIANO UMBERTO SABA


https://www.escritas.org/pt/t/4397/a-cabra
http://poesiailimitada.blogspot.com.br/2011/12/umberto-saba.html

OUTROS

Taras Shevchenko, poeta ucraniano
Vita Sackville-West, poetisa e romancista britânica
Umberto Saba , poeta italiano.
Keri Hulme , autor e poeta da Nova Zelândia

«PROPORTION» por Amy Lowell

#umpoetaumpoemapordia #102 (09/2)

POETISA: AMY LOWELL

Amy Lowell (Brookline, Massachusetts, 9 de fevereiro de 1874 — 12 de maio de 1925) foi uma poetisa dos Estados Unidos condecorada postumamente com o Prémio Pulitzer de Poesia em 1926.

POEMA – PROPORTION

In the sky there is a moon and stars,
And in my garden there are yellow moths
Fluttering about a white azalea bush.

TRADUÇÃO DE: MIGUEL MARTINS

PROPORÇÃO
No céu há uma lua e estrelas,
E no meu jardim há mariposas amarelas
Agitando-se em torno do arbusto de azáleas brancas.

 

+ SOBRE

https://briefpoems.wordpress.com/tag/amy-lowell/
http://bibliotecariodebabel.com/geral/quatro-poemas-de-amy-lowell-traduzidos-por-miguel-martins/
http://adamar.org/ivepoca/node/1498
http://la-letra-escarlata.blogspot.com.br/2009/02/poema-3-amy-lowell.html
https://mexicokafkiano.com/2015/05/4-poemas-de-amy-lowell/

OUTROS POETAS:

Vasily Andreevich Zhukovsky

«POEMA» por João Cabral de Melo Neto

#umpoetaumpoemapordia #071 (09/1)

POETA: JOÃO CABRAL DE MELO NETO

João Cabral de Melo Neto nasceu na cidade de Recife – PE, no dia 09 de janeiro de 1920 – Rio de Janeiro, 9 de outubro de 1999) foi um poeta e diplomata brasileiro.

POEMA
Meus olhos têm telescópios / espiando a rua / espiando minha alma / longe de mim mil metros. // Mulheres vão e vêm nadando / em rios invisíveis. / Automóveis como peixes cegos / compõem minha visões mecânicas. // Há vinte anos não digo a palavra / que sempre espero de mim. // Ficarei indefinidamente contemplando / meu retrato eu morto.

“Poema”, transcrito a seguir, é o primeiro texto de Pedra do sono, livro de estréia de João Cabral publicado em 1941.
MELO NETO, João Cabral de. O cão sem plumas. In: Pedra do sono (1940-1941). Rio de Janeiro, Alfaguara/Objetiva, 2007. p. 23.

 

MAIS SOBRE

http://www.releituras.com/joaocabral_bio.asp

Os 10 melhores poemas de João Cabral de Melo Neto


http://www.jornaldepoesia.jor.br/joao.html
http://www.algumapoesia.com.br/poesia/poesianet001.htm
http://biografiaecuriosidade.blogspot.com.br/2015/02/biografia-de-joao-cabral-de-melo-neto.html

Clique para acessar o 7765_13.PDF

OUTROS POETAS

Heiner Müller (1929 – 1995)

«CROMO» por Maria de Arruda Müller

#umpoetaumpoemapordia #040 (9/12)

POETISA: MARIA DE ARRUDA MÜLLER

Maria de Arruda Müller (Cuiabá, Mato Grosso, Brasil, em 9 de dezembro de 1898 — Cuiabá, 4 de dezembro de 2003) foi uma professora e poetisa brasileira. WIKIPEDIA

POEMA: CROMO

Ao Júlio

Sol de bruma, sol de agosto…
Uma canoa sobe o rio,
Deslizando, mansamente.
Água crespa, saltitante
Que o remo esfrola, de arrepio.

Pia, a inambu solitária:
Margem ensombrada, reflete.
Troncos, folhas, saranzais
Tremulantes, desiguais:
– Imagens, que o vento reflete!

Vésper, ainda sozinha, estadeia
O sol descai: rápido ele vai…
Para trás da colina, na outra margem,
Doce, áureo-rosa miragem
De um bem querer que não se esvai.
– Maria de Arruda Müller, em “Sons Longínquos”. 1998.

