o peito pesa. dói. mas eu ouço maiakóvski. «via canal retorno onírico»

jogo dados. vida e morte é só questão de instante. esses trinta e sete não fazem sentido algum.


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o peito pesa. dói. mas eu ouço maiakóvski. «via canal retorno onírico»

Vladimir Maiakóvski – Poemas
Tradução e organização de Boris Schnaiderman, Augusto e Haroldo de Campos.

Declamação – Vladimir Maiakóvski – Tradução, comentários e notas: Boris Schnaiderman, Augusto de Campos e Haroldo de Campos. 2a Edição, 1983, Coleção Signos, Editora Perspectiva.

00:10 - Introdução (parafraseado da obra "Maiakóvski - Poemas")
03:15 - Noite
04:13 - Manhã
05:12 - Porto
05:41 - De Rua
06:17 - De Rua em Rua
07:23 - Eu
07:55 - Algum dia você poderia?
08:22 - Quadro completo da primavera
08:35 - Balalaica
08:52 - No Automóvel
09:33 - A mãe e o crepúsculo morto pelos alemães
12:05 - A vocês!
12:53 - Hino ao juiz
15:00 - Hino ao crítico (sem imagem correspondente no vídeo)
17:29 - Lílitchka
19:49 - Escárnios
20:16 - Como ananás
20:28 - Nossa marcha
21:45 - Nacos de nuvem
22:24 - A extraordinária aventura vivida
........por Vladimir Maiakóvski no verão na Datcha
26:16 - Ordem No 2 ao Exército das Artes
29:02 - De "V" Internacional
29:36 - Jubileu
37:19 - Black & White
40:46 - A Sierguei Iessiênin
44:41 - Conversa sobre Poesia com o Fiscal de Rendas
51:13 - Incompreensível para as massas
54:16 - Carta a Tatiana Iácovleva
57:08 - A Plenos Pulmões
01h02:38 - Fragmentos

Som de fundo:
Até 03:10 e após 01h04:34 – Leo Ferre – Les Anarquistes. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=tLbI5…
Após 03:10 até 01h04:34 – Eugène Pottier (letra – 1871), Pierre de Geyter (música – 1888) – Hino da Internacional Socialista (Russo). Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=t8EMx..

y ¡zas!

02h24

a vida como algo bruto, violento, mesquinho… sobrevivência. a gente normamente pensa na vida como graça, como dádiva… mas a vida é voracidade, a vida é morte, extermínio, a vida violenta a gente o tempo todo…  ela é contramão, velocidade, lenta demais, fugaz..

é estúpida, contigente, ânsia desesper[a]da, mais um gole, mais um sonho, mais um dia, mais uma dose, mais uma ilusão, mais um minuto, mais um riso, mais uma lágrima…. a vida tem sua face horrenda, suas exigências, seu rato e suas ignorâncias. viver sobretudo é dor, dói e faz doer. faz o coração sangrar… o teu e do outro. e nos embrigada no desejo de estar custe o que custar. a vida é cativeiro. a vida é espinho… e comemoramos a ruína, a catástrofe, os destroços como se fosse um dom, deus ou sei lá… sorte… azar.

a receita: gratidão, louvor, entrega, comunhão… balela. somos a bala nunca perdida no peito do irmão, o atropelo do cão, as queimadas… a devastação, o plástico irrespirável no pulmão, ou asfixia do estômago, o extermínio de geleiras, a devoração da terra, o câncer na alimentação, nos afetos… no mais íntimo.

a vida é progresso e mata. e o bom samaritano mata. a rua mata. a dívida mata. o prazer mata. o agrobusiness mata. as corporações matam… o bom cidadão, o teu filho, as bandeiras, os tótens… matam… todos feios, sujos, malvados… sobretudo a beleza. a beleza mata.

e a vida é morte e as ideias sobre tudo, sobretudo, são uma questão de bioquímica, a vida é química… é eletrônica… a vida adoece, a vida não faz o menor sentido. sabe alice, a vida é poesia e a poesia é isso, um rato morto, numa terça-feira, estirado na calçada, sozinho ou com seus mil milhões de vermes… e isto tudo que você julga especial não passa de 43% de um ambiente hospedeiro de um vasto microbioma, de embriguez humana, de estupidez, de autopiedade.  a vida corta feito faca. a vida arde, queima. a vida faz a gente amar. a vida faz a gente morrer. a vida é impermanência e (auto)mutilação… nó, engasgo, a vida pesa, é fardo, a vida é egoísta… a vida é luta, trapaça, luto… a vida é tudo e nada, signo, parafernália, palavra, língua, corda, guilhotina… a vida é rainha e esquecimento, mordida e apodrecimento… sopro e lágrima, e ditados bobos.

a vida meu irmão, vale nada. e nada vale. eu não sou o centro do universo, eu não caibo no verso, nenhum eu cabe neste verso… nem verso nisto aqui, porque a vida meu irmão. não vale nada não.

