o olhar para no olhar de izadora

o olhar para no olhar de izadora
ela para, espera a senha, o sinal
repara no comportamento imersivo alheio
e mergulha no novelo
todos os corpos na sala de espera
são corpos (aéreos)
ninguém está ali,
etéreos, habitam as nuvens
até a vibração do nome de alguém desaguar
no mar de corpos submersos…
e um corpo qualquer emerso se esvai,
vai, cai como lágrima ou eco

o olhar para no olhar de izadora
não era seu corpo
tampouco sua hora.

84416325_10157961884662354_2435586596767006720_o

 

amare

e nada de fixações…
é preciso catar as pedras,
empilhá-las e depois
as escalar

o corpo pedregoso
se movimenta,
parece rocha,
mas nada é tão duro assim,
nem mesmo o diamante
nos teus dentes:
mineral da mesma substância
de todos os corpos deste universo:

obatalá

**

images

nota de rodapé: ouça metá metá… essa coisa bonita me apresentada pelo seuArlindo.

são três letras apenas, (…) e nelas cabe o infinito

é bom reencontrar um pedaço do passado. permite captar melhor o infinito que há no finito.

que a vida segue ai… sendo vivida em cada um de nós, independente se temos consciência dela ou não, ela segue vivendo.

«Leve um homem e um boi ao matadouro; aquele que berrar é o homem.
Mesmo que seja o boi». Torquato Neto.

Jards Macalé e Paulo José cantam e recitam Torquato Neto;
e Chico Buarque e Zizi Possi cantam: Pedaço de mim
e roberta sá e ney matogrosso cantam cartola: Peito Vazio
ou moska… Pensando em você
ou Chico César e Maria Bethânia em Onde estara o meu amor

e o presente de hoje cedo, de breno:
um poema de mário quintana.

MÃE
São três letras apenas,
As desse nome bendito:
Três letrinhas, nada mais…
E nelas cabe o infinito
E palavra tão pequena
Confessam mesmo os ateus
És do tamanho do céu
E apenas menor do que Deus!

ps: lembro no velório de falar pra luiza e izabel:
enquanto os outros rezam para os seus deuses
mal sabem eles que o meu deus era minha mãezinha. a que me deu a vida, o colo, as estórias… a literatura… a generosidade e dádiva de uma amizade profunda e verdadeira.

50 dias sem você mãezinha. saudade absurda.


Screenshot_20190830-113537_Instagram (2)

conta criada exclusivamente para acessar o banco do tempo

HAMLET, ATO I, Cena V

Outra parte da esplanada.
Entram o Fantasma e Hamlet.HAMLET: Para onde me conduzes? Não darei mais um passo. FANTASMA: Ouve-me!HAMLET: Isso é o que desejo.

FANTASMA: Já está perto o momento em que é forçoso que de novo me entregue às labaredas sulfúreas
do tormento.

HAMLET: Pobre espírito!

FANTASMA: Não me lastimes; ouve com atenção o segredo que passo a revelar-te.

HAMLET: Fala, que estou obrigado a dar-te ouvidos.

FANTASMA: E também a vingar-me, após ouvires-me.

HAMLET: Como!?

FANTASMA: Sou a alma de teu pai, por algum tempo condenada a vagar durante a noite, e de dia a
jejuar na chama ardente, até que as culpas todas praticadas em meus dias mortais sejam nas chamas,
alfim, purificadas. Se eu pudesse revelar-te os segredos do meu cárcere, as menores palavras dessa
história te rasgariam a alma; tornar-te-iam, gelado o sangue juvenil; das órbitas fariam que saltassem,
como estrelas, teus olhos; o penteado desfar-te-iam, pondo eriçados, hirtos os cabelos, como cerdas de
iroso porco-espinho. Mas essa descrição da eternidade para ouvidos não é de carne e sangue. Escuta,
Hamlet! Se algum dia amaste teu carinhoso pai…

HAMLET: Ó Deus!

FANTASMA: Vinga o seu assassínio estranho e torpe.

HAMLET: Assassínio?

FANTASMA: Sim, assassínio torpe, como todos; mas esse é estranho, vil e inconcebível.

HAMLET: Conta-me, a fim de que eu, com asas rápidas como a meditaçáo ou os pensamentos de amor,
possa vingar-te.

FANTASMA: Acho que podes. Mais lerdo do que a espessa planta que nas margens do Letes apodrece,
se isso não te abalasse. Escuta, Hamlet! Contaram que uma cobra me picara, quando, a dormir, eu no
jardim me achava. Assim, foi ludibriado todo o ouvido da Dinamarca por uma notícia falsa de minha
morte. Mas escuta, nobre mancebo! A cobra que peçonha lançou na vida de teu pai, agora cinge a coroa
dele.

HAMLET: Oh minha alma profética! Meu tio!

