amand’água [ou o exercício sobre os movimentos da caverna do pântano à solidão da costa de dentro]

O problema da apreensão do objeto pelos sentidos é o problema número um do conhecimento humano. Mario Pedrosa (1949/1996)

amandágua [ou o exercício sobre os movimentos da caverna do pântano à solidão da costa de dentro]

terceiro movimento (o mergulho no meio da praia)

no movimento da maré
percorremos o dia
e gravado no centro da testa
a gravidade da areia
o peso do corpo n’água
o marulho do teu riso
o sol nos banhando
enquanto nos tornávamos
líquidos e minerais,
no fino granulado
os dentes francos
derme à mostra
e as nossas escoriações
pelo mergulho dado
pelo mergulho
elo-mergulho

primeiro movimento (entre as pedras e a água)

vi atráves d’água
tua pele de alga e peixe
a vi na água
um seixo, uma ulva,
uma concha

quis mais e cerrei
os olhos
ouvi em mim a água
sobre as pedras
e sobre si mesma

e tateei a água
e sua textura de liberdade
esse fluído que vai
dos dedos do pé
aos dedos da mão
e transborda todos os corpos marinhos

saboreei a água
por todos os poros e oríficios
calamar
virei água
água viva

segundo movimento (conchíferos)

água de anaximandro
ápeiron
água, sal, molécula
sorriso saboroso
e peixinhos a nadar no mar
no teu mar
no teu colo
e a água no pelos
punk-cabelo
ouriço na praia
olhos vermelhinhos
de peixe tetraodon
e ágil
como uma ótima resposta,
um riso,
segue reto,
toda vida,
para esquerda…
no método de stanislávski:
ser o mergulho
a água,
o corpo livre,
a jornada,
por inteira.

26-27 Janeiro. Pântano do Sul/Sambaqui – Fpolis. Vagner Boni

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exercício sobre olhar-se dentro do mundo

sobre ontem:
na despedida
o reencontro
comigo,
com essa coisa
meio silêncio, meio ruído
 
transbordando poesia…
 
e sobre a resiliência…
a forma de olhar,
o meu olhar sobre o mundo.
 
e sobre a gratidão,
ao meu velho pai,
por estarmos juntos
nessa irmã jornada
 
e sobre raízes…
minha mãe, que na aridez
da terra arrasada,
brotou floresta.
 
e sobre identificação…
o ser humano que nunca vi
e que passa agora por mim
lendo Heleieth Saffioti…
e me faz senti-la como se fosse
uma camarada de longa data…
uma irmã, que reencontro nessa luta
contra o patriarcado
e toda a estupidez humana.
 
e sobre a saudade…
o gosto da saliva
de um beijo na boca
como o desses jovens namorados
ao meu lado…
 
e sobre a tarde…
essa necessidade de grafar
meu estranho pertencimento
ao mundo…
poesia e resistência…
 
e sobre meus pelos, pele e nervos
minha camiseta vermelha –
meu peito-armadura,
meu grito ao amor
contra o medo do mundo:
 
tisan/santo antônio de lisboa/floripa. 27/11/2018

«ESCAMOTEO…» por Amado Nervo

#umpoetaumpoemapordia #301 (27/8)

POETA: AMADO NERVO

pseudônimo de Juan Crisóstomo Ruiz de Nervo, (Tepic, Nayarit, México, 27 de agosto de 1870 — Montevidéu, 24 de maio de 1919) foi um poeta mexicano.

POEMA: ESCAMOTEO…

Con tu desaparición
es tal mi estupefacción,
mi pasmo, que a veces creo
que ha sido un escamoteo,
una burla, una ilusión;

que tal vez sueño despierto,
que muy pronto te veré,
y que me dirás: “¡No es cierto,
vida mía, no me he muerto;
ya no llores…, bésame!”