[ruídos. voz nasalada, pausadamente] a vida é dura. [ruído]  a vida dura… [eu acho que é isso]

02h26

02h37

a vida é mãe que morre. a vida é contingência da poeira do universo, dos multi-versos… a vida vale tudo, a vida pesa. a vida é lugar inóspito, inesperado e a espera… esperando godot ou foucault, a vida é terra arrasada, é floresta, é terra arrasada, a vida é nuclear, a vida o tempo todo é um deus vizinho que te aninha e te corta em tirinhas, camada pós camada, câmara [de gas] pós camara… a vida é campo pós campo… a vida, mobila, a vida é bela, é um permanente estado de exceção… y ¡zas! Le come la patita.

02h38

09h07 [transcrever o rabisco compulsivo da madrugada para cá]

é preciso dormir negrito! pois a vida. ela não vale o teu espírito. a vida é tua ira.

09:34

Jpeg
ontem

exercícios noturnos

porque eu não escrevo um poema há uns bons dias…

exercícios noturnos – poemas de vagner boni (2018, novembro 21, quarta-feira titri/trindade – florianópolis).

I – a esmo

caminhei a esmo
para não ficar
andando em círculos,
no mesmo pensamento.

II – anatomia da lágrima contida

sob a pálpebra
o filme lacrimal tem três camadas
mas há um embargo,
um amontoado de palavras não ditas,
verbo-pranto,
vazão represada
lágrima contida.

III – poe.a.mar-se

jogar palavras no papel
distrai a dor
que sufoca o peito.

não desata o nó,
o permanente impasse
deste corpo-linguagem,

mas desfaz o laço
ao poe.a.mar-se

IV – led

semáforos
faróis
lâmpadas
todos os tons
de amarelo, branco
verde, vermelho

e a espera da noite
sinaliza o caminho
pisca, da seta,
freia, adverte,
siga, mas não siga em vão…
venha, vá, não pare não…

brilha nessa escuridão.

_______________________________________________________________________

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rodapé: a foto em destaque é da série «traffic lights» do fotógráfo alemão Lucas Zimmermann

«CASA DESTELHADA» por Bento Prado Júnior

#umpoetaumpoemapordia #295 (21/8)

POETA: BENTO PRADO JR

Bento Prado de Almeida Ferraz Júnior, conhecido como Bento Prado, ou Prado Jr. (Jaú, 21 de agosto de 1937 — São Carlos, 12 de janeiro de 2007), foi filósofo, escritor, professor, crítico literário, tradutor e poeta brasileiro.

POEMA: CASA DESTELHADA

A casa é um templo humilde, em cujo teto
há goteiras que choram, noite e dia;
o seu recinto todo está repleto
do verde musgo, que a humanidade cria.

Oculta um monge de sereno aspecto
na solidão do templo, a luz sombria.
Vota-lhe o monge singular afeto,
que lhe aviventa a fonte da poesia.

Nunca lhe entre os umbrais alma profana!
Lugar tão venerando dessa forma,
ofendê-lo-á, por certo, a vista humana!

Pois se procede, nesse ambiente sério,
ao milagre da dor, que se transforma,
no cadinho do amor, em refrigério…

+ SOBRE

https://www.escritas.org/pt/bento-prado-junior
http://www.jornaldepoesia.jor.br/bpra01.html

Bento Prado de Almeida Ferraz Júnior


http://tarrenego.blogspot.com/2016/08/bento-prado-junior.html
https://pt.wikipedia.org/wiki/Bento_Prado_Júnior

OUTROS

William Henry Ogilvie , poeta e autor escocês-australiano
Ruth Manning-Sanders , escritor e poeta galês-inglês
Can Yücel , poeta e tradutor turco
XJ Kennedy , poeta, tradutor, antologista, editor estadunidense

