cuando pienso en machu picchu

[fragmento de um poema em construção… as estrofes ainda estão em processo… a coluna/estrutura ainda não foi fechada… eu quero um poema de fôlego, mas para isto preciso estudar mais, pesquisar… mas até lá… para não esquecer, guardo o rascunho aqui]

à cleuzi, pela inspiração

mi padre, un minotauro
mi madre es un océano
pegado a la tierra
y en el centro del labirinto
el enigma de las narrativas
la línea del encuentro
y los errores…

[desenvolver mais]

un pueblo ancestral encontrado como piedras
de una nueva ciudad
arqueología de una catedral

cuando pienso en machu picchu
donde la luz es una mujer
mágica hecha de tierra y aire,
lucha y sueños profundos
que si quisiera, podría
macharse en toda américa,
por los caminos intocables,
los que son narraciones de ficción inmemoriales
otros caminos desde peabiru
y sobrevivir a todos los diablos blancos,
estos hombres salvajes, que abren venas
y sangrar lo sagrado, lo más profundo


cuando pienso en machu pichu
donde la luz es una mujer
mágica hecha de tierra y aire,
lucha y sueños profundos
que te abraza con un abrazo
de cosas cósmicas …


cuando lo pienso,
no le tengo miedo
o miedo a la historia de mis padres y sus antepasados
o tan poco de mí

cuando estaba en el centro del labirinto

y no sabía cómo arder nel fuego…

la vieja montaña

raial-20out5
a imagem é de autoria do artista Lucio Kansuet

amand’água [ou o exercício sobre os movimentos da caverna do pântano à solidão da costa de dentro]

O problema da apreensão do objeto pelos sentidos é o problema número um do conhecimento humano. Mario Pedrosa (1949/1996)

amandágua [ou o exercício sobre os movimentos da caverna do pântano à solidão da costa de dentro]

terceiro movimento (o mergulho no meio da praia)

no movimento da maré
percorremos o dia
e gravado no centro da testa
a gravidade da areia
o peso do corpo n’água
o marulho do teu riso
o sol nos banhando
enquanto nos tornávamos
líquidos e minerais,
no fino granulado
os dentes francos
derme à mostra
e as nossas escoriações
pelo mergulho dado
pelo mergulho
elo-mergulho

primeiro movimento (entre as pedras e a água)

vi atráves d’água
tua pele de alga e peixe
a vi na água
um seixo, uma ulva,
uma concha

quis mais e cerrei
os olhos
ouvi em mim a água
sobre as pedras
e sobre si mesma

e tateei a água
e sua textura de liberdade
esse fluído que vai
dos dedos do pé
aos dedos da mão
e transborda todos os corpos marinhos

saboreei a água
por todos os poros e oríficios
calamar
virei água
água viva

segundo movimento (conchíferos)

água de anaximandro
ápeiron
água, sal, molécula
sorriso saboroso
e peixinhos a nadar no mar
no teu mar
no teu colo
e a água no pelos
punk-cabelo
ouriço na praia
olhos vermelhinhos
de peixe tetraodon
e ágil
como uma ótima resposta,
um riso,
segue reto,
toda vida,
para esquerda…
no método de stanislávski:
ser o mergulho
a água,
o corpo livre,
a jornada,
por inteira.

26-27 Janeiro. Pântano do Sul/Sambaqui – Fpolis. Vagner Boni

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exercício sobre a luva e a pedra

exercício sobre a luva e a pedra

por um instante
o único pagante
a peça perdida
nada de luvas
naquela antessala abafada:
uma pedra.
mas eis que eles chegam
dois por dois
aos pares e estamos
repletos, perplexos,
tocados por esta luva
e por esta pedra
pela luz e sombra
pelo suor
e pelas cordas
do teatro
em trâmite.

vagner boni. casa vermelha, centro-fpolis. 10/01/2020

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a terra

a dor é menor.
as palavras mínimas,
outras ásperas.
espera a dor silenciar.
respira. o outro é o outro.
és um processo.
acalma o espírito.
deixa a coluna ereta.
espera. ouve o som ao redor.
ouve a respiração da terra.
ouve cada minúsculo músculo
e veia. ouve a ave. a vertigem…
espera a dor menor.
sê palavras pera.
carícia, espera…
a terra.


