«SONETO INFERNAL» por Bocage

#umpoetaumpoemapordia #320 (15/9)

POETA: BOCAGE

Manuel Maria de Barbosa l’Hedois du Bocage (Setúbal, 15 de setembro de 1765 – Lisboa, Mercês, 21 de dezembro de 1805) foi um poeta nacional português e, possivelmente, o maior representante do arcadismo lusitano. Embora ícone deste movimento literário, é uma figura inserida num período de transição do estilo clássico para o estilo romântico que terá forte presença na literatura portuguesa do século XIX

POEMA: SONETO INFERNAL

Dizem que o rei cruel do Averno imundo
Tem entre as pernas caralhaz lanceta,
Para meter do cu na aberta greta
A quem não foder bem cá neste mundo:

Tremei, humanos, deste mal profundo,
Deixai essas lições, sabida peta,
Foda-se a salvo, coma-se a punheta:
Este prazer da vida mais jucundo.

Se pois guardar devemos castidade,
Para que nos deu Deus porras leiteiras,
Senão para foder com liberdade?

Fodam-se pois, casadas e solteiras,
E seja isto já; que é curta a idade,
E as horas de prazer voam ligeiras...

+ SOBRE

https://pt.wikipedia.org/wiki/Manuel_Maria_Barbosa_du_Bocage
http://users.isr.ist.utl.pt/~cfb/VdS/bocage.html
http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraDownload.do?select_action=&co_obra=1777&co_midia=2
http://www.elsonfroes.com.br/bocage.htm
http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_erotica/bocage.html

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OUTROS

Guerra Junqueiro, alto funcionário administrativo, político, jornalista, escritor e poeta português
Alfredo Placencia, poeta e padre mexicano
Lucebert, pintor e poeta holandês
Claude McKay, poeta e autor jamaicano-americano
J. Slauerhoff, poeta e autor holandês
Gunnar Ekelöf, poeta e autor sueco
George Watsky, artista de hip-hop, poeta e autor estadunidense

«BRIGA DE TOUROS» por Zeno Cardoso

#umpoetaumpoemapordia #289 (15/8)

POETA: ZENO CARDOSO

Zeno Cardoso Nunes (São Francisco de Paula, RS, Brasil, 15 de agosto de 1917 – Porto Alegre, 27 de fevereiro de 2011) foi um advogado, escritor e jornalista brasileiro.

POEMA: BRIGA DE TOUROS

A chuva de verão passou. Veio a estiada.
O sol, a pino. A terra, inda molhada.
Um Zebu está esperando no rodeio
outro touro, um Crioulo guapo e feio
que sempre fora o dono da invernada,
e a passo largo vem se aproximando,
e vem cavando terra, e vem berrando
tão grosso que parece trovoada!
Encontram-se e pelejam com denodo,
pondo em agitação o gado todo.
As aspas do Zebu, velozes como o raio,
riscam do contendor o pêlo baio
que ao sol reluz e brilha,
enquanto os cascos de ambos, como arados,
sulcam os pêlos verdes e molhados
do lombo da coxilha!
No ardor da luta entesam os pescoços,
enrijecendo os músculos potentes
em férrea contração!
Depois vão se golpeando duramente,
com orgulho de touro não vencido,
com destreza de tigre enfurecido,
com raiva e decisão!
Uma hora eles passam nessa luta
de esforços colossais,
mas, envoltos na fúria do mormaço,
sentem fraquear os músculos de aço,
lutar nem podem mais.
Há pairando no ar morno e pesado
um forte cheiro de chifre queimado.
Os dois touros, briosos e valentes,
são iguais na coragem, no valor.
Mas no entrechoque bárbaro das guampas
o destemido filho aqui dos pampas
começa a demonstrar que é superior.
O zebu bem conhece a luta bruta
lá da Índia selvagem de onde veio,
mas não pode vencer, por mais que o queira,
o touro aqui da terra brasileira
que o obriga a deixar o seu rodeio.
E triste, machucado e abatido,
depois de luta tão desesperada,
o pobre touro, além de ser vencido,
inda foi pelo outro perseguido
até sair de dentro da invernada.
Dias depois os corvos carniceiros,
voejando por cima de um banhado,
indicavam aos olhos dos campeiros
o lugar onde estava, entre espinheiros,
o cadáver do touro derrotado.
O seu corpo, que o sol acariciava,
parece que tranquilo descansava
do combate fatal,
enquanto em torno o gado, compungido,
cheirando o chão, de um jeito comovido,
berrava tristemente em funeral,].
Dentre aquela sentida orquestração
destacou-se um mugido forte e grosso
que reboou plangente no rincão:
Era o berro do touro brasileiro
lamentando o destino do estrangeiro
que quisera ser dono do seu chão.
P. Alegre. 1942