«EL OLVIDO» por Silvina Ocampo

#umpoetaumpoemapordia #264 (21/7)

POETISA: SILVINA OCAMPO

Silvina Ocampo Inocencia (Buenos Aires, Argentina, 28 de julho 1903-14 Dezembro de 1993). Era uma escritora, contadora de histórias e poetisa Argentina. Seu primeiro livro foi Viaje Olvidado (1937) e Las Repeticiones, publicado postumamente em 2006. Durante a maior parte de sua vida, sua figura foi ofuscada por sua irmã Victoria, seu marido, Adolfo Bioy Casares, e seu amigo Jorge Luis Borges, mas com o tempo seu trabalho foi reconhecido e ela foi considerada uma autora fundamental da literatura argentina do século XX.

POEMA: EL OLVIDO

Desesperado amor, buscas olvido
como buscan la luz las mariposas
en el fulgor del fuego entristecido.
Yo siento que al sufrir en mí te posas
como en esos escuálidos jardines
donde canta la voz de una torcaza
perdida en la cornisa de una casa
doliente, en la ciudad, entre jazmines.

TRADUÇÃO DE: Antonio Miranda

OLVIDO

Desesperado amor, buscas o olvido
como buscam a luz as mariposas
no fulgor do fogo entristecido.
Sinto que ao sofrer em mim pousas
como nesses esquálidos jardins
onde canta a voz da pomba-torcaz
perdida na cornija de uma casa
dolente, na cidade, entre jasmins.

+ SOBRE

https://es.wikipedia.org/wiki/Silvina_Ocampo
http://www.antoniomiranda.com.br/Iberoamerica/argentina/silvina_ocampo.html

5 poemas de Silvina Ocampo


https://www.poeticous.com/silvina-ocampo?locale=es
Poemas Escogidos: Silvina Ocampo
http://prosacaotica.blogspot.com/2015/05/6-poemas-de-silvina-ocampo.html
.

OUTROS

Vasile Alecsandri, poeta, político e diplomata romeno
Matthew Prior , poeta e diplomata inglês
Hart Crane , poeta americano
Osiris Rodríguez Castillos , poeta e compositor uruguaio
Umashankar Joshi , autor indiano, poeta e estudioso
Anand Bakshi , poeta e compositor indiano
Wendy Cope , poeta, crítica e educadora inglesa

«POEMA TERCIÁRIO» por Domingos Carvalho da Silva

#umpoetaumpoemapordia #234 (21/6)

POETA: DOMINGOS CARVALHO DA SILVA

(Leiroz, Portugal, 21 de Junho de 1915 – São Paulo, Brasil, 26 de Abril de 2003) é um escritor brasileiro. Domingos nasceu em Portugal, na aldeia de Leiroz, mas radicou-se no Brasil desde 1924, instalando-se em São Paulo, passando a ser considerado paulista. Fez parte da Geração de 45.

POEMA: POEMA TERCIÁRIO

a João Cabral de Melo Neto

Cavalos já foram pombos
de asas de nuvem. Um rio
banhava o rosto da aurora.
Cavalos já foram pombos
na madrugada do outrora.
Onde há florestas havia
golfos oblongos por onde
tranqüilos peixes corriam.
Uma lua alvissareira
passava a noite. E deixava
reticências de cometa
vagalumeando na relva
das margens, até à aurora
da Idade de Ouro do outrora,
quando cavalos alados
tinham estrelas nas crinas
alvas como asas de pombo.
O Verbo não existia.
Deus era incriado ainda.
Só as esponjas dormitavam
trespassadas por espadas
de água metálica, impoluta.
E as gaivotas planejavam
etapas estratosféricas
próximo as praias ibéricas.
E as montanhas desabavam
em estertores terciários,
em agonias de estrondo,
nas manhãs de sol atlântico,
quando cortavam as nuvens
– alvos garbosos eqüinos –
esquadrões marciais de pombos.
Teu cabelo era ainda musgo.
Teus olhos o corpo frio
de uma ostra semiviva.
E tua alma sempre-viva
Sobrenadava o oceano
qual uma estrela perdida.
Teu coração era concha
fechada e sem pulsação.
E teu gesto – que é teu riso –
era urn mineral estático
ainda não escavado
pelo mar duro e fleumático.
Cavalos já foram pombos.
E a prata que anda na garra
dos felinos, reluzia
em vibrações uterinas
no ventre da terra fria,
quando o dia era só aurora
e Deus sequer existia,
na madrugada do outrora.