+ SOBRE

https://pt.wikipedia.org/wiki/Maria_de_Arruda_Müller
http://www.elfikurten.com.br/2015/05/maria-de-arruda-muller.html
http://www.poetasdematogrosso.com/2018/04/maria-de-arruda-muller.html
https://pt.wikipedia.org/wiki/Maria_de_Arruda_Müller
http://rincondepoetasmajo.blogspot.com.br/2012/07/maria-de-arruda-muller.html
A POESIA MATO-GROSSENSE NA MIRA DO HISTORIADOR, CRÍTICO E POETA RUBENS DE MENDONÇA
Drª Rosana Rodrigues da Silva

poesia mato-grossense de exaltação da terra – UFMT

OUTROS

António Lopes Ferreira, escritor e poeta português

Maksim Bahdanovič , poeta bielorrusso

Alfonso Cortés , poeta nicaraguense

Manlio Sgalambro , filósofo e poeta italiano

Gioconda Belli , poeta e romancista da Nicarágua

Nacho Vegas , músico e poeta espanhol

John Milton , poeta e filósofo inglês

Richard Lovelace , poeta inglês

«COGITO» por Torquato Neto

#umpoetaumpoemapordia #010 (09/11)

POETA: TORQUATO NETO

Torquato Pereira de Araújo Neto (Teresina, 9 de novembro de 1944 — Rio de Janeiro, 10 de novembro de 1972) foi um poeta brasileiro, jornalista, letrista de música popular, experimentador ligado à contracultura

POEMA: COGITO

eu sou como eu sou
pronome
pessoal intransferível
do homem que iniciei
na medida do impossível

eu sou eu sou
agora
sem grandes segredos dantes
sem novos segredos dentes
nesta hora

eu sou como eu sou

presente
desferrolhado indecente
feito um pedaço de mim
eu sou como eu sou
vidente
e vivo tranquilamente
todas as horas do fim..

 

+ SOBRE

https://pt.wikipedia.org/wiki/Torquato_Neto
http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/piaui/torquato_neto.html
http://revistamododeusar.blogspot.com.br/2008/03/torquato-neto-1944-1972.html
http://www.elfikurten.com.br/2013/08/torquato-neto-o-anjo-torto.html
http://www.releituras.com/torqneto_menu.asp

Perfil Poesia Brasileira, Torquato Neto: “Qualquer palavra é um gesto.”

Poemas de Torquato Neto [1944-1972]

 

Berna, 2 de janeiro de 1947

Berna, 2 de janeiro de 1947

Querida,

Não pense que a pessoa tem tanta força assim a ponto de levar qualquer espécie de vida e continuar a mesma. Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso — nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro.. Nem sei como explicar minha alma. Mas o que eu queria dizer é que a gente é muito preciosa, e que é somente até um certo ponto que a gente pode desistir de si própria e se dar aos outros e às circunstâncias. Depois que uma pessoa perder o respeito a si mesma e o respeito às suas próprias necessidades — depois disso fica-se um pouco um trapo.

Eu queria tanto, tanto estar junto de você e conversar e contar experiências minhas e de outros. Você veria que há certos momentos em que o primeiro dever a realizar é em relação a si mesmo. Eu mesma não queria contar a você como estou agora, porque achei inútil. Pretendia apenas lhe contar o meu novo caráter, ou falta de caráter, um mês antes de irmos para o Brasil, para você estar prevenida. Mas espero de tal forma que no navio ou avião que nos leva de volta eu me transforme instantaneamente na antiga que eu era, que talvez nem fosse necessário contar. Querida, quase quatro anos me transformaram muito. Do momento em que me resignei, perdi toda a vivacidade e todo interesse pelas coisas. Você já viu como um touro castrado se transforma num boi? Assim fiquei eu… em que pese a dura comparação… Para me adaptar ao que era inadaptável, para vencer minhas repulsas e meus sonhos, tive que cortar meus grilhões — cortei em mim a forma que poderia fazer mal aos outros e a mim. E com isso cortei também minha força. Espero que você nunca me veja assim resignada, porque é quase repugnante. Espero que no navio que me leve de volta, só a idéia de ver você e de retomar um pouco minha vida — que não era maravilhosa mas era uma vida — eu me transforme inteiramente.