Marzo de 1912

+ SOBRE

http://bibliotecadigital.ilce.edu.mx/sites/fondo2000/vol2/27/htm/sec_9.html
https://www.poesi.as/anai0106.htm
http://amediavoz.com/nervo.htm
https://elrincondemisdesvarios.blogspot.com/2016/07/amado-nervo-6-poemas-de-amor.html
https://pt.wikipedia.org/wiki/Amado_Nervo
http://www.culturamas.es/blog/2010/07/04/la-amada-inmovil-de-amado-nervo-seleccion/

OUTROS

Theodore Dreiser, escritor e poeta americano
Manuel Acuña , poeta mexicano
Bertalan Szemere , poeta e político húngaro
Ivan Franko , autor e poeta ucraniano
Kenji Miyazawa , autor e poeta japonês
David Rowbotham , jornalista e poeta australiano
Jaswant Singh Neki , poeta e acadêmico indiano
Sri Chinmoy , guru e poeta indiano-americano
Tom Lanoye , autor, poeta e dramaturgo belga
András Petőcz , autor e poeta húngaro

«DECIR AHÍ ES UNA FLOR DIFÍCIL» por Eduardo Milán

#umpoetaumpoemapordia #270 (27/7)

POETA: EDUARDO MILÁN

Eduardo Felix Milan (Rivera, Uruguai, 27 de julho de 1952 ) é um poeta, ensaísta e crítico literário uruguaio radicado no México.

POEMA: DECIR AHÍ ES UNA FLOR DIFÍCIL

Decir ahí es una flor difícil
decir ahí es pintar todo de pájaro
decir ahí es estar atraído
por la palabra áspera
cardo
y por el cardenal cardenal
decir ahí es decir todo de nuevo
y empezar por el caballo:
el caballo está solo
ahora está solo
no hay ahora oscuro
no hay ahora de silencio
no hay ahora de palabra
no hay ahora de silencio contra la pared:
el caballo está solo es decir está negro
saltó por encima de la blanca
purísima realidade

el caballo está ahí
fuga
por las hendiduras del día
florescencia
como la luna fluye

el caballo salta por encima de su sombra
salta por encima de su silencio
salta por encima de la realidad
salta por encima

de un universo todavía negro
antes de la suma
antes de la cima
de los colores:
montaña verde sobre cielo azul

la silueta del caballo es colorada
colorada de sol cuando se oculta
ahora se oculta
ahora se hunde en el caballo
moneda de sol
no hay ahora de silencio
no hay ahora de palabra
no hay ahora de caballo
De: Nervadura, 1985.

TRADUÇÃO DE:  Antonio Miranda

DIZER AÍ É UMA FLOR DIFÍCIL
dizer aí é pintar tudo de pássaro
dizer aí é estar atraído
pela palavra áspera
cardo
e por o cardeal cardeal
dizer aí é dizer tudo outra vez
a começar pelo cavalo:
o cavalo está só
agora está só
não existe agora escuro
não há agora de silêncio
não há agora de palavra
não há agora de silêncio contra a parede:
o cavalo está só é dizer é negro
saltou por cima da branca
puríssima realidade

o cavalo está aí
fuga
pelas fendas do dia
inflorescência
como flui a lua

o cavalo salta por cima de sua sombra
salta por cima de seu silêncio
salta por cima da realidade
salta por cima
de um universo ainda negro
antes da soma
antes da cimeira

das cores:
montanha verde sobre céu azul
a silhueta do cavalo é colorida
colorada de sol quando se oculta
agora se oculta
agora afunda no cavalo
moeda de sol
não existe agora de silêncio
não existe agora de palavra
não existe agora de cavalo

+ SOBRE

http://amediavoz.com/milan.htm
http://www.antoniomiranda.com.br/Iberoamerica/mexico/eduardo_milan.html
http://www.poetaspoemas.com/eduardo-milan
http://www.letraslibres.com/autor/eduardo-milan