CARVALHO DA SILVA, Domingos. “Poema terciário”. In: BANDEIRA, Manuel (org). “Antologia”. In: Apresentação da poesia brasileira. São Paulo: Cosacnaify, 2009.

+ SOBRE

https://pt.wikipedia.org/wiki/Domingos_Carvalho_da_Silva
http://www.antoniomiranda.com.br/Iberoamerica/brasil/domingos_c_silva.html
http://renemendes.com.br/arte-do-trabalho/o-poeta-domingos-carvalho-da-silva/
http://www.jornaldepoesia.jor.br/dcs01.html
https://www.escritas.org/pt/t/12816/soneto-ocasional
http://antoniocicero.blogspot.com/2009/08/domingos-carvalho-e-silva-poema.html
http://wwwideiasubalterna.blogspot.com/2012/03/domingos-carvalho-da-silva-1915-2004.html

RESENHA – DOMINGOS CARVALHO DA SILVA: Uma Teoria do Poema – Revista Iberoamericana

OUTROS

William Edmondstoune Aytoun, poeta britânico
Francisco García Lorca, poeta, professor, diplomata, escritor
Adam Zagajewski , poeta polonês, romancista e ensaísta
Anne Carson, poeta canadense

«Y SIN EMBARGO, A VECES, TODAVÍA…» por Tomás Segovia

#umpoetaumpoemapordia #203 (21/5)

POETA: TOMÁS SEGOVIA

Tomás Segovia (Valencia , Espanha , 21 de maio de 1927 – México, 7 de novembro de 2011) foi um escritor, poeta e ensaísta nascido em Espanha e naturalizado mexicano.

POEMA: Y SIN EMBARGO, A VECES, TODAVÍA…

Y sin embargo, a veces, todavía,
así de pronto, cuando te estoy viendo,
vuelvo a verte como antes, y me enciendo
del mismo modo inútil que solía.

Y me pongo a soñar en pleno día,
y reprocho al destino, corrigiendo,
como los locos, lo que fue; y no entiendo
cómo no pude nunca hacerte mía.

E imagino que anoche me colmaste
de placeres sin nombre, y que esa chispa
perversa y de ternura en tu mirada

prueba que lo otro es nada -que gozaste,
que a ti también este limbo te crispa,
¡que al fin te di el orgasmo!- y lo otro es nada.

 

+ SOBRE

https://es.wikipedia.org/wiki/Tomás_Segovia
https://circulodepoesia.com/2011/11/un-poema-de-tomas-segovia/
http://amediavoz.com/segovia.htm#Y%20SIN%20EMBARGO,%20A%20VECES,%20TODAVÍA…
http://www.materialdelectura.unam.mx/index.php/poesia-moderna/16-poesia-moderna-cat/282-132-tomas-segovia?showall=1
https://fragmentsdevida.wordpress.com/2012/12/22/poesia-erotica-de-tomas-segovia/
https://www.poemas-del-alma.com/tomas-segovia.htm

Tomás Segovia – Aurora de mañana

OUTROS

 Alexander Pope, poeta inglês

Manuel Pérez y Curis, poeta uruguaio

 Emile Verhaeren , poeta belga

Dorothy Hewett , poeta feminista australiana, romancista e dramaturga

Robert Creeley , romancista, ensaísta e poeta americano

«A RAINHA CARECA» por Hilda Hilst

#umpoetaumpoemapordia #173 (21/4)

POETISA: HILDA HILST

Hilda Hilst (Jaú, 21 de abril de 1930 — Campinas, 4 de fevereiro de 2004) foi uma poeta, ficcionista, cronista e dramaturga brasileira. É considerada pela crítica especializada como uma das maiores escritoras em língua portuguesa do século XX.

