rascunho/fragmento: as vezes é preciso entrar dentro de você [mesmo]

uma luz, um farol
o sorriso de um bebê
as vezes é preciso entrar dentro de você [mesmo]
e permanecer quietinho quietinho
deixa o mundo ventar
deixa as coisas serem
deixa como está
as vezes é preciso entrar dentro de você [mesmo]
e permanecer, perceber
trovejar… uma chuva que vai chegar
calor, a umidade, a poeira, saudade
mas as vezes é preciso entrar dentro de você [mesmo]
e permancer quietinho quietinho
abraçar a dor.

*

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» barba e cabelos cortados.

a vontade de te encontrar e o motivo eu ja nem sei… nem que seja só para estar ao teu lado

Olhos fechados pra te encontrar…
Aonde quer que eu vá, levo você, no olhar.

A vontade de te encontrar
E o motivo eu ja nem sei
Nem que seja só para estar
Ao teu lado só pra ler
No teu rosto
Uma mensagem de amor

*

eu mirei aquele pássaro mais distante, na nuvem mais longe… e voei pelo azul em suas asas – era um riso entre minhas lágrimas. e antes de sair… enquanto cantarolava compulsivamente o trecho acima para não desabar… lembrei da flor que te mostrei quinta-feira…

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peguei um galho pequeno do ipê roxo recém florido que dá pra minha porta… sabe, é aquele ipê que a gente plantou, mãe. aquele que eu quis e você me deu. sabe, se quase o tempo todo, para quase todo o resto do mundo, feito belchior, eu quero que meu canto torto feito faca corte a carne deles…

mas para você, maezinha, como clarice, quereria tanto te dar o que sinto, e seria uma flor. porque pensar em você me traz isto que escrevi pra ti, e te mostrei, tempos atrás.

é isso mãe, seguir teus passos… espalhar sementes de amor, de poesia e resistência, num mundo tão dolorido. você é parte fundamental do meu ser, pois se há em mim qualquer coisa que valha, como eu já te disse tantas vezes, é por tua causa, pelo teu ser. te amo mãezinha.


ontem quando a dor mais dilacerante que rasgou tudo por dentro… a saudade de nós dois.

às vezes éramos duros, crianças usando as armaduras que aprendemos a levantar, maltratados pelas coisas da vida, com esse nó no peito sempre… essas dores ancestrais… as dificuldades de baixar guarda e dizer te amo… essa dificuldade de abraço (que no fundo era aparente… porque você me segurou no colo, aparou meu choro e meu pranto tantas vezes, acalantou meu ser e antes mesmo de eu me dar conta de mim mesmo… com seu abraço, permitiu que eu abrisse asas… que fosse sabedor dos abraços e, meio a aparente contragosto, tu se deixar estar nos meus abraços longos e bem apertados, de mãe e filho. e por mais que eu carregue a mesma armadura, o mesmo nó, as mesmas dores, as mesmas dificuldades, essa nossa humana ancestralidade… sei que o que há de mais livre em mim, eu sei que vem de você e por você.

você foi o ser humano mais humano que conheci nessa vida. te amo maezinha.

noutras, éramos duas crianças brincando… com palavras, gestos e sentimentos, e o teu riso era meu riso assim como o meu riso era teu, quantas gargalhas de até doer já demos… cúmplices de afinidades, de curiosodade, de leituras e literatura, de discussões filosóficas… de jardinagem, de chás, de conselhos, de traquinagens, de sonhos. tu era o ser mais potente que tive o privilégio de conhecer… transbordava generosidade, entrega, justiça, rebelião… e num mundo tão bruto e caduco, você era só coração, aquela que curava, pelo gesto e exemplo, pela dádiva. movimentando… conectando… orientando… inspirando…

te amo maezinha.

saudade.

«VIOLONCHELO» por Leopoldo Lugones

#Dia do escritor
porque hoje é o dia do escritor na argentina
e alguém apareceu por cá procurando por:
Leopoldo Lugones.

POEMA: VIOLONCHELO

Divina calma del mar
donde la luna dilata
largo reguero de plata
que induce a peregrinar.

En la pureza infinita
en que se ha abismado el cielo,
un ilusorio pañuelo
tus adioses solicita.

y ante la excelsa quietud,
cuando en mis brazos te estrecho
es tu alma, sobre mi pecho,
melancólico laúd.

POETA: Leopoldo Lugones

Leopoldo Antonio Lugones (Villa Maria del Rio Seco, Cordoba, 13 de junho de 1874 – San Fernando, Buenos Aires, 18 de fevereiro de 1938). Poeta argentino. Juntamente com Rubén Darío, ele foi o principal expoente do modernismo hispano-americano. Na Argentina, a data de seu nascimento é considerada o dia do escritor.

+ SOBRE:

Leopoldo Lugones, poeta argentino
Alguns poemas de LEOPOLDO LUGONES
LEOPOLDO LUGONES, Introducción y selección de CARMEN ALARDÍN
Nasce o poeta argentino Leopoldo Lugones
5 poemas de Leopoldo Lugones
Leopoldo Lugones - Literatura Iberoamericana
Dia do escritor: por que é comemorado em 13 de junho
Buenos_Aires_-_Leopoldo_Lugones_practicando_esgrima

«CONSEJOS PARA LA MUJER FUERTE» por Gioconda Belli

um depoimento, um poema, uma tradução e uma imagem.

Tão bonito ver a filha fazendo as coisas com autonomia… estive ali pela manhã inteira, mas as coisas dela… Ela fez tudo sozinha. Servi apenas para pagar o transporte, dar conselhos e jogar conversa fora. Foi boa a manhã desta quinta-feira.


E não deixei de escrever. Deixei apenas de publicar. Há rascunhos por cá, aguardando um dia serem publicizados… E outros em papéis extraviados pela casa… Eu sou um caos.


Consejos para la mujer fuerte • Gioconda Belli

 

Si eres una mujer fuerte
protégete de las alimañas que querrán
almorzar tu corazón.
Ellas usan todos los disfraces de los carnavales de la tierra:
se visten como culpas, como oportunidades, como precios que hay que pagar.
Te hurgan el alma; meten el barreno de sus miradas o sus llantos
hasta lo más profundo del magma de tu esencia
no para alumbrarse con tu fuego
sino para apagar la pasión
la erudición de tus fantasías.

Si eres una mujer fuerte
tienes que saber que el aire que te nutre
acarrea también parásitos, moscardones,
menudos insectos que buscarán alojarse en tu sangre
y nutrirse de cuanto es sólido y grande en ti.

No pierdas la compasión, pero témele a cuanto conduzca
a negarte la palabra, a esconder quién eres,
lo que te obligue a ablandarte
y te prometa un reino terrestre a cambio
de la sonrisa complaciente.

Si eres una mujer fuerte
prepárate para la batalla:
aprende a estar sola
a dormir en la más absoluta oscuridad sin miedo
a que nadie te tire sogas cuando ruja la tormenta
a nadar contra corriente.