Poesía latinoamericana ahora, de Eduardo Milán

OUTROS

Thomas Campbell , poeta britânico
Giosuè Carducci , poeta italiano
Denis Davydov , general e poeta russo
Francesco Gaeta , poeta italiano
Rayner Heppenstall , escritor e poeta inglês
August Sang , poeta e tradutor da Estônia
Michael Longley , poeta e acadêmico da Irlanda do Norte
Peter Reading , poeta e escritor inglês

«I AM ACCUSED OF TENDING TO THE PAST» por Lucille Clifton

#umpoetaumpoemapordia #240 (27/6)

POETISA: LUCILLE CLIFTON

(27 de junho de 1936 Depew, Nova York, EUA – 13 de fevereiro de 2010 Baltimore, Maryland, EUA) foi uma escritora e poetisa norte-americana. Tópicos comum em sua poesia incluem a celebração da herança afro-americana, e temas feministas, com particular ênfase para o corpo feminino.

POEMA: I AM ACCUSED OF TENDING TO THE PAST

i am accused of tending to the past
as if i made it,
as if i sculpted it
with my own hands. i did not.
this past was waiting for me
when i came,
a monstrous unnamed baby,
and i with my mother’s itch
took it to breast
and named it
History.
she is more human now,
learning languages everyday,
remembering faces, names and dates.
when she is strong enough to travel
on her own, beware, she will.

TRADUÇÃO DE: Igor Cruz

sou acusada de cuidar do passado
como se o tivesse feito,
como se o tivesse esculpido
com minhas próprias mãos. mas não.
este passado estava me esperando
quando eu cheguei,
um monstruoso bebê sem nome,
e eu com o comichão da minha mãe
o coloquei no peito
e o chamei de
História.
ela está mais humana agora,
aprendendo línguas todos os dias,
lembrando caras, nomes e datas.
quando ela estiver forte o suficiente para viajar
sozinha, cuidado, ela irá.

+ SOBRE

https://oquintalpoetico.wordpress.com/tag/lucille-clifton/

Morre a poeta norte-americana Lucille Clifton, aos 73


http://arspoeticaethumanitas.blogspot.com/2016/05/lucille-clifton.html
https://pt.wikipedia.org/wiki/Lucille_Clifton

OUTROS

Bankim Chandra Chattopadhyay, jornalista indiano, autor e poeta
Paul Laurence Dunbar, autor americano, poeta e dramaturgo
Gaston Bachelard, foi um filósofo e poeta francês.
Vernon Watkins, poeta e pintor galês-americano
Ivan Vazov, poeta búlgaro
He Xiangning,  何香凝, revolucionária, feminista, pintora e poetisa chinesa
Francisco Serrano, poeta mexicano

«INSOMNIO» por Reynaldo Uribe

#umpoetaumpoemapordia #209 (27/5)

POETA: REYNALDO URIBE

Reynaldo Vasco Uribe nasceu em Pergamino (Província de Buenos Aires) em 27 de maio de 1951. Desde 1970 vive em
Rosário. Dirige os jornais Juglaría (arte e poesia latino-americanas) e Casa Tomada (cultura e
pensamento). Faleceu em Rosário, dia 12 de janeiro de 2014.

POEMA: INSOMNIO

Los fantasmas de la noche
escalan el silencio
como gatos
y se acercan a mi cuarto
como un absurdo canto de borrachos.
Después
como si fueran de la casa
se instalan
en la mitad vacía de mi cama
leen libros olvidados en el suelo
o escriben poemas que te nombran.
_
De: Casa de vidrio, Ediciones Juglaria, 2002.