+ SOBRE

http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/rio_grade_sul/zeno_cardoso.html
https://pt.wikipedia.org/wiki/Zeno_Cardoso_Nunes
http://www.paginadogaucho.com.br/poes/zcn-bt.htm

OUTROS

Luigi Pulci, poeta italiano
Matthias Claudius, poeta alemão
Frei Luis de León, poeta e religioso agostiniano espanhol
Sri Aurobindo, guru indiano, poeta, filósofo, político, e iogue indiano
Walter Scott, romancista, dramaturgo e poeta escocês
E. Nesbit, escritor e poeta inglês
Jan Brzechwa, escritor e poeta polonês

«HORAS PERDIDAS» por Anilda Leão

#umpoetaumpoemapordia #258 (15/7)

POETISA: ANILDA LEÃO

(Maceió, 15 de julho de 1923 – Maceió, 6 de janeiro de 2012) foi uma poeta, escritora, militante feminista, atriz e cantora brasileira

POEMA: HORAS PERDIDAS

Eu vivo nesse momento a tristeza
Das horas perdidas,
Das horas mortas,
Das horas inúteis,
Horas que deixamos passar sem serem vividas.
Há tanta vida lá fora e nós dois tão distantes,
Tão dolorosamente afastados.
Por que matamos sem piedade tudo o que há de belo
Dentro de nós? Por que?
Há uma infinidade de horas entre a hora presente.
E ainda agora trago nas minhas mãos,
Na minha boca, no meu corpo,
A sensação da nossa última carícia.
Eu vivo neste momento a tristeza
Das nossas horas inúteis.
Horas estéreis. Melancolicamente vazias.

+ SOBRE

http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/alagoas/anilda_leao.html
http://www.elfikurten.com.br/2016/04/anilda-leao.html

Anilda Leão, uma vida em trânsito

OUTROS

Henrique Ernesto de Almeida Coutinho, poeta português
Enrique Cadícamo, poeta e escritor argentino
César Bruto (Carlos Warnes), escritor, poeta, humorista e jornalista argentino
Clement Clarke Moore, autor americano, poeta e educador
Doppo Kunikida, jornalista japonês, autor e poeta
RS Mugali, poeta e acadêmico indiano
Abraham Sutzkever, poeta e autor russo
Robert Conquest, historiador inglês-americano, poeta e acadêmico

«MUKUDORI» por Kobayashi Issa

#umpoetaumpoemapordia #228 (15/6)

POETA: KOBAYASHI ISSA

(小林一茶? 15 de junho de 1763 – 5 de janeiro de 1827) foi um escritor e poeta japonês.

POEMA: Mukudori

mukudori to
hito ni yobaruru
samusa kana

TRADUÇÃO DE: Francisco Handa, Edson Kenji Iura e Alberto Murata 

“Chegou o estorninho”—
É assim que todos me chamam
e como faz frio!

nota do tradutor: «O kigo (termo-de-estação) deste haicai é samusa (frio), indicando o inverno.

Mukudori (estorninho-de-cabeça-cinzenta) é o nome do pássaro que migra para Edo no inverno, fugindo de um clima ainda mais rigoroso. Os habitantes da capital chamam assim, com zombaria, os lavradores que chegam para arrumar trabalho temporário na mesma época, quando a agricultura fica impraticável. Aliás, a palavra “dekassegui” tem sua origem nessa movimentação. Certa vez, Issa tencionou visitar Edo. No meio do caminho, sentindo o peso da idade e assustado com o mau tempo, desistiu, escrevendo este poema. As más lembranças de sua primeira chegada à capital, anos atrás, também podem ter influenciado a sua decisão.

