«CINO» por Ezra Pound

#umpoetaumpoemapordia #365 (30/10)

POETA: EZRA POUND

Ezra Weston Loomis Pound (Hailey, 30 de outubro de 1885 — Veneza, 1 de novembro de 1972) foi um poeta, músico e crítico literário americano que, junto com T. S. Eliot, foi uma das maiores figuras do movimento modernista da poesia do início do século XX no país norte-americano. Ele foi o motor de diversos movimentos modernistas, notadamente do Imagismo (seu líder e principal representante) e do Vorticismo. (Wikipedia)

POEMA: CINO

Cino
Bah! I have sung women in three cities,
But it is all the same;
And I will sing of the sun.

Lips, words, and you snare them,
Dreams, words, and they are as jewels,
Strange spells of old deity,
Ravens, nights, allurement:
And they are not;
Having become the souls of song.

Eyes, dreams, lips, and the night goes.
Being upon the road once more,
They are not.
Forgetful in their towers of our tuneing
Once for wind-runeing
They dream us-toward and
Sighing, say, “Would Cino,
Passionate Cino, of the wrinkling eyes,
Gay Cino, of quick laughter,
Cino, of the dare, the jibe.
Frail Cino, strongest of his tribe
That tramp old ways beneath the sun-light,
Would Cino of the Luth were here!”

Once, twice a year—
Vaguely thus word they:

“Cino?” “Oh, eh, Cino Polnesi
The singer is’t you mean?”
“Ah yes, passed once our way,
A saucy fellow, but . . .
(Oh they are all one these vagabonds),
Peste! ‘tis his own songs?
Or some other’s that he sings?
But you, My Lord, how with your city?”

My you “My Lord,” God’s pity!
And all I knew were out, My Lord, you
Were Lack-land Cino, e’en as I am,
O Sinistro.

I have sung women in three cities.
But it is all one.
I will sing of the sun.
. . . eh? . . . they mostly had grey eyes,
But it is all one, I will sing of the sun.

“‘Pollo Phoibee, old tin pan, you
Glory to Zeus’ aegis-day,
Shield o’ steel-blue, th’ heaven o’er us
Hath for boss thy lustre gay!

‘Pollo Phoibee, to our way-fare
Make thy laugh our wander-lied;
Bid thy ‘flugence bear away care.
Cloud and rain-tears pass they fleet!

Seeking e’er the new-laid rast-way
To the gardens of the sun . . .


I have sung women in theree cities
But it is all one.
I will sing of the white birds
In the blue waters of heaven,
The clouds that are spray to its sea.”
– Ezra Pound {tradução de Mário Faustino}. do livro “Ezra Pound: poesia”. [organização, introdução e notas de Augusto de Campos; prefácio Haroldo de Campos; tradução Décio Pignatari, Haroldo de Campos, Augusto de Campos, José Lino Grünewald e Mário Faustino]. Edição bilíngue. São Paulo: Hucitec; Brasília: Editora da UnB, 1983.

TRADUÇÃO DE: MÁRIO FAUSTINO

Cino
Arre! Já celebrei mulheres em três cidades,
Mas é tudo a mesma coisa;
E cantarei ao sol.

Lábios, palavras, e lhes armamos armadilhas,
Sonhos, palavras, e são como jóias,
Estranhos bruxedos de velha divindade,
Corvos, noites, carícia:
E eis que não o são;
Já se tornaram almas de canção.

Olhos, sonhos, lábios, e a noite vai-se.
Em plena estrada, uma vez mais,
Elas não são.
Esquecidas, em suas torres, de nossa toada,
Uma vez por causa do vento, da revoada
Sonham rumo de nós e
Suspirando dizem, “Ah, se Cino,
Apaixonado Cino, o de olhos enrugados,
Alegre Cino, de riso rápido.
Cino ousado, Cino zombeteiro,
Frágil Cino, o mais forte de seu clã bandoleiro
Que bate as velhas vias sob o sol,
Se Cino do alaúde aqui voltasse!”

Uma vez, duas vezes, um ano –
E vagamente assim se exprimem:
“Cino ?” “Oh, eh, Cino Polnesi
O cantor, não é dele que se trata ?”
“Ah, sim, passou uma vez por aqui,
Sujeito atrevido, mas…
(São todos a mesma coisa, esses vagabundos)
Peste! As canções eram dele ?
Ou cantava as dos outros ?
Mas e o senhor, Meu Senhor, como vai sua cidade ?”

