« stand by »

modo desconectar ativando… encerrando canais e blogues [exceto este, em que raramente escrevo]. pois, às vezes, é preciso bater asas…

and my mood last year, this year and every day:

FREDRIKRADDUM FREDRADD
Fredrik Raddum © Todos os direitos reservados

Escultura do artista visual norueguês Fredrik Raddum @fredradd

 

«CONSEJOS PARA LA MUJER FUERTE» por Gioconda Belli

um depoimento, um poema, uma tradução e uma imagem.

Tão bonito ver a filha fazendo as coisas com autonomia… estive ali pela manhã inteira, mas as coisas dela… Ela fez tudo sozinha. Servi apenas para pagar o transporte, dar conselhos e jogar conversa fora. Foi boa a manhã desta quinta-feira.


E não deixei de escrever. Deixei apenas de publicar. Há rascunhos por cá, aguardando um dia serem publicizados… E outros em papéis extraviados pela casa… Eu sou um caos.


Consejos para la mujer fuerte • Gioconda Belli

 

Si eres una mujer fuerte
protégete de las alimañas que querrán
almorzar tu corazón.
Ellas usan todos los disfraces de los carnavales de la tierra:
se visten como culpas, como oportunidades, como precios que hay que pagar.
Te hurgan el alma; meten el barreno de sus miradas o sus llantos
hasta lo más profundo del magma de tu esencia
no para alumbrarse con tu fuego
sino para apagar la pasión
la erudición de tus fantasías.

Si eres una mujer fuerte
tienes que saber que el aire que te nutre
acarrea también parásitos, moscardones,
menudos insectos que buscarán alojarse en tu sangre
y nutrirse de cuanto es sólido y grande en ti.

No pierdas la compasión, pero témele a cuanto conduzca
a negarte la palabra, a esconder quién eres,
lo que te obligue a ablandarte
y te prometa un reino terrestre a cambio
de la sonrisa complaciente.

Si eres una mujer fuerte
prepárate para la batalla:
aprende a estar sola
a dormir en la más absoluta oscuridad sin miedo
a que nadie te tire sogas cuando ruja la tormenta
a nadar contra corriente.

Entrénate en los oficios de la reflexión y el intelecto
Lee, hazte el amor a ti misma, construye tu castillo
rodealo de fosos profundos
pero hazle anchas puertas y ventanas

Es menester que cultives enormes amistades
que quienes te rodean y quieran sepan lo que eres
que te hagas un círculo de hogueras y enciendas en el centro de tu habitación
una estufa siempre ardiente donde se mantenga el hervor de tus sueños.

Si eres una mujer fuerte
protégete con palabras y árboles
e invoca la memoria de mujeres antiguas.

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Has de saber que eres un campo magnético
hacia el que viajarán aullando los clavos herrumbrados
y el óxido mortal de todos los naufragios.
Ampara, pero ampárate primero
Guarda las distancias
Constrúyete. Cuídate
Atesora tu poder
Defiéndelo
Hazlo por ti
Te lo pido en nombre de todas nosotras.

Rebeliones y revelaciones (2018)


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poema: CONSELHOS PARA A MULHER FORTE
(Gioconda Belli, Nicarágua, 1948)

Se és uma mulher forte
te protejas das hordas que desejarão
almoçar teu coração.
Elas usam todos os disfarces dos carnavais da terra:
se vestem como culpas, como oportunidades, como preços que se precisa pagar.
Te cutucam a alma; metem o aço de seus olhares ou de seus prantos
até o mais profundo do magma de tua essência
não para alumbrar-se com teu fogo
senão para apagar a paixão
a erudição de tuas fantasias.

Se és uma mulher forte
tens que saber que o ar que te nutre
carrega também parasitas, varejeiras,
miúdos insetos que buscarão se alojar em teu sangue
e se nutrir do quanto é sólido e grande em ti.

Não percas a compaixão, mas teme tudo que te conduz
a negar-te a palavra, a esconder quem és,
tudo que te obrigue a abrandar-se
e te prometa um reino terrestre em troca
de um sorriso complacente.

Se és uma mulher forte
prepara-te para a batalha:
aprende a estar sozinha
a dormir na mais absoluta escuridão sem medo
que ninguém te lance cordas quando rugir a tormenta
a nadar contra a corrente.

Treine-se nos ofícios da reflexão e do intelecto.
Lê, faz o amor a ti mesma, constrói teu castelo
o rodeia de fossos profundos
mas lhe faça amplas portas e janelas.