Entrénate en los oficios de la reflexión y el intelecto
Lee, hazte el amor a ti misma, construye tu castillo
rodealo de fosos profundos
pero hazle anchas puertas y ventanas

Es menester que cultives enormes amistades
que quienes te rodean y quieran sepan lo que eres
que te hagas un círculo de hogueras y enciendas en el centro de tu habitación
una estufa siempre ardiente donde se mantenga el hervor de tus sueños.

Si eres una mujer fuerte
protégete con palabras y árboles
e invoca la memoria de mujeres antiguas.

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Has de saber que eres un campo magnético
hacia el que viajarán aullando los clavos herrumbrados
y el óxido mortal de todos los naufragios.
Ampara, pero ampárate primero
Guarda las distancias
Constrúyete. Cuídate
Atesora tu poder
Defiéndelo
Hazlo por ti
Te lo pido en nombre de todas nosotras.

Rebeliones y revelaciones (2018)


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poema: CONSELHOS PARA A MULHER FORTE
(Gioconda Belli, Nicarágua, 1948)

Se és uma mulher forte
te protejas das hordas que desejarão
almoçar teu coração.
Elas usam todos os disfarces dos carnavais da terra:
se vestem como culpas, como oportunidades, como preços que se precisa pagar.
Te cutucam a alma; metem o aço de seus olhares ou de seus prantos
até o mais profundo do magma de tua essência
não para alumbrar-se com teu fogo
senão para apagar a paixão
a erudição de tuas fantasias.

Se és uma mulher forte
tens que saber que o ar que te nutre
carrega também parasitas, varejeiras,
miúdos insetos que buscarão se alojar em teu sangue
e se nutrir do quanto é sólido e grande em ti.

Não percas a compaixão, mas teme tudo que te conduz
a negar-te a palavra, a esconder quem és,
tudo que te obrigue a abrandar-se
e te prometa um reino terrestre em troca
de um sorriso complacente.

Se és uma mulher forte
prepara-te para a batalha:
aprende a estar sozinha
a dormir na mais absoluta escuridão sem medo
que ninguém te lance cordas quando rugir a tormenta
a nadar contra a corrente.

Treine-se nos ofícios da reflexão e do intelecto.
Lê, faz o amor a ti mesma, constrói teu castelo
o rodeia de fossos profundos
mas lhe faça amplas portas e janelas.

É fundamental que cultives enormes amizades
que os que te rodeiam e queiram saibam o que és
que te faças um círculo de fogueiras e acendas no centro de tua habitação
uma estufa sempre ardente de onde se mantenha o fervor de teus sonhos.

Se és uma mulher forte
se proteja com palavras e árvores
e invoca a memória de mulheres antigas.

Saberás que és um campo magnético
até onde viajarão uivando os pregos enferrujados
e o óxido mortal de todos os naufrágios.
Ampara, mas te ampara primeiro.
Guarda as distâncias.
Te constrói. Te cuida.
Entesoura teu poder.
O defenda.
O faça por você.
Te peço em nome de todas nós.

(tradução de Jeff Vasques)

Leitura de Ana Maria Furlan. Este poema faz parte da antologia “Poesias de Luta da América Latina” organizada e traduzida por Jeff Vasques. Você pode adquirir esse livro aqui: https://benfeitoria.com/eupassarinho

Imagem: “Девушка, несущая быка”. Рисунок белорусского художника Владимира Фоканова, компьютерная графика, 2009 г. /  “Menina, carregando um touro”. Quadro pelo artista bielorrusso Vladimir Fokanov, computação gráfica, 2009. Veja o trabalho de Vladimir Fokanov em sua galeria aqui

 

Há tantos diálogos

Há tantos diálogos

Diálogo com o ser amado
………………….. o semelhante
………………….. o diferente
………………….. o indiferente
………………….. o oposto
………………….. o adversário
………………….. o surdo-mudo
………………….. o possesso
………………….. o irracional
………………….. o vegetal
………………….. o mineral
………………….. o inominado

Diálogo consigo mesmo
………………….. com a noite
………………….. os astros
………………….. os mortos
………………….. as idéias
………………….. o sonho
………………….. o passado
………………….. o mais que futuro

Escolhe teu diálogo
………………….. e
tua melhor palavra
………………….. ou
teu melhor silêncio
Mesmo no silêncio e com o silêncio
dialogamos.

Carlos Drummond de Andrade
In Discurso de Primavera & Algumas Sombras
José Olympio, 1977

Sem título

«INVIERNO» por Hugo Lindo

#umpoetaumpoemapordia #348 (13/10)

POETA: LINDO HUGO

Lindo Hugo Olivares (La Union, El Salvador, 13 de outubro de 1917 – San Salvador, El Salvador, 09 de setembro de 1985) foi um escritor, diplomata, político e advogado de El Salvador.

POEMA: INVIERNO

Un día caerán las comisas de enfrente
y no tendrá la lluvia
en donde recoger sus palomas de vidrio
ni en donde mussitar el temblor de su música.
Entonces estaremos más allá del invierno.
Entonces estaremos más allá del invierno.
Nadie repetirá la voz de nuestra angustia.
Ya no tendremos lágrimas ni pájaros de asombro,
y una tristeza única,
emergerá de todos los instantes perdidos
y llovserá en la lluvia.

TRADUÇÃO DE: Aurélio Buarque de Holanda Ferreira

INVERNO

Um dia cairão as cortinas de em frente
e não terá a chuva
adonde recolher suas pombas de vidro,
nem onde cochichar o tremor de sua música.
Estaremos então mais para além do inverno.
Ninguém repetirá a voz de nossa angústia.
Já não teremos lágrimas nem pássaros de assombro,
e uma tristeza única,
emergirá de todos os instantes perdidos
e choverá na chuva.

+ SOBRE

http://www.antoniomiranda.com.br/Iberoamerica/el_salvador/hugo_lindo.html
https://es.wikipedia.org/wiki/San_Salvador
http://hugolindo.website/poesiah.htm

Hugo Lindo


http://www.prometeodigital.org/SIEMPRE_LINDO.htm

OUTROS

Graciela Rincon Calcaño, poetisa, narradora, colunista e autor dramática venezuelana
Ernest Myers, poeta e escritor inglês
Sasha Chorny, poeta e escritor russo
Arna Bontemps, bibliotecária americana, autora e poeta
Millosh Gjergj Nikolla, poeta e autor albanês
Richard Howard,crítico, tradutor e poeta americano
Walasse Ting, pintor e poeta sino-americano

«ESPELHO» por Anibal Beça

#umpoetaumpoemapordia #318 (13/9)

POETA: ANIBAL BEÇA

é o nome literário de Anibal Augusto Ferro de Madureira Beça Neto (Manaus, Amazonas, Brasil, 13 de setembro de 1946 – 25 de agosto de 2009) foi escritor (poeta), tradutor, compositor, teatrólogo e jornalista brasileiro

POEMA: ESPELHO

Para fechar sem chave a minha sina
Clara inversão da jaula das palavras
As vestes da sintaxe que componho
De baixo para cima é que renovo.

Escancarando um solo transmutado
Para o sol da surpresa nas janelas
Ao mesmo pouso de ave renascida
Do fim regresso fera não domada.