Mas e senhor, “Meu Senhor”, bá! por piedade!
E todos os que eu conhecia estavam fora, Meu Senhor, e tu
Eras Cino-Sem-Terra, tal como eu sou,
O Sinistro.

Já celebrei mulheres em três cidades.
Mas é tudo a mesma coisa.
E cantarei do sol.
…eh?… a maioria delas tinha olhos cinzentos,
Mas é tudo a mesma coisa, e cantarei do sol.

“Pollo Phoibeu, panela velha, tu,
Glória da égide do Zeus do dia,
Escudo d’azul aço, o céu lá em cima
Tem por chefe tua rútila alegria!

Pollo Phoibeu, ao longo do caminho,
Faze do teu riso nossa chanson;
Que teu fulgor ofusque nossa dor,
E que o choro da chuva tombe sem som!

Buscando sempre o rastro recente
Rumo aos jardins do sol…
……………………………………….
Já celebrei mulheres em três cidades
Mas é tudo a mesma coisa.

E cantarei das aves alvas
Nas águas azuis do céu,
As nuvens, o borrifo de seu mar.

+ SOBRE

https://pt.wikipedia.org/wiki/Ezra_Pound

Ezra Pound – poemas


https://www.poetryfoundation.org/poets/ezra-pound
http://www.revistadigital.com.br/2015/03/a-jaula-de-ezra-pound/
http://acervo.revistabula.com/posts/traducao/a-entrevista-historica-de-ezra-pound
https://escamandro.wordpress.com/tag/ezra-pound/

OUTROS POETAS

Miguel Hernández Gilabert – foi um poeta e dramaturgo espanhol

 

«INVIERNO» por Hugo Lindo

#umpoetaumpoemapordia #348 (13/10)

POETA: LINDO HUGO

Lindo Hugo Olivares (La Union, El Salvador, 13 de outubro de 1917 – San Salvador, El Salvador, 09 de setembro de 1985) foi um escritor, diplomata, político e advogado de El Salvador.

POEMA: INVIERNO

Un día caerán las comisas de enfrente
y no tendrá la lluvia
en donde recoger sus palomas de vidrio
ni en donde mussitar el temblor de su música.
Entonces estaremos más allá del invierno.
Entonces estaremos más allá del invierno.
Nadie repetirá la voz de nuestra angustia.
Ya no tendremos lágrimas ni pájaros de asombro,
y una tristeza única,
emergerá de todos los instantes perdidos
y llovserá en la lluvia.

TRADUÇÃO DE: Aurélio Buarque de Holanda Ferreira

INVERNO

Um dia cairão as cortinas de em frente
e não terá a chuva
adonde recolher suas pombas de vidro,
nem onde cochichar o tremor de sua música.
Estaremos então mais para além do inverno.
Ninguém repetirá a voz de nossa angústia.
Já não teremos lágrimas nem pássaros de assombro,
e uma tristeza única,
emergirá de todos os instantes perdidos
e choverá na chuva.

+ SOBRE

http://www.antoniomiranda.com.br/Iberoamerica/el_salvador/hugo_lindo.html
https://es.wikipedia.org/wiki/San_Salvador
http://hugolindo.website/poesiah.htm

Hugo Lindo


http://www.prometeodigital.org/SIEMPRE_LINDO.htm

OUTROS

Graciela Rincon Calcaño, poetisa, narradora, colunista e autor dramática venezuelana
Ernest Myers, poeta e escritor inglês
Sasha Chorny, poeta e escritor russo
Arna Bontemps, bibliotecária americana, autora e poeta
Millosh Gjergj Nikolla, poeta e autor albanês
Richard Howard,crítico, tradutor e poeta americano
Walasse Ting, pintor e poeta sino-americano

«SONETO INFERNAL» por Bocage

#umpoetaumpoemapordia #320 (15/9)

POETA: BOCAGE

Manuel Maria de Barbosa l’Hedois du Bocage (Setúbal, 15 de setembro de 1765 – Lisboa, Mercês, 21 de dezembro de 1805) foi um poeta nacional português e, possivelmente, o maior representante do arcadismo lusitano. Embora ícone deste movimento literário, é uma figura inserida num período de transição do estilo clássico para o estilo romântico que terá forte presença na literatura portuguesa do século XIX

POEMA: SONETO INFERNAL

Dizem que o rei cruel do Averno imundo
Tem entre as pernas caralhaz lanceta,
Para meter do cu na aberta greta
A quem não foder bem cá neste mundo:

Tremei, humanos, deste mal profundo,
Deixai essas lições, sabida peta,
Foda-se a salvo, coma-se a punheta:
Este prazer da vida mais jucundo.

