amand’água [ou o exercício sobre os movimentos da caverna do pântano à solidão da costa de dentro]

O problema da apreensão do objeto pelos sentidos é o problema número um do conhecimento humano. Mario Pedrosa (1949/1996)

amandágua [ou o exercício sobre os movimentos da caverna do pântano à solidão da costa de dentro]

terceiro movimento (o mergulho no meio da praia)

no movimento da maré
percorremos o dia
e gravado no centro da testa
a gravidade da areia
o peso do corpo n’água
o marulho do teu riso
o sol nos banhando
enquanto nos tornávamos
líquidos e minerais,
no fino granulado
os dentes francos
derme à mostra
e as nossas escoriações
pelo mergulho dado
pelo mergulho
elo-mergulho

primeiro movimento (entre as pedras e a água)

vi atráves d’água
tua pele de alga e peixe
a vi na água
um seixo, uma ulva,
uma concha

quis mais e cerrei
os olhos
ouvi em mim a água
sobre as pedras
e sobre si mesma

e tateei a água
e sua textura de liberdade
esse fluído que vai
dos dedos do pé
aos dedos da mão
e transborda todos os corpos marinhos

saboreei a água
por todos os poros e oríficios
calamar
virei água
água viva

segundo movimento (conchíferos)

água de anaximandro
ápeiron
água, sal, molécula
sorriso saboroso
e peixinhos a nadar no mar
no teu mar
no teu colo
e a água no pelos
punk-cabelo
ouriço na praia
olhos vermelhinhos
de peixe tetraodon
e ágil
como uma ótima resposta,
um riso,
segue reto,
toda vida,
para esquerda…
no método de stanislávski:
ser o mergulho
a água,
o corpo livre,
a jornada,
por inteira.

26-27 Janeiro. Pântano do Sul/Sambaqui – Fpolis. Vagner Boni

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«LA CARPE» por Guillaume Apollinaire

#umpoetaumpoemapordia #300 (26/8)

POETA: GUILLAUME APOLLINAIRE

(nascido Wilhelm Albert Włodzimierz Apolinary de Wąż-Kostrowicki, Roma, Itália, 26 de agosto de 1880 — Paris, França, 9 de novembro de 1918) foi um escritor e crítico de arte francês, possivelmente o mais importante ativista cultural das vanguardas do início do século XX, conhecido particularmente por sua poesia sem pontuação e gráfica, e por ter escrito manifestos importantes para as vanguardas na França, tais como o do Cubismo, além de ser o criador da palavra Surrealismo.

POEMA: LA CARPE

La carpe
Dans vos viviers, dans vos étangs,
Carpes, que vous vivez longtemps!
Est-ce que la mort vous oublie,
Poissons de la mélancolie.

TRADUÇÃO DE: Raymundo Magalhães Júnior

A carpa
Carpas, viveis tão longa vida
Nesses viveiros de água fria!
Será que a morte vos olvida,
Ó peixes da melancolia.

“As carpas”. In: Antologia de poetas franceses. [organização Raymundo Magalhães Jr.; vários tradutores]. Rio de Janeiro: Gráfica Tupy Ltda Editora, 1950.

+ SOBRE

https://pt.wikipedia.org/wiki/Guillaume_Apollinaire

Guillaume Apollinaire – poemas


http://www.jornalopcao.com.br/colunas/imprensa/quatro-traducoes-de-um-poema-de-guillaume-apollinaire
http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_visual/apollinaire.html
http://wwwpoetanarquista.blogspot.com/2013/11/poesia-guillaume-apollinaire.html
http://www.revistazunai.com/traducoes/guillaume_apollinaire.htm

Guillaume Apollinaire – Poema


https://www.escritas.org/pt/guillaume-apollinaire

OUTROS

Bartolomé Leonardo de Argensola, poeta e historiador espanhol
Juan B. Delgado, poeta mexicano
César Atahualpa Rodríguez, poeta peruano
Angel Guinda, poeta espanhol
Rafael Romero Valcárcel , poeta peruano.
Jules Romains , autor e poeta francês
Eleanor Dark , autor e poeta australiano
Fazıl Hüsnü Dağlarca , soldado e poeta turco
Nikky Finney , poeta americano e acadêmico

«O ESCAFANDRO» por Cassiano Ricardo

#umpoetaumpoemapordia #269 (26/7)

POETA: CASSIANO RICARDO

Cassiano Ricardo Leite (São José dos Campos, SP, Brasil, 26 de julho de 1894 — Rio de Janeiro, 14 de janeiro de 1974) foi um jornalista, poeta e ensaísta brasileiro.