É fundamental que cultives enormes amizades
que os que te rodeiam e queiram saibam o que és
que te faças um círculo de fogueiras e acendas no centro de tua habitação
uma estufa sempre ardente de onde se mantenha o fervor de teus sonhos.

Se és uma mulher forte
se proteja com palavras e árvores
e invoca a memória de mulheres antigas.

Saberás que és um campo magnético
até onde viajarão uivando os pregos enferrujados
e o óxido mortal de todos os naufrágios.
Ampara, mas te ampara primeiro.
Guarda as distâncias.
Te constrói. Te cuida.
Entesoura teu poder.
O defenda.
O faça por você.
Te peço em nome de todas nós.

(tradução de Jeff Vasques)

Leitura de Ana Maria Furlan. Este poema faz parte da antologia “Poesias de Luta da América Latina” organizada e traduzida por Jeff Vasques. Você pode adquirir esse livro aqui: https://benfeitoria.com/eupassarinho

Imagem: “Девушка, несущая быка”. Рисунок белорусского художника Владимира Фоканова, компьютерная графика, 2009 г. /  “Menina, carregando um touro”. Quadro pelo artista bielorrusso Vladimir Fokanov, computação gráfica, 2009. Veja o trabalho de Vladimir Fokanov em sua galeria aqui

 

exercício sobre o desaguar

escrever por vezes
parece ridículo.
um despropósito.
um descabimento…
não há reclame,
que de conta
do que teus olhos te deixam ver
de tua imagem interna
disto que vai por dentro da carne.

mas falar, tête-à-tête,
sobre a dor de dentro…

eu não sustento
os olhos nos olhos.
não seguro o embargo
e a lágrima.

há muita água represada…
é preciso desaguar
todo sal
e todo sangue.

[sex] 15 de junho de 2018

Skull

Jean-Michel Basquiat, Skull (caveira), 1981, crayon e acrílico sobre tela (207×175,9cm)