Se pois guardar devemos castidade,
Para que nos deu Deus porras leiteiras,
Senão para foder com liberdade?

Fodam-se pois, casadas e solteiras,
E seja isto já; que é curta a idade,
E as horas de prazer voam ligeiras...

+ SOBRE

https://pt.wikipedia.org/wiki/Manuel_Maria_Barbosa_du_Bocage
http://users.isr.ist.utl.pt/~cfb/VdS/bocage.html
http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraDownload.do?select_action=&co_obra=1777&co_midia=2
http://www.elsonfroes.com.br/bocage.htm
http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_erotica/bocage.html

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OUTROS

Guerra Junqueiro, alto funcionário administrativo, político, jornalista, escritor e poeta português
Alfredo Placencia, poeta e padre mexicano
Lucebert, pintor e poeta holandês
Claude McKay, poeta e autor jamaicano-americano
J. Slauerhoff, poeta e autor holandês
Gunnar Ekelöf, poeta e autor sueco
George Watsky, artista de hip-hop, poeta e autor estadunidense

«A UNA NARIZ» por Francisco de Quevedo

#umpoetaumpoemapordia #319 (14/9)

POETA: FRANCISCO DE QUEVEDO

Francisco Gómez de Quevedo y Santibáñez Villegas (Madri, Espanha, 14 de Setembro de 1580 – Villanueva de los Infantes, Cidade Real, 8 de Setembro de 1645) foi um escritor do período barroco espanhol, considerado um dos maiores nomes da literatura de seu país naquele período, hoje lembrado como o Século de Ouro.

POEMA: A UNA NARIZ

Érase un hombre a una nariz pegado,
érase una nariz superlativa,
érase una nariz sayón y escriba,
érase un peje espada muy barbado.

Era un reloj de sol mal encarado,
érase una alquitara pensativa,
érase un elefante boca arriba,
era Ovidio Nasón más narizado.

Érase un espolón de una galera,
érase una pirámide de Egipto,
las doce Tribus de narices era.

Érase un naricísimo infinito,
muchísimo nariz, nariz tan fiera
que en la cara de Anás fuera delito.

TRADUÇÃO DE: CLETO DE ASSIS

A um nariz

Era um homem a um nariz colado,
um raro nariz superlativo,
era um nariz perverso e esquivo,
era um peixe espada bem barbado.

Era um relógio de sol bem tartamudo,
era um alambique pensativo,
era um elefante ambulativo
era Ovídio Naso mais narigudo.

Era um quebra-mar de uma galera,
era uma pirâmide do Egito,
as doze Tribos de narizes era.

Era um narizíssimo infinito,
muitíssimo nariz, nariz tão fera
que na cara de Anás fora delito.

+ SOBRE

https://pt.wikipedia.org/wiki/Francisco_de_Quevedo
https://cdeassis.wordpress.com/2010/03/25/licoes-de-quevedo-400-anos-depois/

5 poemas de Quevedo


https://poemas.yavendras.com/francisco-de-quevedo/

OUTROS

Lola Rodríguez de Tió, poeta porto-riquenha, abolicionista e defensora dos direitos das mulheres
Hamlin Garland, romancista, poeta, ensaísta e escritor de contos americano
Théodore Botrel, cantor, compositor, poeta e dramaturgo francês
Mart Raud, poeta e autor estoniano
Yuri Ivask, poeta e crítico russo-americano
Volodymyr Melnykov, escritor, compositor e poeta ucraniano

«ESPELHO» por Anibal Beça

#umpoetaumpoemapordia #318 (13/9)

POETA: ANIBAL BEÇA

é o nome literário de Anibal Augusto Ferro de Madureira Beça Neto (Manaus, Amazonas, Brasil, 13 de setembro de 1946 – 25 de agosto de 2009) foi escritor (poeta), tradutor, compositor, teatrólogo e jornalista brasileiro

POEMA: ESPELHO

Para fechar sem chave a minha sina
Clara inversão da jaula das palavras
As vestes da sintaxe que componho
De baixo para cima é que renovo.