O frio é inclemente, mas torna-se insuportável quando se soma ao sentimento de inferioridade que vem de estar em um lugar estranho e ser ridicularizado por pessoas hostis.» Disponível em: http://www.nippobrasil.com.br/zashi/2.haicai.mestres/127.shtml

+ SOBRE

http://www.nippobrasil.com.br/zashi/2.haicai.mestres/127.shtml
https://pt.wikipedia.org/wiki/Kobayashi_Issa
http://www.antoniomiranda.com.br/poesiamundialportugues/issa,%20kobayashi.html
http://blocosonline.com.br/literatura/poesia/pidp03/pidp031005.htm
http://formasfixas.blogspot.com/2015/07/kobayashi-issa-1763-1828.html
http://www.revistazunai.com/traducoes/kobayashi_issa.htm
http://paulofranchetti.blogspot.com/2012/04/jornal-2-issa-kobayashi-issa-nasceu-em.html

OUTROS

Konstantin Balmont, poeta russo
Ramón López Velarde, poeta mexicano
Ibn-e-Insha, poeta e autor indiano-paquistanês, poeta em urdu
Thomas Randolph, poeta e dramaturgo inglês
François-Xavier Garneau, poeta canadense e historiador
Adah Isaacs Menken, atriz, pintor e poeta americano
Attilâ lhan, poeta, escritor e crítico turco

exercício sobre o desaguar

escrever por vezes
parece ridículo.
um despropósito.
um descabimento…
não há reclame,
que de conta
do que teus olhos te deixam ver
de tua imagem interna
disto que vai por dentro da carne.

mas falar, tête-à-tête,
sobre a dor de dentro…

eu não sustento
os olhos nos olhos.
não seguro o embargo
e a lágrima.

há muita água represada…
é preciso desaguar
todo sal
e todo sangue.

[sex] 15 de junho de 2018

«WE NEED NOTHING» por André Abujamra

#umpoetaumpoemapordia #197 (15/5)

POETA: ANDRÉ ABUJAMRA

André Cibelli Abujamra (São Paulo, 15 de maio de 1965) é um cantor, compositor, multi-instrumentista e ator brasileiro.

POEMA/CANÇÃO – WE NEED NOTHING

We need nothing but love
We need nothing but fun
We don’t need nothing but love and fun
We don’t need nothing but
We need nothing but love
We need nothing but fun
We don’t need nothing but love and fun
We don’t need nothing but
We need nothing but love
We need nothing but fun
We don’t need nothing but love and fun
We don’t need nothing but
Love
Fun
Love and fun
We don’t need nothing but
We need nothing but love
We need nothing but fun
We don’t need nothing but love and fun

Nós só existe pra fazer amor
Nós só existe pra fazer amor
Nós só existe pra fazer amor
Nós só existe pra fazer amor
Nós só existe pra fazer amor
Nós só existe pra fazer amor
Nós só existe pra fazer amor
Nós só existe pra fazer amor

Trupe Chá de Boldo interpreta a música We Need Nothing (André Abujamra) no Cultura Livre

POETA – André Abujamra
André Cibelli Abujamra (São Paulo, 15 de maio de 1965) é um cantor, compositor, multi-instrumentista e ator brasileiro.
MAIS SOBRE:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Andr%C3%A9_Abujamra
https://garapuvu.blog/2018/05/15/karnak-i-came-from-atlantis/

https://www.ebiografia.com/andre_abujamra/

http://dicionariompb.com.br/andre-abujamra

«POEMAS E CORES DO SERTÃO E DO AGRESTE» por Gilberto Freyre

#umpoetaumpoemapordia #136 (15/3)

POETA GILBERTO FREYRE

Gilberto de Mello Freyre (Recife, 15 de março de 1900 — Recife, 18 de julho de 1987) foi um polímata brasileiro. Como escritor, dedicou-se à ensaística da interpretação do Brasil sob ângulos da sociologia, antropologia e história. Foi também autor de ficção, jornalista, poeta e pintor. É considerado um dos mais importantes sociólogos do século XX.

