Caderno de apontamentos [Manoel de Barros]

Caderno de apontamentos — XXVI [de CONCERTO A CÉU ABERTO PARA SOLOS DE AVE, 1991]

Depois que atravessarem o muro e a tarde os caracóis cessarão.
Às vezes cessam ao meio.
Cessam de repente, porque lhes acaba por dentro a gosma com que sagram os seus caminhos.
Vêm os meninos e os arrancam da parede ocos.
E com formigas por dentro passeando em seus restos de carne.
Essas formigas são indóceis de ocos.
Ah, como serão ardentes nos caracóis os desejos de voar!

P.S.: Caracol é uma solidão que anda na parede.

3ba54a49b5c66aeff477a45a60217ea5cd1c7243

 

Caderno de Poesias – Maria Bethânia

Caderno de Poesias – Maria Bethânia

maxresdefault

DISTRIBUIÇÃO DA POESIA
Mel silvestre tirei das plantas,
sal tirei das águas, luz tirei do céu.
Escutai, meus irmãos: poesia tirei de tudo
para oferecer ao Senhor.
Não tirei ouro da terra
nem sangue de meus irmãos.
Estalajadeiros não me incomodeis.
Bufarinheiros e banqueiros
sei fabricar distâncias
para vos recuar.
A vida está malograda,
creio nas mágicas de Deus.
Os galos não cantam,
a manhã não raiou.
Vi os navios irem e voltarem.
Vi os infelizes irem e voltarem.
Vi homens obezos dentro do fogo.
Vi ziguezagues na escuridão.
Capitão-mor, onde é o Congo?
Onde é a Ilha de São Brandão?
Capitão-mor que noite escura!
Uivam molossos na escuridão.
Ó indesejáveis, qual o país,
qual o país que desejais?
Mel silvestre tirei das plantas,
sal tirei das águas, luz tirei do céu.
Só tenho poesia para vos dar.
Abancai-vos, meus irmãos.

Jorge de Lima

 

Ranhuras da montanha

(…) Ranhuras da montanha
Descem até o vale
Lágrimas vão de mim
Por quem? (…) 

Caetano Veloso – Por Quem?

quantas vezes não fui?
preso neste corpo vão.
sem asas
nem imensidão

acordei errado
e como que perdido insisti
ainda insisto
em dar voltas sobre meu corpo imóvel

móvel
sem saber
quanto erros um homem
é capaz de ter?

sem parar
quantas voltas um homem
é capaz de dar?
e por quanto tempo
um animal pode errar?

acordei errado
e como que perdido insisti
enrodilhado nas palavras vagas
não irei
as questões
as respostas
não posso
melhoras

não sei
fujo
finjo
quis regressar
ir
dormir sem fim
lágrimas vão de mim

espero dar dez
espero mais dez
fotografei a praia deserta
o sal de minhas lágrimas
o lixo, os grãos de areia, as aves marinhas e o azul…

antes de regressar às ranhuras na montanha
aos vãos
às entranhas

para o minério dentro de mim.
P_20190503_095000-ANIMATION

the last night of earth poems

Bluebird
there’s a bluebird in my heart that
wants to get out
but I’m too tough for him,
I say, stay in there, I’m not going
to let anybody see
you.

there’s a bluebird in my heart that
wants to get out
but I pour whiskey on him and inhale
cigarette smoke
and the whores and the bartenders
and the grocery clerks
never know that
he’s
in there.

there’s a bluebird in my heart that
wants to get out
but I’m too tough for him,

I say,
stay down, do you want to mess
me up?
you want to screw up the
works?
you want to blow my book sales in
Europe?

there’s a bluebird in my heart that
wants to get out
but I’m too clever, I only let him out
at night sometimes
when everybody’s asleep.
I say, I know that you’re there,
so don’t be
sad.

then I put him back,
but he’s singing a little
in there, I haven’t quite let him
die

and we sleep together like
that
with our
secret pact

and it’s nice enough to
make a man
weep, but I don’t
weep, do
you?
– Charles Bukowski, in “The Last Night of the Earth Poems”. Santa Rosa CA: Black Sparrow, 1992.

tradução:

O pássaro azul
há um pássaro azul em meu peito que
quer sair
mas sou duro demais com ele,
eu digo, fique aí, não deixarei
que ninguém o veja.

há um pássaro azul em meu peito que
quer sair
mas eu despejo uísque sobre ele e inalo
fumaça de cigarro
e as putas e os atendentes dos bares
e das mercearias
nunca saberão que
ele está
lá dentro.

há um pássaro azul em meu peito que
quer sair
mas sou duro demais com ele,
eu digo,
fique aí, quer acabar
comigo?
quer foder com minha
escrita?
quer arruinar a venda dos meus livros na
Europa?

há um pássaro azul em meu peito que
quer sair
mas sou bastante esperto, deixo que ele saia
somente em algumas noites
quando todos estão dormindo.
eu digo, sei que você está aí,
então não fique
triste.