Representante do modernismo de tendências nacionalistas, esteve associado aos grupos Verde-Amarelo e da Anta, foi o fundador do grupo da Bandeira, reação de cunho social-democrata a estes grupos, tendo, sua obra se transformado até o final, evoluindo formalmente de acordo com as novas tendências dos anos de 1950 e tendo participação no movimento da poesia concreta.

Pertenceu às academias paulista e brasileira de letras com 303

POEMA: O ESCAFANDRO

I

No fundo do oceano
estava a lágrima
que devia ser
chorada por mim.  À espera
de quem viesse usá-la,
um dia, ou dos olhos
(que, hoje, são os meus)

que a chorassem, devida-
mente.  Como se chora,
uma só vez, na vida.

A lágrima ali ficou,
intacta, no salso
labirinto, onde ninguém
chora, porque ali o pranto
é falso.  Onde os polvos,
os tristes cefalópodes,
não choram.  Onde
as sereias, nascidas
pra não chorar, não choram.

Onde os próprios marujos
não choram.  Onde os peixes
não choram, e ninguém
iria, então, chorá-la,
tão supérflua é uma gota
de mágoa ao fundo d´água.

E a lágrima passou
entre alvos caramujos,
entre navios mortos,
entre detritos sujos,
entre esponjas por cujos
orifícios entrou
e saiu, muitas vezes,
quieta, obscura, sozinha.
para, afinal, ser minha.

II

Lá fora,
a multidão, a onda
cega, o cavalo líquido
e Glauco
em que, sem nenhum
esforço, Deus navega,
originalmente.
Ali dentro, a lágrima.
Quieta, obscura, sozinha
na unanimidade
espessa da água azu-
marinha.

+ SOBRE

http://www.jornaldepoesia.jor.br/cricardo.html
https://pt.wikipedia.org/wiki/Cassiano_Ricardo
http://www.algumapoesia.com.br/poesia3/poesianet295.htm
http://www.antoniomiranda.com.br/Iberoamerica/brasil/cassiano_ricardo.html
http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_visual/cassiano_ricardo.html
http://www.jornaldepoesia.jor.br/cricardo.html
http://www.fccr.sp.gov.br/index.php/institucional/151-cassiano-ricardo/577-livro-08?showall=1
http://vidraguas.com.br/wordpress/2011/03/06/poetica-por-cassiano-ricardo/

POEMA – NA MANHÃ GIRASSOL
Que vão fazer tais Gigantes, / figuras de barro vivo, / sem lógica, na manhã / desse universo girassol? // Vão matar os bichos todos… / Vão buscar o couro da Onça… / Vão caçar o dragão de ouro / que se chama Pai do sol. // Que vão fazer tais Gigantes, / cheios de estranho destino, / tendo o horizonte nos olhos / e tão engraçados de nome? / Tão rápidos na partida / que, se um azula, outro some? // Vão ficar verdes por dentro… // Vão morrer azuis de fome…
RICARDO, Cassiano. Martin Cererê (o Brasil dos meninos, dos poetas e dos heróis). Rio de Janeiro: Editora José Olympio, 1978. (p. 62)

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OUTROS

Antonio Machado, poeta espanhol
Chairil Anwar , poeta indonésio
César Calvo , poeta peruano
Rajanikanta Sen , poeta e compositor indiano
Ibn-e-Safi , autor e poeta indiano-paquistanês
Jun Henmi , autor e poeta japonês

«MORRER, DORMIR» por Francisco Otaviano

#umpoetaumpoemapordia #239 (26/6)

POETA: FRANCISCO OTAVIANO

Francisco Otaviano de Almeida Rosa (Rio de Janeiro, 26 de junho de 1825 — Rio de Janeiro, 28 de junho de 1889) foi um advogado, jornalista, diplomata, político e poeta brasileiro.

POEMA: SONETO

Morrer, dormir, não mais: termina a vida
E com ela terminam nossas dores,
Um punhado de terra, algumas flores,
E às vezes uma lágrima fingida!

Sim, minha morte não será sentida,
Não deixo amigos e nem tive amores!
Ou se os tive mostraram-se traidores,
Algozes vis de uma alma consumida.