Na duração que escorre nessa arena
Lambendo vem a pressa em que me aposto
Nessa voragem, vaga um mar de calma

Que me alimenta os ossos da memória.
Sobrada sobra, cinza dos minutos,
O que sobrou de mim são essas sombras.

+ SOBRE

http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/amazonas/anibal_beca.html
https://pt.wikipedia.org/wiki/An%C3%ADbal_Be%C3%A7a
http://www.jornaldepoesia.jor.br/abeca.html
http://www.overmundo.com.br/banco/alguns-poemas-de-anibal-beca

OUTROS

Natália Correia, ativista social, escritora e poeta açoriana
Otokar Březina, poeta e ensaísta checo
Julian Tuwim, poeta polonês
John Leland, poeta e historiador inglês
Roald Dahl, romancista, poeta e roteirista britânico

«A UM SABIÁ» por Gonçalves de Magalhães

#umpoetaumpoemapordia #287 (13/8)

POETA: GONÇALVES DE MAGALHÃES

Domingos José Gonçalves de Magalhães, primeiro e único barão e visconde do Araguaia, (Rio de Janeiro, Brasil, 13 de agosto de 1811 – Roma, 10 de julho de 1882) foi um médico, professor, diplomata, político, poeta e ensaísta brasileiro, tendo participado de missões diplomáticas na França, Itália, Vaticano, Argentina, Uruguai e Paraguai, além de ter representado a província do Rio Grande do Sul na sexta Assembleia Geral.

POEMA: A UM SABIÁ

Mimoso Sabiá, temo e canoro,
Alma dos bosques que o Brasil enfeitam,
Como seu mestre as aves te respeitam,
E os homens como o Orfeu do aéreo coro.

Os Amores, e Lilia por quem choro,
Teu doce canto por tributo aceitam;
Eles folgam contigo, e se deleitam,
Eu pasmo de te ouvir, e a um Deus adoro.

Tu vives em contínua primavera;
Lilia te afaga, Lilia ouve teu canto!
A tua feliz sorte, oh, quem m’a dera !

Então o meu penar não fora tanto ;
Pois seu peito abrandado já tivera
Co´a voz que ao seio d’alma leva o encanto.

Extraído de SONETOS BRASILEIROS Século XVII – XX. Colletanea organisada por Laudelino Freire. Rio de Janeiro: F. Briguiet & Cie., 1913

TRADUÇÃO DE:

+ SOBRE

https://pt.wikipedia.org/wiki/Gonçalves_de_Magalhães
https://www.escritas.org/pt/l/goncalves-de-magalhaes
http://www.jornaldepoesia.jor.br/maga01.html
https://www.literaturabrasileira.ufsc.br/documentos/?action=download&id=37540
http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/rio_de_janeiro/domingos_jose_goncalves_de_magalhaes.html

Gonçalves de Magalhães

OUTROS

Francisco Gomes de Amorim, poeta português
Onildo Almeida, compositor, músico e poeta brasileiro
Tomás Borge , político, revolucionário, poeta e escritor nicaraguense

«JOURNEY» por Wole Soyinka

#umpoetaumpoemapordia #256 (13/7)

POETA: WOLE SOYINKA

Akinwande Oluwole Babatunde Soyinka ( Yoruba : Akinwándé Oluwo̩lé Babátúndé S̩óyinká (Abeokuta, Estado de Ogun , Nigéria, 13 de julho de 1934) é um escritor nigeriano.

Em 1986 foi agraciado com o Nobel de Literatura, sendo considerado o dramaturgo mais notável da África.

POEMA: JOURNEY

I never feel I have arrived, though I come
To journey’s end. I took the road
That loses crest to questions, yet bears me
Down the other homeward earth. I know
My flesh is nibbled clean, lost
To fretful fish among the rusted hull
I passed them on my way.

And so with bread and wine
I lack the sharing with defeat and dearth
I passed them on my way.

I never feel I have arrived
Though love and welcome snare me home
Usurpers hand my cup at every
Feast, a last supper.

(Idanre and Other Poems)

TRADUÇÃO DE: Marie Antoinette 

Mesmo chegado ao fim da viagem,
jamais senti que tinha chegado.

Peguei a estrada
lentamente a subir a encosta das perguntas, e que me leva
inclusive a descer à terra que conduz a casa. Sei
que a minha carne está claramente mordiscada, perdida
para o perturbado peixe entre as vagas sussurrantes –
deixei-os para trás em minha rota

E assim também com o pão e o vinho
necessito a partilha da derrota e da carestia
deixei-os para trás em minha rota
jamais senti que tinha chegado.

Embora amor e boas vindas me acolham em casa
os usurpadores gastam o meu copo em cada
banquete como se fosse a última ceia.

TRADUÇÃO DE: Rafael Patiño

Viaje
Aunque llegué al final del viaje,
Jamás sentí que hubiera llegado.
Tomé la carretera
Que sube despacio la cuesta de las preguntas, y que me lleva
Incluso a descender a la tierra que conduce a casa. Yo sé
Que mi carne está limpiamente mordisqueada, perdida
Para el perturbado pez entre las vainas susurrantes-
Yo los dejé atrás en mi ruta
Y así también con el pan y el vino
Necesito la repartición de derrota y carestía
Yo los dejé atrás en mi ruta
Jamás sentí que hubiera llegado
Aunque amor y bienvenida me atrapan en casa
Los usurpadores pasan mi copa en cada
Banquete como en una última cena

+ SOBRE

https://www.catarse.me/escola_de_poesia_wole_soyinka_8636
https://pt.wikipedia.org/wiki/Wole_Soyinka
http://antoncastro.blogia.com/2010/012301-wole-soyinka-dos-poemas.php
http://faustomarcelo.blogspot.com/2015/09/poemas-de-wole-soyinka.html

POESIA AO AMANHECER – 391 – por Manuel Simões


http://www.postcolonialweb.org/soyinka/journey1.html
http://www.soyinka.com/the-works/
https://www.portaldeangola.com/2013/07/poema-de-wole-soyinka/

OUTROS

Naomi Shemer, cantora, compositora e poetisa israelense
Bhanu-Bhakta Acharia, poeta e tradutor nepalês
Murat Toptani, poeta e escultor albanês
Jaume Ferran Camps, poeta e professor universitário espanhol
István Pauli, sacerdote e poeta húngaro-esloveno
John Clare, poeta e escritor inglês
Sam Greenlee, autor e poeta americano

«AUTOPSICOGRAFIA» por Fernando Pessoa

#umpoetaumpoemapordia #226 (13/6)

POETA: FERNANDO PESSOA

Fernando António Nogueira Pessoa (Lisboa, 13 de junho de 1888 — Lisboa, 30 de novembro de 1935) foi um poeta, filósofo, dramaturgo, ensaísta, tradutor, publicitário, astrólogo, inventor, empresário, correspondente comercial, crítico literário e comentarista político português.

