Caderno de apontamentos [Manoel de Barros]

Caderno de apontamentos — XXVI [de CONCERTO A CÉU ABERTO PARA SOLOS DE AVE, 1991]

Depois que atravessarem o muro e a tarde os caracóis cessarão.
Às vezes cessam ao meio.
Cessam de repente, porque lhes acaba por dentro a gosma com que sagram os seus caminhos.
Vêm os meninos e os arrancam da parede ocos.
E com formigas por dentro passeando em seus restos de carne.
Essas formigas são indóceis de ocos.
Ah, como serão ardentes nos caracóis os desejos de voar!

P.S.: Caracol é uma solidão que anda na parede.

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Caderno de Poesias – Maria Bethânia

Caderno de Poesias – Maria Bethânia

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DISTRIBUIÇÃO DA POESIA
Mel silvestre tirei das plantas,
sal tirei das águas, luz tirei do céu.
Escutai, meus irmãos: poesia tirei de tudo
para oferecer ao Senhor.
Não tirei ouro da terra
nem sangue de meus irmãos.
Estalajadeiros não me incomodeis.
Bufarinheiros e banqueiros
sei fabricar distâncias
para vos recuar.
A vida está malograda,
creio nas mágicas de Deus.
Os galos não cantam,
a manhã não raiou.
Vi os navios irem e voltarem.
Vi os infelizes irem e voltarem.
Vi homens obezos dentro do fogo.
Vi ziguezagues na escuridão.
Capitão-mor, onde é o Congo?
Onde é a Ilha de São Brandão?
Capitão-mor que noite escura!
Uivam molossos na escuridão.
Ó indesejáveis, qual o país,
qual o país que desejais?
Mel silvestre tirei das plantas,
sal tirei das águas, luz tirei do céu.
Só tenho poesia para vos dar.
Abancai-vos, meus irmãos.

Jorge de Lima

 

soneto do amor total (antologia)

4º Dia

A convite de Pati , durante 10 dias vou publicar 10 livros que marcaram minha trajetória como leitor. Sem comentários e explicações, apenas a capa. E, cada dia, desafiarei uma pessoa a continuar a roda.

Aceita, Juliana?

3 Samanta


ps: não é para comentar, mas não posso deixar passar que é na contracapa que tem essa boniteza de soneto… acho que foi assim que ele me fisgou lá pelas bandas de 1999. #sonetodoamortotal

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«ESPELHO» por Anibal Beça

#umpoetaumpoemapordia #318 (13/9)

POETA: ANIBAL BEÇA

é o nome literário de Anibal Augusto Ferro de Madureira Beça Neto (Manaus, Amazonas, Brasil, 13 de setembro de 1946 – 25 de agosto de 2009) foi escritor (poeta), tradutor, compositor, teatrólogo e jornalista brasileiro

POEMA: ESPELHO

Para fechar sem chave a minha sina
Clara inversão da jaula das palavras
As vestes da sintaxe que componho
De baixo para cima é que renovo.

Escancarando um solo transmutado
Para o sol da surpresa nas janelas
Ao mesmo pouso de ave renascida
Do fim regresso fera não domada.

Na duração que escorre nessa arena
Lambendo vem a pressa em que me aposto
Nessa voragem, vaga um mar de calma

Que me alimenta os ossos da memória.
Sobrada sobra, cinza dos minutos,
O que sobrou de mim são essas sombras.

+ SOBRE

http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/amazonas/anibal_beca.html
https://pt.wikipedia.org/wiki/An%C3%ADbal_Be%C3%A7a
http://www.jornaldepoesia.jor.br/abeca.html
http://www.overmundo.com.br/banco/alguns-poemas-de-anibal-beca

OUTROS

Natália Correia, ativista social, escritora e poeta açoriana
Otokar Březina, poeta e ensaísta checo
Julian Tuwim, poeta polonês
John Leland, poeta e historiador inglês
Roald Dahl, romancista, poeta e roteirista britânico

«UM SORRISO» por Ferreira Gullar

#umpoetaumpoemapordia #315 (10/9)

POETA: FERREIRA GULLAR

pseudônimo de José Ribamar Ferreira (São Luís, Maranhão, Brasil, 10 de setembro de 1930 – Rio de Janeiro, 4 de dezembro de 2016), foi um escritor, poeta, crítico de arte, biógrafo, tradutor, memorialista e ensaísta brasileiro e um dos fundadores do neoconcretismo[2]. Foi o postulante da cadeira 37 da Academia Brasileira de Letras, na vaga deixada por Ivan Junqueira,[3][4] da qual tomou posse em 5 de dezembro de 2014

POEMA: UM SORRISO

Quando
com minhas mãos de labareda
te acendo e em rosa
embaixo
te espetalas

quando
com o meu aceso archote e cego
penetro a noite de tua flor que exala
urina
e mel
que busco eu com toda essa assassina
fúria de macho?

que busco eu
em fogo
aqui embaixo?
senão colher com a repentina
mão do delírio
uma outra flor: a do sorriso
que no alto o teu rosto ilumina?

+ SOBRE

https://pt.wikipedia.org/wiki/Ferreira_Gullar
http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_infantil/ferreira_gullar.html
https://viciodapoesia.com/tag/ferreira-gullar/

OUTROS

Nicolau Tolentino de Almeida, escritor e poeta português
Franz Werfel, autor, poeta e dramaturgo austríaco-boêmio
Hilda Doolittle, HD, poetisa, romancista e memorialista estadunidense.
Jeppe Aakjær, autor e poeta dinamarquês
Georgia Douglas Johnson, poeta e dramaturgo americano
Viswanatha Satyanarayana, poeta e autor indiano
Georges Bataille, filósofo, romancista e poeta francês
Miguel Serrano, poeta e diplomata chileno
Mary Oliver, poeta americana

«GABILA» por Apolinário Porto-Alegre

#umpoetaumpoemapordia #303 (29/8)

POETA: APOLINÁRIO PORTO-ALEGRE

Apolinário José Gomes Porto-Alegre (Rio Grande, 29 de agosto de 1844 — Porto Alegre, 23 de março de 1904) foi um escritor, historiógrafo, poeta e jornalista brasileiro. É considerado um dos autores mais importantes do Rio Grande do Sul.

POEMA: GABILA

Eis a roça. A maniva grela e punge
Nos camalhões em renque. O sol da América
Surgindo dentre lindas, róseas nuvens,
Fulge nos brotos ao nascer dourados.
Os escravos ali, de enxada em punho,
Trabalham, e ao vaivém certo e incessante
Dos afiados ferros, em compasso,
Desprendem a monótona cantiga
Que a pátria longe evoca, além dos mares.
As tristes vozes na floresta em torno,
Onde livre resplende a natureza,
Onde tudo se curva a Deus somente,
Ecoam como satânica risada,
Como vivo sarcasmo que desonra
O pavilhão dum povo. Cantem, míseros;
Cantem, isto consola ao peito aflito.
No cruento rigor do cativeiro
É traduzir em vibrações solenes
A saudade que a alma dilacera
Cantem, porém trabalhem sem descanso,
Que, fero o cenho, o capataz vigila.