Escancarando um solo transmutado
Para o sol da surpresa nas janelas
Ao mesmo pouso de ave renascida
Do fim regresso fera não domada.

Na duração que escorre nessa arena
Lambendo vem a pressa em que me aposto
Nessa voragem, vaga um mar de calma

Que me alimenta os ossos da memória.
Sobrada sobra, cinza dos minutos,
O que sobrou de mim são essas sombras.

+ SOBRE

http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/amazonas/anibal_beca.html
https://pt.wikipedia.org/wiki/An%C3%ADbal_Be%C3%A7a
http://www.jornaldepoesia.jor.br/abeca.html
http://www.overmundo.com.br/banco/alguns-poemas-de-anibal-beca

OUTROS

Natália Correia, ativista social, escritora e poeta açoriana
Otokar Březina, poeta e ensaísta checo
Julian Tuwim, poeta polonês
John Leland, poeta e historiador inglês
Roald Dahl, romancista, poeta e roteirista britânico

«UM SORRISO» por Ferreira Gullar

#umpoetaumpoemapordia #315 (10/9)

POETA: FERREIRA GULLAR

pseudônimo de José Ribamar Ferreira (São Luís, Maranhão, Brasil, 10 de setembro de 1930 – Rio de Janeiro, 4 de dezembro de 2016), foi um escritor, poeta, crítico de arte, biógrafo, tradutor, memorialista e ensaísta brasileiro e um dos fundadores do neoconcretismo[2]. Foi o postulante da cadeira 37 da Academia Brasileira de Letras, na vaga deixada por Ivan Junqueira,[3][4] da qual tomou posse em 5 de dezembro de 2014

POEMA: UM SORRISO

Quando
com minhas mãos de labareda
te acendo e em rosa
embaixo
te espetalas

quando
com o meu aceso archote e cego
penetro a noite de tua flor que exala
urina
e mel
que busco eu com toda essa assassina
fúria de macho?

que busco eu
em fogo
aqui embaixo?
senão colher com a repentina
mão do delírio
uma outra flor: a do sorriso
que no alto o teu rosto ilumina?

+ SOBRE

https://pt.wikipedia.org/wiki/Ferreira_Gullar
http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_infantil/ferreira_gullar.html
https://viciodapoesia.com/tag/ferreira-gullar/

OUTROS

Nicolau Tolentino de Almeida, escritor e poeta português
Franz Werfel, autor, poeta e dramaturgo austríaco-boêmio
Hilda Doolittle, HD, poetisa, romancista e memorialista estadunidense.
Jeppe Aakjær, autor e poeta dinamarquês
Georgia Douglas Johnson, poeta e dramaturgo americano
Viswanatha Satyanarayana, poeta e autor indiano
Georges Bataille, filósofo, romancista e poeta francês
Miguel Serrano, poeta e diplomata chileno
Mary Oliver, poeta americana

«EPITAFIO» por Nicanor Parra

#umpoetaumpoemapordia #310 (5/9)

POETA: NICANOR PARRA

(San Fabián de Alico/Chile, 5 de setembro de 1914 – La Reina/Chile, 23 de janeiro de 2018) foi um matemático e poeta chileno e irmão mais velho de Violeta Parra.

POEMA: EPITAFIO

De estatura mediana,
Con una voz ni delgada ni gruesa;
Hijo mayor de un professor primario
Y de una modista de trastienda;
Flaco de nacimiento
Aunque devoto de la buena mesa;
De mejillas escuálidas
Y de más bien abundantes orejas;
Con um rostro cuadrado
En que los ojos se abren apenas
Y una nariz de boxeador mulato
Baja a la boca del ídolo azteca
—Todo esto bañado
Por una luz entre irónica y pérfida
Ni muy listo de tonto de remate
Fui lo que fui: una mezcla
De vinagre y aceite de comer
¡Un embutido de ángel y bestia!