«A expressão criativa de Jean-Michel Basquiat – aliás como de qualquer artista – 
é o resultado do exercício de um direito natural: a liberdade.»
~~~~~~

Hiperligações: 

POEMAS & TELAS

http://www.musarara.com.br/arthur-bispo-do-rosario-e-jean-michel-basquiat

incógnito som

Nu e lasso, descalço, impassível,
crasso, pelos passos não dados
pelo não-passo, afoito, avesso
no processo que passa
no progresso de rima barata
rumo ao sucesso dessa vida rata
repleta de abscessos, excessos de nada,
doses de dor, de silêncio espesso,
de pus, mudez, e moldes de gesso,
e no fosso das possibilidades
um verso osso, incerto sussurro
deste incógnito fóssil-humano,
nu e lasso, mas ainda muito aceso.

[seg] 2 de janeiro de 2017

exercício à mulher amuada

 

Vai-se meu corachón de mib:
ai, Rab, si se me tornard?
Tan mal me dóled li’l-habib;
Enfermo yed, quando sunarád?*
(Lírica dos Moçárabes, 1040)

jarcha 9

exercício à mulher amuada

amuada,
tua boca romã
narra em silêncio
a distância
dos meus lábios mudos.

amuada,
teu olhar noir,
distraído,
contrasta co’a
tua língua árabe intocada.

amuada,
metade do mundo é negra
como nossos pelos cacheados,
a outra metade é triste
com’a solidão
em nossa pele bérbere.

[dom] 8 de maio de 2016

abraço que não te dei

sobre o abraço que não dei
sobre o que não sei
quando tua voz se partia
quando era a despedida,
e ainda esperavas,
ainda me chamavas
mas não, este ser
não sabe se despir,
dessa formalidade
– armadura de resistir ao existir.
este ser que se emaranha,
que é feito em nó
um ser sem abraços
que não sabe, não soube
dizer que tua partida,
faria, fere e fará
uma falta desmedida…
e dessa formalidade,
palavras soltas,
boa viagem,
adeus.

mas ainda guardo intacto
neste poema o nó
do abraço
que não te dei
2016/03/18
TICAN/Florianópolis/SC

ao profundo mar

desço a ladeira
como quem houve um sax
suave e rouco
ao longe
passo a passo
sem moldura
o mar encrespa
a canoa segue ancorada,
sem saber onde ir,
balança

e eu me demoro
nesta tarde que desliza
sob o céu pesado
por uma frota nebular
que invade a paisagem…

as árvores, insanas, acenam
ao vento que me pede pra ficar
suspenso, em seus braços invisíveis
e se eu tivesse a força necessária
seria tua tempestade:
suave e fatal.

mas me deixo
ladeira abaixo
como quem houve um sax
e segue amargo
distante
passo a passo
sem doçura
pressentindo a partida
um encouraçado vazio
sem saber onde ir,
que dentro de si
naufraga.

4-5/12.15. Sambaqui/floripa.

trilha de fundo: barulho do mar, do vento nas árvores… e embalado pela suavidade de tok tok tok.

exercício sobre o silêncio magmático

exercício sobre o silêncio magmático

o homem quando salta
para dentro do corte
percebe que a leve pele
vermelha e negra envolve
o que à vista desarmada
é todo inteiro…

saca então,
que lá no fundo,
por dentro da carne viva,
o peito é feito
de cristais de vidro.

seus olhos contemplam
a aridez e o amargo
de ser como um rochedo
duro e triste,
que as lágrimas da chuva,
ora finas,
ora desatinadas,
vão lapidando,
dia pós dia…

e há milhares de anos
imóvel e incomunicável
segue ali exposto
memória do magma vivo
que no oxigênio do tempo
arrefeceu e restou monumento
onde se reza em silêncio.

[qua] 30 de setembro de 2015

A coleira do cão

a cólera entre os dentes
a coleira do presente
o cão imundo já não é bicho
e o pássaro disforme vira o lixo
e este poema era pra ser
sobre as coisas findas da manhã,
estes destroços que narram
que até o belo não passa de entulho.

e que a voz caso não corte
o tecido da normalidade
será apenas um grunhido,
um grito surdo de um vida estéril…

e cada verbo refugiado
atravessa ileso a incomunicabilidade
dos seres alheios…
traduz dos silêncio esses nós

e estes que vão são tristes
e estes que vem são feios
e todos os homens são nojentos
e os olhos são presas
os cães andarilhos
o sol amargo
a névoa gélida
e o destino
passageiro…
(no subsolo
de um navio negreiro).
[seg] 7 de setembro de 2015

lavrador da escuridão

I

lavrador da escuridão,
minerador de pensamentos,
cava o fragmento,
na busca do gozo
no silêncio
no tumulto interno…
e o que explode
feito dinamite
é a vontade daquela mina,
em toda sua profundidade de carvão.

II

lavrador da escuridão,
minerador de pensamentos,
por dentro não
há claro-escuro,
por dentro não se
sabe pedra ou suor.

III

lavrador da escuridão,
minerador de pensamentos,
no subterrâneo
defronta-se com
o minério do não,
e toda saliva,
e todo verbo,
e toda língua,
e todo atrito,
cruzam a noite,
trepam delírios,
mas não suportam
os olhos vazios
que não se tocam
na luz

IV

lavrador da escuridão,
minerador de pensamentos,
escava o homem nu,
esse bicho oco,
de coração opaco,
boca morna e muda,
e o profundo sexo dela
deseja o gosto que transcende
a superfície rochosa,
isto que existe, e exige
que tua picareta pudesse
lavrar o sol,
a luz e o carvão.

[seg] 31 de agosto de 2015

o poema obscuro

«O verdadeiro poeta é aquele que encontra a ideia enquanto forja o verso.»
Émile-Auguste Chartier Alain