+ SOBRE

http://tede2.pucrs.br/tede2/handle/tede/2017
https://pt.wikipedia.org/wiki/Apolin%C3%A1rio_Porto-Alegre
https://www.literaturabrasileira.ufsc.br/autores/?id=5500
http://repositorio.pucrs.br/dspace/handle/10923/4004

OUTROS

Oliver Wendell Holmes, escritor, poeta e professor estadunidense
Edward Carpenter, poeta britânico
Maurice Maeterlinck, dramaturgo e poeta belga
Juan Rico e Amat , poeta, historiador político, jornalista e dramaturgo espanhol
Manuel Machado , poeta espanhol
Janus Pannonius , bispo e poeta húngaro
Giovanni Battista Casti , poeta e autor italiano
Thom Gunn , poeta e acadêmico inglês-americano
Karen Hesse , autora e poeta americana

«EXISTE UM PLANETA» por Paulo Leminski

#umpoetaumpoemapordia #298 (24/8)

POETA: PAULO LEMINSKI

Paulo Leminski Filho (Curitiba, Paraná, Brasil, 24 de agosto de 1944 — Curitiba, 7 de junho de 1989) foi um escritor, poeta, crítico literário, tradutor e professor brasileiro.

POEMA: EXISTE UM PLANETA

existe um planeta
perdido numa dobra
do sistema solar

aí é fácil confundir
sorrir com chorar

difícil é distinguir
esse planeta de sonhar
– Paulo Leminski, no livro “Caprichos e relaxos”. 1983.

+ SOBRE

https://pt.wikipedia.org/wiki/Paulo_Leminski

15 melhores poemas de Paulo Leminski

Paulo Leminski – 40 Poemas

Paulo Leminski – poemas

OUTROS

Léo Ferré, músico e poeta monegasco
Donizete Galvão, poeta e jornalista brasileiro.
Linton Kwesi Johnson , poeta, músico e ativista jamaicano.
Robert Herrick , poeta britânico
John Taylor , poeta e escritor inglês
Malcolm Cowley , romancista americano, poeta, crítico literário
Jorge Luis Borges , escritor, ensaísta, poeta e tradutor argentino
Gaylord DuBois , autor e poeta americano
AS Byatt , romancista e poeta inglês
Vahur Afanasjev , autor e poeta estoniano
Rosmarie Waldropé um poetatradutora e editora contemporânea americana 

«CASA DESTELHADA» por Bento Prado Júnior

#umpoetaumpoemapordia #295 (21/8)

POETA: BENTO PRADO JR

Bento Prado de Almeida Ferraz Júnior, conhecido como Bento Prado, ou Prado Jr. (Jaú, 21 de agosto de 1937 — São Carlos, 12 de janeiro de 2007), foi filósofo, escritor, professor, crítico literário, tradutor e poeta brasileiro.

POEMA: CASA DESTELHADA

A casa é um templo humilde, em cujo teto
há goteiras que choram, noite e dia;
o seu recinto todo está repleto
do verde musgo, que a humanidade cria.

Oculta um monge de sereno aspecto
na solidão do templo, a luz sombria.
Vota-lhe o monge singular afeto,
que lhe aviventa a fonte da poesia.

Nunca lhe entre os umbrais alma profana!
Lugar tão venerando dessa forma,
ofendê-lo-á, por certo, a vista humana!

Pois se procede, nesse ambiente sério,
ao milagre da dor, que se transforma,
no cadinho do amor, em refrigério…

+ SOBRE

https://www.escritas.org/pt/bento-prado-junior
http://www.jornaldepoesia.jor.br/bpra01.html

Bento Prado de Almeida Ferraz Júnior


http://tarrenego.blogspot.com/2016/08/bento-prado-junior.html
https://pt.wikipedia.org/wiki/Bento_Prado_Júnior

OUTROS

William Henry Ogilvie , poeta e autor escocês-australiano
Ruth Manning-Sanders , escritor e poeta galês-inglês
Can Yücel , poeta e tradutor turco
XJ Kennedy , poeta, tradutor, antologista, editor estadunidense

«CONSIDERAÇÕES DE ANINHA» por Cora Coralina

#umpoetaumpoemapordia #294 (20/8)

POETISA: CORA CORALINA

pseudônimo de Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas (Cidade de Goiás, Goiás, Brasil, 20 de agosto de 1889 — Goiânia, 10 de abril de 1985), foi uma poetisa e contista brasileira. Considerada uma das mais importantes escritoras brasileiras, ela teve seu primeiro livro publicado em junho de 1965 (Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais),[1] quando já tinha quase 76 anos de idade

POEMA: CONSIDERAÇÕES DE ANINHA

Melhor do que a criatura,
fez o criador a criação.
A criatura é limitada.
O tempo, o espaço,
normas e costumes.
Erros e acertos.
A criação é ilimitada.
Excede o tempo e o meio.
Projeta-se no Cosmos

+ SOBRE

https://pt.wikipedia.org/wiki/Cora_Coralina

Cinco poesias de Cora Coralina para ler e se encantar

3 inspiradores poemas de Cora Coralina


http://www.jornaldepoesia.jor.br/cora.html
https://www.portalraizes.com/livros-para-entrar-no-universo-de-cora-coralina/

Cora Coralina – 15 Poemas

OUTROS

Matias de Lima, poeta português
Dina Mangabeira, poetisa brasileira
Robustiana Armiño , poetisa espanhola
Dino Campana , poeta e autor italiano
Salvatore Quasimodo , poeta italiano, Prêmio Nobel de Literatura em 1959
Jean Gebser , poeta e linguista alemão
Jakub Bart-Ćišinski , poeta e dramaturgo alemão
Edgar Guest , poeta e escritor inglês-americano
Tarjei Vesaas , autor e poeta norueguês

«ENTRE» por Haroldo de Campos

#umpoetaumpoemapordia #293 (19/8)

POETA: HAROLDO DE CAMPOS

Haroldo Eurico Browne de Campos (São Paulo, SP, Brasil, 19 de agosto de 1929 — São Paulo, 16 de agosto de 2003) foi um poeta e tradutor brasileiro.

Em 1952, Décio, Haroldo e seu irmão Augusto de Campos rompem com o Clube, por divergirem quanto ao conservadorismo predominante entre os poetas, conhecidos como “Geração de 45”. Fundam, então, o grupo Noigandres, passando a publicar poemas na revista do grupo, de mesmo título. Nos anos seguintes, defendeu as teses que levariam os três a inaugurar, em 1956, o movimento concretista, ao qual se manteve fiel até o ano de 1963, quando inaugura um trajeto particular, centrando suas atenções no projeto do livro-poema “Galáxias”.

POEMA:

+ SOBRE

https://pt.wikipedia.org/wiki/Haroldo_de_Campos
http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_visual/hsroldo_de_campos.html
https://www.escritas.org/pt/haroldo-de-campos
http://www.elfikurten.com.br/2016/02/haroldo-de-campos.html
http://www.algumapoesia.com.br/poesia/poesianet033.htm
Enigma — poema de Haroldo de Campos

Haroldo de Campos – Poema Selecionado


https://mundoeducacao.bol.uol.com.br/literatura/a-poesia-visual-concretismo.htm
.
.