Fernando Pessoa é o mais universal poeta português. Por ter sido educado na África do Sul, numa escola católica irlandesa, chegou a ter maior familiaridade com o idioma inglês do que com o português ao escrever os seus primeiros poemas nesse idioma. O crítico literário Harold Bloom considerou Pessoa como “Whitman renascido”,[4] e o incluiu no seu cânone entre os 26 melhores escritores da civilização ocidental,[5] não apenas da literatura portuguesa mas também da inglesa

POEMA: AUTOPSICOGRAFIA

O poeta é um fingidor
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.

Poesias. Fernando Pessoa. (Nota explicativa de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.) Lisboa: Ática, 1942 (15ª ed. 1995). – 235. 1ª publ. in Presença , nº 36. Coimbra: Nov. 1932.

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+ SOBRE

https://pt.wikipedia.org/wiki/Fernando_Pessoa
https://www.escritas.org/pt/fernando-pessoa
http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/ResultadoPesquisaObraForm.do?first=50&no_autor=Fernando%20Pessoa&co_categoria=2&pagina=1&select_action=Submit&co_midia=2
https://www.portaldaliteratura.com/autores.php?autor=339
http://arquivopessoa.net/textos/4234
http://www.releituras.com/fpessoa_psicografia.asp

OUTROS

Pedro António Correia Garção, poeta português
William Butler Yeats, poeta irlandês
José Bonifácio (José Bonifácio de Andrade e Silva), naturalista brasileiro, estadista, poeta e político pró-independência
Leopoldo Lugones , poeta argentino
Bruno Frank , autor, poeta e dramaturgo germano-americano
Dorothy L. Sayers , escritora e poeta inglesa
Hector de Saint-Denys Garneau , poeta e pintor canadense
Fernando Antônio Py de Mello e Silva, conhecido como Fernando Py é um poeta, crítico literário e tradutor brasileiro
José Paulo Moreira da Fonseca foi um escritor, poeta, ensaísta, teatrólogo, pintor e crítico de arte brasileiro.

«CHUVA E SOL» por Raimundo Correia

#umpoetaumpoemapordia #195 (13/5)

POETA: RAIMUNDO CORREIA

Raimundo da Mota de Azevedo Correia (a bordo do navio brasileiro São Luís, ancorado na baía de Mogúncia, MA, 13 de maio de 1859 — Paris, 13 de setembro de 1911) foi um juiz e poeta brasileiro. Fundador da Cadeira 5 da ABL.

POEMA – CHUVA E SOL

Agrada à vista e à fantasia agrada
Ver-te, através do prisma de diamantes
Da chuva, assim ferida e atravessada
Do sol pelos venábulos radiantes…
Vais e molhas-te, embora os pés levantes:
– Par de pombos, que a ponta delicada
Dos bicos metem nágua e, doidejantes,
Bebem nos regos cheios da calçada…
Vais, e, apesar do guarda-chuva aberto,
Borrifando-te colmam-te as goteiras
De pérolas o manto mal coberto;
E estrelas mil cravejam-te, fagueiras,
Estrelas falsas, mas que assim de perto,
Rutilam tanto, como as verdadeiras…
Publicado no livro Versos e Versões (1887).
In: CORREIA, Raimundo. Poesias completas. Org. pref. e notas Múcio Leão. São Paulo: Ed. Nacional, 1948. v.1, p.109.
Há 155 anos nascia o poeta Raimundo Correia

 + SOBRE:

«FOUR POEMS» por Samuel Beckett

#umpoetaumpoemapordia #165 (13/4)

POETA: SAMUEL BECKETT

Samuel Barclay Beckett (Dublin, 13 de abril de 1906 — Paris, 22 de dezembro de 1989) foi um dramaturgo e escritor irlandês.

POEMA: FOUR POEMS

  1. Dieppe
    again the last ebb
    the dead shingle
    the turning then the steps
    toward the lighted town

2.
my way is in the sand flowing
between the shingle and the dune
the summer rain rains on my life
on me my life harrying fleeing
to its beginning to its end

my peace is there in the receding mist
when I may cease from treading these long shifting thresholds
and live the space of a door
that opens and shuts

3.
what would I do without this world faceless incurious
where to be lasts but an instant where every instant
spills in the void the ignorance of having been
without this wave where in the end
body and shadow together are engulfed
what would I do without this silence where the murmurs die
the pantings the frenzies toward succour towards love
without this sky that soars
above its ballast dust

what would I do what I did yesterday and the day before
peering out of my deadlight looking for another
wandering like me eddying far from all the living
in a convulsive space
among the voices voiceless
that throng my hiddenness

4.
I would like my love to die
and the rain to be falling on the graveyard
and on me walking the streets
mourning the first and last to love me

TRADUÇÃO DE: HUGO PINTO SANTOS

1. Dieppe
torna derradeira maré vaza
morto seixo
a volta logo os passos
rumo à vila sob a luz

2.
o meu curso é na areia fluida
entre seixo e duna
chuva de verão chove-me na vida
em mim vida que me segue me foge
até ao cabo até ao rabo

a minha paz ali está na névoa a recuar
onde eu possa não mais dar estes passos longos em limiares fugidios
e viva o espaço de tempo de uma porta
que se abre e se fecha

3.
que faria eu sem este mundo sem rosto sem curar de nada
onde ser não dura mais que um instante onde cada instante
verte no vazio a ignorância de ter sido
sem esta vaga onde por fim
corpo e sombra juntos se engolfam
que faria eu sem este silêncio onde murmúrios morrem
ofegando fremindo rumo ao auxílio rumo ao amor
sem este céu que se eleva
acima do pó da sua gravilha

que faria eu que fiz ontem e antes
espreitando da minha escotilha buscando outrem
vagando como eu na corrente alheio a toda a vida
num espaço convulso
por entre as vozes afásicas
que se aglomeram no meu covil

4.
Queria que o meu amor morresse
e chovesse sobre as campas e
sobre mim cruzando as ruas de
luto pelo primeiro o derradeiro amor

+ SOBRE

http://www.enfermaria6.com/blog/2014/1/2/quatro-poemas-de-samuel-beckett-traduzidos-do-francs-pelo-autor
https://canaldepoesia.blogspot.com.br/2010/09/samuel-beckett-tres-poemas-de-amor.html
https://pt.wikipedia.org/wiki/Samuel_Beckett
http://sylviabeirute.blogspot.com.br/2010/08/samuel-beckett-poesia.html
CINCO POEMAS DE SAMUEL BECKETT
http://www.mallarmargens.com/2012/10/um-poema-de-samuel-beckett.html
http://jevousdefenestre.blogspot.com.br/2014/01/samuel-beckett-selecao-de-poemas.html
https://casadospoetas.blogs.sapo.pt/50074.html

OUTROS

Seamus Heaney, poeta irlandês, Prêmio Nobel de Literatura em 1995
Jorge Eielson , poeta peruano
José Agustín Goytisolo , poeta espanhol
Ataol Behramoglu , poeta e tradutor turco.
Orhan Veli Kanık , poeta e escritor turco
John Weston , poeta e diplomata inglês
Rae Armantrout , poeta americano e acadêmico

«E COM VOCÊS A MODERNIDADE» por Cacaso

#umpoetaumpoemapordia #134 (13/3)

POETA: CACASO

Antônio Carlos de Brito, conhecido como Cacaso (Uberaba, 13 de março de 1944 — Rio de Janeiro, 27 de dezembro de 1987), foi um professor universitário, letrista e poeta brasileiro.