depois o coloco de volta em seu lugar,
mas ele ainda canta um pouquinho
lá dentro, não deixo que morra
completamente
e nós dormimos juntos
assim
com nosso pacto secreto
e isto é bom o suficiente para
fazer um homem
chorar, mas eu não
choro, e
você?
– Charles Bukowski, em “Textos autobiográficos, de Charles Bukowski” [tradução de Pedro Gonzaga; edição de John Martin]. Porto Alegre: L&PM Editores, 2009.

overlay

Bluebird (2010) by Charles Bukowski. Produced/Directed/Designed by: Jennifer Griffiths And Cameron McKague

e

hqdefault

Bluebird (2009) animation based on Charles Bukowski’s poem, por Monica Umba


via revista prosa verso e arte

buk_lastpoems

 

Há tantos diálogos

Há tantos diálogos

Diálogo com o ser amado
………………….. o semelhante
………………….. o diferente
………………….. o indiferente
………………….. o oposto
………………….. o adversário
………………….. o surdo-mudo
………………….. o possesso
………………….. o irracional
………………….. o vegetal
………………….. o mineral
………………….. o inominado

Diálogo consigo mesmo
………………….. com a noite
………………….. os astros
………………….. os mortos
………………….. as idéias
………………….. o sonho
………………….. o passado
………………….. o mais que futuro

Escolhe teu diálogo
………………….. e
tua melhor palavra
………………….. ou
teu melhor silêncio
Mesmo no silêncio e com o silêncio
dialogamos.

Carlos Drummond de Andrade
In Discurso de Primavera & Algumas Sombras
José Olympio, 1977

Sem título

soneto do amor total (antologia)

4º Dia

A convite de Pati , durante 10 dias vou publicar 10 livros que marcaram minha trajetória como leitor. Sem comentários e explicações, apenas a capa. E, cada dia, desafiarei uma pessoa a continuar a roda.

Aceita, Juliana?

3 Samanta


ps: não é para comentar, mas não posso deixar passar que é na contracapa que tem essa boniteza de soneto… acho que foi assim que ele me fisgou lá pelas bandas de 1999. #sonetodoamortotal

33838318_658264247899018_7698590464168951808_n

exercícios noturnos

porque eu não escrevo um poema há uns bons dias…

exercícios noturnos – poemas de vagner boni (2018, novembro 21, quarta-feira titri/trindade – florianópolis).

I – a esmo

caminhei a esmo
para não ficar
andando em círculos,
no mesmo pensamento.

II – anatomia da lágrima contida

sob a pálpebra
o filme lacrimal tem três camadas
mas há um embargo,
um amontoado de palavras não ditas,
verbo-pranto,
vazão represada
lágrima contida.

III – poe.a.mar-se

jogar palavras no papel
distrai a dor
que sufoca o peito.

não desata o nó,
o permanente impasse
deste corpo-linguagem,

mas desfaz o laço
ao poe.a.mar-se

IV – led

semáforos
faróis
lâmpadas
todos os tons
de amarelo, branco
verde, vermelho

e a espera da noite
sinaliza o caminho
pisca, da seta,
freia, adverte,
siga, mas não siga em vão…
venha, vá, não pare não…

brilha nessa escuridão.

_______________________________________________________________________

1216x847x2

rodapé: a foto em destaque é da série «traffic lights» do fotógráfo alemão Lucas Zimmermann

«HÁ NO RIO UM» por José Godoy Garcia

#umpoetaumpoemapordia #216 (3/6)

POETA: JOSÉ GODOY GARCIA

José Godoy Garcia (Jataí, Goias, Brasil, 3 de junho de 1918 – Brasília, 20 de junho de 2001), foi um advogado, escritor e poeta brasileiro.

POEMA: HÁ NO RIO UM

Há no rio um
certo ar de indiferença
ao passar do menino. Deixava livre
o medo, o terror, o assombro no largo
espraiado e bravio ou no vertiginoso
cachoar flamejante dos estreitos.
O menino queria dissimular-se
como segurando num ponto de apoio,
não bem olhava a correnteza, já o velho,
muito moroso, se deixava ficar atrás,
amigo do rio.
Ainda longe, o menino caminhava cansado
e com o rio em si, sentindo-o qual
uma lenda que não sairia de sua mente,
no passar da vida e no passar
dos rios do mundo.
– José Godoy Garcia, no livro “O flautista e o mundo sol verde e vermelho”. Brasília: Thesaurus, 1994.

TRADUÇÃO DE:

+ SOBRE

https://pt.wikipedia.org/wiki/José_Godoy_Garcia
http://www.elfikurten.com.br/2016/06/jose-godoy-garcia.html
http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/goias/jose_godoy_garcia.html
http://www.jornaldepoesia.jor.br/jgodoy.html
http://clubedepoetashomenagens.blogspot.com/2014/10/jose-godoy-garcia.html

josé godoy garcia e a poesia modernista em goiás – UFG

OUTROS

Allen Ginsberg, poeta americano
João Luís Barreto Guimarães, poeta português

«BEAUTY» por John Masefield

#umpoetaumpoemapordia #214 (1/6)

POETA: JOHN MASEFIELD

(Ledbury, Herefordshire, Reino Unido, em 1 de junho de 1878 – Abingdon-on-Thames, 12 de maio de 1967) foi um poeta inglês.