OUTROS

Íñigo López de Mendoza, 1º Marquês de Santillana, poeta espanhol
Ogden Nash, poeta norte-americano
Kátya Chamma, compositora, cantora e poeta brasileira
Ana Miranda , escritora, poeta e exploradora brasileira.
Gerbrand van den Eeckhout , pintor holandês, etcher e poeta
John Dryden , poeta inglês, crítico literário e dramaturgo
Claude Gauvreau , poeta e dramaturgo canadiano
Bodil Malmsten , autor e poeta sueco

«BRIGA DE TOUROS» por Zeno Cardoso

#umpoetaumpoemapordia #289 (15/8)

POETA: ZENO CARDOSO

Zeno Cardoso Nunes (São Francisco de Paula, RS, Brasil, 15 de agosto de 1917 – Porto Alegre, 27 de fevereiro de 2011) foi um advogado, escritor e jornalista brasileiro.

POEMA: BRIGA DE TOUROS

A chuva de verão passou. Veio a estiada.
O sol, a pino. A terra, inda molhada.
Um Zebu está esperando no rodeio
outro touro, um Crioulo guapo e feio
que sempre fora o dono da invernada,
e a passo largo vem se aproximando,
e vem cavando terra, e vem berrando
tão grosso que parece trovoada!
Encontram-se e pelejam com denodo,
pondo em agitação o gado todo.
As aspas do Zebu, velozes como o raio,
riscam do contendor o pêlo baio
que ao sol reluz e brilha,
enquanto os cascos de ambos, como arados,
sulcam os pêlos verdes e molhados
do lombo da coxilha!
No ardor da luta entesam os pescoços,
enrijecendo os músculos potentes
em férrea contração!
Depois vão se golpeando duramente,
com orgulho de touro não vencido,
com destreza de tigre enfurecido,
com raiva e decisão!
Uma hora eles passam nessa luta
de esforços colossais,
mas, envoltos na fúria do mormaço,
sentem fraquear os músculos de aço,
lutar nem podem mais.
Há pairando no ar morno e pesado
um forte cheiro de chifre queimado.
Os dois touros, briosos e valentes,
são iguais na coragem, no valor.
Mas no entrechoque bárbaro das guampas
o destemido filho aqui dos pampas
começa a demonstrar que é superior.
O zebu bem conhece a luta bruta
lá da Índia selvagem de onde veio,
mas não pode vencer, por mais que o queira,
o touro aqui da terra brasileira
que o obriga a deixar o seu rodeio.
E triste, machucado e abatido,
depois de luta tão desesperada,
o pobre touro, além de ser vencido,
inda foi pelo outro perseguido
até sair de dentro da invernada.
Dias depois os corvos carniceiros,
voejando por cima de um banhado,
indicavam aos olhos dos campeiros
o lugar onde estava, entre espinheiros,
o cadáver do touro derrotado.
O seu corpo, que o sol acariciava,
parece que tranquilo descansava
do combate fatal,
enquanto em torno o gado, compungido,
cheirando o chão, de um jeito comovido,
berrava tristemente em funeral,].
Dentre aquela sentida orquestração
destacou-se um mugido forte e grosso
que reboou plangente no rincão:
Era o berro do touro brasileiro
lamentando o destino do estrangeiro
que quisera ser dono do seu chão.
P. Alegre. 1942

+ SOBRE

http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/rio_grade_sul/zeno_cardoso.html
https://pt.wikipedia.org/wiki/Zeno_Cardoso_Nunes
http://www.paginadogaucho.com.br/poes/zcn-bt.htm

OUTROS

Luigi Pulci, poeta italiano
Matthias Claudius, poeta alemão
Frei Luis de León, poeta e religioso agostiniano espanhol
Sri Aurobindo, guru indiano, poeta, filósofo, político, e iogue indiano
Walter Scott, romancista, dramaturgo e poeta escocês
E. Nesbit, escritor e poeta inglês
Jan Brzechwa, escritor e poeta polonês

«A UM SABIÁ» por Gonçalves de Magalhães

#umpoetaumpoemapordia #287 (13/8)

POETA: GONÇALVES DE MAGALHÃES

Domingos José Gonçalves de Magalhães, primeiro e único barão e visconde do Araguaia, (Rio de Janeiro, Brasil, 13 de agosto de 1811 – Roma, 10 de julho de 1882) foi um médico, professor, diplomata, político, poeta e ensaísta brasileiro, tendo participado de missões diplomáticas na França, Itália, Vaticano, Argentina, Uruguai e Paraguai, além de ter representado a província do Rio Grande do Sul na sexta Assembleia Geral.

POEMA: A UM SABIÁ

Mimoso Sabiá, temo e canoro,
Alma dos bosques que o Brasil enfeitam,
Como seu mestre as aves te respeitam,
E os homens como o Orfeu do aéreo coro.

Os Amores, e Lilia por quem choro,
Teu doce canto por tributo aceitam;
Eles folgam contigo, e se deleitam,
Eu pasmo de te ouvir, e a um Deus adoro.

Tu vives em contínua primavera;
Lilia te afaga, Lilia ouve teu canto!
A tua feliz sorte, oh, quem m’a dera !

Então o meu penar não fora tanto ;
Pois seu peito abrandado já tivera
Co´a voz que ao seio d’alma leva o encanto.

Extraído de SONETOS BRASILEIROS Século XVII – XX. Colletanea organisada por Laudelino Freire. Rio de Janeiro: F. Briguiet & Cie., 1913

TRADUÇÃO DE:

+ SOBRE

https://pt.wikipedia.org/wiki/Gonçalves_de_Magalhães
https://www.escritas.org/pt/l/goncalves-de-magalhaes
http://www.jornaldepoesia.jor.br/maga01.html
https://www.literaturabrasileira.ufsc.br/documentos/?action=download&id=37540
http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/rio_de_janeiro/domingos_jose_goncalves_de_magalhaes.html

Gonçalves de Magalhães

OUTROS

Francisco Gomes de Amorim, poeta português
Onildo Almeida, compositor, músico e poeta brasileiro
Tomás Borge , político, revolucionário, poeta e escritor nicaraguense

«GRITO» por Lila Ripoll

#umpoetaumpoemapordia #286 (12/8)

POETISA: LILA RIPOLL

(Quaraí, RS, Brasil, 12 de agosto de 1905 — Porto Alegre, RS, Brasil, 7 de fevereiro de 1967) foi uma poetisa, pianista e militante comunista brasileira.

POEMA: GRITO

Não, não irei sem grito.
Minha voz nesse dia subirá.
E eu me erguerei também.
Solitária. Definida.
As portas adormecidas abrirão
passagem para o mundo
Meus sonhos, meus fantasmas,
meus exércitos derrotados,
sacudirão o silêncio de convenção
e as máscaras de piedade compungida.
Dispensarei as rosas, as violetas,
os absurdos véus sobre meu rosto.
Serei eu mesma. Estarei
inteira sobre a mesa.
As mãos vazias e crispadas,
os olhos acordados,
a boca vincada de amargor.
Não. Não irei sem grito.
Abram as portas adormecidas,
levantem as cortinas,
abaixem as vozes
e as máscaras —
que eu vou sair inteira.
Eu mesma. Solitária.
Definida.