POEMA: A RAINHA CARECA

De cabeleira farta
de rígidas ombreiras
de elegante beca
Ula era casta
Porque de passarinha
Era careca.
À noite alisava
O monte lisinho
Co’a lupa procurava
Um tênue fiozinho
Que há tempos avistara.
Ó céus! Exclamava.
Por que me fizeram
Tão farta de cabelos
Tão careca nos meios?
E chorava.
Um dia…
Passou pelo reino
Um biscate peludo
Vendendo venenos.
(Uma gota aguda
Pode ser remédio
Pra uma passarinha
De rainha.)
Convocado ao palácio
Ula fez com que entrasse
No seu quarto.
Não tema, cavalheiro,
Disse-lhe a rainha
Quero apenas pentelhos
Pra minha passarinha.
Ó Senhora! O biscate exclamou.
É pra agora!
E arrancou do próprio peito
Os pêlos
E com saliva de ósculos
Colou-os
Concomitantemente penetrando-lhe os meios.
UI! UI! UI! gemeu Ula
De felicidade
Cabeluda ou não
Rainha ou prostituta
Hei de ficar contigo
A vida toda!
Evidente que aos poucos
Despregou-se o tufo todo.
Mas isso o que importa?
Feliz, mui contentinha
A Rainha Ula já não chora.

Moral da estória:
Se o problema é relevante,
apela pro primeiro passante.

Os versos acima foram extraídos do livro “Bufólicas”, Editora Globo – São Paulo, 2002, pág. 15, que conta com ilustrações magníficas de Jaguar.

+ SOBRE

https://pt.wikipedia.org/wiki/Hilda_Hilst
http://www.releituras.com/hildahilst_bio.asp

8 belíssimos poemas de Hilda Hilst

Quatro arrebatadores poemas de Hilda Hilst


http://www.paginab.com.br/cultura/hilda-hilst-uma-feminista-nata-nos-anos-50/
.

Hilda Hilst: quatro poemas na voz da autora

OUTROS

Ahmed Arif , poeta e autor turco
Murathan Mungan , escritor, poeta e dramaturgo turco
Guiche Aizemberg , poeta, letrista, escritor e dentista de origem ucraniana
Armando Tejada Gómez , poeta, letrista, escritor e radialista argentino

«L’UCCELLO DI FUOCO» por Alda Merini

#umpoetaumpoemapordia #142 (21/3)

POETISA: ALDA MERINI

Alda Giuseppina Angela Merini (Milão, 21 de março de 1931 – Milão, 1 de novembro de 2009) foi uma renomada escritora e poetisa italiana.

POEMA: L’UCCELLO DI FUOCO

L’uccello di fuoco
della mia mente malata,
questo passero grigio
che abita nel profondo
e col suo pigolio
sempre mi fa tremare
perché pare indifeso,
bisognoso d’amore,
qualche volta ha una voce
così tenera e nuova
che sotto il suo trionfo
detto la poesia.

 

+ SOBRE

https://pt.wikipedia.org/wiki/Alda_Merini

ANTOLOGÍA POÉTICA DE LA ITALIANA ALDA MERINI. TRADUCCIONES DE JEANNETTE L. CLARIOND

Poesía italiana: Alda Merini

OUTROS

Miguel Abuelo, músico, poeta e cantor argentino
Youssef Rzouga, poeta tunisino.
Nizar Qabbani , poeta sírio, editor e diplomata
Phyllis McGinley , autora e poeta americana
Lajos Kassák , poeta húngaro, romancista e pintor

21/3 – Dia Mundial da Poesia

«FUNERAL BLUES» por WH Auden

#umpoetaumpoemapordia #114 (21/2)

POETA – W. H. AUDEN

Wystan Hugh Auden (York, 21 de fevereiro de 1907 — Viena, 29 de setembro de 1973) que escrevia como W. H. Auden, foi um poeta anglo-americano, tido como um dos grandes autores do século XX.

POEMA: FUNERAL BLUES

W. H. AUDEN: Funeral Blues

Stop all the clocks, cut off the telefone,
Prevent the dog from barking with a juicy bone,
Silence the pianos and with muffled drum
Bring out the coffin, let the mourners come.

Let aeroplanes circle moaning overhead
Scribbling on the sky the message He is Dead,
Put crêpe bows round the white necks of the public doves,
Let the traffic policemen wear black cotton gloves.

He was my North, my South, my East and West,
My working week and my Sunday rest,
My noon, my midnight, my talk, my song;
I thought that love would last for ever: I was wrong.

The stars are not wanted now: put out every one;
Pack up the moon and dismantle the sun;
Pour away the ocean and sweep up the wood;
For nothing now can ever come to any good.

TRADUÇÃO DE RODRIGO SUZUKI CINTRA

Blues Fúnebres

Parem todos os relógios, calem o telefone,
Impeçam o latido do cão com um osso para a fome,
Silenciem os pianos e com tambores chamem
A vinda do caixão, deixem que os desconsolados clamem.