FANTASMA: Sim, esse monstro adúltero e incestuoso. Com o feitiço pessoal e com presentes – ó dotes
maus, ó brindes, que tal força tendes de sedução! – pôde a vontade da rainha conquistar, que parecia tão
virtuosa, dobrando-a para o vício. Que queda, Hamlet! Do meu amor, que tinha tal pureza que andava a
par com o voto que eu fizera no nosso casamento – a um miserável que em confronto comigo nada vale!
Mas se a virtude é firme, ainda que o vício sob a forma do céu vá cortejá-la, a luxúria, conquanto a um
anjo presa, num leito celestial cedo se enfara, sonhando com carniça. Mas, devagar! Pressinto o ar da
manhã. Serei breve. Ao achar-me adormecido no meu jardim, na sesta cotidiana, teu tio se esgueirou por
minhas horas de sossego, munido de um frasquinho de meimendro e no ouvido despejou-me o líquido
leproso, cujo efeito de tal modo se opõe ao sangue humano, que corre pelas portas e caminhos do corpo,
tão veloz como o mercúrio, fazendo coagular com vigor súbito o sangue puro e fino, como o leite quando
o ácido o conturba. Assim, comigo: no mesmo instante impingens me nasceram, qual se eu fosse outro
Lázaro, nojentas, pelo corpo macio. Adormecido, desta arte, me privou o irmão, a um tempo, da vida, da
coroa e da rainha, morto na florescência dos pecados, sem óleos, confissão nem sacramentos, sem ter
prestado contas, para o juízo enviado com o fardo dos meus erros. É horrível, sim, horrível, multo
horrível! Se sentimento natural tiveres, não suportes tal coisa. Não consintas que o leito real da
Dinamarca fique como catre de incesto e de luxúria. Contudo, se nesse ato te empenhares, não te
manches. Que tua alma não conceba nada contra tua mãe; ao céu a entrega, e aos espinhos que o peito lhe
compungem. Deles seja o castigo. E agora, adeus! Mostra-me o pirilampo da madrugada; já seu fogo
inativo empalidece. Adeus, Hamlet! Lembra-te de mim.

(Sai.)

HAMLET: Legiôes do céu! Ó terra! Que mais, ainda? Invocarei o inferno? Firme, firme, coração! Não
fiqueis velhos de súbito, músculos; agüentai-me! Que me lembre de ti? Sim, pobre fantasma, sim,
enquanto tiver sede a memória neste globo conturbado. Lembrar-me? Sim; das tábuas da memória hei de
todas as notícias frívolas apagar, as vãs sentanças dos livros, as imagens, os vestígios que dos anos e a
experiência aí deixaram. Essa tua ordem, só, há de guardar-se no volume e no livro do meu cérebro, sem
mais escórias. Sim, pelo alto céu, ó mulher perniciosa! Vilão, vilão que ri! Vilão maldito! Meu
canhenho… Preciso tomar nota que o homem pode sorrir e ser infame. Sei que ao menos é assim na

Dinamarca.

(Escreve.)

Aí vou, meu tio. Agora minha senha vai ser: Adeus, recorda-te de mim. Assim jurei.

HORÁCIO: (dentro) – Milorde Hamlet!

MARCELO (dentro) – Príncipe!

HORÁCIO (dentro) – Que o céu o ampare.

MARCELO (dentro) – Amém.

HORÁCIO: Olá! Olá! Senhor!

HAMLET: Olá, menino! Vem, meu passarinho! (Entram Horácio e Marcelo.)

MARCELO: Que aconteceu, senhor?

HORÁCIO: Que houve, senhor?

HAMLET: Extraordinário!

HORÁCIO: Bom senhor, contai-nos.

HAMLET: Não, que o revelaríeis.

HORÁCIO: Eu, não, senhor; por Deus!

MARCELO: Nem eu, tampouco.

HAMLET: Que julgais? A alma humana poderia concebê-lo? Jurais não revelá-lo?

HORÁCIO E MARCELO: Pelo céu o juramos, meu senhor.

HAMLET: Não há em toda a Dinamarca um biltre que possa ser tratante mais chapado.

HORÁCIO: Não era necessário que nos viesse do outro mundo um fantasma dizer isso.

HAMLET: Está bem, está bem; tendes razão. Desse modo, sem mais formalidades, apartemos as mãos e
dispersemo-nos. Vós, para onde os negócios e os pendores vos levarem – que todos os possuem, sejam
quais forem. – Quanto à minha pobre parte… Ora vede: vou rezar.

HORÁCIO: São palavras sem nexo, meu senhor.

HAMLET: Em verdade, compunge-me ofender-vos. De coração.

HORÁCIO: Não há ofensa, príncipe.

HAMLET: Por São Patrício, há ofensa, Horácio, e grande, quanto à visão de há pouco. Só vos digo que é
um fantasma honesto. Mas, quererdes saber o que passou entre mim e ele, não pode ser; sofreai-vos
como for. E agora, bons amigos – sim, que o somos, companheiros de escola e de caserna – concedei-me
um favor.

HORÁCIO: Que pode ser, meu príncipe? Está feito.

HAMLET: Não contar o que vistes esta noite.

HORÁCIO E MARCELO: Nada diremos.

HAMLET: Bem; então, jurai-o.

HORÁCIO: Sob palavra de honra, serei mudo.

MARCELO: Eu também; sob palavra.

HAMLET: Em minha espada.

HORÁCIO: Já o juramos, senhor.

HAMLET: Bem, mas agora jurai sobre esta espada.

FANTASMA: (em baixo): Jurai!

HAMLET: Olá, garoto! Estás aí, valente. Ouvistes que da adega ele nos fala. Prestai o juramento.

HORÁCIO: Formulai-o.

HAMLET: Jamais falar de quanto presenciastes. Sobre esta espada

FANTASMA: (em baixo): Jurai!

HAMLET: Hic et ubique?
? Mudemos de lugar. Aqui, senhores.
Ponde as mãos novamente sobre a espada.
Não falareis jamais sobre o que vistes.
Jurai por minha espada.

FANTASMA: (em baixo): Jurai!

HAMLET: Bravo, velha toupeira! E como furas a terra, bom mineiro! Ainda mais longe, meus amigos.

HORÁCIO: Ó dia e noite! É estranho!

HAMLET: Recebamo-lo, então, como a estrangeiro. Há multa coisa mais no céu e na terra, Horácio, do
que sonha a nossa pobre filosofia. Vinde novamente. Jurai de novo, assim Deus vos ajude, por mais que
eu me apresente sob aspecto extravagante, tal como em futuro é possível que eu venha a comportar-me,
que jamais – se me virdes alguma hora cruzar assim os braços, ou a cabeça sacudir deste jeito, ou dizer
frases sem nexo: “Muito bem”, ou “Poderíamos se o quiséssemos”, ou “Vontade tenho de falar”, ou
discursos desse gênero – mostrareis saber algo. Que a divina Graça e a Misericórdia vos amparem.