+ SOBRE

https://pt.wikipedia.org/wiki/Lila_Ripoll
https://www.escritas.org/pt/lila-ripoll
http://www.celpcyro.org.br/joomla/index.php?option=com_content&view=article&Itemid=0&id=479
http://www.elfikurten.com.br/2015/08/lila-ripoll-o-fazer-poetico.html
http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/rio_grade_sul/lila_ripoll.html
http://www.pucrs.br/delfos/?p=lila
https://nuhtaradahab.wordpress.com/2012/08/12/lila-ripoll-poemas-escolhidos/

OUTROS

Robert Southey, historiador e poeta britânico
Radclyffe Hall, poeta e romancista britânica
Norberto Aroldi, poeta argentino, roteirista e ator
Katharine Lee Bates, poeta e autor americano
Donald Justice, poeta e professor de literatura americano
Walter Dean Myers, autor e poeta americano

«JUAZEIRO» por Carlos Severiano Cavalcanti

#umpoetaumpoemapordia #274 (31/7)

POETA: CARLOS SEVERINO CAVALCANTI

(Fazenda Monte, Campina Grande, Paraíba, 31 de julho de 1936) é um poeta brasileiro

POEMA: JUAZEIRO

    (a Maria do Socorro Coutinho de Carvalho)

Recordo tanto, velho juazeiro,
em tua sombra, quando pequenino,
tu sempre foste terno companheiro,
junto a teu pés eu cria no destino.

E no verão passava o dia inteiro
no pastoreio, era um peregrino.
Tu tremulavas, rude e prazenteiro,
eu sonhava o meu sonho de menino…

Abraçado contigo certa vez
tive um desejo imenso que me fez
no teu tronco o meu nome transcrever.

E nunca mais nos vimos novamente.
Na barca da saudade, francamente,
singraria dilúvios pra te ver.

+ SOBRE

https://pt.wikipedia.org/wiki/Carlos_Severiano_Cavalcanti
http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/pernambuco/carlos_cavalcanti.html
http://sociedadedospoetasvivosdeolinda.blogspot.com/2011/11/poesia-de-carlos-severiano-cavalcanti.html

as consequências da seca em um poema de carlos severiano

OUTROS

Jacques Villon, poeta francês
Carlos Severiano Cavalcanti, poeta brasileiro
Rafael García Goyena , escritor, poeta e jurista equatoriano
Elise Cowen , poeta americana da geração Beat
Peter Rosegger , poeta e autor austríaco
Cees Nooteboom , jornalista holandês, autor e poeta
Ahmad Akbarpour , autor e poeta iraniano

«CONFESSIONAL» por Mário Quintana

#umpoetaumpoemapordia #273 (30/7)

POETA: MÁRIO QUINTANA

Mário de Miranda Quintana (Alegrete, Rio Grande do Sul, Brasil, 30 de julho de 1906 — Porto Alegre, 5 de maio de 1994) foi um poeta, tradutor e jornalista brasileiro.

POEMA: CONFESSIONAL

Eu fui um menino por trás de uma vidraça — um
menino de aquário.
Via o mundo passar como numa tela cinematográfica, mas que repetia sempre as mesmas cenas, as mesmas
personagens.
Tudo tão chato que o desenrolar da rua acabava
me parecendo apenas em preto e branco, como nos filmes
daquele tempo.
O colorido todo se refugiava, então, nas ilustrações
dos meus livros de histórias, com seus reis hieráticos e belos
como os das cartas de jogar.
E suas filhas nas torres altas – inacessíveis princesas.
Com seus cavalos — uns verdadeiros príncipes na
elegância e na riqueza dos jaezes.
Seus bravos pagens (eu queria ser um deles… )
Porém, sobrevivi…
E aqui, do lado de fora, neste mundo em que
vivo, como tudo é diferente ‘ Tudo, ó menino do aquário,
é muito diferente do teu sonho…
( Só os cavalos conservam a natural nobreza. )

+ SOBRE

https://pt.wikipedia.org/wiki/Mário_Quintana

Mario Quintana – poemas


http://www.jornaldepoesia.jor.br/quinta.html
http://www.antoniomiranda.com.br/Iberoamerica/brasil/mario_quitana.html
https://acervodigital.ufpr.br/handle/1884/48187
https://www.escritas.org/pt/mario-quintana
http://www.algumapoesia.com.br/poesia3/poesianet301.htm
http://www.releituras.com/mquintana_cadernoh.asp
http://www.elfikurten.com.br/2011/01/mario-quintana-o-poeta-das-coisas.html
http://www.entreculturas.com.br/2011/01/mario-quintana-pequeno-poema-didatico/

Olho as minhas mãos- Mário Quintana

O ato de criação dentro do poema “O Auto-retrato” de Mário Quintana …

OUTROS

Emily Brontë, poetisa e escritora britânica
António Correia de Oliveira, poeta e jornalista português
Salvador Novo , poeta mexicano
Aki Ville Yrjänä , poeta e cantor finlandês.
Samuel Rogers , poeta inglês e colecionador de arte
Alexander Trocchi , autor e poeta escocês

«O ESCAFANDRO» por Cassiano Ricardo

#umpoetaumpoemapordia #269 (26/7)

POETA: CASSIANO RICARDO

Cassiano Ricardo Leite (São José dos Campos, SP, Brasil, 26 de julho de 1894 — Rio de Janeiro, 14 de janeiro de 1974) foi um jornalista, poeta e ensaísta brasileiro.

Representante do modernismo de tendências nacionalistas, esteve associado aos grupos Verde-Amarelo e da Anta, foi o fundador do grupo da Bandeira, reação de cunho social-democrata a estes grupos, tendo, sua obra se transformado até o final, evoluindo formalmente de acordo com as novas tendências dos anos de 1950 e tendo participação no movimento da poesia concreta.

Pertenceu às academias paulista e brasileira de letras com 303

POEMA: O ESCAFANDRO

I

No fundo do oceano
estava a lágrima
que devia ser
chorada por mim.  À espera
de quem viesse usá-la,
um dia, ou dos olhos
(que, hoje, são os meus)

que a chorassem, devida-
mente.  Como se chora,
uma só vez, na vida.

A lágrima ali ficou,
intacta, no salso
labirinto, onde ninguém
chora, porque ali o pranto
é falso.  Onde os polvos,
os tristes cefalópodes,
não choram.  Onde
as sereias, nascidas
pra não chorar, não choram.

Onde os próprios marujos
não choram.  Onde os peixes
não choram, e ninguém
iria, então, chorá-la,
tão supérflua é uma gota
de mágoa ao fundo d´água.

E a lágrima passou
entre alvos caramujos,
entre navios mortos,
entre detritos sujos,
entre esponjas por cujos
orifícios entrou
e saiu, muitas vezes,
quieta, obscura, sozinha.
para, afinal, ser minha.

II

Lá fora,
a multidão, a onda
cega, o cavalo líquido
e Glauco
em que, sem nenhum
esforço, Deus navega,
originalmente.
Ali dentro, a lágrima.
Quieta, obscura, sozinha
na unanimidade
espessa da água azu-
marinha.