POEMA: POEMAS E CORES DO SERTÃO E DO AGRESTE

Contrastes de verticalidade gótica e de volúpias rasteiras,
rudezas do alto sertão e do agreste,
maciços de catingueiras
salpicadas
nos tempos de chuva de vermelhos
que são ao sol como pintas de sangue fresco,
e de amarelos vivos,
de roxos litúrgicos.
No verão chupadas pelo sol de todo esse sangue e de toda
[essa cor,
quase reduzidas
aos ossos dos cardos.
Paisagem animada de tantos verdes
tantos vermelhos, tantos roxos, tantos amarelos
em tufos, cachos, corolas e folhas
como os cachos rubros em que esplende a ibirapitanga e
[arde o mandacaru,
como as formas verdadeiramente heráldicas em que se
[ouriçam os quipás,
como as folhas em que se abrem os mamoeiros
e as manchas violáceas das coroas-de-frade.

 

+ SOBRE

http://www.releituras.com/gilbertofreyre_menu.asp
http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/pernambuco/gilberto_freyre.html
https://pt.wikipedia.org/wiki/Gilberto_Freyre
http://www.jornaldepoesia.jor.br/gilfreire.html
https://gilbertofreyre.wordpress.com/poems/

OUTROS

Blas de Otero , poeta espanhol
Paul Heyse, autor alemão, poeta e dramaturgo, ganhador do Prêmio Nobel
Robert Nye, escritor inglês, poeta e dramaturgo

«GRONMAMA» por Trefossa – Henri Frans de Ziel

#umpoetaumpoemapordia #077 (15/1)

POETA: TREFOSSA

Henri Frans de Ziel, conhecido como Trefossa, (Paramaribo, 15 de janeiro de 1916 — Haarlem, 3 de fevereiro de 1975) foi um escritor surinamês, que escrevia em neerlandês e surinamês (sranan).

POEMA – GRONMAMA

Mi a no mi solanga mi brudu / fu yu a n’e trubu / na ini den dusun titei fu mi // Mi a no mi solang mi lutu / n’e saka, n’e sutu /mi gronmama, // Mi a no mi solang m’no krari / fu kibri, fu tyari / yu gersi na ini mi dyodyo. // Mi a no mi solanga y’ n’e bari / f’ prisir’ ofu pen / na ini mi sten.

(Tradução de Ronaldo Sérgio) Mãe Terra
Eu não sou eu / enquanto meu sangue / não se misturar por ti / nas milhares de veias de meu corpo. // Eu não sou eu, / enquanto minhas raízes / não se fincarem, não se atirarem / ao seu coração, minha mãe terra. // Eu não sou eu, / enquanto eu não estiver pronto, / para esconder e para carregar, / sua efígie em minha alma. // Eu não sou eu, / enquanto você não gritar, / de prazer e dor / em minha voz.

MAIS SOBRE
https://muse.jhu.edu/article/5885
https://portugeesnu.wordpress.com/2015/07/05/trefossa-um-grande-poeta/
http://werkgroepcaraibischeletteren.nl/tag/trefossa/page/5/

 

«IV (THE SPEED OF DARKNESS)» por Muriel Rukeyser

#umpoetaumpoemapordia #046 (15/12)

POETISA: MURIEL RUKEYSER

Muriel Rukeyser (15 de dezembro de 1913, Nova Iorque, Nova Iorque, EUA – 12 de fevereiro de 1980, Nova Iorque, Nova Iorque, EUA) foi uma poeta americana e ativista política, mais conhecida por seus poemas sobre igualdade, feminismo, justiça social e judaísmo.

POEMA: IV (THE SPEED OF DARKNESS)

After the lifting of the mist
after the lift of the heavy rains
the sky stands clear
and the cries of the city risen in day
I remember the buildings are space
walled, to let space be used for living
I mind this room is space
this drinking glass is space
whose boundary of glass
lets me give you drink and space to drink
your hand, my hand being space
containing skies and constellations
your face
carries the reaches of air
I know I am space
my words are air.

