só posso ser o poema que ainda não escrevi

achei essas coisinhas escritas lá pelas bandas de 2004. e a coincidência [que alguém acessou, aleatoriamente]… e ver que a criança que nascia [a memória me trai] neste dia e inspirava o desejo de fazer poesia… hoje já é gente grande [é, eu vi com meus olhos… e foi essa semana mesmo. e lembrei desse versinho… essas conexões aleatórias]
estes textos foram registrados numa sexta-feira. 16, julho de 2004.
manuscritos à mão e/ou em uma sperry remington 22. não sei precisar se todos foram feitos neste dia, mas são da mesma safra/leva/dias inspirados…

 

que o sol sem fim
sai de um todo ali
a meta metade de um
                  (mim)
claro, boreal
                                jasmim.

—————————

no fim
ele finge
que finge
e/ou acredita,
no fim?

—————————

terminei a gramatura
posso ser então acordes graves na compostura
posição suave e alegrotriste pois é de cada um…
terminei a chuva que pintaria em tua face
com grandes olhos e pequenas gotas deslizando
tua boca dentes e dedos
só posso ser o poema que ainda não escrevi.

————————————-

dormem…
as casa antigas
as fechadas janelas

a calçada, a rua…

os cães vadios
os carros abandonados
os bancos não sentados
a vazia praça

o pensamento

dormem…
o balanço sem crianças
a praia sem distância

as estrelas mortas

as placas sem sentido
as folhas caídas
o mosaico sem olhar
o silêncio absorvente

o distante indecifrável

dormem…
as fachadas e o poeta,
imune ao mar,
afogado.
Praça macário rocha. Ponta sambaqui.

——————————-

——————————-

nas suas asas andor
inhas
voa ao silêncio este corpo
nas suas asas andor
inhas
flutua imenso este peito
em suas asas andor
inhas

——————————-

.

nos rios alagoando
         o ledo engano
destes fios de cor
         rosicler

——————————-

somos outros
habitando outras
hipóteses
e vivos

.

diante de todo
amor
em quase nada.
Jpeg

 

«POESIA MATEMÁTICA» por Millôr Fernandes

#umpoetaumpoemapordia #290 (16/8)

POETA: MILLÔR FERNANDES

Millôr Viola Fernandes (Rio de Janeiro, 16 de agosto de 1923[1] — 27 de março de 2012), foi um desenhista, humorista, dramaturgo, escritor, poeta, tradutor e jornalista brasileiro. Conquistou notoriedade por suas colunas de humor gráfico em publicações como Veja, O Pasquim e Jornal do Brasil.

POEMA: POESIA MATEMÁTICA

Às folhas tantas
Do livro matemático
Um Quociente apaixonou-se
Um dia
Doidamente
Por uma Incógnita.
Olhou-a com seu olhar inumerável
E viu-a, do Ápice à Base,
Uma Figura Ímpar;
Olhos rombóides, boca trapezóide,
Corpo otogonal, seios esferóides.
Fez da sua
Uma vida
Paralela a dela
Até que se encontraram
No Infinito.
“Quem és tu?”indagou ele
Com ânsia radical.
“Sou a soma dos quadrados dos catetos.
Mas pode me chamar de Hipotenusa.”
E de falarem descobriram que eram
– O que, em aritmética, corresponde
A almas irmãs –
Primos-entre-si.
E assim se amaram
Ao quadrado da velocidade da luz
Numa sexta potenciação
Traçando
Ao sabor do momento
E da paixão
Retas, curvas, círculos e linhas sinoidais.
Escandalizaram os ortodoxos das fórmulas euclideanas
E os exegetas do Universo Finito.
Romperam convenções newtonianas e pitagóricas.
E, enfim, resolveram se casar
Constituir um lar.
Mais que um lar,
Uma perpendicular.