+ SOBRE

http://www.jornaldepoesia.jor.br/cricardo.html
https://pt.wikipedia.org/wiki/Cassiano_Ricardo
http://www.algumapoesia.com.br/poesia3/poesianet295.htm
http://www.antoniomiranda.com.br/Iberoamerica/brasil/cassiano_ricardo.html
http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_visual/cassiano_ricardo.html
http://www.jornaldepoesia.jor.br/cricardo.html
http://www.fccr.sp.gov.br/index.php/institucional/151-cassiano-ricardo/577-livro-08?showall=1
http://vidraguas.com.br/wordpress/2011/03/06/poetica-por-cassiano-ricardo/

POEMA – NA MANHÃ GIRASSOL
Que vão fazer tais Gigantes, / figuras de barro vivo, / sem lógica, na manhã / desse universo girassol? // Vão matar os bichos todos… / Vão buscar o couro da Onça… / Vão caçar o dragão de ouro / que se chama Pai do sol. // Que vão fazer tais Gigantes, / cheios de estranho destino, / tendo o horizonte nos olhos / e tão engraçados de nome? / Tão rápidos na partida / que, se um azula, outro some? // Vão ficar verdes por dentro… // Vão morrer azuis de fome…
RICARDO, Cassiano. Martin Cererê (o Brasil dos meninos, dos poetas e dos heróis). Rio de Janeiro: Editora José Olympio, 1978. (p. 62)

.
.

OUTROS

Antonio Machado, poeta espanhol
Chairil Anwar , poeta indonésio
César Calvo , poeta peruano
Rajanikanta Sen , poeta e compositor indiano
Ibn-e-Safi , autor e poeta indiano-paquistanês
Jun Henmi , autor e poeta japonês

«CÃO DE PLUMAS» por José Santiago Naud

#umpoetaumpoemapordia #267 (24/7)

POETA: JOSÉ SANTIAGO NAUD

Nasceu a 24 de julho de 1930, Santiago,RS, Brasil. Poeta e ensaísta gaúcho.

POEMA: CÃO DE PLUMAS

Em cima
ou embaixo
trazemos sempre conosco
o chão das metáforas —
cão de plumas
cão de estrelas
Cão Maior
ou menor
na curvatura dos céus.

E, mais para lá,
a memória.

+ SOBRE

http://www.antoniomiranda.com.br/Iberoamerica/brasil/jose_santiago_naud.html
http://www.jornaldepoesia.jor.br/jsnaud.html
http://www.jornaldepoesia.jor.br/jsnaud1.html
http://www.proparnaiba.com/artes/2016/07/jose-santiago-naud-1930-agulhao-vivaz-da-poesia-brasileira.html
http://desenredos.dominiotemporario.com/doc/02_Ensaio_-nuad-_floriano.pdf

OUTROS

Alphonsus de Guimaraens, poeta brasileiro.
Guilherme de Almeida, crítico de cinema, poeta e tradutor brasileiro
Jan Andrzej Morsztyn, poeta e escritor polonês
Vicente Acosta, poeta, professor e político salvadorenho
Afonso de Guimarães, poeta brasileiro
Edward Plunkett, 18o Barão de Dunsany, autor irlandês, poeta e dramaturgo
Robert Graves, poeta inglês, romancista, crítico
Zelda Fitzgerald, autor e poeta americano

«UM DIA, DE REPENTE» por Lara de Lemos

#umpoetaumpoemapordia #265 (22/7)

POETISA: LARA DE LEMOS

Lara Fallabrino Sanz Chibelli de Lemos (Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil, 22 de julho de 1923 — 12 de outubro de 2010) foi uma poetisa, jornalista, tradutora e educadora brasileira.

POEMA: UM DIA, DE REPENTE

Um dia, de repente,
arrastam-nos à força
para um lugar incerto.

Um dia, de repente,
Desnudam-nos impudica/
mente.

Um dia, de repente,
somos apenas um ser vivo:
verme ou gente?

+ SOBRE

https://pt.wikipedia.org/wiki/Lara_de_Lemos
http://subvertidas.blogspot.com/2013/06/versos-e-subversas-lara-de-lemos.html
http://www.antoniomiranda.com.br/Iberoamerica/brasil/lara_lemos.html
http://www.elfikurten.com.br/2015/07/lara-de-lemos.html
https://www.escritas.org/pt/lara-de-lemos

OUTROS

Emma Lazarus, poetisa estadunidense
Leon de Greiff , poeta colombiano.
Stephen Vincent Benét , escritor, poeta e romancista americano
Odell Shepard , poeta e político norte-americano

«HORAS PERDIDAS» por Anilda Leão

#umpoetaumpoemapordia #258 (15/7)

POETISA: ANILDA LEÃO

(Maceió, 15 de julho de 1923 – Maceió, 6 de janeiro de 2012) foi uma poeta, escritora, militante feminista, atriz e cantora brasileira

POEMA: HORAS PERDIDAS

Eu vivo nesse momento a tristeza
Das horas perdidas,
Das horas mortas,
Das horas inúteis,
Horas que deixamos passar sem serem vividas.
Há tanta vida lá fora e nós dois tão distantes,
Tão dolorosamente afastados.
Por que matamos sem piedade tudo o que há de belo
Dentro de nós? Por que?
Há uma infinidade de horas entre a hora presente.
E ainda agora trago nas minhas mãos,
Na minha boca, no meu corpo,
A sensação da nossa última carícia.
Eu vivo neste momento a tristeza
Das nossas horas inúteis.
Horas estéreis. Melancolicamente vazias.

+ SOBRE

http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/alagoas/anilda_leao.html
http://www.elfikurten.com.br/2016/04/anilda-leao.html

Anilda Leão, uma vida em trânsito

OUTROS

Henrique Ernesto de Almeida Coutinho, poeta português
Enrique Cadícamo, poeta e escritor argentino
César Bruto (Carlos Warnes), escritor, poeta, humorista e jornalista argentino
Clement Clarke Moore, autor americano, poeta e educador
Doppo Kunikida, jornalista japonês, autor e poeta
RS Mugali, poeta e acadêmico indiano
Abraham Sutzkever, poeta e autor russo
Robert Conquest, historiador inglês-americano, poeta e acadêmico

«ETERNA DOR» por Artur de Azevedo

#umpoetaumpoemapordia #250 (7/7)

POETA: ARTUR DE AZEVEDO

Artur Nabantino Gonçalves de Azevedo (São Luís, Maranhão, 7 de julho de 1855 — Rio de Janeiro, 22 de outubro de 1908) foi um dramaturgo, poeta, contista e jornalista brasileiro. Ao lado de seu irmão, o escritor Aluísio Azevedo, foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras. Tendo escrito milhares de artigos sobre eventos artísticos e encenado mais de cem peças no Brasil e em Portugal, Azevedo foi um dos maiores defensores da criação do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, cuja inauguração ocorreu meses depois de sua morte. Suas peças mais conhecidas são A joia, A Capital Federal, A almanjarra, O Mambembe, entre outras.