TRADUÇÃO DE: Antonio Miranda

EPITÁFIO

De estatura mediana,
Com uma voz nem fina nem grossa;
Filho mais velho de um professor do primário
E de uma costureira dos fundos de uma loja;
Magro de nascimento
Embora devota da boa mesa;

Com bochechas esquálidas
Mas com orelhas abundantes;
Com um rosto quadrado
Em que os olhos apenas se abrem
E o nariz de boxeador mulato
Desce até a boca do ídolo asteca
—Tudo isso banhado
Por um luz entre irônica e pérfida
Nem muito astuto nem muito otário
Fui o que eu era: uma mescla

De vinagre e azeite de comida
¡Uma mistura de anjo e besta!

+ SOBRE

https://escamandro.wordpress.com/2018/11/28/nicanor-parra-por-joana-barossi-e-cide-piquet/
http://www.algumapoesia.com.br/poesia3/poesianet318.htm

A antipoesia de Nicanor Parra


http://www.antoniomiranda.com.br/Iberoamerica/chile/nicanor_parras.html
https://revistacaliban.net/nicanor-parra-alguns-poemas-c49a5c3c98c6
https://pt.wikipedia.org/wiki/Nicanor_Parra
.

OUTROS

Tommaso Campanella , poeta, filósofo e teólogo italiano
Robert Fergusson , poeta e autor escocês
Aleksey Konstantinovich Tolstoy , poeta, autor e dramaturgo russo
Goffredo Mameli , poeta e compositor italiano
Knuts Skujenieks , poeta, jornalista e tradutor letão
Dario Bellezza , poeta, autor e dramaturgo italiano
Óscar Alfaro , poeta, escritor de contos, professor e jornalista boliviano

«FINGIR QUE ESTÁ TUDO BEM» por José Luís Peixoto 

#umpoetaumpoemapordia #309 (4/9)

POETA: JOSÉ LUÍS PEIXOTO

(Galveias, Ponte de Sor/Portugal, 4 de setembro de 1974) é um narradorpoeta e dramaturgo português, cuja primeira obra foi publicada em 2000

POEMA: fingir que está tudo bem

fingir que está tudo bem: o corpo rasgado e vestido
com roupa passada a ferro, rastos de chamas dentro
do corpo, gritos desesperados sob as conversas: fingir
que está tudo bem: olhas-me e só tu sabes: na rua onde
os nossos olhares se encontram é noite: as pessoas
não imaginam: são tão ridículas as pessoas, tão
desprezíveis: as pessoas falam e não imaginam: nós
olhamo-nos: fingir que está tudo bem: o sangue a ferver
sob a pele igual aos dias antes de tudo, tempestades de
medo nos lábios a sorrir: será que vou morrer?, pergunto
dentro de mim: será que vou morrer? olhas-me e só tu sabes:
ferros em brasa, fogo, silêncio e chuva que não se pode dizer:
amor e morte: fingir que está tudo bem: ter de sorrir: um
oceano que nos queima, um incêndio que nos afoga.

+ SOBRE

https://pt.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Lu%C3%ADs_Peixoto
https://textosdepoesia.wordpress.com/category/jose-luis-peixoto/
http://saopauloreview.com.br/tres-poemas-de-jose-luis-peixoto/
https://www.portaldaliteratura.com/autores.php?autor=395
https://www.escritas.org/pt/jose-luis-peixoto
http://www.joseluispeixoto.net/tag/poemas+de+jos%C3%A9+lu%C3%ADs+peixoto
http://fragmentos-lte.blogspot.com/2012/11/dentro-do-segredo-de-jose-luis-peixoto.html

OUTROS

François-René de Chateaubriand, poeta francês
Juliusz Słowacki, poeta polonês
Antonin Artaud, poeta e ator francês
José Luís Peixoto, escritor, dramaturgo e poeta português
Constantijn Huygens, poeta e compositor holandês
John Dillon, poeta e político irlandês
Richard Wright, romancista americano, escritor de contos, ensaísta e poeta
Vicent Andrés i Estellés, jornalista e poeta espanhol
Jan Švankmajer, escultor checo, designer e poeta.