FANTASMA: (em baixo): Jurai!

HAMLET: Sossega, alma penada! E agora, amigos, com todo o meu amor me recomendo. E tudo o que
um pobre homem como Hamlet possa fazer, no empenho de agradar-vos, não faltará, querendo-o Deus. E
vamo-nos. Peço silêncio; os dedos sobre os lábios. Dos gonzos saiu o tempo. Maldição! Ter vindo ao
mundo para endireitá-lo! Partamos juntos. Vamo-nos.

(Saem.)

***

“Todo aquele que assume uma responsabilidade política acabará sempre por chegar a uma ocasião em que dirá como Hamlet:

“O tempo saiu dos gonzos: Que maldição
que me deu ter por missão reordená-lo!”

Reordenar o tampo significa renovar o mundo, e é uma coisa que podemos fazer, porque todos nós aparecemos, numa época ou noutra, como recém-chegados a um mundo que já lá estava antes de nós e aí continuará a estar depois de nos irmos, depois de termos deixado o seu encargo aos que nos sucederem.”

“Responsabilidade e Juízo” (Hannah Arendt)

55549627_10157125453937354_7871303730639929344_n

 

«CINO» por Ezra Pound

#umpoetaumpoemapordia #365 (30/10)

POETA: EZRA POUND

Ezra Weston Loomis Pound (Hailey, 30 de outubro de 1885 — Veneza, 1 de novembro de 1972) foi um poeta, músico e crítico literário americano que, junto com T. S. Eliot, foi uma das maiores figuras do movimento modernista da poesia do início do século XX no país norte-americano. Ele foi o motor de diversos movimentos modernistas, notadamente do Imagismo (seu líder e principal representante) e do Vorticismo. (Wikipedia)

POEMA: CINO

Cino
Bah! I have sung women in three cities,
But it is all the same;
And I will sing of the sun.

Lips, words, and you snare them,
Dreams, words, and they are as jewels,
Strange spells of old deity,
Ravens, nights, allurement:
And they are not;
Having become the souls of song.

Eyes, dreams, lips, and the night goes.
Being upon the road once more,
They are not.
Forgetful in their towers of our tuneing
Once for wind-runeing
They dream us-toward and
Sighing, say, “Would Cino,
Passionate Cino, of the wrinkling eyes,
Gay Cino, of quick laughter,
Cino, of the dare, the jibe.
Frail Cino, strongest of his tribe
That tramp old ways beneath the sun-light,
Would Cino of the Luth were here!”

Once, twice a year—
Vaguely thus word they:

“Cino?” “Oh, eh, Cino Polnesi
The singer is’t you mean?”
“Ah yes, passed once our way,
A saucy fellow, but . . .
(Oh they are all one these vagabonds),
Peste! ‘tis his own songs?
Or some other’s that he sings?
But you, My Lord, how with your city?”

My you “My Lord,” God’s pity!
And all I knew were out, My Lord, you
Were Lack-land Cino, e’en as I am,
O Sinistro.

I have sung women in three cities.
But it is all one.
I will sing of the sun.
. . . eh? . . . they mostly had grey eyes,
But it is all one, I will sing of the sun.

“‘Pollo Phoibee, old tin pan, you
Glory to Zeus’ aegis-day,
Shield o’ steel-blue, th’ heaven o’er us
Hath for boss thy lustre gay!

‘Pollo Phoibee, to our way-fare
Make thy laugh our wander-lied;
Bid thy ‘flugence bear away care.
Cloud and rain-tears pass they fleet!

Seeking e’er the new-laid rast-way
To the gardens of the sun . . .


I have sung women in theree cities
But it is all one.
I will sing of the white birds
In the blue waters of heaven,
The clouds that are spray to its sea.”
– Ezra Pound {tradução de Mário Faustino}. do livro “Ezra Pound: poesia”. [organização, introdução e notas de Augusto de Campos; prefácio Haroldo de Campos; tradução Décio Pignatari, Haroldo de Campos, Augusto de Campos, José Lino Grünewald e Mário Faustino]. Edição bilíngue. São Paulo: Hucitec; Brasília: Editora da UnB, 1983.

TRADUÇÃO DE: MÁRIO FAUSTINO

Cino
Arre! Já celebrei mulheres em três cidades,
Mas é tudo a mesma coisa;
E cantarei ao sol.

Lábios, palavras, e lhes armamos armadilhas,
Sonhos, palavras, e são como jóias,
Estranhos bruxedos de velha divindade,
Corvos, noites, carícia:
E eis que não o são;
Já se tornaram almas de canção.

Olhos, sonhos, lábios, e a noite vai-se.
Em plena estrada, uma vez mais,
Elas não são.
Esquecidas, em suas torres, de nossa toada,
Uma vez por causa do vento, da revoada
Sonham rumo de nós e
Suspirando dizem, “Ah, se Cino,
Apaixonado Cino, o de olhos enrugados,
Alegre Cino, de riso rápido.
Cino ousado, Cino zombeteiro,
Frágil Cino, o mais forte de seu clã bandoleiro
Que bate as velhas vias sob o sol,
Se Cino do alaúde aqui voltasse!”

Uma vez, duas vezes, um ano –
E vagamente assim se exprimem:
“Cino ?” “Oh, eh, Cino Polnesi
O cantor, não é dele que se trata ?”
“Ah, sim, passou uma vez por aqui,
Sujeito atrevido, mas…
(São todos a mesma coisa, esses vagabundos)
Peste! As canções eram dele ?
Ou cantava as dos outros ?
Mas e o senhor, Meu Senhor, como vai sua cidade ?”