Convidaram para padrinhos
O Poliedro e a Bissetriz.
E fizeram planos, equações e diagramas para o futuro
Sonhando com uma felicidade
Integral
E diferencial.
E se casaram e tiveram uma secante e três cones
Muito engraçadinhos
E foram felizes
Até aquele dia
Em que tudo, afinal,
Vira monotonia.
Foi então que surgiu
O Máximo Divisor Comum
Freqüentador de Círculos Concêntricos.
Viciosos.
Ofereceu-lhe, a ela,
Uma Grandeza Absoluta,
E reduziu-a a um Denominador Comum.
Ele, Quociente, percebeu
Que com ela não formava mais Um Todo,
Uma Unidade. Era o Triângulo,
Tanto chamado amoroso.
Desse problema ela era a fração
Mais ordinária.
Mas foi então que o Einstein descobriu a Relatividade
E tudo que era expúrio passou a ser
Moralidade
Como, aliás, em qualquer
Sociedade.

+ SOBRE

https://pt.wikipedia.org/wiki/Millôr_Fernandes
http://www.jornaldepoesia.jor.br/millor.html
http://www.jornaldepoesia.jor.br/millor07.html
https://cdeassis.wordpress.com/tag/millor-fernandes/
https://www1.folha.uol.com.br/livrariadafolha/2014/07/1493236-leia-poemas-de-millor-fernandes-escritos-na-decada-de-1940.shtml
https://www.luso-poemas.net/modules/news03/article.php?storyid=1602

Poesia Geométrica – Millor Fernandes

OUTROS

Jules Laforgue, poeta franco-uruguaio
António Nobre, poeta romântico português
Charles Bukowski , escritor e poeta americano
Eduardo Cote Lamus , poeta e político colombiano
Mary Gilmore , socialista, poeta e jornalista australiana
Reiner Kunze , poeta e tradutor alemão

«EL POETA» por Armando Buscarini

#umpoetaumpoemapordia #259 (16/7)

POETA: ARMANDO BUSCARINI

Antonio Armando García Barrios (Ezcaray, Espanha, 16 de julho de 1904 – Logroño, Espanha, 9 de junho de 1940) foi um poeta boêmio espanhol.

POEMA: EL POETA

Sentado junto a una mesa
carcomida por el tiempo
y alumbrado débilmente
por la luz de un quinqué viejo,
un joven pálido escribe
en cuartillas, varios versos.

Es un poeta, las noches
pásaselas escribiendo…
Anhela la gloria, joya
más valiosa que el dinero.

Y continua impasible,
sin descansar un momento,
hasta ver recompensados
algún día sus desvelos.

+ SOBRE

https://es.wikipedia.org/wiki/Armando_Buscarini

Armando Buscarini


http://www.epdlp.com/texto.php?id2=8353

OUTROS

Reinaldo Arenas, poeta cubano
Ennio, poeta romano.
Miguel Labordeta, poeta e dramaturgo espanhol
Amy Paterson, compositora, cantora, poeta e professora argentina
Sheri S. Tepper, autor e poeta americano
Susan Wheeler, poeta americana e acadêmica

«EM FORMA DE AMOR» por Dante Milano

#umpoetaumpoemapordia #229 (16/6)

POETA: DANTE MILANO

(Rio de Janeiro, 16 de junho de 1899 — Petrópolis, 15 de abril de 1991) foi um poeta brasileiro. Dante Milano é um dos poetas representativos da terceira geração do Modernismo

POEMA: EM FORMA DE AMOR

Por que me apertas com tanta força?
Por que não tiras os olhos dos meus?

Teu abraço me esmaga,
Teu beijo me sufoca,
Teus dedos se cravam nos meus cabelos,
Tua voz rouca parece exprimir num rugido o que as palavras
[ não podem significar…

Por que me agarras?

Assim dois inimigos se abraçam para lutar.