POEMA: ETERNA DOR

Já te esqueceram todos neste mundo…
Só eu, meu doce amor, só eu me lembro,
Daquela escura noite de setembro
Em que da cova te deixei no fundo.

Desde êsse dia um látego iracundo
Açoitando-me está, membro por membro.
Por isso que de ti não me deslembro,
Nem com outra te meço ou te confundo.

Quando, entre os brancos mausoléus, perdido,
Vou chorar minha acerba desventura,
Eu tenho a sensação de haver morrido!

E até, meu doce amor, se me afigura,
Ao beijar o teu túmulo esquecido,
Que beijo a minha própria sepultura!

+ SOBRE

https://www.escritas.org/pt/artur-de-azevedo
https://pt.wikipedia.org/wiki/Artur_de_Azevedo
http://www.blocosonline.com.br/literatura/poesia/p01/p010580.htm
http://www.antoniomiranda.com.br/Brasilsempre/artur_azevedo.html
https://www.literaturabrasileira.ufsc.br/documentos/?action=download&id=37189
https://poesiaspreferidas.wordpress.com/2013/07/06/milagres-artur-de-azevedo/

arthur azevedo – BIBLIOTECA NACIONAL – Hemeroteca Digital …

OUTROS

Jane Elizabeth Conklin, poeta americano e escritor religioso
Yanka Kupala, poeta e escritor bielorrusso
Tadamichi Kuribayashi, general e poeta japonês
Miroslav Krleža, autor croata, poeta e dramaturgo
Margaret Walker, romancista e poeta americana
Anand Mohan Zutshi Gulzar Dehlvi, poeta urdu
Hasan Abidi, jornalista e poeta paquistanês
Gregorio Morales, poeta e romancista espanhol.
Karina Gálvez, poeta equatoriana

«NOITE DE INSÔNIA» por Emílio de Meneses

#umpoetaumpoemapordia #247 (4/7)

POETA: EMÍLIO DE MENESES

Emílio Nunes Correia de Meneses (Curitiba, 4 de julho de 1866 — Rio de Janeiro, 6 de junho de 1918) foi um jornalista e poeta parnasiano brasileiro, imortal da Academia Brasileira de Letras e mestre dos sonetos satíricos. Para Glauco Mattoso, o poeta paranaense é o principal poeta satírico brasileiro após Gregório de Mattos.

POEMA: NOITE DE INSÔNIA

Este leito que é o meu, que é o teu, que é o nosso leito,
Onde este grande amor floriu, sincero e justo,
E unimos, ambos nós, o peito contra o peito.
Ambos cheios de anelo e ambos cheios de susto;

Este leito que aí está revolto assim, desfeito,
Onde humilde beijei teus pés, as mãos, o busto.
Na ausência do teu corpo a que ele estava afeito.
Mudou-se, para mim, num leito de Procusto!…

Louco e só! Desvairado! A noite vai sem termo
E, estendendo, lá fora, as sombras augurais.
Envolve a Natureza e penetra o meu ermo.

E mal julgas talvez, quando, acaso, te vais,
Quanto me punge e corta o coração enfermo,
Este horrível temor de que não voltes mais!…

(Poesias, 1909.)

+ SOBRE

http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/parana/emilio_de_menezes.html
https://pt.wikipedia.org/wiki/Emílio_de_Meneses
http://www.academia.org.br/academicos/emilio-de-meneses/biografia

Não se fazem mais intelectuais com a verve de Emílio de Menezes


http://paxprofundis.org/livros/encm/encm.htm

OUTROS

Usama ibn Munqidh, poeta muçulmano, autor e faris (cavaleiro)
Christian Fürchtegott Gellert, poeta e acadêmico alemão
Ciril Zlobec, poeta esloveno, escritor, tradutor, jornalista e político
Tomaž Šalamun, poeta e acadêmico croata-esloveno
Adolfo Casais Monteiro, poeta, ensaísta e crítico literário português

«DESESPERANÇA» por Júlia da Costa

#umpoetaumpoemapordia #244 (1/7)

POETISA: JÚLIA DA COSTA

Júlia Maria da Costa (Paranaguá, Paraná, 1 de julho de 1844 — São Francisco do Sul, 12 de julho de 1911) foi poetisa e escritora de crônicas-folhetins brasileira.

POEMA: DESESPERANÇA

Que céu formoso, que natura esta!
Tantos fulgores vem turbar minh’ alma!
Meu Deus! se a vida é para uns tão calma
Por que p’ rã mim ela é tão negra e mesta!

Em magos risos despertando a aurora
A flor do prado seu aroma exala!
Eu também vejo-a despertar… que fala
Soltarei d’ alma que o passado chora?

Ávida é negra! Nenhum astro ameno
Derrama luz que lhe afugente a treva!
Quero sorrir-me! mas a dor me leva
Do peito aos lábios um saudoso treno!

Vejo floridos para o seu noivado
Os laranjais, e a natureza inteira…
É tudo festa! na mimosa esteira
Da veiga amena, no florente prado…

Mas a esperança que dourou minh’alma
Da minha vida na estação da infância
Agora à tarde, já não tem fragrância
Que possa dar-me ao dessossego calma!

E a natureza tem eterna festa!
Da f´licidade nela vê-se a palma!
Meu Deus! se a vida é para uns tão calma
Por que p’ra mim ela é tão negra e mesta?!

Dos verdes lustros na dourada aurora
Por entre rosas nos sorri a vida!
Mas de meu sonho é a ilusão perdida!
E geme o peito, enquanto a alma chora!

E a lira ali no laranjal cheiroso
Pendida a um galho se acalenta em prantos!
Ave chorosa dos passados cantos
Nem ouve o eco no vergel formoso!

E a rosa branca do gentil valado
Se às vezes diz-lhe um amoroso voto,
Ela suspira, e no futuro ignoto
Só vê a imagem do cruel passado!

+ SOBRE

https://almaacreana.blogspot.com/2017/05/tres-poemas-de-julia-da-costa.html
http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/parana/julia_da_costa.html
http://clubedepoetashomenagens.blogspot.com/2012/10/julia-da-costa_10.html
https://www.gazetadopovo.com.br/caderno-g/julia-da-costa-em-poemas-9lh9b9sxdwdwyjqcpkfc51npq
https://pt.wikipedia.org/wiki/Júlia_da_Costa

OUTROS

Nguyễn Đình Chiểu , poeta e ativista vietnamita
Jadwiga Łuszczewska , poeta polonês e autor
Florence Earle Coates , poeta americana
Velma Caldwell Melville , editora americana e escritora de prosa e poesia
Dorothea Mackellar , autora e poeta australiana
Cahit Zarifoğlu , poeta e autor turco

«CAMINHOS» por Gilberto Mendonça Teles

#umpoetaumpoemapordia #243 (30/6)

POETA: GILBERTO MENDONÇA TELES

(Bela Vista de Goiás, 30 de junho de 1931) é um poeta e crítico literário brasileiro, conhecido, tanto pela sua produção poética como pelo seus importantes estudos sobre o modernismo e a vanguarda na poesia.

POEMA: CAMINHOS

Se caminhamos juntos,
se juntos dividimos,
quem sabe da renúncia
que nos vai conduzindo?