Caetano Veloso, Gilberto Gil – Desde Que o Samba é Samba (Vídeo Ao Vivo)

Caetano Veloso, Gilberto Gil – Super Homem (A Canção) (Vídeo Ao Vivo)

e tantas outras…


Jpeg
eugenia uniflora

só para registrar que a pitangueira, quase morta do vaso, segue viva e reviva… brotando mil folhinhas verdes… depois que a coloquei na terra. eu tenho terra entre os dentes e minhas mãos seguem entranhadas na terra escura, sentindo o pulsar da vida.

exercícios noturnos

porque eu não escrevo um poema há uns bons dias…

exercícios noturnos – poemas de vagner boni (2018, novembro 21, quarta-feira titri/trindade – florianópolis).

I – a esmo

caminhei a esmo
para não ficar
andando em círculos,
no mesmo pensamento.

II – anatomia da lágrima contida

sob a pálpebra
o filme lacrimal tem três camadas
mas há um embargo,
um amontoado de palavras não ditas,
verbo-pranto,
vazão represada
lágrima contida.

III – poe.a.mar-se

jogar palavras no papel
distrai a dor
que sufoca o peito.

não desata o nó,
o permanente impasse
deste corpo-linguagem,

mas desfaz o laço
ao poe.a.mar-se

IV – led

semáforos
faróis
lâmpadas
todos os tons
de amarelo, branco
verde, vermelho

e a espera da noite
sinaliza o caminho
pisca, da seta,
freia, adverte,
siga, mas não siga em vão…
venha, vá, não pare não…

brilha nessa escuridão.

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rodapé: a foto em destaque é da série «traffic lights» do fotógráfo alemão Lucas Zimmermann

exercício sobre o silêncio magmático

exercício sobre o silêncio magmático

o homem quando salta
para dentro do corte
percebe que a leve pele
vermelha e negra envolve
o que à vista desarmada
é todo inteiro…

saca então,
que lá no fundo,
por dentro da carne viva,
o peito é feito
de cristais de vidro.

seus olhos contemplam
a aridez e o amargo
de ser como um rochedo
duro e triste,
que as lágrimas da chuva,
ora finas,
ora desatinadas,
vão lapidando,
dia pós dia…

e há milhares de anos
imóvel e incomunicável
segue ali exposto
memória do magma vivo
que no oxigênio do tempo
arrefeceu e restou monumento
onde se reza em silêncio.

[qua] 30 de setembro de 2015

Exercícios sobre os versos [en]cadeados

[qua] 13 de fevereiro de 2013

I

O verso encadeado é
sobre as coisas formadas
e disformes, sobre o movimento
inerente às coisas, no que vai
e vem, no que volta, no passar
das horas, dos hífens, das faltas

O verso encadeado é
sobre o fluir inesperado
e improvável dos latidos…

II
E das ausências, perdas
de ar, de tardes
deixadas, de reencontros jamais
tidos, de versos exatos
e indolores, das aberturas
incicatrizáveis, e pulsares,
e silêncios, e esperas…

III
No tempo que
borra, esquece assim
imperceptivelmente qual
as pedras inavistadas no
fundo do caminho.. O tempo
borra as formas, os odores,
a textura da derme, dos pelos
soltos, da superfície profunda das
coisas…

Janeiro-13/2/2013

a língua tem som

o código, a cauda e o sal

na tua língua há o som,
o sentido e um gosto de sal

em ti gasto a saliva,
em nossa lassa língua
nos engendramos humanos

E antes da língua,
de nossas línguas
seríamos música, guturais, sem tradução,
a expressão pré-verbal, de nós,

animais sem coda

Vagner Boni, 17 nov, 2010.

Aula de Teoria Antropológica II, sala 333/CFH.


Joan Miró, Homem, mulher, pássaro, 1959.
Joan Miró, Homem, mulher, pássaro, 1959.

emaranhado

emaranhado.
a voz insensata
narra o corte.
mas, intuindo,
a razão, fia-se
na meada destes
fios, emaranhados,
para desatar-se.

e a retina cansada
busca o horizonte…
pela noite de luzes
levo nuvens de chumbo.
Vagner Boni/14 set, 2009. [seg]


number-1

Número 1, 1948 por Jackson Pollock

a pontuação do caminho

Dois pontos:
ponto final.
ponto e vírgula;
vírgula,
Pé pra fora
pé na estrada
Horizonte…

Quantas palavras hão de quedar ao longo do caminho ainda cheio de pontos e vírgulas e espaços…

Museu Universitário, Fpolis (04.05.2007)
rabiscado no verso de alguma anotação da reunião no LEI – Laboratório Etnologia Indígena