POEMA: E COM VOCÊS A MODERNIDADE

Meu verso é profundamente romântico.
Choram cavaquinhos luares se derramam e vai
por aí a longa sombra de rumores ciganos.

Ai que saudade que tenho de meus negros verdes
anos!

 

+ SOBRE

https://pt.wikipedia.org/wiki/Antônio_Carlos_de_Brito

Os 5 melhores poemas de Mar de Mineiro, de Cacaso


http://www.releituras.com/cacaso_poemas.asp
http://veredasdalingua.blogspot.com.br/2012/12/cacaso-poemas.html
https://www.escritas.org/pt/l/cacaso
http://www.algumapoesia.com.br/poesia2/poesianet199.htm
http://www.antoniomiranda.com.br/Iberoamerica/brasil/cacaso.html
http://www.germinaliteratura.com.br/cacaso.htm

Perfil Poesia Brasileira – Cacaso: “Fazendo versinhos, querendo carinho”

OUTROS

Mahmoud Darwish, poeta e escritor palestino
Yeghishe Charents, poeta e ativista armênio
Jan Lechoń , poeta e crítico polonês
Giorgos Seferis , poeta e diplomata grego, laureado com o Prêmio Nobel
Yurii Andrukhovych , poeta e autor ucraniano
Seyhan Erözçelik, poeta e escritor turco
Pedro Leandro Ipuche, poeta uruguaio
Juan Larrea, poeta espanhol.
João Braz, poeta, jornalista e escritor português
Cacaso, letrista e poeta brasileiro
Pedro Lopes Martins, poeta português.

«SE EU SINTO BELISCAR-ME A CONSCIÊNCIA» por Isaac Bardavid

#umpoetaumpoemapordia #106 (13/2)

POETA: ISAAC BARDAVID

Isaac Bardavid (Niterói, fevereiro de 1931) é um ator, dublador e poeta brasileiro.

POEMA: SE EU SINTO BELISCAR-ME A CONSCIÊNCIA

Se eu sinto beliscar-me a consciência
Por algo que já fiz ou que farei,
Se me acusa o remorso de indolência
Por não ter aprendido o que não sei;
Se me foge a razão, em penitência
Por quem podia amar e não amei,
Assumo em minha vida uma falência
Que a torna triste como um agnus dei.
Desejo transformar-me, mas é tarde.
Não me digam jamais que fui covarde
Por viver uma colcha de remendo.
O que eu podia ser e que não fui
Jaz num porvir que aos poucos se dilui…
Como disse o poeta, estou morrendo…

MAIS SOBRE O POETA

«LETRA DO HINO OLÍMPICO» por Kostís Palamás

#umpoetaumpoemapordia #075 (13/1)

POETA – Kostís Palamás (Patras, 13 de janeiro de 1859 – Atenas, 27 de fevereiro de 1943) foi um poeta grego e dramaturgo, autor da letra do hino olímpico.

POEMA – LETRA DO HINO OLÍMPICO
Αρχαίο Πνεύμ’ αθάνατο, αγνέ πατέρα / του ωραίου, του μεγάλου και τ’αληθινού, / κατέβα, φανερώσου κι άστραψ’εδώ πέρα / στην δόξα της δικής σου γης και τ’ουρανού. // Στο δρόμο και στο πάλεμα και στο λιθάρι, / στων ευγενών Αγώνων λάμψε την ορμή, / και με τ’ αμάραντο στεφάνωσε κλωνάρι / και σιδερένιο πλάσε κι άξιο το κορμί. // Κάμποι, βουνά και θάλασσες φέγγουν μαζί σου / σαν ένας λευκοπόρφυρος μέγας ναός, / και τρέχει στο ναό εδώ, προσκυνητής σου, / Αρχαίο Πνεύμ’ αθάνατο, κάθε λαός.

(Versão em Português)
Espírito imortal da antiguidade: / Criador augusto da verdade, beleza e bondade! / Desça aqui, apresente-se e radie sua luz sobre nós, / por este nobre campo e debaixo deste céu, / que primeiro testemunharam sua fama imperecível. // Traga vida e entusiasmo para estes nobres jogos, / atire coroas de flores com frescor eterno / aos vitoriosos da corrida e da luta. / E crie em nossos peitos corações de aço! // Em sua luz, planícies, montanhas e mares, / brilham em matizes rosados e formam um vasto templo, / no qual as multidões de todas as nações vão adorá-lo: / Ó espírito imortal da antiguidade!

MAIS SOBRE
https://es.wikipedia.org/wiki/Kost%C3%ADs_Palam%C3%A1s
https://pt.wikipedia.org/wiki/Hino_Ol%C3%ADmpico

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«COM LICENÇA POÉTICA» por Adélia Prado

#umpoetaumpoemapordia #044 (13/12)

POETISA: ADÉLIA PRADO

Adélia Luzia Prado de Freitas, mais conhecida apenas como Adélia Prado (Divinópolis, 13 de dezembro de 1935), é uma poetisa, professora, filós ofa e contista brasileira ligada ao Modernismo. WIKIPEDIA

POEMA: COM LICENÇA POÉTICA

Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
— dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.

+ SOBRE

https://pt.wikipedia.org/wiki/Ad%C3%A9lia_Prado
http://www.releituras.com/aprado_bio.asp

Adélia Prado – 15 Poemas

Adélia Prado – poemas


.

Adélia Prado, a simplicidade de um estilo

OUTROS

Heinrich Heine, poeta alemão

Pedro Luís Pereira de Sousa, poeta, advogado e político brasileiro

Ítalo Anderson, poeta brasileiro

William Drummond de Hawthornden , poeta escocês

Kenneth Patchen , poeta e pintor americano

James Wright , poeta americano e acadêmico

Anne-Marie Alonzo , dramaturgo, romancista, editor, tradutor, crítico de arte e poeta quebequense de origem egípcia

Lucía Sánchez Saornil , poeta e ativista espanhola

 

«VOCES» por Antonio Porchia

#umpoetaumpoemapordia #014 (13/11)

POETA: ANTONIO PORCHIA

Antonio Porchia (Conflenti, Catanzaro, Calábria , 13 em novembro de 1885 – Vicente López , Buenos Aires , 9 em novembro de 1968 ) foi um poeta ítalo-argentino . Sua única obra que veio à luz é um livro de aforismos intitulado Voices , que é considerado por muitos como uma das obras-primas da literatura argentina

POEMA: VOCES

Quien ha visto vaciarse todo, casi sabe de qué se llena
todo.
*
Antes de recorrer mi camino yo era mi camino.
*
Mi primer mundo lo hallé todo en mi escaso pan.
*
Mi padre, al irse, regaló medio siglo a mi niñez.
*
Sin esa tonta vanidad que es el mostrarnos y que es de
todos y de todo, no veríamos nada y no existiría nada.
*
El hombre no va a ninguna parte. Todo viene al hombre,
como el mañana.
*
Quien me tiene de un hilo no es fuerte; lo fuerte es el
hilo.
*
Un poco de ingenuidad nunca se aparta de mí. Y es
ella la que me protege.
*
Mi pobreza no es total: falto yo.