Quem sabe dos intentos
tão distantes, tão próximos,
que amamos em silêncio
como um segredo nosso?

Quem sabe do caminho,
se tudo é tão noturno
e o sonho é como um sino
além, além do mundo?

“Hora aberta – Poemas reunidos”. [organização, introdução e notas de Eliane Vasconcellos; prefácio Ángel Marcos de Dios]. 4ª ed., aumentada. Petrópolis, RJ: Vozes, 2003.

+ SOBRE

https://pt.wikipedia.org/wiki/Gilberto_Mendonça_Teles

Gilberto Mendonça Teles – poemas


http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/goias/gilberto_mendoca_teles.html
http://www.jornaldepoesia.jor.br/teles.html
https://www.escritas.org/pt/gilberto-mendonca-teles
http://www.algumapoesia.com.br/poesia2/poesianet225.htm

OUTROS

John Gay, poeta e dramaturgo inglês
Thomas Lovell Beddoes , poeta inglês, dramaturgo e médico
Friedrich Theodor Vischer , autor alemão, poeta e dramaturgo
Czesław Miłosz , romancista polonês, ensaísta e poeta, laureado com o Prêmio Nobel
Nagarjun , poeta indiano
Eleanor Ross Taylor , poeta e educador americano
Nathaniel Tarn , poeta americano, ensaísta, antropólogo e tradutor
José Emilio Pacheco , poeta e autor mexicano
Mark Spoelstra , cantor, compositor e guitarrista americano
Daniel de la Vega , poeta chileno, romancista, escritor de contos, cronista, dramaturgo e jornalista
Joaquim Namorado, foi um poeta português.
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«MORRER, DORMIR» por Francisco Otaviano

#umpoetaumpoemapordia #239 (26/6)

POETA: FRANCISCO OTAVIANO

Francisco Otaviano de Almeida Rosa (Rio de Janeiro, 26 de junho de 1825 — Rio de Janeiro, 28 de junho de 1889) foi um advogado, jornalista, diplomata, político e poeta brasileiro.

POEMA: SONETO

Morrer, dormir, não mais: termina a vida
E com ela terminam nossas dores,
Um punhado de terra, algumas flores,
E às vezes uma lágrima fingida!

Sim, minha morte não será sentida,
Não deixo amigos e nem tive amores!
Ou se os tive mostraram-se traidores,
Algozes vis de uma alma consumida.

Tudo é pobre no mundo; que me importa
Que ele amanhã se esb’roe e que desabe,
Se a natureza para mim está morta!

É tempo já que o meu exílio acabe;
Vem, pois, ó morte, ao nada me transporta
Morrer, dormir, talvez sonhar, quem sabe?

+ SOBRE

http://www.jornaldepoesia.jor.br/fo04.html
http://www.antoniomiranda.com.br/Iberoamerica/brasil/francisco_otaviano.html
http://www.blocosonline.com.br/literatura/poesia/pndp/pndp010739.htm
https://pt.wikipedia.org/wiki/Francisco_Otaviano

OUTROS

Wolfgang Menzel, poeta e crítico alemão
Branwell Brontë, pintor e poeta inglês
Ya’akov Cohen, lingüista, poeta e dramaturgo israelense
Aimé Césaire, poeta francês, autor e político
Laurie Lee, escritor e poeta inglês
Charlotte Zolotow, autora e poeta americana
Mahendra Bhatnagar, poeta indiano
Robert Kroetsch, autor e poeta canadense
Nancy Willard, autora e poeta americana

«A LINHA IMAGINÁRIA» por Ruy Barata

#umpoetaumpoemapordia #238 (25/6)

POETA: RUY BARATA

Ruy Guilherme Paranatinga Barata (Santarém, Pará, 25 de junho de 1920 — São Paulo, SP, 23 de abril de 1990) foi um poeta, político, advogado, professor e compositor brasileiro.

POEMA: A LINHA IMAGINÁRIA

Vida suplementar,
tão próxima de ti,
tão evidente,
nas dobras deste enigma sereno.

Um pensamento só, voltar à infância,
um desejo qualquer, basta a esperança,
e refloresces em dádivas e gestos.

Este braço de mar é teu, – podes guardá-lo,
esta paz,
este azul,
este piano,
esta nesga de céu que o vento espalha.

Tudo tão próximo de ti,
tão ligado ao teu cotidiano,
ao teu suor diurno,
às tuas vigílias,
às tuas palavras que emprestas
uma outra significação.

Só agora percebes
a tua absurda neutralidade
diante deste fim de tarde,
deste sino que é a tua primeira
e única
memória musical,
desta noite,
caindo leve
sobre a tua cidade.

Só agora buscas o espelho
que procuravas evitar,
só agora tentas restabelecer
todos os elos que ainda justificam tua mísera existência, reconstituir todos os fatos,
– mesmo os não evidentes –
o Fiat,
a Paixão,
os elementos,
o riso do amigo mais amado.

Só agora te permites a inutilidade
deste gesto fraterno;
só agora ousas confessar
a saudade
que há tanto tempo agasalhaste na sombra,
– de ti mesmo,
– dos teus brinquedos favoritos,
– da mansa voz
do teu primeiro amor.

Só agora te serves desta aurora,
tão próxima de ti,
tão evidente,
nas dobras deste enigma sereno.

+ SOBRE

http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/para/ruy_barata.html
https://acervodagraphia.wordpress.com/category/ruy-barata/
https://pt.wikipedia.org/wiki/Rui_Barata
http://www.casadobruxo.com.br/poesia/r/ruy02.htm

OUTROS

Géza Gyóni, soldado e poeta húngaro
Kay Sage, pintor e poeta americano
Ingeborg Bachmann, autor e poeta austríaco
Taufiq Ismail, poeta e ativista indonésio
Frigyes Karinthy, poeta, escritor e dramaturgo húngaro

«POEMA TERCIÁRIO» por Domingos Carvalho da Silva

#umpoetaumpoemapordia #234 (21/6)

POETA: DOMINGOS CARVALHO DA SILVA

(Leiroz, Portugal, 21 de Junho de 1915 – São Paulo, Brasil, 26 de Abril de 2003) é um escritor brasileiro. Domingos nasceu em Portugal, na aldeia de Leiroz, mas radicou-se no Brasil desde 1924, instalando-se em São Paulo, passando a ser considerado paulista. Fez parte da Geração de 45.

POEMA: POEMA TERCIÁRIO

a João Cabral de Melo Neto

Cavalos já foram pombos
de asas de nuvem. Um rio
banhava o rosto da aurora.
Cavalos já foram pombos
na madrugada do outrora.
Onde há florestas havia
golfos oblongos por onde
tranqüilos peixes corriam.
Uma lua alvissareira
passava a noite. E deixava
reticências de cometa
vagalumeando na relva
das margens, até à aurora
da Idade de Ouro do outrora,
quando cavalos alados
tinham estrelas nas crinas
alvas como asas de pombo.
O Verbo não existia.
Deus era incriado ainda.
Só as esponjas dormitavam
trespassadas por espadas
de água metálica, impoluta.
E as gaivotas planejavam
etapas estratosféricas
próximo as praias ibéricas.
E as montanhas desabavam
em estertores terciários,
em agonias de estrondo,
nas manhãs de sol atlântico,
quando cortavam as nuvens
– alvos garbosos eqüinos –
esquadrões marciais de pombos.
Teu cabelo era ainda musgo.
Teus olhos o corpo frio
de uma ostra semiviva.
E tua alma sempre-viva
Sobrenadava o oceano
qual uma estrela perdida.
Teu coração era concha
fechada e sem pulsação.
E teu gesto – que é teu riso –
era urn mineral estático
ainda não escavado
pelo mar duro e fleumático.
Cavalos já foram pombos.
E a prata que anda na garra
dos felinos, reluzia
em vibrações uterinas
no ventre da terra fria,
quando o dia era só aurora
e Deus sequer existia,
na madrugada do outrora.