POEMA: BEAUTY

I have seen dawn and sunset on moors and windy hills
Coming is solemn beauty like slow old tunes of Spain:
I have seen the lady April bringing the daffodils,
Bringing the springing grass and the soft warm April rain.
I have heard the song of the blossoms and the old chant of the sea,
And seen strange lands from under the arched white sails of ships;
But the loveliest things of beauty God ever has showed to me,
Are her voice, and her hair, and eyes, and the dear red curve of her lips.

TRADUÇÃO DE: CUNHA E SILVA FILHO

A beleza

Vi o amanhecer e o pôr-do-sol nos charcos e nas colinas tempestuosas
Manifestando-se em solene beleza semelhante às velhas e lentas canções espanholas:
Vi a dama de abril surgindo com os narcisos em flor,
Com o germinar da relva e o suave calor das chuvas de abril.
Ouvi a canção das flores do velho canto do mar.
Vi ,ainda, estranhas terras sob as arqueadas e brancas velas das embarcações;
Contudo, as coisas mais fascinantes da beleza que, até hoje, Deus ver me permitiu
São a voz dela, o cabelo, os olhos e, da sua boca, a delicada curva vermelha.
(Trad. de Cunha e Silva Filho)

+ SOBRE

https://pt.wikipedia.org/wiki/John_Masefield
http://marocidental.blogspot.com/2017/10/febre-de-mar-poema-de-john-masefield.html
http://portalentretextos.com.br/materia/um-poema-de-john-masefield-1878-1967,6700
https://www.poetryfoundation.org/poems/54932/sea-fever-56d235e0d871e

OUTROS

Felipe Boso, poeta espanhol
Dilia Díaz Cisneros , educadora e poeta venezuelana
María Rivera , poeta e promotora cultural mexicana
Juhan Viiding , poeta e ator estoniano
Matthew Hittinger , poeta e autor americano

«TO A STRANGER» por Walt Whitman

#umpoetaumpoemapordia #213 (31/5)

POETA: WALT WHITMAN

Walt Whitman (Huntington, Nova Iorque, EUA, em 31 de maio de 1819 – Camden, 26 de março de 1892) foi um poeta, ensaísta e jornalista norte-americano, considerado por muitos como o “pai do verso livre”. Paulo Leminski o considerava o grande poeta da Revolução americana, como Maiakovsky seria o grande poeta da Revolução russa. Sua obra  Folhas de Relva é considerada um marco na literatura universal, principalmente dentro do gênero poético.

POEMA: TO A STRANGER

Passing stranger! you do not know how longingly I look upon you,
You must be he I was seeking, or she I was seeking, (it comes to me, as of a dream,)
I have somewhere surely lived a life of joy with you,
All is recall’d as we flit by each other, fluid, affectionate, chaste, matured,
You grew up with me, were a boy with me, or a girl with me,
I ate with you, and slept with you—your body has become not yours only, nor left my body mine only,
You give me the pleasure of your eyes, face, flesh, as we pass—you take of my beard, breast, hands, in return,
I am not to speak to you—I am to think of you when I sit alone, or wake at night alone,
I am to wait—I do not doubt I am to meet you again,
I am to see to it that I do not lose you.

TRADUÇÃO DE: ADRIANO SCANDOLARA

A um Estranho

Estranho que passa! você não sabe com quanta saudade eu lhe olho,
Você deve ser aquele a quem procuro, ou aquela a quem procuro, (isso me vem, como em um sonho,)
Vivi com certeza uma vida alegre com você em algum lugar,
Tudo é relembrado neste relance, fluído, afeiçoado, casto, maduro,
Você cresceu comigo, foi um menino comigo, ou uma menina comigo,
Eu comi com você e dormi com você – seu corpo se tornou não apenas seu, nem deixou o meu corpo somente meu,
Você me deu o prazer de seus olhos, rosto, carne, enquanto passamos – você tomou de minha barba, peito, mãos, em retorno,
Eu não devo falar com você – devo pensar em você quando sentar-me sozinho, ou acordar sozinho à noite,
Eu devo esperar – não duvido que lhe reencontrarei,
Eu devo garantir que não irei lhe perder.

+ SOBRE

https://pt.wikipedia.org/wiki/Walt_Whitman
http://notaterapia.com.br/2016/05/31/12-poemas-essenciais-para-conhecer-walt-whitman/
https://escamandro.wordpress.com/2012/02/02/alguns-poemas-breves-de-walt-whitman/

Walt Whitman – Canção de Mim Mesmo (trecho, traduzido)

Walt Whitman – poemas

“Vivas àqueles que sempre levaram a pior” – Fragmentos de Walt Whitman


http://www.algumapoesia.com.br/poesia2/poesianet183.htm
http://euliricoeu.blogspot.com/2009/06/tres-poemas-de-walt-whitman.html

OUTROS

Ludwig Tieck, poeta e escritor alemão
Walt Whitman, poeta norte-americano

«MEMÓRIA» por Maria Teresa Horta

#umpoetaumpoemapordia #202 (20/5)

POETISA: MARIA TERESA HORTA

Maria Teresa de Mascarenhas Horta Barros (Lisboa, 20 de maio de 1937) é uma escritora, jornalista e poetisa portuguesa.