«EN EL RÍO DEL SUBWAY» por Enrique Lihn

#umpoetaumpoemapordia #308 (3/9)

POETA: ENRIQUE LIHN

Enrique Lihn Carrasco (Santiago, Chile, em 3 de setembro de 1929 – Santiago, Chile, em 10 de julho de 1988) foi um escritor, crítico literário e cartunista chileno, poeta, dramaturgo, ensaísta.

POEMA: EN EL RÍO DEL SUBWAY

Nunca se ve la misma cara dos veces
en el río del subway.
Millones de rostros planctónicos que se hunden en el
centelleo de la oscuridad
o cristalizan al contacto de luz fría
de la publicidade
o un extremo y otro de lo desconocido.

TRADUÇÃO DE: MARCO AURELIO CREMASCO

NO RIO DO METRÔ

Nunca se vê a mesma face duas vezes
no rio do metrô.
Milhões de rostos planctônicos que se fundem na
centelha da obscuridade
ou cristalizam no contato da luz fria
da publicidade
a um extremo e outro do desconhecido.

POEMAS EXTRAÍDOS DE “POESIA TRADUÇÃO”, em BABEL – Revista de Poesia, Tradução e Crítica – N. 2 – maio a agosto, 2000, p.112-116

+ SOBRE

https://escamandro.wordpress.com/2018/03/01/enrique-lihn-1929-1988-por-gilberto-neto/
https://lacitadeunacita.wordpress.com/tag/enrique-lihn/

Dialéctica de la imagen situada


http://www.antoniomiranda.com.br/Iberoamerica/chile/enrique_lihn.html
https://canaldepoesia.blogspot.com/2018/02/enrique-lihn-mais-velho.html
https://circulodepoesia.com/2010/11/foja-de-poesia-no-090-enrique-lihn/
https://es.wikipedia.org/wiki/Enrique_Lihn

OUTROS

Francisco Acuña de Figueroa, poeta uruguaio
Sarah Orne Jewett , romancista, contista e poeta estadunidense
Cherry Wilder , autor e poeta da Nova Zelândia
Adriano Banchieri , escritor, organista, compositor e poeta italiano
Lorenzo Bellini , médico, anatomista e poeta italiano

«O BURACO DO ESPELHO» por Arnaldo Antunes

#umpoetaumpoemapordia #307 (2/9)

POETA: ARNALDO ANTUNES

Arnaldo Augusto Nora Antunes Filho (São Paulo, Brasil, 2 de setembro de 1960) é um cantor, músico, poeta, compositor, DJ, ex-VJ e artista visual brasileiro.

POEMA: O BURACO DO ESPELHO

O buraco do espelho está fechado
agora eu tenho que ficar aqui
com um olho aberto, outro acordado
no lado de lá onde eu caí

Pro lado de cá não tem acesso
mesmo que me chamem pelo nome
mesmo que admitam meu regresso
toda vez que eu vou a porta some

A janela some na parede
a palavra de água se dissolve
na palavra sede, a boca cede
antes de falar, e não se ouve

Já tentei dormir a noite inteira
quatro, cinco, seis da madrugada
vou ficar ali nessa cadeira
uma orelha alerta, outra ligada

O buraco do espelho está fechado
agora eu tenho que ficar agora
fui pelo abandono abandonado
aqui dentro do lado de fora

+ SOBRE

http://www.arnaldoantunes.com.br/new/sec_livros_list.php
http://www.arnaldoantunes.com.br/new/

A poesia concreta de Arnaldo Antunes

Arnaldo Antunes – Poema

https://pt.wikipedia.org/wiki/Arnaldo_Antunes

OUTROS

William Somervile , poeta e escritor inglês
Esteban Echeverría , poeta e autor argentino
Eugene Field , autor e poeta americano
Andreas Embirikos , psicanalista e poeta grego
José Ángel Buesa , poeta cubano
Luz Méndez de la Vega , escritora, jornalista, atriz e poeta guatemalteca

«SAINT-PAUL» por Blaise Cendrars

#umpoetaumpoemapordia #306 (1/9)

POETA: BLAISE CENDRARS

Blaise Cendrars, pseudônimo de Frédéric Louis Sauser (La Chaux-de-Fonds, cantão de Neuchâtel, Suíça, 1 de setembro de 1887 — Paris, 21 de janeiro de 1961) foi um novelista e poeta suíço, tendo escrito em língua francesa