Uma amiga, um dia, encheu-se de coragem, como ela disse, e me perguntou: “Você era muito diferente, não era?” Ela disse que me achava ardente e vibrante, e que quando me encontrou agora se disse: ou esta calma excessiva é uma atitude ou então ela mudou tanto que parece quase irreconhecível. Uma outra pessoa disse que eu me movo com lassidão de mulher de cinqüenta anos. Tudo isso você não vai ver nem sentir, queira Deus. Não haveria necessidade de lhe dizer, então. Mas não pude deixar de querer lhe mostrar o que pode acontecer com uma pessoa que fez pacto com todos, e que se esqueceu de que o nó vital de uma pessoa deve ser respeitado. Ouça: respeite mesmo o que é ruim em você — respeite sobretudo o que você imagina que é ruim em você — pelo amor de Deus, não queira fazer de você uma pessoa perfeita — não copie uma pessoa ideal, copie você mesma — é esse o único meio de viver.

Juro por Deus que se houvesse um céu, uma pessoa que se sacrificou por covardia — será punida e irá para um inferno qualquer. Se é que uma vida morna não será punida por essa mesma mornidão. Pegue para você o que lhe pertence, e o que lhe pertence é tudo aquilo que sua vida exige. Parece uma vida amoral. Mas o que é verdadeiramente imoral é ter desistido de si mesma. Espero em Deus que você acredite em mim. Gostaria mesmo que você me visse e assistisse minha vida sem eu saber. Isso seria uma lição para mim. Ver o que pode suceder quando se pactua com a comodidade de alma.

Tua

Clarice.

49

DOIS ROMPANTES DE PALAVRAS SOLTAS E UM SONETO DE NERUDA NO MEU PRIMEIRO DIA DE CASA NOVA (82, Servidão do Mangueirão)

.

A rã salta com suas asas de trigo – quero tua boca como o sopro que imprimo e prosa e verso e certo, como o jasmim e o hortelã que florescem ao sol e à chuva e aos dias – olhos teus, que divinal figura. O bobo por si traz o rir e fico. Na bruma da noite longa, no néctar rubro, na tua boca ébria, no meu juízo maldito, nos poemas de neruda…

A rã salta com suas patas e folhas… Sussurram, diante de meus olhos, os pensamentos que dizem qualquer coisa que não ao insanos desejos. Lamber a mão que toca meu cabelo, distrair-me em teus pêlos, e poréns, e teu corpo, exposto, como um pétala em outra pétala, em carne ferida, em êxtase… mulheres, todas as mulheres
[Desisti deste texto por ora…]

São belos e densos os sonetos que tocam-me o peito, os dentes, os olhos… E o leito, só, da noite longa, quando dia claro, noite longa, aquece-me e me busca como os olhos da moça do outro lado, como os dentes da fera que quer meu corpo, como o peito da virgem que delimito o ângulo e sonho sentir, como o ópio, como o leite, como o sonho espacial – de estrelas, sorrisos, vinho e canções…

E só me entrego aos lapsos de claridade. Aos inevitáveis olhares – únicos, móveis… sono. Uma morna letargia. um passional torpor, um grito alto e longe guardado para um depois…
São belos e azuis os sonetos… Tempestade de ruídos e silêncios.
[pela preguiça de levantar depois de uma noite de vinho]

51vtGUN+wKL

É HOJE: todo o ontem foi caindo
entre dedos de luz e olhos de sonho,
amanhã chegará com passos verdes:
ninguém detém o rio da aurora.
Ninguém detém o rio de tuas mãos,
os olhos de teu sonho, bem amada,

és tremor do tempo que transcorre
entre luz vertical e sol sombrio

e o céu fecha sobre ti suas asas
levando-te e trazendo-te aos meus braços
com pontual, misteriosa cortesia:

por isto canto ao dia e à lua
ao mar, ao tempo, a todos os planetas,
a tua voz diurna e a tua pele noturna.

neruda, por carlos nejar in cem sonetos de amor

presente de carol. 🙂