Tudo é pobre no mundo; que me importa
Que ele amanhã se esb’roe e que desabe,
Se a natureza para mim está morta!

É tempo já que o meu exílio acabe;
Vem, pois, ó morte, ao nada me transporta
Morrer, dormir, talvez sonhar, quem sabe?

+ SOBRE

http://www.jornaldepoesia.jor.br/fo04.html
http://www.antoniomiranda.com.br/Iberoamerica/brasil/francisco_otaviano.html
http://www.blocosonline.com.br/literatura/poesia/pndp/pndp010739.htm
https://pt.wikipedia.org/wiki/Francisco_Otaviano

OUTROS

Wolfgang Menzel, poeta e crítico alemão
Branwell Brontë, pintor e poeta inglês
Ya’akov Cohen, lingüista, poeta e dramaturgo israelense
Aimé Césaire, poeta francês, autor e político
Laurie Lee, escritor e poeta inglês
Charlotte Zolotow, autora e poeta americana
Mahendra Bhatnagar, poeta indiano
Robert Kroetsch, autor e poeta canadense
Nancy Willard, autora e poeta americana

«POEM» por Simon Armitage

#umpoetaumpoemapordia #208 (26/5)

POETA: SIMON ARMITAGE

Simon Robert Armitage (nascido em Huddersfield, West Riding of Yorkshire , Inglaterra, dia 26 de maio de 1963) é um poeta, dramaturgo e romancista inglês. Ele é professor de poesia na Universidade de Leeds.

POEMA: POEM

Frank O’Hara was open on the desk
but I went straight for the directory.
Nick was out, Joey was engaged, Jim was
just making coffee and why didn’t I

come over. I had Astrud Gilberto
singing “Bim Bom” on my Sony Walkman
and the sun was drying the damp slates on
the rooftops. I walked in without ringing

and he still wasn’t dressed or shaved when we
topped up the coffee with his old man’s Scotch
(it was only half ten but what the hell)
and took the newspapers into the porch.

Talking Heads were on the radio. I
was just about to mention the football
when he said “Look, will you help me clear her
wardrobe out?” I said “Sure, Jim, anything.”

TRADUÇÃO DE: JOSÉ ALBERTO OLIVEIRA

POEMA

Frank O’Hara estava aberto na secretária
mas eu fui directo à lista telefónica.
Nick estava para fora, Joey ocupado, Jim ia
mesmo fazer café e porque é que eu não

aparecia. Eu tinha Astrud Gilberto
a cantar “Bim Bom” no meu walkman da Sony
e o sol secava a ardósia húmida dos
telhados. Entrei por ali dentro sem tocar

e ele ainda não estava vestido nem barbeado quando
atestamos o café até cima com o Scotch do velhote dele
(ainda eram só dez e meia mas que se lixe)
e levamos os jornais para o alpendre.

Os Talking Heads estavam na rádio. Eu
ia mesmo para falar do futebol
quando ele disse: “Ouve, ajudas-me a esvaziar o
guarda-roupa dela?” Eu disse: “Claro, Jim, o que quiseres.”

+ SOBRE

http://lepaysnestpaslacarte.blogspot.com.br/2014/05/poema-simon-armitage.html
http://poesiailimitada.blogspot.com.br/2006/01/simon-armitage.html

Simon Armitage


https://naofeche.blogspot.com.br/2013/01/1-poema-de-simon-armitage.html

simon armitage


https://en.wikipedia.org/wiki/Simon_Armitage
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OUTROS

Moondog, compositor, músico, cosmologista e poeta estadunidense

Felipe Poey , naturalista cubano
Vittoria Aganoor , poeta italiano
Alan Hollinghurst , romancista, poeta, escritor de contos e tradutor britânico.
Necip Fazıl Kısakürek, autor turco, poeta e dramaturgo

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«PERGUNTA» por Alexei Bueno

#umpoetaumpoemapordia #178 (26/4)

POETA: ALEXEI BUENO

Alexei Bueno (Rio de Janeiro, 26 de abril de 1963) é um poeta, editor e ensaísta brasileiro.

POEMA PERGUNTA

Será realmente a face do Universo
A face da Medusa,
Esta geral destruição confusa,
Este criar perverso,

Ou será a máscara, álgida e estrelada,
Onde os cometas passam,
Turva de treva, rútila de nada,
E onde olhos se espedaçam?