POEMA: MEMÓRIA

Retenho com os meus
dentes
a tua boca entreaberta

e as palmas das mãos
dormentes
resvalam brandas e certas

As tuas mãos no meu peito
e ao longo
das minhas pernas

+ SOBRE

https://www.portaldaliteratura.com/autores.php?autor=756
https://pt.wikipedia.org/wiki/Maria_Teresa_Horta
https://www.portaldaliteratura.com/poemas.php?poeta=756
https://www.escritas.org/pt/maria-teresa-horta
http://www.antoniomiranda.com.br/Iberoamerica/portugal/maria_teresa_horta.html

OUTROS

Lydia Cabrera, antropóloga e poetisa cubana
Maria Teresa Horta, escritora e poetisa portuguesa

«PUNK» por Celso Borges

#umpoetaumpoemapordia #200 (18/5)

POETA: CELSO BORGES

Antonio Celso Borges Araújo (São Luís, 18 de maio de 1959) . Radicado em São Paulo, é um poeta, letrista e jornalista brasileiro. Já publicou cinco livros de poesias: No Instante da Cidade (1983), Pelo Avesso (1985), Persona Non Grata (1990) e Nenhuma das Respostas Anteriores(1996)

POEMA: PUNK

a pomba da paz não quer mais migalhas

    todos os atos são a partir de agora

       instrumentos de força e vício

            there is no future

                 declaro findo os elementos de cortesia

                    nenhuma concessão de praça ou perdão

                        na palma da mão napalm

                           eis a urgência da estética de guerra

 

+ SOBRE

https://pt.wikipedia.org/wiki/Celso_Borges_(poeta)
http://www.jornaldepoesia.jor.br/cborges.html
http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/maranhao/celso_borges.html
http://www.ofuturotemocoracaoantigo.com.br/lancamento.html
http://revistamododeusar.blogspot.com.br/2014/01/celso-borges.html
http://rogeriohenriquerocha.blogspot.com.br/2011/08/poemas-de-celso-borges.html
http://oimparcialblog.com.br/zemaribeiro/2012/04/a-poesia-cortante-de-celso-borges/
Ver no Medium.com
https://www.portalaz.com.br/blog/dom-severino/391668/a-poesia-segundo-celso-borges
https://opoemadopoeta.wordpress.com/2017/05/25/celso-borges/
.

O Futuro tem o Coração Antigo – Poemas de Celso Borges

Vídeo produzido pelo cineasta Beto Matuck e Celso Borges para o lançamento do livro ‘O Futuro tem o Coração Antigo’.

OUTROS

Omar Caiam

«SONETO DO DESMANTELO AZUL» por Carlos Pena Filho

umpoetaumpoemapordia #199 (17/5)

POETA: CARLOS PENA FILHO

Carlos Pena Filho (Recife, 17 de maio de 1929 — Recife, 10 de junho de 1960) foi um advogado, jornalista e poeta brasileiro, considerado um dos mais importantes poetas pernambucanos da segunda metade do século XX depois de João Cabral de Melo Neto.

POEMA: SONETO DO DESMANTELO AZUL

Então, pintei de azul os meus sapatos
por não poder de azul pintar as ruas,
depois, vesti meus gestos insensatos
e colori as minhas mãos e as tuas,

Para extinguir em nós o azul ausente
e aprisionar no azul as coisas gratas,
enfim, nós derramamos simplesmente
azul sobre os vestidos e as gravatas.

E afogados em nós, nem nos lembramos
que no excesso que havia em nosso espaço
pudesse haver de azul também cansaço.

E perdidos de azul nos contemplamos
e vimos que entre nós nascia um sul
vertiginosamente azul. Azul.

 

 

+ SOBRE

http://revistamododeusar.blogspot.com.br/2017/04/carlos-pena-filho-1929-1960.html
http://www.algumapoesia.com.br/poesia3/poesianet328.htm
http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/pernambuco/carlos_pena_filho.html
https://pt.wikipedia.org/wiki/Carlos_Pena_Filho
http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/index.php?option=com_content&view=article&id=537
http://www.jornaldepoesia.jor.br/cpena.html
Pena, documentário sobre Carlos Pena Filho

Em gravação de 1962, a cantora Maysa (1936-1977) interpreta “A Mesma Rosa Amarela“, do compositor Capiba, com letra de Carlos Pena Filho

OUTROS

José Emílio-Nelson (Espinho17 de maio de 1948) é um poetacrítico e editor português

«TONIGHT NO POETRY WILL SERVE» por Adrienne Rich

#umpoetaumpoemapordia #198 (16/5)

POETISA: ADRIENNE RICH

Adrienne Rich (Baltimore, 16 de Maio de 1929 – 27 de Março de 2012) foi uma feminista radical, poetisa, professora e escritora dos Estados Unidos.