Mas e senhor, “Meu Senhor”, bá! por piedade!
E todos os que eu conhecia estavam fora, Meu Senhor, e tu
Eras Cino-Sem-Terra, tal como eu sou,
O Sinistro.

Já celebrei mulheres em três cidades.
Mas é tudo a mesma coisa.
E cantarei do sol.
…eh?… a maioria delas tinha olhos cinzentos,
Mas é tudo a mesma coisa, e cantarei do sol.

“Pollo Phoibeu, panela velha, tu,
Glória da égide do Zeus do dia,
Escudo d’azul aço, o céu lá em cima
Tem por chefe tua rútila alegria!

Pollo Phoibeu, ao longo do caminho,
Faze do teu riso nossa chanson;
Que teu fulgor ofusque nossa dor,
E que o choro da chuva tombe sem som!

Buscando sempre o rastro recente
Rumo aos jardins do sol…
……………………………………….
Já celebrei mulheres em três cidades
Mas é tudo a mesma coisa.

E cantarei das aves alvas
Nas águas azuis do céu,
As nuvens, o borrifo de seu mar.

+ SOBRE

https://pt.wikipedia.org/wiki/Ezra_Pound

Ezra Pound – poemas


https://www.poetryfoundation.org/poets/ezra-pound
http://www.revistadigital.com.br/2015/03/a-jaula-de-ezra-pound/
http://acervo.revistabula.com/posts/traducao/a-entrevista-historica-de-ezra-pound
https://escamandro.wordpress.com/tag/ezra-pound/

OUTROS POETAS

Miguel Hernández Gilabert – foi um poeta e dramaturgo espanhol

 

«EL RÍO ES UN GRAN POETA» por Julio Correa

#umpoetaumpoemapordia #304 (30/8)

POETA: JULIO CORREA

Julio Correa Myzkowsky (Assunção, 30 de agosto de 1890 — Luque, 14 de julho de 1953) foi um poeta paraguaio e fundador do teatro paraguaio em língua guarani.

POEMA: EL RÍO ES UN GRAN POETA

El río es un gran poeta
que va cantando su ensueño
de amor y de libertad
en la guitarra del viento.
El río es un gran poeta
que dice un poema inmenso
en el lenguaje de Dios.
No le culpéis de los muertos
que los bandidos le arrojan
desesperados de miedo,
por escapar al castigo
que llegará justiciero.
El río es un gran poeta
que dice su poema inmenso.
Él va cantando, cantando
y la magia de su estro
está gestando amorosa
el canto del hombre nuevo,
con el crujir de protesta
de todos los esqueletos
de las víctimas que el odio
cobarde le echó a su lecho.
El río es el gran poeta
que cantará el poema inmenso!

Publicado en: Cuerpo y Alma. Poesías.
1ª. ed. Buenos Aires. Difusam, 1943.

TRADUÇÃO DE: Sólon Borges do Reis

O RIO É UM GRANDE POETA

É o rio um grande poeta
que vai cantando seus sonhos
de amor e de liberdade
com a guitarra do vento.

O rio, um grande poeta
que diz um poema imenso
numa linguagem de Deus.

Não o culpeis pelos mortos
que os bandidos lhe atiram
desesperados de medo,
para escapar ao castigo
que chegará justiceiro.

O rio, um grande poeta
que diz seu poema imenso.

É o rio grande poeta
que vai cantando… cantando…
e a magia de seu estro
está gerando, amorosa,
o canto do homem novo,
como ranger de protestos
de todos os esqueletos
das vítimas que, covarde,
jogou em seu leito o ódio.

O rio, um grande poeta
Que cantará o canto novo.

+ SOBRE

https://pt.wikipedia.org/wiki/Julio_Correa
http://www.abc.com.py/edicion-impresa/suplementos/cultural/julio-correa-y-su-poesia-emblematica-706648.html
http://www.staff.uni-mainz.de/lustig/guarani/correa.htm
http://www.portalguarani.com/378_julio_correa/6197_peicha_286uarante_cosas_de_titeres_adelante_y_el_rio_es_un_gran_poeta__poesias_de_julio_correa_.html
http://www.antoniomiranda.com.br/Iberoamerica/paraguai/julio_correa.html

OUTROS

Julio Correa, poeta paraguaio
Theo van Doesburg, artista e poeta neerlandês
Théophile Gautier , poeta e romancista francês

«CONFESSIONAL» por Mário Quintana

#umpoetaumpoemapordia #273 (30/7)

POETA: MÁRIO QUINTANA

Mário de Miranda Quintana (Alegrete, Rio Grande do Sul, Brasil, 30 de julho de 1906 — Porto Alegre, 5 de maio de 1994) foi um poeta, tradutor e jornalista brasileiro.