                         De Lucernário (1993)

+ SOBRE

https://pt.wikipedia.org/wiki/Alexei_Bueno
http://www.jornaldepoesia.jor.br/bue.html
http://www.algumapoesia.com.br/poesia/poesianet095.htm
https://revistacaliban.net/alexei-bueno-escrever-sobre-os-mortos-que-se-despiram-da-memória-3bd269a56f1e
http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/rio_de_janeiro/alexei_bueno.html

Poesia e possessão


http://www.blocosonline.com.br/literatura/poesia/p01/p010543.htm

O estranho e sofisticado Alexei Bueno – seer ufrgs

OUTROS

Gyula Kosice, escultor, poeta e artista plástico tcheco
Caetano da Costa Alegre , poeta português
Vicente Aleixandre , poeta espanhol, prêmio Nobel de literatura em 1977
Llorenç Vidal Vidal , poeta espanhol
Marilyn Nelson , poeta e autor afro-americano

«LÍNGUA» por Luís Carlos Patraquim

#umpoetaumpoemapordia #147 (26/3)

POETA: LUÍS CARLOS PATRAQUIM

Luís Carlos Patraquim (Lourenço Marques, 26 de março de 1953) é um poeta, autor teatral e jornalista moçambicano.

POEMA: LÍNGUA

Mpurukuma, Língua, corpo quase,
o que sou de sobrepostas vozes,
Bayete!

E tu, pássaro da alma, Mpipi adejando
sobre o losango tumultuante de cores,

Templo onde me cerco,
não me abandones, cão inflando para o rio
uma escarninha balada que nos enforca.

Esfumou-se a Torre na praia nocturna,
a preposição que olfactava o nervo
e Ele dorme ainda e expulso.

Quando a palavra surge, inteira, das águas
e os espíritos batem a respiração do batuque,

Ele tacteia os nomes nas abóbadas de sangue
e entra pelo silêncio, dobrando-se
em número.
Leva-o nas tuas asas, ó sombra
que as patas de cinza espargiram no vento,
soluço de Leanor
em saínhos sete de capulanas mil,

Ilha mineral, Mpipi hílare no azul
onde me cego.
Que sinais sobre que mar do exílio ou
som de algas lavando-te o rosto, se inscreveram
em ti, mulher larga no Índico,
língua por dentro dos lábios cavando, obscuro,
um reino por achar?
Língua, Mpurukuma quase.

 

+ SOBRE

https://pt.wikipedia.org/wiki/Luís_Carlos_Patraquim
http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_africana/mocambique/luis_carlos_patraquim.html
http://www.buala.org/pt/autor/luis-carlos-patraquim
https://www.editoraufmg.com.br/pages/obra/81/luis-carlos-patraquim-antologia-poetica
https://www.lyrikline.org/pt/poemas/o-circulo-5384
http://www.jornaldepoesia.jor.br/lcp.html#metamorfose

OUTROS

Robert Frost, poeta estado-unidense
Gregory Corso, poeta estado-unidense
Luís Carlos Patraquim, poeta, autor teatral e jornalista moçambicano.
Alfred Edward Housman , poeta inglês
Walt Whitman , poeta americano.
Théodore Aubanel , poeta francês
Mahadevi Varma , poeta indiano e ativista
Tennessee Williams , dramaturgo americano e poeta
Hwang Sun-won , autor e poeta norte-coreano
Erica Jong , romancista e poeta americana
Dorothy Porter , poeta e dramaturgo australiano

«ESTADO DE POESIA» por Chico César

#umpoetaumpoemapordia #088 (26/1)

POETA: CHICO CÉSAR

Francisco César Gonçalves (Catolé do Rocha, Paraíba, Brasil, em 26 de janeiro de 1964), é um cantor, compositor, escritor e jornalista brasileiro

POEMA: ESTADO DE POESIA

Para viver em estado de poesia / Entranharia nestes sertões de você / Pra me esquecer da vida que eu vivia / De cigania antes de te conhecer / De enganos livres que eu tinha porque queria / Por não saber que mais dia, menos dia / Eu todo me encantaria pelo todo do teu ser / Pra misturar meia noite, meio dia / Enfim saber que cantaria a cantoria / Que há tanto tempo queria / A canção do bem querer / É belo vês o amor sem anestesia / Dói de bom / Arde de doce / Queima a calma / Mata, cria / Chega tem vez que a pessoa que enamora / Se pega e chora do que ontem mesmo ria / Chega tem hora que ri de dentro pra fora / Não fica, nem vai embora / É o estado de poesia!