+ SOBRE

http://poemaniainventario.blogspot.com.br/2010/02/poemania-n-194-reynaldo-uribe.html
https://www.poetasdelmundo.com/detalle-poetas.php?id=3219
http://aromitorevista.blogspot.com.br/2009/08/reynaldo-uribe-poemas-de-casa-de-vidrio.html
https://es.wikipedia.org/wiki/Reynaldo_Uribe

OUTROS

Julia Ward Howe, poetisa norte-americana e e abolicionista
Reynaldo Vasco Uribe , poeta argentino
Aleksa Šantić , poeta e autor da Bósnia
Jaan Kärner , poeta e autor estoniano
Uładzimir Žyłka , poeta e tradutor bielorrusso
Nicolas Calas, poeta e crítico suíço-americano

«OBAN GIRL» por Edwin Morgan

#umpoetaumpoemapordia #179 (27/4)

POETA: EDWIN MORGAN

Edwin George Morgan (Glasgow, Escócia, Reino Unido, em 27 de abril de 1920 – Idem, 17 de agosto de 2010) foi um poeta e tradutor escocês que foi associado ao Renascimento escocês. Ele é amplamente reconhecido como um dos principais poetas escoceses do século XX.

POEMA: OBAN GIRL

A girl in the window eating a melon
eating a melon and painting a picture
painting a picture and humming Hey Jude
humming Hey Jude as the light was fading

In the autumn she’ll be married.

Edwin Morgan. In Na Estação Central – Seleção, tradução e introdução de Virna Teixeira. Editora UnB, Brasília, 2006

TRADUÇÃO DE: VIRNA TEIXEIRA

GAROTA DE OBAN

Uma garota na janela comendo um melão
comendo um melão e pintando um quadro
pintando um quadro e cantarolando Hey Jude
cantarolando Hey Jude enquanto a luz evanesce

No outono estará casada

+ SOBRE

https://en.wikipedia.org/wiki/Edwin_Morgan_(poet)
http://www.algumapoesia.com.br/poesia2/poesianet229.htm
http://www.revistazunai.com/traducoes/edwin_morgan.htm
http://sylviabeirute.blogspot.com.br/2010/08/edwin-morgan-poesia-poemas-biografia.html
http://www.antoniomiranda.com.br/poesiamundialportugues/edwin_morgan.html
http://robertobozzetti.blogspot.com.br/2013/11/dois-poemas-de-edwin-morgan.html
.

Edwin Morgan: um poema e cinco versões – Portal de Revistas da USP

OUTROS

Cecil Day-Lewis , poeta e escritor irlandês
Carlos Edmundo de Ory , poeta espanhol
Rafael Guillén , poeta espanhol
Jessie Redmon Fauset , autor e poeta americano

«ASSOMBROS» por Affonso Romano de Sant’Anna

#umpoetaumpoemapordia #148 (27/3)

POETA: AFFONSO ROMANO DE SANT’ANNA

Affonso Romano de Sant’Anna (Belo Horizonte, 27 de março de 1937) é um escritor e poeta brasileiro.

POEMA: ASSOMBROS

Às vezes, pequenos grandes terremotos
ocorrem do lado esquerdo do meu peito.

Fora, não se dão conta os desatentos.

Entre a aorta e a omoplata rolam
alquebrados sentimentos.

Entre as vértebras e as costelas
há vários esmagamentos.

Os mais íntimos
já me viram remexendo escombros.
Em mim há algo imóvel e soterrado
em permanente assombro.

Poesia extraída do livro “Lado Esquerdo do Meu Peito”, Ed. Rocco – Rio de Janeiro, 1992.

 

+ SOBRE

http://www.releituras.com/arsant_bio.asp
https://pt.wikipedia.org/wiki/Affonso_Romano_de_Sant%27Anna
http://www.jornaldepoesia.jor.br/aromano.html
https://www.escritas.org/pt/affonso-romano-de-santanna