LER O RESTANTE AQUI: http://www.materialdelectura.unam.mx/images/stories/pdf5/antonio-porchia-133.pdf

 

+ SOBRE

https://www.poemas-del-alma.com/antonio-porchia.htm
https://www.taringa.net/posts/info/17787925/Poesia-Esencial-Antonio-Porchia—Voces.html
http://www.laraizinvertida.com/detalle.php?Id=1959

Antonio Porchia: el poeta oculto


http://poesia-letras.blogspot.com.br/2006/06/de-voces-de-antonio-porchia-italia.html

Clique para acessar o antonio-porchia-133.pdf

Antonio Porchia “Voces” (1943).

Exercícios sobre os versos [en]cadeados

[qua] 13 de fevereiro de 2013

I

O verso encadeado é
sobre as coisas formadas
e disformes, sobre o movimento
inerente às coisas, no que vai
e vem, no que volta, no passar
das horas, dos hífens, das faltas

O verso encadeado é
sobre o fluir inesperado
e improvável dos latidos…

II
E das ausências, perdas
de ar, de tardes
deixadas, de reencontros jamais
tidos, de versos exatos
e indolores, das aberturas
incicatrizáveis, e pulsares,
e silêncios, e esperas…

III
No tempo que
borra, esquece assim
imperceptivelmente qual
as pedras inavistadas no
fundo do caminho.. O tempo
borra as formas, os odores,
a textura da derme, dos pelos
soltos, da superfície profunda das
coisas…

Janeiro-13/2/2013

os barcos

treze e quatorze acampei [fizemos o caminho pântano-lagoinha, ida e volta]. dezesseis subi o pico da coroa [fizemos o caminho matadeiro-lagoinha e pântano-lagoinha, ida e volta, respectivamente.

houve sol e chuva, choro e riso e uma infinidade de sentimentos. as fotografias ficaram lindas. haviam até barquinhos. compartilhamos emoções, amigos, família. mas engraçado, admito… sempre falta alguém né!

os barcos comprovam isto.

the sociological imagination

MILLS, C. Wright. A imaginação sociológica. Tradução de Waltensir Dutra. Rio de Janeiro: Zahar, 1965. p. 11-20

(…)

1

A imaginação sociológica capacita seu possuidor a compreender o cenário histórico mais amplo, em termos de seu significado para a vida íntima e para a carreira exterior de numerosos indivíduos. Permite-lhe levar em conta como os indivíduos, na agitação de sua experiência diária, adquirem freqüentemente uma consciência falsa de suas posições sociais. Dentro dessa agitação, busca-se a estrutura da sociedade moderna, e dentro dessa estrutura são formuladas as psicologias de diferentes homens e mulheres. Através disso, a ansiedade pessoal dos indivíduos é focalizada sobre fatos explícitos e a indiferença pelo público se transforma em participação nas questões públicas.

O primeiro fruto dessa imaginação – e a primeira lição da ciência social que a incorpora – é a idéia de que o indivíduo só pode compreender sua própria experiência e avaliar seu próprio destino localizando-se dentro de seu períodosó pode conhecer suas possibilidades na vida tornando-se cônscio das possibilidades de todas as pessoas, nas mesmas circunstâncias em que ele. Sob muitos aspectos, é uma lição terrível; sob muitos outros, magnífica. Não conhecemos os limites da capacidade que tem o homem de realizar esforços supremos ou degradar-se voluntariamente, de agonia ou exultação, de brutalidade que traz prazer ou de deleite da razão. Mas em nossa época chegamos a saber que os limites da “natureza humana” são assustadoramente amplos. Chegamos a saber que todo indivíduo vive, de uma geração até a seguinte, numa determinada sociedade; que vive uma biografia, e que vive dentro de uma seqüência histórica. E pelo fato de viver, contribui, por menos que seja, para o condicionamento dessa sociedade e para o curso de sua história, ao mesmo tempo em que é condicionado pela sociedade e pelo seu processo histórico.

A imaginação sociológica nos permite compreender a história e a biografia e as relações entre ambas, dentro da sociedade. Essa a sua tarefa e a sua promessa. A marca da análise social clássica é o reconhecimento delas (…). É a marca do que há de melhor nos estudos contemporâneos do homem e da sociedade.

Nenhum estudo social que não volte ao problema da biografia, da história e de suas interligações dentro de uma sociedade completou a sua jornada intelectual. Quaisquer que sejam os problemas específicos dos analistas sociais clássicos, por mais limitadas ou amplas as características da realidade social que examinaram, os que tiveram consciência imaginativa das possibilidades de seu trabalho formularam repetida e coerentemente três séries de perguntas:

  1. Qual a estrutura dessa sociedade como um todo? Quais seus componentes essenciais, e como se correlacionam? Como difere de outras variedades de ordem social? Dentro dela, qual o sentido de qualquer característica particular para a sua continuação e para a sua transformação?
  2. Qual a posição dessa sociedade na história humana? Qual a mecânica que a faz modificar-se? Qual é seu lugar no desenvolvimento da humanidade como um todo, e, que sentido tem para esse desenvolvimento? (…)
  3. Que variedades de homens predominam nessa sociedade e nesse período? E que variedades irão predominar? De que formas são selecionadas, formadas, liberadas e reprimidas, tornadas sensíveis ou impermeáveis? Que tipos de “natureza humana”, se revelam na conduta e caráter que observamos nessa sociedade, nesse período? E qual é o sentido que para a “natureza humana” tem cada uma das características da sociedade que examinamos?

Seja o objeto do exame uma grande potência, ou uma passageira moda literária, uma família, uma prisão, um credo – são essas as perguntas que os melhores analistas sociais formularam. São os centros intelectuais dos estudos clássicos do homem na sociedade – e são perguntas formuladas inevitavelmente por qualquer espírito que possua uma imaginação sociológica. Pois essa imaginação é a capacidade de passar de uma perspectiva a outra – da política para a psicológica; do exame de uma única família para a análise comparativa dos orçamentos nacionais do mundo; da escola teológica para a estrutura militar; de considerações de uma indústria petrolífera para estudos da poesia contemporânea. É a capacidade de ir das mais impessoais e remotas transformações para as características mais íntimas do ser humano – e ver as relações entre as duas. (…)

(…) Em grande parte, a visão autoconsciente que o homem contemporâneo tem de si, considerando-se pelo menos um forasteiro, quando não um estrangeiro permanente, baseia-se na compreensão da relatividade social e da capacidade transformadora da história. A imaginação sociológica é a forma mais frutífera dessa consciência. Usando-a, homens cujas mentalidades descreviam apenas uma série de órbitas limitadas passam a sentir-se como se subitamente acordassem numa casa que apenas aparentemente conheciam. Certo ou não, com freqüência passam a sentir que não podem proporcionar-se súmulas adequadas, análises coesas, orientações gerais. As decisões anteriores, que pareciam sólidas, passam a ser, então, como produtos de uma mente inexplicavelmente fechada. Sua capacidade de pensar volta a existir. Adquirem uma nova forma de pensar, experimentam uma transavaliação de valores: numa palavra, pela sua reflexão e pela sua sensibilidade, compreendem o sentido cultural das Ciências Sociais.