Que aviões circulem no alto, um voo torto,
Rabiscando no céu a mensagem: ele está morto.
Que se coloque nos brancos pescoços de pombas coleiras pretas,
E os guardas de trânsito usem luvas de algodão negras.

Ele era meu Norte, meu Sul, meu Leste e Oeste,
Minha semana de trabalho, um domingo campestre,
Meu meio-dia, meia-noite, minha fala, minha canção;
Eu pensava que o amor duraria para sempre: eu não tinha razão.

Não me importam mais as estrelas; tirem-as da minha frente,
Empacotem a lua, desmantelem o sol quente,
Despejem o oceano, tirem as florestas de perto:
Pois agora nada mais pode vir a dar certo.

TRADUÇÃO DE NELSON ASCHER

Que parem os relógios, cale o telefone,
jogue-se ao cão um osso e que não ladre mais,
que emudeça o piano e que o tambor sancione
a vinda do caixão com seu cortejo atrás.

Que os aviões, gemendo acima em alvoroço,
escrevam contra o céu o anúncio: ele morreu.
Que as pombas guardem luto — um laço no pescoço —
e os guardas usem finas luvas cor-de-breu.

Era meu norte, sul, meu leste, oeste, enquanto
viveu, meus dias úteis, meu fim-de-semana,
meu meio-dia, meia-noite, fala e canto;
quem julgue o amor eterno, como eu fiz, se engana.

É hora de apagar estrelas — são molestas —
guardar a lua, desmontar o sol brilhante,
de despejar o mar, jogar fora as florestas,
pois nada mais há de dar certo doravante.

TRADUÇÃO: IVO KORYTOWSKI

Relógios, parar! Telefone, desligar!
Um osso suculento pro cão não ladrar.
Pianos, silêncio! Com dobres de finados
Tragam o caixão, venham os enlutados.

Aviões circulem chorosos pelo céu
Escrevendo uma mensagem: ele morreu.
Os pombos da rua laços de crepe ostentarão
Os guardas de trânsito, luvas pretas de algodão.

Ele era meu sul, norte, oriente, ocidente
Domingo de lazer, meus dias de batente
Meio-dia, meia-noite, papo, canção
Pensei que o amor fosse eterno: triste ilusão!

Sejam expulsos os astros, já não fazem sentido,
A lua empacotada, o sol destruído!
Os oceanos, secados, a mata, ceifada,
Já que tudo isso não serve mais para nada!

 

MAIS SOBRE

https://www.poets.org/poetsorg/poet/w-h-auden

“Blues Fúnebres” – Poema de W. H. Auden – Tradução


http://www.releituras.com/whauden_menu.asp
http://www.elfikurten.com.br/2016/09/w-h-auden.html

Impressões sobre a poesia de W. H. Auden


https://www.poetryfoundation.org/poets/w-h-auden
https://pt.wikipedia.org/wiki/W._H._Auden

«JOAN MIRÓ» por Rafael Santos i Torroella

#umpoetaumpoemapordia #083 (21/1)

POETA: RAFAEL SANTOS I TORROELLA

Rafael Santos i Torroella (Portbou (Girona) 21 de janeiro de 1914 – Barcelona, 29 de Setembro de 2002) foi um crítico de arte, tradutor, poeta e desenhista espanhol.

POEMA: JOAN MIRÓ

La luna, el reptil, el perro, / la onda, el sexo, la estrella, / el barro, la piedra, el hierro, / la mano, el ojo, la huella. // El caracol, la raíz, / el paisaje y quien lo anima, / el azadón, la lombriz, / la mesa y su pan encima. // Un punto, un punto, otro punto, / la constelación, el mar, / el hombre cierto o presunto, / el cuenco, el torno, el alfar. // El apero, la masía, / el ala, el pájaro, el vuelo, / la mujer, la noche, el día, / el diente, el garfio, el anzuelo.

MAIS SOBRE
http://floresypalabras.blogspot.com.br/2008/10/rafael-santos-torroella-poeta.html
http://www.residencia.csic.es/bol/num1/torroella.htm
http://www.raco.cat/index.php/assaigteatre/article/viewFile/145433/248197

cuaderno-78
Insira uma legenda

Cuaderno de poemas de Rafael Santos Torroella
Portada de Joan Miró

«EL PROVERBIO ÁRABE» por Eduardo Langagne

#umpoetaumpoemapordia #052 (21/12)

POETA: EDUARDO LANGAGNE

Eduardo Langagne ( Cidade do México , 21 de dezembro de 1952 ) é um escritor e poeta mexicano . Muito jovem, em 1980, ganhou o Prêmio Casa das Américas , de Cuba, em poesia, por Donde habita el crab. Em 1994, com Cantos para uma exposição, ele ganhou o Prêmio Nacional Poesia Aguascalientes . Atualmente é diretor geral da Fundação para a literatura mexicana .