In: Obra Reunida. Organização e estabelecimento do texto, Sérgio Martagão Gesteira. Academia Brasileira de Letras, Rio de Janeiro, 2004

+ SOBRE

https://pt.wikipedia.org/wiki/Dante_Milano
http://www.algumapoesia.com.br/poesia2/poesianet241.htm
http://www.jornaldepoesia.jor.br/dante.html
http://veredasdalingua.blogspot.com/2013/07/dante-milano-poemas.html
http://www.antoniomiranda.com.br/Brasilsempre/dante_milano.html
http://jeffersonbessa2.blogspot.com/2009/08/corpo-um-poema-de-dante-milano.html

“Poesias”, de Dante Milano – UFJF

A EXPERIÊNCIA DA POESIA DO AMOR EM DANTE MILANO

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OUTROS

Salawat Yulayev , poeta russo
Torgny Lindgren , autor e poeta sueco
Māris Čaklais , poeta, escritor e jornalista da Letônia
Younus AlGohar , poeta e acadêmico paquistanês
Giovanni Boccaccio, escritor e poeta italiano
Bessie Rayner Parkes, poetisa, ensaísta e jornalista britânica
Ariano Suassuna, dramaturgo, romancista e poeta brasileiro

«DON’T YOU WONDER, SOMETIMES?» por Tracy K. Smith

#umpoetaumpoemapordia #168 (16/4)

POETISA: TRACY K. SMITH

Tracy K. Smith ( 16 de abril de 1972 ) é um poetisa e educadora estadunidense. Ela publicou três livros de poesia. Ela ganhou o Prêmio Pulitzer em 2011 por seu livro Life on Mars.

POEMA: DON’T YOU WONDER, SOMETIMES?

1.
After dark, stars glisten like ice, and the distance they span
Hides something elemental. Not God, exactly. More like
Some thin-hipped glittering Bowie-being—a Starman
Or cosmic ace hovering, swaying, aching to make us see.
And what would we do, you and I, if we could know for sure
That someone was there squinting through the dust,
Saying nothing is lost, that everything lives on waiting only
To be wanted back badly enough? Would you go then,
Even for a few nights, into that other life where you
And that first she loved, blind to the future once, and happy?
Would I put on my coat and return to the kitchen where my
Mother and father sit waiting, dinner keeping warm on the stove?
Bowie will never die. Nothing will come for him in his sleep
Or charging through his veins. And he’ll never grow old,
Just like the woman you lost, who will always be dark-haired
And flush-faced, running toward an electronic screen
That clocks the minutes, the miles left to go. Just like the life
In which I’m forever a child looking out my window at the night sky
Thinking one day I’ll touch the world with bare hands
Even if it burns.

2.
He leaves no tracks. Slips past, quick as a cat. That’s Bowie
For you: the Pope of Pop, coy as Christ. Like a play
Within a play, he’s trademarked twice. The hours
Plink past like water from a window A/C. We sweat it out,
Teach ourselves to wait. Silently, lazily, collapse happens.
But not for Bowie. He cocks his head, grins that wicked grin.
Time never stops, but does it end? And how many lives
Before take-off, before we find ourselves
Beyond ourselves, all glam-glow, all twinkle and gold?
The future isn’t what it used to be. Even Bowie thirsts
For something good and cold. Jets blink across the sky
Like migratory souls.

3.
Bowie is among us. Right here
In New York City. In a baseball cap
And expensive jeans. Ducking into
A deli. Flashing all those teeth
At the doorman on his way back up.
Or he’s hailing a taxi on Lafayette
As the sky clouds over at dusk.
He’s in no rush. Doesn’t feel
The way you’d think he feels.
Doesn’t strut or gloat. Tells jokes.
I’ve lived here all these years
And never seen him. Like not knowing
A comet from a shooting star.
But I’ll bet he burns bright,
Dragging a tail of white-hot matter
The way some of us track tissue
Back from the toilet stall. He’s got
The whole world under his foot,
And we are small alongside,
Though there are occasions
When a man his size can meet
Your eyes for just a blip of time
And send a thought like SHINE
SHINE SHINE SHINE SHINE
Straight to your mind. Bowie,
I want to believe you. Want to feel
Your will like the wind before rain.
The kind everything simply obeys,
Swept up in that hypnotic dance
As if something with the power to do so
Had looked its way and said:
Go ahead.

TRADUÇÃO DE: BRUNA DANTAS LOBADO

Você não se pergunta, às vezes?