«长沙(1925年)- Changsha » por Mao Tsé-Tung / Mao Zedong / 毛泽东

#umpoetaumpoemapordia #057 (26/12)

POETA: MAO TSÉ-TUNG (Mao Tsé-Tung/ Mao Zedong/ 毛泽东)

Mao Tsé-tung (CHN-long), Máo Zédōng, 毛澤東 (chinês tradicional), 毛泽东 (chinês simplificado) (Shaoshan, 26 de dezembro de 1893 — Pequim, 9 de setembro de 1976) foi um político, teórico, líder comunista e revolucionário chinês. Liderou a Revolução Chinesa e foi o arquiteto e fundador da República Popular da China, governando o país desde a sua criação em 1949 até sua morte em 1976. Wikipedia

POEMA: 长沙(1925年)

独立寒秋,

橘子洲头。湘江北去,

看万山红遍,

层林尽染;

漫江碧透,

百舸争流。

鹰击长空,

鱼翔浅底,

万类霜天竞自由。

怅寥廓,

问苍茫大地,

谁主沉浮?

携来百侣曾游,

忆往昔,

峥嵘岁月稠。

恰同学少年,

风华正茂;

书生意气,

挥斥方遒。

指点江山,

激扬文字,

粪土当年万户侯。

曾记否,

到中流击水,

浪遏飞舟?

TRADUÇÃO DE: RICARDO PORTUGAL

Changsha
solitário de pé encaro o outono
ao frio, desde a Ilha das Laranjas
vejo o Rio Xiang fluir ao norte
milhares de montanhas avermelham-se
por bosques tingidos em rubros andares
e sobre as verdes águas várias transparentes
cem barcos competem em esforço
águias batem-se ao vazio infinito
peixes enxameiam pelas tênues águas
miríades de seres rivalizam livres
contra um céu glacial, tomados de imensidade
e ora indago à terra magna infindável
que mestre é este a reger quem imerge
ou vem à tona pois outrora aqui estive
e os companheiros de meses anos
replenos, coração de estudante
aqueles tantos jovens a intensa flor
da idade irrestritos em desafio
apontávamos montanhas vastos rios
arrebatados brados nossas obras davam
senhores do mundo por monturos de estrume
como não lembrar:
em meio à torrente estapeávamos as ondas
a levantá-las contra os barcos, e avançávamos

+ SOBRE

http://partidodoritmo.blogspot.com.br/2016/04/um-famoso-e-belissimo-poema-de-mao-tse.html
http://poeticaclassica.blogspot.com.br/2015/04/mao-tse-tung-poemas.html

Dos poemas de Mao Tse-tung

Li Po e Mao Tse-Tung em português – Portal de Revistas da USP, Por Sérgio Medeiros

http://www.revistas.usp.br/clt/article/viewFile/49483/53567

http://revolucioncultural-p.blogspot.com.br/2012/08/poemas-del-camarada-mao-tse-tung.html
http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=266758

OUTROS

Ernst Moritz Arndt , escritor e poeta alemão

Henry Miller – Henry Valentine Miller, escritor norte-americano

 Jean Toomer , autor e poeta americano

Al-Ma’arri, filósofo, poeta e escritor árabe

Thomas Gray, poeta inglês

Henry Louis Vivian Derozio , poeta indiano

Mutabaruka , poeta dub e rastafari jamaicano.

Alberto Pimenta –  é um escritor, poeta e ensaísta português

«TRÊS COISAS» por Mário Lago

#umpoetaumpoemapordia #027 (26/11)

POETA: MÁRIO LAGO

Mário Lago (Rio de Janeiro, 26 de novembro de 1911 — Rio de Janeiro, 30 de maio de 2002) foi um advogado, poeta, radialista, compositor e ator brasileiro.

POEMA: TRÊS COISAS

Três coisas pra mim no mundo
Valem bem mais do que o resto
Pra defender qualquer delas
Eu mostro o quanto que presto
É o gesto, é o grito, é o passo
É o grito, é o passo, é o gesto
O gesto é a voz do proibido
Escrita sem deixar traço
Chama, ordena, empurra, assusta
Vai longe com pouco espaço
É o passo, é o gesto, é o grito
É o gesto, é o grito, é o passo
O passo começa o vôo
Que vai do chão pro infinito
Pra mim que amo estrada aberta
Quem prende o passo é maldito
É o grito, é o passo, é o gesto
É o passo, é o gesto, é o grito
O grito explode o protesto
Se a boca já não dá espaço
Que guarde o que há pra ser dito
É o grito, é o passo, é o gesto
É o gesto, é o grito, é o passo
É o passo, é o gesto, é o grito.