CARVALHO DA SILVA, Domingos. “Poema terciário”. In: BANDEIRA, Manuel (org). “Antologia”. In: Apresentação da poesia brasileira. São Paulo: Cosacnaify, 2009.

+ SOBRE

https://pt.wikipedia.org/wiki/Domingos_Carvalho_da_Silva
http://www.antoniomiranda.com.br/Iberoamerica/brasil/domingos_c_silva.html
http://renemendes.com.br/arte-do-trabalho/o-poeta-domingos-carvalho-da-silva/
http://www.jornaldepoesia.jor.br/dcs01.html
https://www.escritas.org/pt/t/12816/soneto-ocasional
http://antoniocicero.blogspot.com/2009/08/domingos-carvalho-e-silva-poema.html
http://wwwideiasubalterna.blogspot.com/2012/03/domingos-carvalho-da-silva-1915-2004.html

RESENHA – DOMINGOS CARVALHO DA SILVA: Uma Teoria do Poema – Revista Iberoamericana

OUTROS

William Edmondstoune Aytoun, poeta britânico
Francisco García Lorca, poeta, professor, diplomata, escritor
Adam Zagajewski , poeta polonês, romancista e ensaísta
Anne Carson, poeta canadense

«TANTO MAR» por Chico Buarque

#umpoetaumpoemapordia #232 (19/6)

POETA: CHICO BUARQUE

Francisco Buarque de Hollanda, mais conhecido por Chico Buarque (Rio de Janeiro, 19 de junho de 1944), é um músico, dramaturgo, escritor e ator brasileiro. É conhecido por ser um dos maiores nomes da música popular brasileira (MPB). Sua discografia conta com aproximadamente oitenta discos, entre eles discos-solo, em parceria com outros músicos e compactos

POEMA: TANTO MAR

Sei que estás em festa, pá
Fico contente
E enquanto estou ausente
Guarda um cravo pra mim

Eu queria estar na festa, pá
Com a tua gente
E colher pessoalmente
Uma flor do teu jardim

Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei também que é preciso, pá
Navegar, navegar

Lá faz primavera, pá
Cá estou doente
Manda urgentemente
Algum cheirinho de alecrim

Letra e música: Chico Buarque
In: 1975 (primeira versão)

«Nota: Letra original, vetada pela censura; apenas a versão instrumental foi gravada no Brasil. Gravação com letra editada apenas em Portugal, em 1975. Ver tambem “Tanto Mar” versao II» Disponível em: http://natura.di.uminho.pt/~jj/musica/html/buarque-tantoMar2.html

+ SOBRE

http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/rio_de_janeiro/chico%20buarque.html
https://www.portaldaliteratura.com/poemas.php?poeta=801
http://www.jornaldepoesia.jor.br/cbuarque.html
http://natura.di.uminho.pt/~jj/musica/indice_autores.html#Chico%20Buarque

A Poesia Urbana de Chico Buarque, por Vivian C. Alves de Carvalho

poesia e música em chico buarque de holanda – por Irlys Alencar Firmo Barreira

Poesia e música em Chico Buarque – por Luciano Marcos Dias Cavalcanti

OUTROS

José Rizal, poeta e herói nacional filipino
Richard Monckton Milnes, político, poeta e patrono literário britânico
Sam Walter Foss, poeta americano

«EM FORMA DE AMOR» por Dante Milano

#umpoetaumpoemapordia #229 (16/6)

POETA: DANTE MILANO

(Rio de Janeiro, 16 de junho de 1899 — Petrópolis, 15 de abril de 1991) foi um poeta brasileiro. Dante Milano é um dos poetas representativos da terceira geração do Modernismo

POEMA: EM FORMA DE AMOR

Por que me apertas com tanta força?
Por que não tiras os olhos dos meus?

Teu abraço me esmaga,
Teu beijo me sufoca,
Teus dedos se cravam nos meus cabelos,
Tua voz rouca parece exprimir num rugido o que as palavras
[ não podem significar…

Por que me agarras?

Assim dois inimigos se abraçam para lutar.

In: Obra Reunida. Organização e estabelecimento do texto, Sérgio Martagão Gesteira. Academia Brasileira de Letras, Rio de Janeiro, 2004

+ SOBRE

https://pt.wikipedia.org/wiki/Dante_Milano
http://www.algumapoesia.com.br/poesia2/poesianet241.htm
http://www.jornaldepoesia.jor.br/dante.html
http://veredasdalingua.blogspot.com/2013/07/dante-milano-poemas.html
http://www.antoniomiranda.com.br/Brasilsempre/dante_milano.html
http://jeffersonbessa2.blogspot.com/2009/08/corpo-um-poema-de-dante-milano.html

“Poesias”, de Dante Milano – UFJF

A EXPERIÊNCIA DA POESIA DO AMOR EM DANTE MILANO

dante-milano-poemas-traduzidos-baudelaire-e-mallarme-D_NQ_NP_756731-MLB26488158230_122017-F

OUTROS

Salawat Yulayev , poeta russo
Torgny Lindgren , autor e poeta sueco
Māris Čaklais , poeta, escritor e jornalista da Letônia
Younus AlGohar , poeta e acadêmico paquistanês
Giovanni Boccaccio, escritor e poeta italiano
Bessie Rayner Parkes, poetisa, ensaísta e jornalista britânica
Ariano Suassuna, dramaturgo, romancista e poeta brasileiro

«AMOR PLEONÁSTICO» por Guto Graça

#umpoetaumpoemapordia #227 (14/6)

POETA: GUTO GRAÇA

(Rio de Janeiro, 14 de junho de 1970) é um poeta, radialista, jornalista, publicitário e militante dos Direitos Humanos e Cidadania. É formado em Direito e Marketing, Também é autor de roteiros, livros de poesia e de trilhas sonoras para cinema.

POEMA: AMOR PLEONÁSTICO

Já te falei que gosto de
beijos beijados
que escorrem escorridos
como o visco viscoso
do suor suado
deste amor amado.

Inconstantemente,
Eu te amo pleonasticamente.

+ SOBRE

https://pt.wikipedia.org/wiki/Guto_Graça
https://www.gutograca.net/poesia.htm
http://www.gutograca.net/pc30.htm

OUTROS

Manuel José Othón , poeta e escritor mexicano
René Char , poeta francês
WWE Ross , geofísico canadense e poeta
Gilbert Prouteau , poeta e diretor francês