POEMA: EL PROVERBIO ÁRABE

Siempre vuelve el proverbio ancestral
del árbol, el libro y el hijo.

En un lugar vacío del desierto
— Rub al-Jali su nombre —,
la sentencia se hizo célebre.

Ahí los dátilos crecen
con los pies en el agua
y la cabeza en el fuego.

Los dátiles son dedos,
muestran la ruta de las dudas;
señalan la procesión de los camellos:
ven avanzar jorobas o dunas ondulantes.

La palmera solitaria sobrevive:
dátiles secos a sus pies.

Hacer crecer una palmera
que ofrezca frutos renovados.
Imaginar la palmera que rumora.

Se escuchan los secretos alojados en la arena;
los dispersa la estación del viento.

Aquí un espejismo:
Leer a vida que aún no hemo escrito.
Otros podrán vivir sus páginas
mientras hojean la propia.

Aquí un oasis:
El libro dicta los silencios
y escucha los lamentos del árbol de Teneré:
quejumbrosa pulpa de papel.

Tener un libro: un libro.

Plantar un árbol para dar sombra al hijo;
tener un hijo que imagine como un libro.
Escribir un libro.

TRADUÇÃO DE: ADRIANA LISBOA

O provérbio árabe

Volta sempre o provérbio ancestral
da árvore, do livro e do filho.

Num lugar vazio do deserto
— chama-se Rub al-Jali —,
a sentença se fez célebre.

Ali as tâmaras crescem
com os pés na água
e a cabeça no fogo.

As tâmaras são dedos,
mostram a rota das dúvidas;
indicam a procissão dos camelos:
veem avançar corcovas ou dunas ondulantes.

A palmeira solitária sobrevive:
tâmaras secas a seus pés.

Fazer crescer uma palmeira
que ofereça frutos renovados.
Imaginar a palmeira que sussurra.

Escutam-se os segredos alojados na areia;
dispersa-os a estação do vento.

Aqui uma miragem:
Ler a vida que ainda não escrevemos.
Outros poderão viver suas páginas
enquanto folheiam a própria.

Aqui um oásis:
O livro dita os silêncios
e escuta os lamentos da árvore de Ténéré:
queixosa polpa de papel.

Ter um livro: um livro.

Plantar uma árvore para dar sombra ao filho;
ter um filho que imagine como um livro.
Escrever um livro.

 

+ SOBRE

https://es.wikipedia.org/wiki/Eduardo_Langagne
https://circulodepoesia.com/2015/03/poesia-mexicana-eduardo-langagne/
http://www.latinamericanliteraturetoday.org/es/2017/july/cinco-poemas-de-eduardo-langagne
http://www.omni-bus.com/n44/sites.google.com/site/omnibusrevistainterculturaln44/poesia-mexicana-antologia/eduardo-langagne.html
http://www.poemaspoetas.com/eduardo-langagne
http://rascunho.com.br/eduardo-langagne/

OUTROS

Mathurin Régnier , poeta satírico francês

Thomas Bracken , jornalista, poeta e político irlandês-neozelandês

Zdeněk Fibich , compositor e poeta checo

Gustave Kahn , poeta e crítico francês

UR Ananthamurthy , autor, poeta e crítico indiano

Marouba Fall , romancista, poeta e dramaturgo senegalês.

«XXI» por Luíza Mendes Furia

#umpoetaumpoemapordia #22 (21/11)

POETISA: LUÍZA MENDES FURIA

Maria Luíza Mendes Furia nasceu em 1961. Em Caçapava (SP), a jornalista, poeta e tradutora.

POEMA – XXI

Tua língua
é chama e pétala
na minha boca

Uma orquídea
rósea e fulva
se alastra no meu ventre

Selvagem e pura
no meu corpo
te enraízas.