POEMA: CONFESSIONAL

Eu fui um menino por trás de uma vidraça — um
menino de aquário.
Via o mundo passar como numa tela cinematográfica, mas que repetia sempre as mesmas cenas, as mesmas
personagens.
Tudo tão chato que o desenrolar da rua acabava
me parecendo apenas em preto e branco, como nos filmes
daquele tempo.
O colorido todo se refugiava, então, nas ilustrações
dos meus livros de histórias, com seus reis hieráticos e belos
como os das cartas de jogar.
E suas filhas nas torres altas – inacessíveis princesas.
Com seus cavalos — uns verdadeiros príncipes na
elegância e na riqueza dos jaezes.
Seus bravos pagens (eu queria ser um deles… )
Porém, sobrevivi…
E aqui, do lado de fora, neste mundo em que
vivo, como tudo é diferente ‘ Tudo, ó menino do aquário,
é muito diferente do teu sonho…
( Só os cavalos conservam a natural nobreza. )

+ SOBRE

https://pt.wikipedia.org/wiki/Mário_Quintana

Mario Quintana – poemas


http://www.jornaldepoesia.jor.br/quinta.html
http://www.antoniomiranda.com.br/Iberoamerica/brasil/mario_quitana.html
https://acervodigital.ufpr.br/handle/1884/48187
https://www.escritas.org/pt/mario-quintana
http://www.algumapoesia.com.br/poesia3/poesianet301.htm
http://www.releituras.com/mquintana_cadernoh.asp
http://www.elfikurten.com.br/2011/01/mario-quintana-o-poeta-das-coisas.html
http://www.entreculturas.com.br/2011/01/mario-quintana-pequeno-poema-didatico/

Olho as minhas mãos- Mário Quintana

O ato de criação dentro do poema “O Auto-retrato” de Mário Quintana …

OUTROS

Emily Brontë, poetisa e escritora britânica
António Correia de Oliveira, poeta e jornalista português
Salvador Novo , poeta mexicano
Aki Ville Yrjänä , poeta e cantor finlandês.
Samuel Rogers , poeta inglês e colecionador de arte
Alexander Trocchi , autor e poeta escocês

«CAMINHOS» por Gilberto Mendonça Teles

#umpoetaumpoemapordia #243 (30/6)

POETA: GILBERTO MENDONÇA TELES

(Bela Vista de Goiás, 30 de junho de 1931) é um poeta e crítico literário brasileiro, conhecido, tanto pela sua produção poética como pelo seus importantes estudos sobre o modernismo e a vanguarda na poesia.

POEMA: CAMINHOS

Se caminhamos juntos,
se juntos dividimos,
quem sabe da renúncia
que nos vai conduzindo?

Quem sabe dos intentos
tão distantes, tão próximos,
que amamos em silêncio
como um segredo nosso?

Quem sabe do caminho,
se tudo é tão noturno
e o sonho é como um sino
além, além do mundo?

“Hora aberta – Poemas reunidos”. [organização, introdução e notas de Eliane Vasconcellos; prefácio Ángel Marcos de Dios]. 4ª ed., aumentada. Petrópolis, RJ: Vozes, 2003.

+ SOBRE

https://pt.wikipedia.org/wiki/Gilberto_Mendonça_Teles

Gilberto Mendonça Teles – poemas


http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/goias/gilberto_mendoca_teles.html
http://www.jornaldepoesia.jor.br/teles.html
https://www.escritas.org/pt/gilberto-mendonca-teles
http://www.algumapoesia.com.br/poesia2/poesianet225.htm

OUTROS

John Gay, poeta e dramaturgo inglês
Thomas Lovell Beddoes , poeta inglês, dramaturgo e médico
Friedrich Theodor Vischer , autor alemão, poeta e dramaturgo
Czesław Miłosz , romancista polonês, ensaísta e poeta, laureado com o Prêmio Nobel
Nagarjun , poeta indiano
Eleanor Ross Taylor , poeta e educador americano
Nathaniel Tarn , poeta americano, ensaísta, antropólogo e tradutor
José Emilio Pacheco , poeta e autor mexicano
Mark Spoelstra , cantor, compositor e guitarrista americano
Daniel de la Vega , poeta chileno, romancista, escritor de contos, cronista, dramaturgo e jornalista
Joaquim Namorado, foi um poeta português.
.

 

«EL BUDA» por Pita Amor

#umpoetaumpoemapordia #212 (30/5)

POETISA: PITA AMOR

Guadalupe Teresa Amor Schmidtlein, (Cidade do México, 30 de maio de 1918 – 8 de maio de 2000) foi um poetisa e escritora, conhecida como Pita Amor.

POEMA: EL BUDA

El buda enigmático
que sonríe sin fin, plácidamente
Hierático y estático;
con un halo en la frente
me mira por la noche oblicuamente

TRADUÇÃO DE:

+ SOBRE

https://es.wikipedia.org/wiki/Pita_Amor
http://www.materialdelectura.unam.mx/index.php/poesia-moderna/16-poesia-moderna-cat/312-163-guadalupe-amor?showall=1
Cuatro poemas de Guadalupe “Pita” Amor que te fascinarán
https://www.inba.gob.mx/prensa/9371/la-poesia-de-pita-amor-es-atemporal-no-una-moda-michael-schuessler

Pita Amor –autenticidad por oposición–

OUTROS

Villem Grünthal-Ridala, poeta lírico, tradutor, linguista e folclorista estoniano
Guadalupe “Pita” Amor , poetisa mexicana 
 Alfred Austin , escritor inglês, poeta e dramaturgo
Félix Arnaudin , poeta e fotógrafo francês
Mirza Alakbar Sabir , filósofo e poeta do Azerbaijão 
Countee Cullen , poeta e autor americano 
Colm Tóibín , romancista irlandês, poeta, dramaturgo e crítico

«EL MUCHACHO ELÉCTRICO» por Eduardo Haro Ibars 

#umpoetaumpoemapordia #182 (30/4)

POETA: EDUARDO HARO IBARS

Eduardo Haro Ibars (Madrid, Espanha, 30 de abril como como 1948 – Id . 16 em agosto de 1988 ) foi um poeta , romancista e ensaísta espanhol.