POEMA – TONIGHT NO POETRY WILL SERVE

Tonight No Poetry Will Serve
May 26, 2008

Saw you walking barefoot
taking a long look
at the new moon’s eyelid

later spread
sleep-fallen, naked in your dark hair
asleep but not oblivious
of the unslept unsleeping
elsewhere

Tonight I think
no poetry
will serve

Syntax of rendition:

verb pilots the plane
adverb modifies action

verb force-feeds noun
submerges the subject
noun is choking
verb disgraced goes on doing

there are adjectives up for sale

now diagram the sentence

TRADUÇÃO DE: ANDRÉ CARAMURU AUBERT

Esta noite nenhuma poesia servirá

Te vi andando descalça
dando uma longa olhada
para as pálpebras da lua nova

depois esparramada
dormindo pesado, nua em seus cabelos negros
dormindo mas não ignorante
dos que não dormiram não dormem
por aí

Hoje eu penso
nenhuma poesia
servirá

Sintaxe da rendição:

verbo pilota o avião
advérbio modifica a ação

verbo alimenta o substantivo à força
submerge o sujeito
substantivo sufocando
verbo desgraçado segue fazendo

agora diagrame a frase

 

MAIS SOBRE:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Adrienne_Rich
https://www.thenation.com/article/five-poems-adrienne-rich/
http://rascunho.com.br/adrienne-rich/

http://revistamododeusar.blogspot.com.br/2012/04/adrienne-rich-1929-2012.html

https://pontesoutras.wordpress.com/2018/02/16/um-ensaio-de-adrienne-rich-sobre-anne-sexton-traduzido-por-beatriz-regina-guimaraes-barboza/

«EL INSOMNIO DEL RIO» por José Santos Chocano

#umpoetaumpoemapordia #196 (14/5)

POETA: JOSÉ SANTOS CHOCANO

José Santos Chocano Gastañodi (Lima, 14 de maio de 1875 – Santiago do Chile, 13 de julho de 1934) foi um poeta peruano, conhecido também pelo pseudônimo de “El Cantor de América” (O Cantor da América). Em sua poesia descreve e representa seu país, onde é mais conhecido – bem como também no meio literário – apenas por Chocano.

POEMA – EL INSOMNIO DEL RIO

Um relâmpago escapa por el bosque sombrio:
tal es cómo, en la noche, urde su escalofrío
chispeante, entre un gesto de peñascos, el río…
Negro río debátese en la brusca quebrada,
con un fragor de sombras y centellas, que, a cada
paso, revienta en torno de una roca afilada.
Partido en dos, el bosque sufre la pesadilla
de una enlutada y fiera legión que lo acuchilla,
entre un afán de aceros como un teblor que brilla…
El rumor del follaje se acobarda y reposa;
y el lamento del río suena bajo la losa
sepulcral de una extática emoción religiosa.
Hay algo en que los ojos se van a las lejanas
estrellas, que platican, como buenas hermanas,
tal vez de la tristezaa de las vidas humanas…
Hay algo que obsesiona y atormenta y oprime,
y que después suspende y estimula y remime:
es un fervor que estalla bajo un terror sublime…
Fluyen del río, a veces, descompuestas visiones:
larvars, medusas, hidrias, presas de convulsiones:
cóleras y agonías y desesperaciones…
Súbito, estremecida, por detrás de la masa
trunca del bosque, emerge, de una explosion de gasa,
la Luna, sobre el carro de una nube que pasa..
Y a la luz de la LUna, traza un puente su escueto
perfil (bajo el que el río sofoca sus alertas)
cual si fuese la enorme visión del esqueleto
de un vampiro clavado con las alas abiertas…

jose_santos_chocano6.jpg
Ilustraciones de Luis Meléndez y Quelén.

TRADUÇÃO: ANTÔNIO MIRANDA

          A INSÔNIA DO RIO
Um relâmpago escapa pelo bosque sombrio:
assim é como, na noite, urde seu calafrio
faiscante, entre um gesto de penhascos, o rio…
Negro rio debate-se em brusca quebrada,
com um fragor de sombras e centelhas que, a cada
passo, rebenta arredor de uma rocha afilada.
Partido em dois, o bosque sofre o pesadelo
de uma enlutada e furiosa legião que o apunhala,
num afã de aços como um tremor que brilha…
O rumor da folhagem se acovarda e repousa;
e o lamento do rio soa sob a lousa
sepulcral de uma estática emoção religiosa.
Algo há em que os olhos vão como imãs
às estrelas, que murmuram, como boas irmãs,
talvez da tristeza das vidas cidadãs…
Algo há que obsessiona e atormenta e oprime,
e que depois suspende e estimula e redime:
é um fervor que estala sob um terror sublime…
Fluem pelo rio, às vezes, descompostas visões:
larvas, medusas, hidras, presas de convulsões:
cóleras e agonias, e alucinações…
Subitamente, estremecida, detrás da massa
truncado bosque, emerge, de uma explosão, grassa,
a Lua, sobre o carro de uma nuvem que passa…
E em pleno luar, traça uma ponte ou amuleto
perfil (sob o qual o rio sufoca suas alertas)
como se fosse a enorme visão do esqueleto
de um vampiro cravado com as asas abertas…
MAIS SOBRE:

«THE OWL AND THE PUSSY-CAT» por Edward Lear

#umpoetaumpoemapordia #194 (12/5)

POETA: EDWARD LEAR

Edward Lear (Highgate, Londres, 12 de Maio de 1812 — San Remo, 29 de Janeiro de 1888) foi um pintor e escritor inglês. Em 1846 deu lições de desenho à Rainha Vitória e escreveu seu primeiro Book of Nonsense, iniciando sua carreira literária na qual viria a se distinguir por desenvolver uma forma original de poemas de humor e absurdo e também por divulgar o limerick (poema de cinco versos com uma rima no primeiro, segundo e quinto e outra no terceiro e no quarto).