 

https://www.estantevirtual.com.br/autor/luiza-mendes-furia

leiamulheres_4

exercício sobre a memória

exercício sobre a memória

no subsolo, / por dentro, / nas profundezas obscuras / da caverna do tempo / o homem minera sua memória // e extraí das camadas de esquecimento / apenas um estranho [pre]sentimento / que há vãos imensos / lacunas sobre lacunas / dessas coisas sem faces / e pelos / e gostos… / onde não há textura / ou fragmento qualquer… / nem verbo / ou carne / ou cheiro algum… / nada habita… / nem lugar há. // no vazio da memória…

vestígios

vestígios

entre teu nome
e tua face de mulher,
a memória trai o ser insaciável.
e o tempo seca
o corpo sedento
do homem qualquer e ordinário.
mas na saliva e na saudade
o poema narra-se
em vestígios de um prazer
profundamente sentido
no teu sexo quente e úmido
deslizando vertiginosamente
sob meus dedos ásperos
que vão e voltam,
em flashbacks,
de um tresantontem,
noturno encontro juvenil,
ou numa manhã, de casamento real,
estirado sob um colchão surrado,
num frenético gozo casual.
mas amnésico e nu,
há tempos percebi
que tua boca
havia sido borrada
e que meus pelos
já não recordavam
a eletricidade de tua pele
deslizando voluptuosamente
sobre os poros meus…
como posso esquecer
a textura do teu sexo
e o gosto ácido e salgado
nos músculos intrínsecos
de minha língua?
como posso olvidar
o encontro de nossas curvas,
os gemidos pela rua
ou ao pé do ouvido,
e o interpenetrar tenso
que engolia meu corpo dentro do seu?
como posso desgravar
o tumulto devastador
que o mergulho nos olhos,
corpo sobre corpo,
podiam produzir,
devorando até o âmago?
e o arrepio desvairado quando
dos dentes encravados
por toda a carne?
como posso destramar
a tecitude de tua pele
sob minhas mãos suaves em sua face
ou seguras em teu corpo
descontroladamente extasiado
enquanto tragavas-me?
como teu nome, teu corpo
e tua face extinguiram-se,
assim mansamente?
e de nossos encontros
restaram apenas esses vestígios,
ruínas de um tesão
e de uma delusão?

o poema obscuro

«O verdadeiro poeta é aquele que encontra a ideia enquanto forja o verso.»
Émile-Auguste Chartier Alain

o poema obscuro
mira-me no espelho.
uma miragem,
uma imagem
captada ao acaso:
a forja da palavra,
a dura lavra.

o poema
é uma passagem:
uma rocha
amorfa e muda,
um vegetal retorcido,
um verbo seco,
um instante ao vento.

o poema é nada além
de um desejo cego,
um corte, um rasgo,
uma dor surda,
uma dúvida latente.

o poema é
o que foi dito
e o devir,
desde o mais
profundo de teu ser

o poema
está entre
o imperceptível
e o que de nós,
possamos traduzir.

[dom] 21 de junho de 2015

vermelhos

pra eu nunca mais esquecer…
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Te vejo errando e isso não é pecado,
Exceto quando faz outra pessoa sangrar
Te vejo sonhando e isso dá medo
Perdido num mundo que não dá pra entrar
Você está saindo da minha vida
E parece que vai demorar
Se não souber voltar ao menos mande notícias
‘Cê acha que eu sou louca mas tudo vai se encaixar
‘Tô aproveitando cada segundo antes que isso aqui vire uma tragédia
E não adianta nem me procurar
Em outros timbres, outros risos
Eu estava aqui o tempo todo só você não viu
E não adianta nem me procurar
Em outros timbres, outros risos
Eu estava aqui o tempo todo só você não viu
Você ‘tá sempre indo e vindo, tudo bem
Dessa vez eu já vesti minha armadura
E mesmo que nada funcione
Eu estarei de pé, de queixo erguido
Depois você me vê vermelha e acha graça
Mas eu não ficaria bem na sua estante
‘Tô aproveitando cada segundo
Antes que isso aqui vire uma tragédia
E não adianta nem me procurar
Em outros timbres e outros risos
Eu estava aqui o tempo todo só você não viu
E não adianta nem me procurar
Em outros timbres, outros risos
Eu estava aqui o tempo todo só você não viu
Só por hoje não quero mais te ver
Só por hoje não vou tomar minha dose de você
Cansei de chorar feridas que não se fecham, não se curam (não)
E essa abstinência uma hora vai passar
Compositores: Priscilla Novaes Leone