1.
Ao cair da noite, estrelas cintilam como gelo e a distância que elas cobrem
Oculta algo elementar. Não Deus, exatamente. Mais como
Um ser estreito, magrelo, com o espírito reluzente de Bowie — um Starman
Ou craque cósmico pairando, se remexendo, se doendo para que possamos ver.
E o que faríamos, você e eu, se pudéssemos saber com certeza

Que alguém estava ali espiando através da poeira
Dizendo que nada está perdido, que tudo vive apenas da espera
Para voltar a ser querido o suficiente? Você iria, então,
Mesmo que por algumas noites, para esta outra vida em que você
E aquele primeiro que ela amou, uma vez cegos para o futuro, e felizes?

Quem sabe eu colocaria meu casaco e retornaria à cozinha, onde minha
Mãe e pai esperam sentados, jantar esquentando no fogão?
Bowie nunca morrerá. Nada vai o acometer em seu sono
Ou se apressar por suas veias. E ele nunca vai envelhecer,
Assim como a mulher que você perdeu, que sempre terá cabelos castanhos

E cara corada, correndo em direção a uma tela eletrônica
Que conta os minutos, as milhas que falta seguir. Assim como a vida
Em que sou sempre uma criança olhando pela minha janela para o céu noturno
Pensando que um dia tocarei o mundo com minhas próprias mãos
Mesmo que queime.

2.
Não deixa rastros. Desliza, rápido como um gato. Isto é Bowie
Para você: o Papa do Pop, recatado como Cristo. Como uma peça
Dentro de uma peça, duas vezes marca registrada. As horas

Pingam como água do ar condicionado. Nos aturamos com suor,
Nos ensinamos a esperar. Silenciosamente, preguiçosamente, acontece o colapso.
Mas não para Bowie. Ele apruma a cabeça, sorri aquele sorriso perverso.

O tempo nunca para, mas ele acaba? E quantas vidas
Antes da decolagem, antes de nos encontrarmos
Além de nós mesmos, todos glamour de glitter, todos faísca e ouro?

O futuro não é o que costumava ser. Até mesmo Bowie tem sede
De algo bom e gelado. Jatos piscam no céu
Como almas migratórias.

3.
Bowie está entre nós. Bem aqui
Em Nova York. De boné de beisebol
E jeans caros. Se enfiando em
Uma deli. Deslumbrando com todos aqueles dentes
O porteiro ao retornar.
Ou ele está chamando um táxi na Lafayette
À medida que o céu se nubla no crepúsculo.
Não tem a menor pressa. Não se sente
Como você acha que ele se sente.
Não se empertiga ou se exalta. Conta piadas.

Morei aqui durante todos esses anos
E nunca o vi. Como não saber distinguir
Um cometa de uma estrela cadente.
Mas aposto que ele brilha incandescente,
Arrastando uma cauda de matéria quente e branca
Do jeito que alguns de nós criam rastros de papel
da privada. Ele tem
O mundo inteiro sob seus pés,
Ao seu lado, somos pequenos,
Ainda que haja ocasiões

Quando um homem desse tamanho pode encontrar
Seu olhar por somente um bipe de instante
E enviar um pensamento: SHINE
SHINE SHINE SHINE SHINE
Diretamente para a sua mente. Bowie,
Quero acreditar em você. Quero sentir
Sua vontade como vento antes da chuva.
Do tipo que tudo simplesmente obedece,
Embalado naquela dança hipnótica
Como se algo com o poder de fazê-lo
Tivesse olhado na sua direção e dito:
Vá em frente.

Don’t You Wonder, Sometimes? do livro Life on Mars.