POEMA – THE OWL AND THE PUSSY-CAT

(I)
The Owl and the Pussy-cat went to sea
In a beautiful pea green boat,
They took some honey, and plenty of money,
Wrapped up in a five pound note.
The Owl looked up to the stars above,
And sang to a small guitar,
“O lovely Pussy! O Pussy my love,
What a beautiful Pussy you are,
You are,
You are!
What a beautiful Pussy you are!”
(II)
Pussy said to the Owl, “You elegant fowl!
How charmingly sweet you sing!
O let us be married! too long we have tarried:
But what shall we do for a ring?”
They sailed away, for a year and a day,
To the land where the Bong-tree grows
And there in a wood a Piggy-wig stood
With a ring at the end of his nose,
His nose,
His nose,
With a ring at the end of his nose.
(III)
“Dear pig, are you willing to sell for one shilling
Your ring?” Said the Piggy, “I will”.
So they took it away, and were married next day
By the Turkey who lives on the hill.
They dined on mince, and slices of quince,
Which they ate with a runcible spoon;
And hand in hand, on the edge of the sand,
They danced by the light of the moon,
The moon,
The moon,
They danced by the light of the moon.
TRADUÇÃO DE Augusto de Campos
O Mocho e a Gatinha foram pro mar
Num lindo bote verde-ervilha,
Eles tinham mel e grana a granel
E uma nota de um milha.
O Mocho olhou para o céu
E cantou na viola de lata
“Que linda gata! Que linda gata,
Que linda gata Deus me deu,
Me deu,
Me deu,
Que linda gata Deus me deu!”
E de braço dado, na praia do lado,
Saíram a dançar sob a luz do luar,
Luar,
Luar,
Saíram a dançar sob a luz do luar.
(O Mocho e a Gatinha)
O mocho e a gatinha
Música: Cid Campos | Tradução: Augusto de Campos

MAIS SOBRE:

«OROPA, FRANÇA E BAHIA» por Ascenso Ferreira

#umpoetaumpoemapordia #191 (9/5)

POETA: ASCENSO FERREIRA

Ascenso Carneiro Gonçalves Ferreira (Palmares, 9 de maio de 1895 – Recife, 5 de maio de 1965) foi um poeta brasileiro, conhecido por integrar o movimento modernista de 1922 com uma poesia que destacava a temática regional de sua terra. Usava sempre um grande chapéu de palha, que o caracterizava.

POEMA: OROPA, FRANÇA E BAHIA

“Oropa, França e Bahia”
(Romance)

Para os 3 Manuéis:
Manuel Bandeira
Manuel de Souza Barros
Manuel Gomes Maranhão

Num sobradão arruinado,
Tristonho, mal-assombrado,
Que dava fundos prá terra.
( “para ver marujos,
Ttituliluliu!
ao desembarcar”).

…Morava Manuel Furtado,
português apatacado,
com Maria de Alencar!

Maria, era uma cafuza,
cheia de grandes feitiços.
Ah! os seus braços roliços!
Ah! os seus peitos maciços!
Faziam Manuel babar…

A vida de Manuel,
qque louco alguém o dizia,
era vigiar das janelas
toda noite e todo o dia,
as naus que ao longe passavam,
de “Oropa, França e Bahia”!

— Me dá uma nau daquelas,
lhe suplicava Maria.
— Estás idiota , Maria.
Essas naus foram vintena
Que eu herdei da minha tia!
Por todo o ouro do mundo
eu jamais a trocaria!

Dou-te tudo que quiseres:
Dou-te xale de Tonquim!
Dou-te uma saia bordada!
Dou-te leques de marfim!
Queijos da Serra Estrela,
perfumes de benjoim…

Nada.
A mulata só queria
que seu Manuel lhe desse
uma nauzinha daquelas,
inda a mais pichititinha,
prá ela ir ver essas terras
“De Oropa, França e Bahia”…

— Ó Maria, hoje nós temos
vinhos da quinta do Aguirre,
uma queijadas de Sintra,
só prá tu te distraire
desse pensamento ruim…
— Seu Manuel, isso é besteira!
Eu prefiro macaxeira
com galinha de oxinxim!

“Ó lua que alumias
esse mundo de meu Deus,
alumia a mim também
que ando fora dos meus…”
Cantava Seu Manuel
espantando os males seus.