2

Talvez a distinção mais proveitosa usada pela imaginação sociológica seja a entre “as perturbações pessoais originadas no meio mais próximo” e “as questões públicas da estrutura social“. Essa distinção é um instrumento essencial da imaginação sociológica e uma característica de todo trabalho clássico na ciência social.

As perturbações ocorrem dentro do caráter do indivíduo e dentro do âmbito de suas relações imediatas com os outros; estão relacionadas com o seu eu e com as áreas limitadas da vida social; de que ele tem consciência direta e pessoal. Assim, a formulação e a resolução das perturbações se enquadram, adequadamente, no âmbito do indivíduo como entidade biográfica e dentro do alcance de seu meio imediato – o ambiente social que está aberto diretamente à sua experiência pessoal e, em certas proporções, à sua atividade consciente. Uma perturbação é um assunto privado: a pessoa sente que os valores por ela estimados estão ameaçados.

As questões relacionam-se com assuntos que transcendem esses ambientes locais do indivíduo e o alcance de sua vida íntima. Relacionam-se com a organização de muitos desses ambientes sob a forma de instituições de uma sociedade histórica como um todo, com as maneiras pelas quais os vários ambientes de pequena escala se confundem e se interpenetram, para formar a estrutura mais ampla da vida social e histórica. Uma questão é um assunto público: é um valor estimado pelo público que está ameaçado. Com freqüência, há um debate sobre o que esse valor realmente representa e sobre o que realmente o ameaça. O debate freqüentemente é impreciso, quando menos não seja porque é da própria natureza de uma questão que, ao contrário do que ocorre até mesmo com os problemas generalizados, não pode ser bem definida em termos dos ambientes imediatos e cotidianos do homem comum. A questão, na verdade, envolve quase sempre uma crise nas disposições institucionais e com freqüência também aquilo que os marxistas chamam de “contradições” ou “antagonismos”.

Nessas condições, consideremos o desemprego. Quando, numa cidade de cem mil habitantes, somente um homem está desempregado, isso é seu problema pessoal, e para sua solução examinamos adequadamente o caráter do homem, suas habilidades e suas oportunidades imediatas. Mas quando numa nação de 50 milhões de empregados, 15 milhões de homens não encontram trabalho, isso é uma questão pública, e não podemos esperar sua solução dentro da escala de oportunidades abertas às pessoas individualmente. A estrutura mesma das oportunidades entrou em colapso. Tanto a formulação exata o problema como a gama de soluções possíveis exigem que consideramos as instituições econômicas e políticas da sociedade e não apenas a situação pessoal e o caráter de um punhado de indivíduos.

Consideremos o casamento. No casamento, o homem e a mulher podem ter perturbações pessoais; mas quando a taxa de divórcios durante os primeiros quatro anos de casamento é de 250 para cada 1.000, isso mostra que existe uma questão estrutural relacionada com as instituições do casamento e, família, e outras, correlatas.

Ou consideremos a metrópole – a horrível, bela, feia, magnífica cidade grande. Para muita gente da classe superior, a solução pessoal para o “problema da cidade” é ter um apartamento com garagem, no centro da cidade, e a 60 quilômetros uma casa projetada por Henry Hill, com jardim de Garrett Eckbo, em cem acres de terras particulares. Nesses dois ambientes perfeitamente controlados – com uma pequena criadagem em cada e um helicóptero particular para fazer a ligação – a maioria das pessoas poderá resolver muitos dos problemas dos contextos pessoais, causados pelas condições da cidade. Mas tudo isso, por mais esplêndido, não resolve as questões públicas que a realidade estrutural da cidade cria. Que fazer com essa maravilhosa monstruosidade? Dividi-la em unidades esparsas, combinando residência e trabalho? Renová-la tal como se encontra? Ou, depois de evacuada, dinamitá-la e construir novas cidades de acordo com novos planos, em novos lugares? Quais deveriam ser esses planos? E quem decide e quem põe em prática as decisões tomadas? São questões estruturais; para enfrentá-las e solucioná-las é necessário considerar as questões políticas e econômicas que afetam numerosos ambientes.

Quando a estrutura econômica é tal que provoca depressões, o problema do desemprego foge à solução pessoal. Na medida em que a guerra é inerente ao sistema do Estado-nação e à industrialização irregular do mundo, o indivíduo em seu ambiente limitado é impotente – com ou sem ajuda psiquiátrica – para resolver os problemas que esse sistema, ou fata de sistema, lhe cria. Na medida em que a família, como instituição, transforma as mulheres em adoráveis escravas e os homens em seus principais mantenedores e ao mesmo tempo dependentes, o problema de um casamento satisfatório continua a fugir a uma solução exclusivamente pessoal. Na medida em que a super desenvolvida megalópole e o superdesenvolvido automóvel são características intrínsecas da sociedade superdesenvolvida, as questões públicas da vida urbana não serão resolvidas pela engenhosidade pessoal e pela riqueza particular.

Aquilo que experimentamos em vários e específicos ambientes de pequena escala, já o observei, é com freqüência causado pelas modificações estruturais. Assim para compreender as modificações de muitos ambientes pessoais, temos necessidade de olhar além deles. E o número e variedade dessas modificações estruturais aumentam à medida que as instituições dentro das quais vivemos se tornam mais gerais e mais complicadamente ligadas entre si. Ter consciência da idéia de estrutura social e utiliza-lá com sensibilidade é ser capaz de identificar as ligações entre uma grande variedade de ambientes de pequena escala. Ser capaz de usar isso é possuir a imaginação sociológica.

3

Quais as principais questões públicas para a coletividade e as preocupações-chaves dos indivíduos em nossa época? Para formular as questões e as preocupações, devemos indagar quais os valores aceitos e que estão ameaçados, e quais os valores aceitos e mantidos pelas tendências características de nosso período. Tanto no caso da ameaça como do apoio, devemos indagar que contradições de estrutura mais destacadas podem existir na situação.

Quando as pessoas estimam certos valores e não sentem que sobre eles pesa qualquer ameaça, experimentam o bem-estar. Quando os estimam mas sentem que estão ameaçados, experimentam uma crise – seja como problema pessoal ou como questão pública. E se todos os seus valores estiverem em jogo, sentem a ameaça total do pânico.

Mas suponhamos que as pessoas não tenham consciência de valores aceitos nem de qualquer ameaça. Experimentam, então, a indiferença, que, se envolvê-los a todos, se transforma na apatia. Suponhamos, finalmente, que não tenham consciência de quaisquer valores estimados, mas ainda sintam agudamente uma ameaça. Experimentam, então, a inquietação, a ansiedade, que, se for bastante forte, torna-se uma doença mortal e não-específica.