POEMA: SAINT-PAUL

J’adore cette ville
Saint-Paul est selon mon coeur
Ici nulle tradition
Aucun préjugé
Ni ancien ni moderne
Seuls comptent cet appétit furieux cette confiance absolue cet optimisme cette audace ce travail ce labeur cette spéculation qui font construire dix maisons par heure de tous styles ridicules grotesques beaux grands petits nord sud égyptien yankee cubiste
Sans autre préoccupation que de suivre les statistiques prévoir l’avenir le confort l’utilité la plus-value et d’attirer une grosse immigration
Tous les pays
Tous les peuples
J’aime ça
Les deux trois vieilles maisons portugaises qui restent sont des faïences bleues

CENDRARS, Blaise. Poésies complètes. Paris: Denoël, 1947.

TRADUÇÃO DE: Antonio Cicero

Adoro esta cidade
São Paulo do meu coração
Aqui nenhuma tradição
Nenhum preconceito
Nem antigo nem moderno
Só contam este apetite furioso esta confiança absoluta este otimismo esta audácia este trabalho este labor esta especulação que fazem construir dez casas por hora de todos os estilos ridículos grotescos belos grandes pequenos
norte sul egípcio ianque cubista
Sem outra preocupação que a de seguir as estatísticas prever o futuro o conforto a utilidade a mais-valia e atrair uma grande imigração
Todos os países
Todos os povos
Amo isso
As duas três velhas casas portuguesas que sobram são faianças azuis

+ SOBRE

https://pt.wikipedia.org/wiki/Blaise_Cendrars
https://portogente.com.br/colunistas/alessandro-atanes/25987-pagu-tradutora-de-blaise-cendrars
https://circulodepoesia.com/2010/03/poemas-de-blaise-cendrars/
http://antoniocicero.blogspot.com/2013/01/blaise-cenrars-saint-paul-sao-paulo.html
https://www.swissinfo.ch/por/blaise-cendrars-_o-modernista-que-descobriu-o-brasil/33925744
https://blogdocastorp.blogspot.com/2016/07/blaise-cendrars-bahia.html
https://poesiaspreferidas.wordpress.com/2013/01/24/sao-paulo-blaise-cendrars/

OUTROS

Innokenti Fiodorovitch Annenski, poeta russo
Eugène Boch, pintor e poeta belga
Ibn Jubayr , geógrafo e poeta espanhol
Willem Frederik Hermans , autor holandês, poeta e dramaturgo
Per Kirkeby , pintor, escultor e poeta dinamarquês
Roger Casement , diplomata britânico, poeta irlandês e revolucionário

«NOITES DE MACAU» por Sérgio Godinho

#umpoetaumpoemapordia #305 (31/8)

POETA: SÉRGIO GODINHO

Sérgio de Barros Godinho (Porto, Portugal, 31 de Agosto de 1945) é um poeta, compositor, intérprete e, também actor português.

POEMA: NOITES DE MACAU

Macau
São noites já perdidas
Macau
São noites encontradas ao luar
Uma paixão
São noites desgarradas
Esvaídas ao deitar do coração
Ao sangrar de um coração

Macau
Jogar o nada e o tudo
Macau
Um trono de veludo
No apostar de uma emoção
Esperanças penhoradas
Madrugadas
Já sem sombra de ilusão
Ao sangrar de um coração

É já dia
E as asas do morcego
Voo cego
já não batem em redor
Vem dar uma só hora
Ao nosso dia
Vem dar uma só hora
Um só dia à nossa hora
Meu amor

Macau
Viagens sem partidas
Macau
Esperanças ressurgidas
Num diamante já no chão
Apanhe-se ainda vivo
E que ele volte ao lugar
Vazio em vão
Ao lugar do coração

Macau
São noites já perdidas
Macau
São noites encontradas ao luar
Uma paixão
São noites desgarradas
Esvaídas ao deitar do coração
Ao sangrar de um coração

É já dia
E as asas do morcego
Voo cego
já não batem em redor
Vem dar uma só hora
Ao nosso dia
Vem dar uma só hora
Um só dia à nossa hora
Meu amor

+ SOBRE

https://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A9rgio_Godinho
https://www.vagalume.com.br/sergio-godinho/
http://anabelapmatias.blogspot.com/2016/05/sergio-godinho.html