POEMA: EL MUCHACHO ELÉCTRICO

Para Eugenio, Jaime y Fernando, en
un albor de inventos sonoros.

ciertas formas de bar caliente diorama
siempre avanzamos en círculos polifonía estrecha
Madrid se estremece como un animalito
es agua Asesinado el Muchacho Eléctrico en cualquier parte
sólo queda lo gris lo submarino
infinitos gaseosos en torno al Bar Humano
bola contra bola de metal asesino
las glándulas generan
recuerdos como aquellos labios muertos Lotte Lenya
sonríe desde su viejo cliché
una estatua otra estatua y mil estatuas
o sombras o recuerdos luces y pulsaciones
de un astro en la ventana
y hay cuerpos muy calientes lo recuerdas
sin matriz así la mano blanda
se retuercen los pocos que están ahí copulan
mueren los ciegos en sus garitas transparentes
entrañas arrancadas y olor a niebla matinal sin sangre
bocas abiertas a las puertas de un solo
que no calienta más que mármoles
sus piernas milagro de leche y un libro abierto recuerda
él ya murió se lo dijimos es la cámara de torturas un lugar sombrío
junto al monte de Venus -verdad del rinoceronte
junglas de terciopelo- no no recuerdas nada
pero existe una línea directa tendrás pecho y vientre
crepúsculos de muchacho eléctrico una bandada de ojos oh qué lejos
nubes vendidas al mejor postor en los escaparates ciudadanos
es todo igual
y siempre habrá cerveza en tus cabellos

[De Pérdidas Blancas (1978)]

+ SOBRE

https://es.wikipedia.org/wiki/Eduardo_Haro_Ibars
http://amputaciones.blogspot.com.br/2007/01/voces-eduardo-haro-ibars-1948-1988-no.html
https://enriquezamorano.com/tag/eduardo-haro-ibars/
https://poetassigloveintiuno.blogspot.com.br/2010/07/224-eduardo-haro-ibars.html
.
.

El Muchacho Eléctrico, de Eduardo Haro Ibars (Recitado por Enrique Zamorano)

Antología poética – Biblioteca Virtual Miguel de Cervantes

OUTROS

Erni Krusten , autor e poeta estoniano
Tony Harrison , poeta e dramaturgo inglês
Annie Dillard , romancista, ensaísta e poeta americana
Félix de Azúa , poeta e romancista espanhol.
Eduardo Haro Ibars , poeta espanhol
Juhan Liiv, poeta e escritor estoniano
.

«FIO DE VIDA» por Thiago de Mello

#umpoetaumpoemapordia #151 (30/3)

POETA: THIAGO DE MELLO

Amadeu Thiago de Mello (Barreirinha, 30 de março de 1926) é um poeta e tradutor brasileiro. É um dos poetas mais influentes e respeitados no país, reconhecido como um ícone da literatura regional.

POEMA: FIO DE VIDA

Já fiz mais do que podia
Nem sei como foi que fiz.
Muita vez nem quis a vida
a vida foi quem me quis.

Para me ter como servo?
Para acender um tição
na frágua da indiferença?
Para abrir um coração

no fosso da inteligência?
Não sei, nunca vou saber.
Sei que de tanto me ter,
acabei amando a vida.

Vida que anda por um fio,
diz quem sabe. Pode andar,
contanto (vida é milagre)
que bem cumprido o meu fio.

Na tarde em que as coronárias oclusas, entristecidas, me pedem para cantar. julho/98

 

+ SOBRE

https://pt.wikipedia.org/wiki/Thiago_de_Mello
http://www.releituras.com/tmello_menu.asp

Os 10 melhores poemas de Thiago de Mello


https://www.escritas.org/pt/thiago-de-mello
http://www.jornaldepoesia.jor.br/tmello.html

OUTROS

Paul Verlaine, poeta francês
Adelino Fontoura, poeta e ator brasileiro
Hermes Carleial, poeta e escritor brasileiro
Hérib Campos Cervera, poeta e escritor paraguaio
Thiago de Mello, poeta brasileiro.
Gerrit Komrij, escritor, poeta e dramaturgo neerlandês.
Vasco Gato, poeta português.
Countee Cullen , poeta americano
Jorge Alemán , psicanalista, filósofo, cientista político, poeta e escritor argentino.
Jean Giono , autor e poeta francês

«AMARGO» por Jayme Caetano Braun

#umpoetaumpoemapordia #092 (30/1)

POETA: JAIME CAETANO BRAUN

Jayme Guilherme Caetano Braun (Timbaúva, 30 de janeiro de 1924 — Porto Alegre, 8 de julho de 1999) foi um renomado payador e poeta do Rio Grande do Sul, prestigiado também na Argentina, Uruguai, Paraguai e Bolívia. Era conhecido como El Payador e por vezes utilizou os pseudônimos de Piraj, Martín Fierro, Chimango e Andarengo.

POEMA: AMARGO

Velha infusão gauchesca / De topete levantado / O porongo requeimado / Que te serve de vazilha / Tem o feitio da coxilha / Por onde o guasca domina, / E esse gosto de resina / Que não é amargo nem doce / É o beijo que desgarrou-se / Dos lábios de alguma china!

A velha bomba prateada / Que atrás do cerro desponta / Como uma lança de ponta / Encravada no repecho / Assim jogada ao desleixo / Até parece que espera / O retorno de algum cuera / Esparramado do bando / Que decerto anda peleando / Nalgum rincão de tapera!

Velho mate-chimarrão / As vezes quando te chupo / Eu sinto que me engarupo / Bem sobre a anca da história, / E repassando a memória / Vejo tropilhas de um pêlo / Selvagens em atropelo / Entreverados na orgia / Dos passes de bruxaria / Quando o feiticeiro inculto / Rezava o primeiro culto / Da pampeana liturgia!

Nessa lagoa parada / Cheia de paus e de espuma / Vão cruzando uma, por uma, / Antepassadas visões / Fandangos e marcações / Entreveros e bochinchos / Clarinadas e relinchos / Por descampados e grotas, / E quando tu te alvorotas / No teu ronco anunciador / Escuto ao longe o rumor / De uma cordeona floreando / E o vento norte assobiando / Nos flecos do tirador!