“Eu sou mulata dengosa,
linda, faceira, mimosa,
qual outras brancas não são”…
Cantava forte Maria,
pisando fubá de milho,
lentamente no pilão…

Uma noite de luar,
que estava mesmo taful,
mais de 400 naus,
surgiram vindas do Sul…
— Ah! Seu Manuel, isso chega…
Danou-se de escada abaixo,
se atirou no mar azul.

— “Onde vais mulhé?”
— Vou me daná no carrosé!
— Tu não vais, mulhé,
— mulhé, você não vai lá…”

Maria atirou-se n´água,
Seu Manuel seguiu atrás…
— Quero a mais pichititinha!
— Raios te partam, Maria!
Essas naus são meus tesouros,
ganhou-as matando mouros
o marido da minha tia !
Vêm dos confins do mundo…
De “Oropa, França e Bahia”!

Nadavam de mar em fora…
(Manuel atrás de Maria!)
Passou-se uma hora, outra hora,
e as naus nenhum atingia…
Faz-se um silêncio nas águas,
cadê Manuel e Maria?!

De madrugada, na praia,
dois corpos o mar lambia…
Seu Manuel era um “Boi Morto”,
Maria, uma “Cotovia”!

E as naus de Manuel Furtado,
herança de sua tia?

— continuam mar em fora,
navegando noite e dia…
Caminham para “Pasárgada”,
para o reino da Poesia!
Herdou-as Manuel Bandeira,
que, ante a minha choradeira,
me deu a menor que havia!

— As eternas naus do Sonho,
de “Oropa, França e Bahia”…

TRADUÇÃO DE:

+ SOBRE

https://pt.wikipedia.org/wiki/Ascenso_Ferreira
http://www.jornaldepoesia.jor.br/af.html
http://www.releituras.com/ascensof_menu.asp
http://www.algumapoesia.com.br/poesia2/poesianet166.htm

OUTROS

Lucian Blaga , poeta romeno , dramaturgo e filósofo
Carlos Bousoño , poeta e filólogo espanhol
Fernando Vidal , magistrado espanhol, presidente do Superior Tribunal de Justiça das Astúrias
Bulat Okudzhava , poeta russo, romancista e cantor
Daniel Berrigan , sacerdote americano, poeta e ativista
Mona Van Duyn , poeta americana e acadêmica
Charles Simic , poeta e editor sérvio-americano
Dan Chiasson , poeta e crítico americano

«O PUNHAL NO ESCURO» por Telmo Padilha

#umpoetaumpoemapordia #187 (5/5)

POETA: TELMO PADILHA

Telmo Padilha nasceu em Itabuna, a 5 de maio de 1930 e faleceu no dia 16 de julho de 1997. Foi jornalista e Membro da Academia de Letras de Ilhéus. Publicou os seguintes livros: “Girassol do Espanto”(1956); “Ementário”(1974); “Onde tombam os pássaros”(1974); “Pássaro da Noite” (1977); “Canto Rouco”(1977); “O Rio”(1977); “Vôo Absoluto” (1977); “Poesia Encontrada”(1978); “Travessia”(1979); “Punhal no Escuro”(1980) e “Noite contra Noite” (1980), todos no melhor gênero da poesia.

POEMA: O PUNHAL NO ESCURO

I
Como juntar dois corpos
Num mesmo corpo, para que não haja
Luta mais que esta
De sofrerem juntos
A condenação de existirem?
Dois sexos e um único sexo
Na amplidão do leito,
Nos lençóis de cada pleito.
Passivo ou ativo ímpeto.
Como juntá-los, assim tão diversos,
Para que não disputem o espaço
No vácuo de um mesmo abraço?
Para que, se há luta, seja entre
O que força a saída
E retorna ao mesmo ventre.
Como quem se despede (sempre)
E nunca parte?

TRADUÇÃO DE:

+ SOBRE

http://www.antoniomiranda.com.br/Iberoamerica/brasil/telmo_padinha.html
http://www.jornaldepoesia.jor.br/telmopadilha.html#bloco
http://professorgilfrancisco.blogspot.com/2012/11/telmo-padilha-um-poeta-silenciado-na.html

Depois

OUTROS

Miklós Radnóti, poeta húngaro
Helen Maud Merrill , literatura e poeta americana
Miklós Radnóti , poeta e autor húngaro

«PERGUNTA» por Alexei Bueno

#umpoetaumpoemapordia #178 (26/4)

POETA: ALEXEI BUENO

Alexei Bueno (Rio de Janeiro, 26 de abril de 1963) é um poeta, editor e ensaísta brasileiro.

POEMA PERGUNTA

Será realmente a face do Universo
A face da Medusa,
Esta geral destruição confusa,
Este criar perverso,

Ou será a máscara, álgida e estrelada,
Onde os cometas passam,
Turva de treva, rútila de nada,
E onde olhos se espedaçam?