TRADUÇÃO DE: RICARDO DOMENECK

Quando dissipa-se a névoa
quando dissipam-se as chuvas pesadas
o céu aparece claro
e os gritos da cidade erguida em dia
eu me lembro que os prédios são espaço
murado para permitir à vida o uso do espaço
atento que é espaço este quarto
este copo é espaço
cuja fronteira de vidro
deixa-me dar a você de beber e espaço para beber
sua mão, minha mão sendo espaço
contendo céus e constelações
seu rosto
carrega as extensões do ar
eu sei que sou espaço
minhas palavras são ar

POEMA COMPLETO DISPONÍVEL AQUI: http://revistamododeusar.blogspot.com.br/2017/01/muriel-rukeyser-1913-1980.html

 

+ SOBRE

Muriel Rukeyser: “Algo rompiéndose dentro” (poesía)
https://circulodepoesia.com/2012/07/un-poema-de-muriel-rukeyser/
https://www.eternacadencia.com.ar/blog/libreria/poesia/item/teoria-del-vuelo-tres-poemas-de-muriel-rukeyser.html
http://el-placard.blogspot.com.br/2012/04/balada-de-naranja-y-uva-muriel-rukeyser.html
http://revistamododeusar.blogspot.com.br/2017/01/muriel-rukeyser-1913-1980.html
https://en.wikipedia.org/wiki/Muriel_Rukeyser

Cuaderno de poesía crítica nº. 085: Muriel Rukeyser

Muriel Rukeyser reads Despisals

 

OUTROS

Christoph Demantius , compositor, poeta e teórico alemão

Hans Carossa , autor e poeta alemão

Edna O’Brien , romancista irlandesa, dramaturga, poeta e contista

Klaus Rifbjerg , autor e poeta dinamarquês

Nicolas Gilbert , poeta francês

Charles Lecocq , poeta belga

Guy Lévis Mano , poeta francês, tradutor e tipógrafo

John Glassco , poeta, escritor e tradutor canadense

Marcos José Konder Reis foi um poeta brasileiro.

«POETRY» por Marianne Moore

#umpoetaumpoemapordia #016 (15/11)

POETA: MARIANNE MOORE

Marianne Moore ( Kirkwood, Missouri, 15 de novembro de 1887 — Nova Iorque, 5 de fevereiro de 1972) foi uma escritora e poetisa modernista dos Estados Unidos da América.

POEMA: POETRY

I, too, dislike it.
Reading it, however, with a perfect contempt

[ for it, one discovers in

it, after all, a place for the genuine.

Marianne Moore
In Poemas
Tradução e posfácio de
José Antonio Arantes

TRADUÇÃO DE JOSÉ ANTONIO ARANTES

POESIA

Também não gosto.

     Lendo-a, no entanto, com total desprezo, a

                              [ gente acaba descobrindo

     nela, afinal de contas, um lugar para o genuíno.

 

+ SOBRE

https://pt.wikipedia.org/wiki/Marianne_Moore
http://www.algumapoesia.com.br/poesia/poesianet044.htm
https://escamandro.wordpress.com/2012/10/05/3-poemas-de-marianne-moore/
http://arspoeticaethumanitas.blogspot.com.br/2016/02/alguns-poemas-de-marianne-moore-i.html
https://conversaentreruinas.wordpress.com/2016/03/04/marianne-moore-poeta-entre-poetas/
https://mundodek.blogspot.com.br/2011/02/marianne-moore.html#.Wv-7sEgvzDc

 

enterrei a minha mão ressecada

 

«El hombre es el animal que pregunta. El día en que verdaderamente sepamos preguntar, habrá diálogo. Por ahora las preguntas nos alejan vertiginosamente de las respuestas.» Cortázar.

enterrei a minha mão ressecada
e cheia de cortes na terra úmida
esperando brotar em mim
aquela viscosidade que há na vida,
em todas as suas formas…

deixei minha mão
em algum canto do quintal.
vá que da terra,
após a morte,
brote um poema
em forma de caracol
ou flor.

[sex] 15 de janeiro de 2016