Nossa época é uma época de inquietação e indiferença – ainda não formulados de modo a permitir que sobre elas se exerçam a razão e a sensibilidade. Ao invés de problemas – definidos em termos de valores e ameaças – há com frequencia a miséria da inquietação vaga; ao invés das questões explicitas, há com frequencia o sentimento desanimador de que algo não esta certo. Nem os valores ameaçados, nem aquilo que os ameça, foram formulados. Em suma, não foram formulados como problemas de ciência social.

Na década de 1930 eram poucas as dúvidas – exceto entre círculos econômicos iludidos de que havia uma questão ecoomica, constutindo também um conjunto de problemas pessoais. Nos argumentos sobre “a crise do capitalismo”, as formulações de Marx e muitas das reformulações de seu trabalho, não aceitas, provavelmente estabeleceram os principais termos da questão, e alguns homens chegaram a compreender seus problemas pessoais dentro desses termos. Os valores ameaçados eram vistos e estimados por todos; as contradições estruturais que os ameaçavam também pareciam evidentes, sendo experimentados de modo geral e profundo. Era uma idade política.

Mas os valores ameaçados na era posterior à Segunda Guerra Mundial não são, com freqüência, reconhecidos por todos como valores nem todos os julgam ameaçados. Muita inquietação pessoal deixa de encontrar formulação; e muito mal-estar publico e decisões de enorme relevância estrutural jamais chegam a constituir-se em questões públicas. Para os que aceitam valores herdados, como razão e liberdade, é a inquietação em si que constitui o problema; é a indiferença em si que constitui a questão. E essa condição de inquietação e indiferença é que constitui a característica mercante do nosso período.

Tudo isso é tão surpreendente que os observadores frequentemente interpretam tal conjuntura como uma transformação dos tipos mesmos de problemas que precisam, agora, ser formulados. Ouvimos dizer, com freqüência, que os problemas de nossa década , ou mesmo as crises de nosso período, passaram além do setor exterior da economia, e tem hoje relação com a qualidade da vida individual – a verdade, com a possiblidade de continuar havendo, dentro em breve, qualquer coisa que se possa chamar adequadamante de via individual. Não o trabalho infantil, mas as histórias em quadrinho, não a pobreza, mas o ócio em massa, são os centros de preocupação. Muitas grandes questões publicas bem como muitos problemas privados são descritos em termos “de psiquiatria” – frequentemente, numa tentativa patética de evitar as grandes questões e problemas da sociedade modernaTal formulação baseia, quase sempre, num estreitamento proviciano do interesses das sociedades ocidentais, ou mesmo dos Estados Unidos – que assim ignoram dois terços da humanidade, quase sempre, também, separa arbitrariamente a vida individual das grandes instituições dentro das quais ela se realiza, e que por vezes nela influem de forma mais prejudicial do que o âmbito intimo da infância.

Os problemas do ócio, por exemplo, não podem nem mesmo ser formulados sem consideramos os problemas do trabalho. As preocupações da familia com as histórias em quadrinhos não podem ser formuladas como problemas, sem consideramos a sorte da familia contemporânea em suas novas relações com as instituições mais recentes da estrutura social. Nem o lazer, nem a sua utilização debilitante, podem ser compreendidos como problemas, sem o reconhecimento das proporções em que o mal-estar e a indiferença hoje formam o clima social e pessoal da sociedade americana contemporânea. Nesse clima, nenhum problema da “vida privada” pode ser formulado e resolvido sem reconhecimento da crise de ambição que é parte da carreira mesma dos homens que trabalham na economia incorporada.

É certo, como os psicanilistas afirmam constantemente, que as pessoas experimentam, “cada vez mais, o sentimento de serem movidas por forças obscuras dentro de si mesmas e que são incapazes de definir”. Mas não é verdade, como afirmou Ernest Jones, que o “principal inimigo do homem e seu principal perigo são suas própria natureza desordenada e as forças sombrias comprimidas dentro delePelo contrário: “o principal perigo do homem” está nas forças desregradas da propria sociedade contemporanea, com seus métodos de produção alienantes, suas técnicas envolventesde dominio público, sua anarquia internacional – numa palavra, suas transformações gerais da propria “natureza” do homem e das condições e objetivos de sua vida.

583865Hoje,  a principal tarefa intelectual e política do cientista social – pois as duas aqui coincidem – é deixar claros os elementos da inquietação e da indiferença contemporâneas. É a exigência central que lhe fazem outros trabalhadores culturais – os cientistas físicos, os artistas, a comunidade intelectual em geral. É devido a essa tarefa e a essas exigências, creio, que as Ciências Sociais se estão transformando no denominador comum de nosso período cultural, e a imaginação sociológica na qualidade intelectual que mais necessitamos.

(…)

fragmento que o mar levará

na areia fria
meu exposto peito ardia
nem era noite
nem era dia
ao mar se ia,
ferida, sangria
e se sentia
em toda onda
toda água e
nem assim se cabia
doía
na areia fria
a ausente poesia
jorrava, turva,
era todo tumulto
e não calmaria
era convulsão,
a não-alegria,
doía
por todo o sal,
doía
na areia fria
pouco a pouco morria
feito melancolia
vontade, cegueira,
em maré vazia
e na areia
que ardia
fria
poesia…

Sambaqui, 13 jan, 2009. [ter]

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sobre as peras e a vida

“caminante, no hay camino. Pero el camino se hace al andar”

«Sobre as peras e a vida

Haverá lugar para a poesia? Affonso Romano de Sant’Anna se pergunta em seu longo poema A Grande Fala do Índio Guarani: “Onde lerei eu os poemas do meu tempo?” Onde estarão os Maiakoviski, os Brecht? Em que viela do destino se esconde o Rilke de hoje? Ou, em nossa América, em qual ventre amadurece o novo Vallejo? Em que lugar Benedetti ainda se pergunta: por que cantamos? Os poetas são filhos do tempo e se constroem no difícil amálgama do mundo e das pessoas insatisfeitas com as formas dadas. Lukács teria dito que a arte é, em parte, fruto da inadequação entre a alma e a ação, acabando por “introduzir no universo das formas a incoerência estrutural do mundo”. Insatisfação que foi expressa, por exemplo, quando Maiakoviski acreditou que seu mais eloqüente epitáfio pudesse ser: “Dize aos séculos futuros pelo menos isto: que eu estou em chamas”. Insatisfação como aquela das peras de Ferreira Gullar que “gastaram-se no fulgor de estarem prontas para nada”, e seu galo canta, pois “cantando o galo é sem morte”. Por isso cantamos, porque como as peras sabemos que o melhor da vida é a mordida.

770805_502Sobre a vida das peras
Uma pera
pode passar a sua vida
sob o domínio das folhas
colhendo os carinhos do vento
até despencar na podridão do humus

O que
uma
pera
realmente
sabe
da
vida
é o prazer
da
mordida»

(Mauro Iasi, 1986)