                         De Lucernário (1993)

+ SOBRE

https://pt.wikipedia.org/wiki/Alexei_Bueno
http://www.jornaldepoesia.jor.br/bue.html
http://www.algumapoesia.com.br/poesia/poesianet095.htm
https://revistacaliban.net/alexei-bueno-escrever-sobre-os-mortos-que-se-despiram-da-memória-3bd269a56f1e
http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/rio_de_janeiro/alexei_bueno.html

Poesia e possessão


http://www.blocosonline.com.br/literatura/poesia/p01/p010543.htm

O estranho e sofisticado Alexei Bueno – seer ufrgs

OUTROS

Gyula Kosice, escultor, poeta e artista plástico tcheco
Caetano da Costa Alegre , poeta português
Vicente Aleixandre , poeta espanhol, prêmio Nobel de literatura em 1977
Llorenç Vidal Vidal , poeta espanhol
Marilyn Nelson , poeta e autor afro-americano

«THE LISTENERS» por Walter de la Mare

#umpoetaumpoemapordia #177 (25/4)

POETA: WALTER DE LA MARE

Walter John de la Mare (Charlton, Londres, Reino Unido, em 25 de abril de 1873 – Twickenham, Reino Unido, em 22 de junho 1956) era um britânico poeta, escritor de histórias curtas e romancista. Ele é provavelmente mais lembrado por seus trabalhos para crianças , por seu poema “The Listeners”, e por uma seleção altamente aclamada de histórias sutis de horror psicológico, entre elas “Seaton’s Aunt” e “All Hallows”. Seu romance de 1921, Memórias de um anão, ganhou o  James Tait Black Memorial Prize  de ficção, e sua Collected Stories for Children, do pós-guerra, ganhou a Medalha Carnegie de 1947 para livros infantis britânicos.

POEMA: THE LISTENERS

‘Is there anybody there?’ said the Traveller,
Knocking on the moonlit door;
And his horse in the silence champed the grasses
Of the forest’s ferny floor:
And a bird flew up out of the turret,
Above the Traveller’s head:
And he smote upon the door again a second time;
‘Is there anybody there?’ he said.
But no one descended to the Traveller;
No head from the leaf-fringed sill
Leaned over and looked into his grey eyes,
Where he stood perplexed and still.
But only a host of phantom listeners
That dwelt in the lone house then
Stood listening in the quiet of the moonlight
To that voice from the world of men:
Stood thronging the faint moonbeams on the dark stair,
That goes down to the empty hall,
Hearkening in an air stirred and shaken
By the lonely Traveller’s call.
And he felt in his heart their strangeness,
Their stillness answering his cry,
While his horse moved, cropping the dark turf,
’Neath the starred and leafy sky;
For he suddenly smote on the door, even
Louder, and lifted his head:—
‘Tell them I came, and no one answered,
That I kept my word,’ he said.
Never the least stir made the listeners,
Though every word he spake
Fell echoing through the shadowiness of the still house
From the one man left awake:
Ay, they heard his foot upon the stirrup,
And the sound of iron on stone,
And how the silence surged softly backward,
When the plunging hoofs were gone.

TRADUÇÃO DE: NELSON SANTANDER

OS QUE OUVIAM

‘Tem alguém em casa?’ indagou o Viajante
Defronte à porta enluarada;
Seu cavalo no silêncio ruminava o capim
Da forragem fértil e enfolhada:
E uma ave voou para muito além da torre,
Acima de sua cabeça:
E de novo a porta ele outra vez castigou;
‘Tem alguém em casa?’ ele disse.
Mas ninguém desceu para atender o Viajante;
Do peitoril ninguém nem nada
Inclinou-se para olha-lo nos olhos cinzentos,
Onde ele estava, pasmo e mudo.
Somente uma horda vigilante de fantasmas
Que habitava tal casa então
Ficou ouvindo em silêncio, à luz da lua,
A voz vinda do humano chão:
Imóveis à luz do luar sobre a escada escura
Que dava num salão sem nada,
Ouvindo, atentos, num ar revolto e agitado
O apelo que dele emanava.
E sentiu em seu peito como eram diferentes,
Eles quietos, ele a exclamar,
Seu cavalo inquieto a pastar na relva escura,
Sob o denso céu estelar;
De repente então ele bateu na porta, ainda
Mais alto, e a cabeça ergueu: -
‘Diga-lhes que eu vim, e que ninguém me respondeu,
Que fui correto’, esclareceu.
Nem o menor meneio fizeram os que ouviam,
Conquanto as palavras cortantes
Ditas rompessem as sombras da casa silente
Para longe do Viajante:
Sim, eles ouviram seus pés por sobre os estribos,trad
Sons de ferraduras no chão,
E o sutil silêncio que suavemente ascendeu,
Enquanto os cascos se afastavam.

+ SOBRE

https://en.wikipedia.org/wiki/Walter_de_la_Mare
http://serpoeta.blogspot.com.br/2016/05/mais-uma-poesia-de-walter-de-la-mare.html
https://nsantand.wordpress.com/2017/02/02/walter-de-la-mare-os-que-ouviam/
http://revistamododeusar.blogspot.com.br/2010/05/walter-de-la-mare-1873-1956.html
https://poesia-sanderlei.blogspot.com.br/2017/03/silver-walter-de-la-mare.html?m=0

OUTROS

James Fenton , lingüista e poeta da Irlanda do Norte