+ SOBRE:

https://es.wikipedia.org/wiki/Tracy_K._Smith
http://arspoeticaethumanitas.blogspot.com.br/2016/05/tracy-k-smith.html
http://rascunho.com.br/poemas-de-tracy-k-smith/
http://arspoetica-lp.blogspot.com.br/2014/08/tracy-k-smith.html

OUTROS:

Tristan Tzara, poeta e ensaísta romeno
Anatole France , escritor, jornalista, romancista e poeta francês, Prêmio Nobel de Literatura em 1921
Kingsley Amis , romancista, crítico e poeta inglês
Ángel Sierra Basto , poeta colombiano
Javier Adúriz , poeta argentino
Octave Crémazie , poeta e livreiro canadense
Sarah Kirsch , poeta e autor alemão

«DE PEDRA» por Lupe Cotrim Garaude

#umpoetaumpoemapordia #137 (16/3)

POETISA: LUPE COTRIM GARAUDE

Lupe Cotrim Garaude, de nome completo Maria José Cotrim Garaude Gianotti, (São Paulo, 16 de março de 1933 – São Paulo, 18 de fevereiro de 1970) foi uma poetisa e tradutora brasileira, professora da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo.

POEMA: DE PEDRA

— Eu sou de pedra, me dizias,
a defender tua distância.

E esquecias o musgo,
essa tua epiderme de ternura,
e o teu corpo de carinhos,
num horizonte de água e terra,
a te envolver na vida.

— Eu sou de pedra — insistias.
— Pesado. Denso. Inalterável.
De estofo eterno.

Apenas estou, não sofro;
se algum gesto me ferir,
eu sou duro;
quebrarei o gesto sem sentir.

E esquecias
que és pouso de borboletas,
alicerce de flores,
abraço de raízes,
vulnerável em tudo
do que em ti pertence
e minha mão possui, acaricia.

— Eu sou de pedra.
E esquecias, esquecias.

 

+ SOBRE

https://pt.wikipedia.org/wiki/Lupe_Cotrim
http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/sao_paulo/lupe_cotrim_garaude.html
http://zunai.com.br/post/117085174708/especial-revisitando-lupe-cotrim-parte-2
http://www.banquetepoetico.com.br/2015/07/lupe-cotrim.html

http://www.jornaldepoesia.jor.br/lupe.html

Lupe Cotrim, um inédito, LEILA V. B. GOUVÊA
http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/navegacoes/article/viewFile/8444/6029

OUTROS

César Vallejo, poeta peruano
Tonino Guerra, poeta, escritor e roteirista italiano
Sully Prudhomme , poeta francês, Prêmio Nobel de Literatura em 1901
Ethel Anderson , poeta australiano, autor e pintor
René Daumal , autor e poeta francês

«EPITAPH» por Peter Sinfield

#umpoetaumpoemapordia #058 (27/12)

POETA: PETER SINFIELD

Peter Sinfield (nascido em 27 de Dezembro de 1943 em Londres, Inglaterra) é um poeta, mais conhecido pelo seu trabalho como letrista dos primeiros anos de existência da banda de rock progressivo King Crimson. Ele contribuiu para os discos In the Court of the Crimson King, In the Wake of Poseidon, Lizard e Islands, assim como para a banda Roxy Music, que ele também produziu.

POEMA: EPITAPH

The wall on which the prophets wrote
Is cracking at the seams.
Upon the instruments of death
The sunlight brightly gleams.
When every man is torn apart
With nightmares and with dreams,
Will no one lay the laurel wreath
When silence drowns the screams.

Confusion will be my epitaph.
As I crawl a cracked and broken path
If we make it we can all sit back
And laugh.
But I fear tomorrow I’ll be crying,
Yes I fear tomorrow I’ll be crying.

Between the iron gates of fate,
The seeds of time were sown,
And watered by the deeds of those
Who know and who are known;
Knowledge is a deadly friend
When no one sets the rules.
The fate of all mankind I see
Is in the hands of fools.

Confusion will be my epitaph.
As I crawl a cracked and broken path
If we make it we can all sit back
And laugh.
But I fear tomorrow I’ll be crying,
Yes I fear tomorrow I’ll be crying.

Lyrics for the song of In the Court of the Crimson King, by King Crimson.

TRADUÇÃO DE: Fernando G. Toledo

Epitafio

El muro en que escribieron los profetas
se está viniendo abajo aunque era fuerte.
El resplandor del sol sigue brillando
sobre los instrumentos de la muerte.
Cuando al fin cada hombre esté acosado
por tantas pesadillas, y al volverte
nadie ponga un laurel en la corona,
cuando el silencio ahogue los gritos más potentes

«confusión», se leerá en mi epitafio.
Aunque por sendas rotas yo me viera arrastrado
podríamos reírnos de haberlas reparado.
Pero, temo, mañana me encontraré llorando.
Sí, lo temo, mañana me encontraré llorando.