o poema obscuro
mira-me no espelho.
uma miragem,
uma imagem
captada ao acaso:
a forja da palavra,
a dura lavra.

o poema
é uma passagem:
uma rocha
amorfa e muda,
um vegetal retorcido,
um verbo seco,
um instante ao vento.

o poema é nada além
de um desejo cego,
um corte, um rasgo,
uma dor surda,
uma dúvida latente.

o poema é
o que foi dito
e o devir,
desde o mais
profundo de teu ser

o poema
está entre
o imperceptível
e o que de nós,
possamos traduzir.

[dom] 21 de junho de 2015

hoje amanheci nublado

hoje amanheci nublado,
e o sol, tímido ou terrificado,
demorou em aparecer
para me aconselhar.

quando chegou,
adentrou aos poucos,
pelas frias frestas, e
iluminou o que pode…

mas as sombras são densas,
e sinto ânsia enorme
a revirar-me o estômago…
é quase uma sensação
como estas que antecedem
o começo da queda…

ânsia da qual só nos libertamos
quando somos capazes de nos atirarmos
rumo ao ser… e ao nada.

[seg] 2 de março de 2015

o exercício sobre os gatos amarelos

o exercício sobre os gatos amarelos

os gatos amarelos são todos iguais
espreitam, interrogam, perscrutam-nos:

como será o nosso peso?
e quais seriam nossos gestos?
e quanto temos deste odor marinho?

*

os gatos amarelos são todos amarelos
de mesma calda, de mesmo pelo,
de mesma barba, de um mesmo novelo.

a gente acorda e não costuma gritar…

as flores vermelhas andam a me despertar
por estes dias…
e a gente acorda
e não costuma gritar
apenas extrañamos esta coisa que nos mantém
indo sem saber a que fim…

miro-me, caos-me-fico
e observo esse espaço em mim,
esse invento fora de mim,
e profundamente extraio
do silencioso caminho vegetal
a intuição necessária
que é preciso mudar
algo deste hábito lento
e forasteiro
para poder florar também
e além.

por enquanto, ainda,
gravitamos o redemoinho que suga o sonho humano,
e que dura
ao menos mais
uns tantos dias
de obrigação cotidiana…
mas depois é fincar
lentamente os pés dentro da terra
e germinar…
oxalá, seja eu
uma flor boni… ‘tá.

[ter] 2 de dezembro de 2014

Na buska

organizando o meu blogue de sociologia [SOCIOLOGIA B], vamos pesquisando outros blogues de sociologia…

Blogues sobre Sociologia no Ensino Médio:

http://observatoriodaimprensa.com.br/news/view/um-laboratorio-sociologico
http://nabuska.blogspot.com.br/
http://sociologiaescolar.blogspot.com.br/
http://sociologia-trabalho.tumblr.com/
http://sociologiananet.wordpress.com/
http://sociologianaescola.blogspot.com.br/
http://sociologizar.wordpress.com/
http://sociologianaescola.wordpress.com/
http://www.praxis.ufsc.br/
http://www.labes.fe.ufrj.br/
http://sociologiajkratz.blogspot.com.br/
http://socio-logic.tumblr.com/
http://socionetwork.tumblr.com/
http://www.motherjones.com/media/2012/11/kids-bedrooms-james-mollison
http://sociologiaeantropologia.blogspot.com.br/
http://sociesorry.tumblr.com/
http://sociologiadeimediadigitali.tumblr.com/
http://sociologia-trabalho.tumblr.com/
http://confesionsociologo.tumblr.com/
http://sociologiadastazione.tumblr.com/
http://sociologiauahc.tumblr.com/
http://politica-e-sociologia.tumblr.com/
http://economia-y-sociologia.tumblr.com/
http://sociologiaavida.tumblr.com/
http://sociologias.tumblr.com/
http://sociologiaupla.tumblr.com/
http://filovesofia.tumblr.com/
http://introso.tumblr.com/
http://sociogirls.tumblr.com/
http://sociologia-patricinhas.tumblr.com/
http://s-ociologia.tumblr.com/
http://sociologia-debate.tumblr.com/
http://poderosasdasociologia.tumblr.com/
http://blog-da-sociologia–filosofia.tumblr.com/
http://socioologiamv1.tumblr.com/
http://nossassociologias.tumblr.com/
http://sociologianavida.tumblr.com/
http://aprendendocomsociologia.tumblr.com/
http://sociologia23.tumblr.com/
http://constituicao3bgalois.tumblr.com/
http://socioanalises.tumblr.com/
http://somos-a-diferenca.tumblr.com/
http://9agalois2011.tumblr.com/
http://foggydreamer.tumblr.com/
http://sociologianet.tumblr.com/
http://sociologialucas.tumblr.com/
http://sociologia-debatesobrecolegios.tumblr.com/
http://flaneurcasper.tumblr.com/
http://sociologiasimples.tumblr.com/
http://professormarcos.tumblr.com/
http://depredando.tumblr.com/
http://ojalalohubieraescrito.tumblr.com/
http://www.unitedexplanations.org/2013/07/16/50-satiricas-ilustraciones-de-pawel-kuczynski/

Hélène Roger-Viollet

http://www.roger-viollet.fr/collections.aspx

Maurice-Louis Branger

http://www.yellowkorner.com/artistes/147/maurice-louis-branger.aspx

exercício as duas da tarde

[ter] 8 de abril de 2014
exercício as duas da tarde

as duas vi que perdia o dia
enredado…
vi que partia à deriva
e ao cabo,
só,
um enjoo de mar,
de desamar
sombrio.

as duas vi que a tarde era
noite sem estrela,
nau sem oriente,
ensimesmada,
um mal quisto,
severa a mar.

as duas vi que a tormenta
perduraria por dentro
até a terra distante,

que, oxalá,
há de abrigar nautas libertos
deste brigue plúmbeo
que arrasta-me em suas entranhas desde as duas…

quando vi que partia-me
e perdia o dia…

Sambaqui, hoje, entre 13:58 e 14:58.