OUTROS

Marie Under, poetisa estoniana
Francis Ponge, poeta francês
Pelópidas Soares, poeta e político brasileiro
Heinrich Mann , autor e poeta alemão
Väinö Siikaniemi , lançador de dardo finlandês, poeta e tradutor
Francis Ponge , poeta e escritor francês
Roland Leighton , soldado e poeta inglês
Kenneth Slessor , jornalista e poeta australiano
Xavier Villaurrutia , poeta e dramaturgo mexicano
Valery Marakou , poeta bielorrusso e tradutor
Ai Qing , poeta e autor chinês
Veronika Tushnova , poeta e médico russo
Louis Simpson , poeta jamaicano-americano, tradutor e acadêmico
Daniel Spoerri , fotógrafo, escritor e artista romeno-suíço
Oliver Friggieri , autor, crítico, poeta e filósofo maltês
Enrique Santos Discépolo , poeta, compositor, ator e autor teatral argentino
Antonio Arráiz , poeta e romancista venezuelano

«EXCELSIOR!» por Henry Wadsworth Longfellow

#umpoetaumpoemapordia #120 (27/2)

POETA: HENRY WADSWORTH LONGFELLOW

Henry Wadsworth Longfellow (Portland, Maine, Estados Unidos, 27 de fevereiro de 1807 – Cambridge, Massachusetts, Estados Unidos, 24 de março de 1882) foi um poeta estadunidense.

POEMA: EXCELSIOR!

Excelsior!
Henry Wadsworth Longfellow
(Ballads and Other Poems, 1842)

The shades of night were falling fast,
As through an Alpine village passed
A youth, who bore, ‘mid snow and ice,
A banner with the strange device,
Excelsior!

His brow was sad; his eye beneath,
Flashed like a falchion from its sheath,
And like a silver clarion rung
The accents of that unknown tongue,
Excelsior!

In happy homes he saw the light
Of household fires gleam warm and bright;
Above, the spectral glaciers shone,
And from his lips escaped a groan,
Excelsior!

“Try not the Pass!” the old man said;
“Dark lowers the tempest overhead,
The roaring torrent is deep and wide!
And loud that clarion voice replied,
Excelsior!

“Oh stay,” the maiden said, “and rest
Thy weary head upon this breast!”
A tear stood in his bright blue eye,
But still he answered, with a sigh,
Excelsior!

“Beware the pine-tree’s withered branch!
Beware the awful avalanche!”
This was the peasant’s last Good-night,
A voice replied, far up the height,
Excelsior!

At break of day, as heavenward
The pious monks of Saint Bernard
Uttered the oft-repeated prayer,
A voice cried through the startled air,
Excelsior!

A traveler, by the faithful hound,
Half-buried in the snow was found,
Still grasping in his hand of ice
That banner with the strange device,
Excelsior!

There in the twilight cold and gray,
Lifeless, but beautiful, he lay,
And from the sky, serene and far,
A voice fell, like a falling star,
Excelsior!

TRADUÇÃO DE: ALEXEI BUENO

Excelsior!
Henry Wadsworth Longfellow
(Ballads and Other Poems 1842)

A noite com suas sombras cai depressa;
A aldeia alpina aos poucos atravessa
Um jovem, que ergue, em meio à neve em sanha,
Uma bandeira com a divisa estranha:
Excelsior!

Sua cor é triste, mas, sua vista alçada
Lembra uma espada desembainhada,
E a sua voz, qual clarim de prata erguida,
Lança os sons de uma língua nunca ouvida:
Excelsior!

Casas felizes ele vê brilhando
Ao fogo quente, familiar e brando;
Mais ao alto espectral geleira ao vento,
E de seus lábios escapa um lamento:
Excelsior!

“Não tentes a Passagem”, diz-lhe um velho,
“Já ergue a tormenta o seu manto vermelho,
Rugem as águas sem olhar que as sonde!”
E a alta voz de clarim só lhe responde:
Excelsior!

“Oh!, fica”, diz-lhe a virgem, “e em meu seio
Deita a fronte cansada sem receio!”
Nubla-lhe um pranto o olhar azul erguido,
Mas, ele ainda responde, com um gemido:
Excelsior!

“Teme os galhos na treva borrascosa!
Teme a uivante avalanche pavorosa!”
É o último boa-noite de quem fica,
E uma voz, longe, no alto, lhes replica:
Excelsior!