Por las puertas de acero del destino
han trazado del tiempo un sembradío,
regado por los actos de sujetos
que por tanto saber son conocidos;
mortal amigo es el conocimiento
si no hay una regla que lo sustente.
El destino del hombre, ya lo veo,
ha terminado en manos de dementes.

«Confusión», se leerá en mi epitafio.
Aunque por sendas rotas me viera yo arrastrado
podríamos reírnos de haberlas reparado.
Pero, temo, mañana me encontraré llorando.
Sí, lo temo, mañana me encontraré llorando.

 

+ SOBRE

http://fernandogtoledo.blogspot.com.br/2016/01/peter-sinfield-1943-epitafio.html
https://pt.wikipedia.org/wiki/Peter_Sinfield
https://www.songsouponsea.com/Promenade/lyrics/poems.html

https://www.youtube.com/watch?v=xRJ-hV74zhE
KING CRIMSON/EPITAPH

OUTROS

 

«LÍNGUA PORTUGUESA» por Olavo Bilac

#umpoetaumpoemapordia #047 (16/12)

POETA: OLAVO BILAC

Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac (Rio de Janeiro, 16 de dezembro de 1865 — 28 de dezembro de 1918) foi um jornalista, contista (vide ”Contos Pátrios”), cronista e poeta brasileiro do período literário parnasiano, membro fundador da Academia Brasileira de Letras. Criou a cadeira 15 da instituição, cujo patrono é Gonçalves Dias. wikepedia

POEMA: LÍNGUA PORTUGUESA

Última flor do Lácio, inculta e bela,
És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela…

Amo-te assim, desconhecida e obscura.
Tuba de alto clangor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela,
E o arrolo da saudade e da ternura!

Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,

em que da voz materna ouvi: “meu filho!”,
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!

+ SOBRE

https://pt.wikipedia.org/wiki/Olavo_Bilac
http://www.releituras.com/olavobilac_menu.asp
http://www.nilc.icmc.usp.br/nilc/literatura/olavobilac.htm

OUTROS

Piet Hein, matemático, escritor e poeta dinamarquês

Rafael Alberti , poeta espanhol

Jaime Serfaty Laredo , industrial e poeta espanhol

Louis Jules Mancini Mazarini , poeta e diplomata francês

Elizabeth Carter , poeta e estudioso inglês

George Santayana , filósofo, romancista e poeta espanhol

Peter Dickinson , autor e poeta rodesiano-inglês

Randall Garrett , autor e poeta americano

Sally Emerson , escritor e poeta inglês

Seyhan Kurt , poeta e sociólogo franco-turco

 

«PROCESSO» por José Saramago

#umpoetaumpoemapordia #017 (16/11)

POETA: JOSÉ SARAMAGO

José de Sousa Saramago (Azinhaga, Golegã, 16 de novembro de 1922 — Tías, Lanzarote, 18 de junho de 2010) foi um escritor português. Foi galardoado com o Nobel de Literatura de 1998. Também ganhou, em 1995, o Prémio Camões, o mais importante prémio literário da língua portuguesa. Saramago foi considerado o responsável pelo efetivo reconhecimento internacional da prosa em língua portuguesa.

POEMA: PROCESSO

As palavras mais simples, mais comuns, 
As de trazer por casa e dar de troco, 
Em língua doutro mundo se convertem: 
Basta que, de sol, os olhos do poeta, 
Rasando, as iluminem. 
– José Saramago, em “Os poemas possíveis”. 3ª ed., Lisboa: Editorial Caminho, 1981.

 

+ SOBRE

http://www.elfikurten.com.br/2015/05/jose-saramago-poemas.html
http://www.avozdapoesia.com.br/autores.php?poeta_id=280
https://www.escritas.org/pt/jose-saramago
https://cartilhadepoesia.wordpress.com/2011/04/09/jose-saramago/