Sangue verde do meu pago / Quando o teu gosto me invade / Eu sinto necessidade / De ver céu e campo aberto / É algum mistério por certo / Que arrebentando maneias / Te faz corcovear nas veias / Como se o sangue encarnado / Verde tivesse voltado / Do curador das peleias!

Gaudéria essência charrua / Do Rio Grande primitivo / Chupo mais um, pra o estrivo / E campo a fora me largo, / Levando o teu gosto amargo / Gravado em todo o meu ser, / E um dia quando morrer, / Deus me conceda esta graça / De expirar entre a fumaça / Do meu chimarrão querido / Porque então irei ungido / Com água benta da raça!!!

 

MAIS SOBRE
http://www.paginadogaucho.com.br/jayme/

«IF» por Rudyard Kipling

#umpoetaumpoemapordia #061 (30/12)

POETA: RUDYARD KIPLING

Joseph Rudyard Kipling (Bombaim, 30 de dezembro de 1865 — Londres, 18 de janeiro de 1936) foi um autor e poeta britânico, conhecido por seus livros “The Jungle Book” (1894), “The Second Jungle Book” (1895), “Just So Stories” (1902), e “Puck of Pook’s Hill” (1906); sua novela, “Kim” (1901); seus poemas, incluindo “Mandalay” (1890), “Gunga Din” (1890), “If”(1910) e “Ulster 1912” (1912); e seus muitos contos curtos, incluindo “The Man Who Would Be King” (1888) e as compilações “Life’s Handicap” (1891), “The Day’s Work” (1898), e “Plain Tales from the Hills” (1888). É considerado o maior “inovador na arte do conto curto”;[2] os seus livros para crianças são clássicos da literatura infantil; e o seu melhor trabalho dá mostras de um talento narrativo versátil e brilhante

POEMA: IF

“If you can keep your head when all about you
Are losing theirs and blaming it on you,
If you can trust yourself when all men doubt you,
But make allowance for their doubting too;
If you can wait and not be tired by waiting,
Or being lied about, don’t deal in lies,
Or being hated, don’t give way to hating,
And yet don’t look too good, nor talk too wise:

If you can dream—and not make dreams your master;
If you can think—and not make thoughts your aim;
If you can meet with Triumph and Disaster
And treat those two impostors just the same;
If you can bear to hear the truth you’ve spoken
Twisted by knaves to make a trap for fools,
Or watch the things you gave your life to, broken,
And stoop and build ‘em up with worn-out tools:

If you can make one heap of all your winnings
And risk it on one turn of pitch-and-toss,
And lose, and start again at your beginnings
And never breathe a word about your loss;
If you can force your heart and nerve and sinew
To serve your turn long after they are gone,
And so hold on when there is nothing in you
Except the Will which says to them: ‘Hold on!’

If you can talk with crowds and keep your virtue,
Or walk with Kings—nor lose the common touch,
If neither foes nor loving friends can hurt you,
If all men count with you, but none too much;
If you can fill the unforgiving minute
With sixty seconds’ worth of distance run,
Yours is the Earth and everything that’s in it,
And—which is more—you’ll be a Man, my son!”

TRADUÇÃO DE: GUILHERME DE ALMEIDA

‘Se’, em tradução de Guilherme de Almeida

Se és capaz de manter a tua calma quando
Todo o mundo ao teu redor já a perdeu e te culpa;
De crer em ti quando estão todos duvidando,
E para esses no entanto achar uma desculpa;
Se és capaz de esperar sem te desesperares,
Ou, enganado, não mentir ao mentiroso,
Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,
E não parecer bom demais, nem pretensioso;

Se és capaz de pensar – sem que a isso só te atires,
De sonhar – sem fazer dos sonhos teus senhores.
Se encontrando a desgraça e o triunfo conseguires
Tratar da mesma forma a esses dois impostores;
Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas
Em armadilhas as verdades que disseste,
E as coisas, por que deste a vida, estraçalhadas,
E refazê-las com o bem pouco que te reste;

Se és capaz de arriscar numa única parada
Tudo quanto ganhaste em toda a tua vida,
E perder e, ao perder, sem nunca dizer nada,
Resignado, tornar ao ponto de partida;
De forçar coração, nervos, músculos, tudo
A dar seja o que for que neles ainda existe,
E a persistir assim quando, exaustos, contudo,
Resta a vontade em ti que ainda ordena: “Persiste!”

Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes
E, entre reis, não perder a naturalidade,
E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes,
Se a todos podes ser de alguma utilidade,
E se és capaz de dar, segundo por segundo,
Ao minuto fatal todo o valor e brilho,
Tua é a terra com tudo o que existe no mundo
E o que mais – tu serás um homem, ó meu filho!

 

+ SOBRE

https://en.wikipedia.org/wiki/Rudyard_Kipling
https://pt.wikipedia.org/wiki/If_(poema_de_Rudyard_Kipling)
http://www.arquivors.com/kipling1.htm

Se – poema de Rudyard Kipling – Por Ivan Lima

João Villaret – “Se” de Rudyard Kipling

Três poemas de Kipling – Portal de Revistas da USP

OUTROS

Patti Smith, poetisa, cantora e musicista norte-americana

Vincenzo da Filicaja , poeta italiano

Theodor Fontane , autor e poeta alemão

Rudyard Kipling , autor e poeta indiano-inglês, Prêmio Nobel

Daniil Kharms , poeta russo, autor e dramaturgo

 

«OS SONHOS MORTOS» por Guilherme d’ Azevedo

#umpoetaumpoemapordia #031 (30/11)

POETA: GUILHERME D’AZEVEDO

Guilherme Avelino Chaves de Azevedo (Santarém, 30 de Novembro de 1839 – Paris, 6 de Abril de 1882) foi um jornalista e poeta português. Ligado à “Geração de 70“, foi um dos representantes da poesia revolucionária introduzida no país por Antero de Quental (“Odes Modernas“, 1865), tendo recebido influências ainda dos franceses Vitor Hugo e Charles Baudelaire.