Nascido o Sol, no divino resguardo
Dos santos ermitões de São Bernardo,
Quando o salmo de sempre é repetido,
Uma voz grita no ar estremecido:
Excelsior!

Na neve, um viajor semi-enterrado,
Pela matilha fiel é encontrado,
Tendo em sua mão de gelo branca e lisa
A bandeira, com a estranha divisa:
Excelsior!

Lá, onde a noite fria e cinza pousa,
Sem vida, mas, tão belo ele repousa,
E do céu, sereníssima e clemente,
Desce uma voz, como estrela cadente:
Excelsior!

 

+ SOBRE

https://blogdocastorp.blogspot.com.br/2014/11/henry-w-longfellow-flecha-e-cancao.html
https://editoraanticitera.wordpress.com/2016/08/23/o-relogio-da-escada/
http://formasfixas.blogspot.com.br/2015/07/henry-wadsworth-longfellow-1807-1882.html
http://literaciaalexeibueno.blogspot.com.br/2011/02/poema-de-longffelow-ha-muitos-anos.html
https://www.wdl.org/pt/item/1523/
https://joaoazevedojunior.wordpress.com/2011/10/27/179/
https://pt.wikipedia.org/wiki/Henry_Wadsworth_Longfellow

«ANHELOS» por Francisco Rodríguez Marín

#umpoetaumpoemapordia #089 (27/1)

POETA: FRANCISCO RODRÍGUEZ MARÍN

Francisco Rodríguez Marín (Osuna, 27 de enero de 1855 – Madrid, 9 de junio de 1943). Fue un poeta, folclorista, paremiólogo, lexicólogo y cervantista español.

 POEMA: ANHELOS

Agua quisiera ser, luz y alma mia, / que com su transparencia te brindara; / porque tu dulce boca me gustara, / no apagara tu sed, la encenderia. // Viento quisiera ser: em noche umbria / callado hasta tu lecho penetrara / y aspirar por tus labios me dejara, / y mi vida en la tuya fundiria. // Fuego quisiera ser para abrasar-te / en un volcán de amor, ah! estatua inerte, / sorda a las quejas de quien supo amar-te! // Y después, para siempre poseerte, / tierra quisiera ser, y disputarte / celoso a la codicia de la muerte.
MAIS SOBRE

«EPITAPH» por Peter Sinfield

#umpoetaumpoemapordia #058 (27/12)

POETA: PETER SINFIELD

Peter Sinfield (nascido em 27 de Dezembro de 1943 em Londres, Inglaterra) é um poeta, mais conhecido pelo seu trabalho como letrista dos primeiros anos de existência da banda de rock progressivo King Crimson. Ele contribuiu para os discos In the Court of the Crimson King, In the Wake of Poseidon, Lizard e Islands, assim como para a banda Roxy Music, que ele também produziu.

POEMA: EPITAPH

The wall on which the prophets wrote
Is cracking at the seams.
Upon the instruments of death
The sunlight brightly gleams.
When every man is torn apart
With nightmares and with dreams,
Will no one lay the laurel wreath
When silence drowns the screams.

Confusion will be my epitaph.
As I crawl a cracked and broken path
If we make it we can all sit back
And laugh.
But I fear tomorrow I’ll be crying,
Yes I fear tomorrow I’ll be crying.

Between the iron gates of fate,
The seeds of time were sown,
And watered by the deeds of those
Who know and who are known;
Knowledge is a deadly friend
When no one sets the rules.
The fate of all mankind I see
Is in the hands of fools.

Confusion will be my epitaph.
As I crawl a cracked and broken path
If we make it we can all sit back
And laugh.
But I fear tomorrow I’ll be crying,
Yes I fear tomorrow I’ll be crying.

Lyrics for the song of In the Court of the Crimson King, by King Crimson.