Mario Lago & Hermeto Pascoal -Três Coisas

 

+ SOBRE

http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/rio_de_janeiro/mario_lago.html
https://poesiaspreferidas.wordpress.com/2013/06/01/tudo-como-antigamente-mario-lago/
http://umpoucodepoesia-msframos.blogspot.com.br/2014/11/tres-coisas-mario-lago.html
Três Coisas – Mario Lago e Hermeto Paschoal #umpoemapordia
Três Coisas – Mario Lago e Hermeto Paschoal #umpoemapordia

 

to live outside the law you must be honest

Well, your railroad gate, you know I just can’t jump it / Sometimes it gets so hard, you see / I’m just sitting here beating on my trumpet / With all these promises you left for me / But where are you tonight, sweet Marie? // Well, I waited for you when I was half sick / Yes, I waited for you when you hated me /  Well, I waited for you inside of the frozen traffic / When you knew I had some other place to be / Now, where are you tonight, sweet Marie? // Well, anybody can be just like me, obviously / But then, now again, not too many can be like you, fortunately. //  Well, six white horses that you did promise / Were fin’lly delivered down to the penitentiary / But to live outside the law, you must be honest / I know you always say that you agree / But where are you tonight, sweet Marie? / Well, I don’t know how it happened //  But the river-boat captain, he knows my fate /  But ev’rybody else, even yourself / They’re just gonna have to wait. //  Well, I got the fever down in my pockets / The Persian drunkard, he follows me / Yes, I can take him to your house but I can’t unlock it / You see, you forgot to leave me with the key / Oh, where are you tonight, sweet Marie? //  Now, I been in jail when all my mail showed / That a man can’t give his address out to bad company / And now I stand here lookin’ at your yellow railroad /  In the ruins of your balcony / Wond’ring where you are tonight, sweet Marie. // Absolutely Sweet Marie/ Bob Dylan

Bob-Dylan-Absolutely-Sweet-Marie-Songsheet-Optimized

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aprendi hoje um pouco mais sobre nossas diferenças… de onde parte caio prado junior e de onde vem florestan fernandes. e sobre essas despedidas e caixas de bombons para outros dias. foi um bom sábado juntos.

sobre coisas de paula z

este
teu tênis de cor suja quase
branco, abandonado, desleixado sob teus pés descalços
nestas
tuas mãos agitadas que repousam o corpo indomável
neste
teu estado que provocativo que contempla
estas
tuas expressões que concentram-me
na superfície de movimentos ágeis, intensos
destes
teus grandes olhos de óculos mirando fundo…
qualquer coisa indecifrável ai dentro de ti
e que povoa o mundo.

ah! esta
tua pose assim, toda
retorcida
querendo
entra[nha]r
confundir-se
com os objetos,
com os corpos,
com o texto
com a língua
sendo deste poema a substância toda e mínima.

vAGNER bONI /  26 mar, 2009. [qui]
CFH. UFSC.

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nota explicativa : florestan fernandes

«Todos nós somos compelidos a misturar a ciência com ideologia e com política, pois não tememos tornar explícito o que é uma realidade. Essa mistura, que comparece mistificada e oculta nas obras de alta-academia, está nos fatos e está na consciência de todos. Deve, pois, aparecer na reflexão mais ou menos teórica do sociólogo, do historiador ou do intelectual empenhado na criação de um pensamento socialista próprio à América Latina. O que possa haver de científico na produção intelectual do sociólogo, do historiador ou do socialista não é nem ‘degradado’ nem ‘contaminado’ com isso. Ao contrário! Só quando ‘a ciência é poder’ em termos da ordem e de sua defesa passiva ou ativa essa vinculação pode ser escondida ou negada. Os que se preocupam com o poder real dos que recorrem à violência como contraviolência e se aliam com eles não convertem ciência em poder sem deixar clara a vinculação desses três pólos da transformação revolucionária do mundo». Florestan Fernandes. nota explicativa em seu livro “Poder e Contrapoder na América Latina”.

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