POEMA: OS SONHOS MORTOS

Embora triste a noite, a vagabunda lua
Mais branca do que nunca erguia-se nos ceus,
Igual a uma donzella ingenua e toda nua
No leito ajoelhada erguendo a fronte a Deus!

O mar tinha talvez scintillações funestas.
A praia estava fria, as vagas davam ais;
Semelhavam, ao longe, as extensas florestas
Fantasmas ao galope em monstros colossaes.

E eu vi n’um campo immenso, agreste e desolado,
Immerso no fulgor diaphano da luz,
Juncando tristemente o solo ensanguentado
Sinistra multidão de corpos semi-nus!

Tinha a morte cruel, em sua orgia louca,
Deposto em cada fronte um osculo brutal;
E um ironico rizo ainda em muita boca
Se abria, como a flôr fantastica do mal!

E eu vi corpos gentis de virgens delicadas
Beijando a fria terra, as mãos hirtas no ar,
Em sagrada nudez!… Cabeças decepadas!…
Em muito peito ainda o sangue a borbulhar!…

E sobre a corrupção das brancas epidermes
Luzentes de luar e d’esplendor dos ceus,
Orgulhosos passando os triumphantes vermes,
Da santa formosura os ultimos Romeus!

Se tu minha alma livre ainda hoje conservas
Memoria das vizões que amaste com fervor
Ahi as tens agora alimentando as ervas
De novo dando á terra o que ella deu á flôr!

São ellas! as vizões dos meus dias felizes,
Meus sonhos virginaes, as minhas illusões,
Que a seiva dão agora aos vermes e ás raizes,
Que em pasto dão seu corpo a novos corações!

São as sombras que amei, divinas, castas, bellas;
As chymeras gentis, os vagos ideaes,
Que de rozas cingi, que illuminei d’estrellas,
E que não podem já da terra erguer-se mais!

Guilherme D’Azevedo ( publicado em Alma Nova, Lisboa, 1874)

 

+ SOBRE

Álvares de Azevedo – 10 Poemas


https://tionitroblog.wordpress.com/2014/06/18/os-sonhos-mortos-guilherme-dazevedo-1874-melhore-sua-escrita-lendo-poesia-dicasparaescritores/
http://alfarrabio.di.uminho.pt/vercial/gazevedo.htm
https://pt.wikipedia.org/wiki/Guilherme_de_Azevedo
.
.

OUTROS

 

exercício sobre o silêncio magmático

exercício sobre o silêncio magmático

o homem quando salta
para dentro do corte
percebe que a leve pele
vermelha e negra envolve
o que à vista desarmada
é todo inteiro…

saca então,
que lá no fundo,
por dentro da carne viva,
o peito é feito
de cristais de vidro.

seus olhos contemplam
a aridez e o amargo
de ser como um rochedo
duro e triste,
que as lágrimas da chuva,
ora finas,
ora desatinadas,
vão lapidando,
dia pós dia…

e há milhares de anos
imóvel e incomunicável
segue ali exposto
memória do magma vivo
que no oxigênio do tempo
arrefeceu e restou monumento
onde se reza em silêncio.

[qua] 30 de setembro de 2015

entre les murs

às 18:00. acompanhado pela @luz.

para este breve professor de sociologia… um filme interessante, me incomodou um pouco.

37eaade070c60631790a79f20d2bbb06

Sinopse: Baseado em livro homônimo de François Bégaudeau, em que relata sua experiência como professor de francês em uma escola de ensino médio na periferia parisiense, lugar de mistura étnica e social, um microcosmo da França contemporânea.logo

verde, anil, amarelo, cor-de-rosa e carvão (ou será que dói ou é só o poeta?)

nestes dias:

sol quente.
vivo gramado.
verde por todos os lados

cores, sons animais-vegetais
completam… o mosaico.

eu fujo do tom, atravessando…
Nestes dias encerro
uma fase.
e cada tarefa necessária se põe diante dos olhos e razão
todavia a imaginação

e os devaneios fragmentados me habitam teimosamente
e me perco imóvel sem escolher o que começar,

ando sem fé!

preciso desse próximo passo,

e da fé na potência contida…
preciso ordenar estes impulsos

que rasgam minha clareza, minha certeza…
preciso crer na força

e na criativa capacidade!
preciso, crente, profundamente

assumir a construção deste novo ser… preciso viver mais!

——–
traduzindo – Não tenha medo de ir devagar; só tenha medo de ficar parado, diz hoje.
——–

e rabiscado no guardanapo onde mal se distingue a caligrafia torta e os rabiscos desenhados dizendo da impossibilidade de retorno
ao que for, seja toda a dor já experimentada ou as agradáveis sensações retidas na memória

[o que é uma ilusão?]
[trecho suprimido na bula].

—-
mas é só ansiedade, e um certo pavor.


verde, anil, amarelo, cor-de-rosa e carvão

download

«… [Bb] Ô chuva vem me dizer [Eb] se posso ir lá em [Bb] cima prá derramar você [Eb]… [Bb] Ô chuva preste atenção [Eb] Se o povo lá de[Bb] cima vive na solidão [Eb]… [Bb] Ô chuva vem me dizer… [Bb] Ô chuva vem me dizer…»

entre outros tantos versos deste belíssimo álbum que ouço compulsivamente ao volume máximo nas ultimas cem horas!