TRADUÇÃO DE: Fernando G. Toledo

Epitafio

El muro en que escribieron los profetas
se está viniendo abajo aunque era fuerte.
El resplandor del sol sigue brillando
sobre los instrumentos de la muerte.
Cuando al fin cada hombre esté acosado
por tantas pesadillas, y al volverte
nadie ponga un laurel en la corona,
cuando el silencio ahogue los gritos más potentes

«confusión», se leerá en mi epitafio.
Aunque por sendas rotas yo me viera arrastrado
podríamos reírnos de haberlas reparado.
Pero, temo, mañana me encontraré llorando.
Sí, lo temo, mañana me encontraré llorando.

Por las puertas de acero del destino
han trazado del tiempo un sembradío,
regado por los actos de sujetos
que por tanto saber son conocidos;
mortal amigo es el conocimiento
si no hay una regla que lo sustente.
El destino del hombre, ya lo veo,
ha terminado en manos de dementes.

«Confusión», se leerá en mi epitafio.
Aunque por sendas rotas me viera yo arrastrado
podríamos reírnos de haberlas reparado.
Pero, temo, mañana me encontraré llorando.
Sí, lo temo, mañana me encontraré llorando.

 

+ SOBRE

http://fernandogtoledo.blogspot.com.br/2016/01/peter-sinfield-1943-epitafio.html
https://pt.wikipedia.org/wiki/Peter_Sinfield
https://www.songsouponsea.com/Promenade/lyrics/poems.html

https://www.youtube.com/watch?v=xRJ-hV74zhE
KING CRIMSON/EPITAPH

OUTROS

 

«N’UM ÁLBUM» por Soares de Passos

#umpoetaumpoemapordia #028 (27/11)

POETA: SOARES DE PASSOS

António Augusto Soares de Passos (Porto, 27 de Novembro de 1826 – Porto, 8 de Fevereiro de 1860) foi um poeta, expoente máximo do Ultra-Romantismo em Portugal. Wikipedia

POEMA: N’UM ÁLBUM

Do soffrimento o archanjo lamentoso
Sobre a face do mundo estende o braço:
Um diadema offertava, e pavoroso:
“Para o que mais soffreu!” gritou no espaço.

Eis logo immensa turba se atropella,
Todos querem ganhar a prenda infausta;
Mas nenhum dos que chegam por obtêl-a
Mostrava a taça da amargura exhausta.

“Afastae-vos!” lhes brada o génio esquivo,
“Nenhum tocou do soffrimento a meta:
“Tu, só tu mereceste o premio altivo;
“Ergue a fronte, coroa-te, poeta!”

soares_de_passos_-_revista_contemporanea_de_portugal_e_brazil_n-c2ba_7_out-_1860.png

+ SOBRE

https://www.escritas.org/pt/bio/soares-de-passos
https://pt.wikipedia.org/wiki/Soares_de_Passos
http://www.antoniomiranda.com.br/Iberoamerica/portugal/soares_dos_passos.html
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5mm no lóbulo direito

5mm no lóbulo direito e vejo o outro lado. respire fundo coração…

no volume máximo para a minha garganta sentir arranhar o céu… ////// A boiada seca / Na enxurrada seca / A trovoada seca /Na enxada seca /// Segue o seco sem sacar que o caminho é seco/ Sem sacar que o espinho é seco / Sem sacar que seco é o Ser Sol / Sem sacar que algum espinho seco secará / E a água que sacar será um tiro seco / E secará o seu destino secará /// Ô chuva, vem me dizer / Se posso ir lá em cima prá derramar você / Ô chuva, preste atenção / Se o povo lá de cima vive na solidão /// Se acabar não acostumando / Se acabar parado calado / Se acabar baixinho chorando / Se acabar meio abandonado / Pode ser lágrimas de São Pedro / Ou talvez um grande amor chorando / Pode ser o desabotoado céu / Pode ser coco derramando /// Carlinhos Brown / Marisa Monte

e dia de passear por ai sem rumo… buscando um sentido para a solidão.

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