OUTROS

Théophile Gautier, poeta francês
Agnes Bulmer, poeta e escritor inglês
August Alle, poeta e autor estoniano
Amrita Preetam, poeta e escritor indiano
György Károly, poeta e escritor húngaro
Raymond P. Hammond, poeta e crítico americano
Álvaro García, poeta espanhol

«EL RÍO ES UN GRAN POETA» por Julio Correa

#umpoetaumpoemapordia #304 (30/8)

POETA: JULIO CORREA

Julio Correa Myzkowsky (Assunção, 30 de agosto de 1890 — Luque, 14 de julho de 1953) foi um poeta paraguaio e fundador do teatro paraguaio em língua guarani.

POEMA: EL RÍO ES UN GRAN POETA

El río es un gran poeta
que va cantando su ensueño
de amor y de libertad
en la guitarra del viento.
El río es un gran poeta
que dice un poema inmenso
en el lenguaje de Dios.
No le culpéis de los muertos
que los bandidos le arrojan
desesperados de miedo,
por escapar al castigo
que llegará justiciero.
El río es un gran poeta
que dice su poema inmenso.
Él va cantando, cantando
y la magia de su estro
está gestando amorosa
el canto del hombre nuevo,
con el crujir de protesta
de todos los esqueletos
de las víctimas que el odio
cobarde le echó a su lecho.
El río es el gran poeta
que cantará el poema inmenso!

Publicado en: Cuerpo y Alma. Poesías.
1ª. ed. Buenos Aires. Difusam, 1943.

TRADUÇÃO DE: Sólon Borges do Reis

O RIO É UM GRANDE POETA

É o rio um grande poeta
que vai cantando seus sonhos
de amor e de liberdade
com a guitarra do vento.

O rio, um grande poeta
que diz um poema imenso
numa linguagem de Deus.

Não o culpeis pelos mortos
que os bandidos lhe atiram
desesperados de medo,
para escapar ao castigo
que chegará justiceiro.

O rio, um grande poeta
que diz seu poema imenso.

É o rio grande poeta
que vai cantando… cantando…
e a magia de seu estro
está gerando, amorosa,
o canto do homem novo,
como ranger de protestos
de todos os esqueletos
das vítimas que, covarde,
jogou em seu leito o ódio.

O rio, um grande poeta
Que cantará o canto novo.

+ SOBRE

https://pt.wikipedia.org/wiki/Julio_Correa
http://www.abc.com.py/edicion-impresa/suplementos/cultural/julio-correa-y-su-poesia-emblematica-706648.html
http://www.staff.uni-mainz.de/lustig/guarani/correa.htm
http://www.portalguarani.com/378_julio_correa/6197_peicha_286uarante_cosas_de_titeres_adelante_y_el_rio_es_un_gran_poeta__poesias_de_julio_correa_.html
http://www.antoniomiranda.com.br/Iberoamerica/paraguai/julio_correa.html

OUTROS

Julio Correa, poeta paraguaio
Theo van Doesburg, artista e poeta neerlandês
Théophile Gautier , poeta e romancista francês

«GABILA» por Apolinário Porto-Alegre

#umpoetaumpoemapordia #303 (29/8)

POETA: APOLINÁRIO PORTO-ALEGRE

Apolinário José Gomes Porto-Alegre (Rio Grande, 29 de agosto de 1844 — Porto Alegre, 23 de março de 1904) foi um escritor, historiógrafo, poeta e jornalista brasileiro. É considerado um dos autores mais importantes do Rio Grande do Sul.

POEMA: GABILA

Eis a roça. A maniva grela e punge
Nos camalhões em renque. O sol da América
Surgindo dentre lindas, róseas nuvens,
Fulge nos brotos ao nascer dourados.
Os escravos ali, de enxada em punho,
Trabalham, e ao vaivém certo e incessante
Dos afiados ferros, em compasso,
Desprendem a monótona cantiga
Que a pátria longe evoca, além dos mares.
As tristes vozes na floresta em torno,
Onde livre resplende a natureza,
Onde tudo se curva a Deus somente,
Ecoam como satânica risada,
Como vivo sarcasmo que desonra
O pavilhão dum povo. Cantem, míseros;
Cantem, isto consola ao peito aflito.
No cruento rigor do cativeiro
É traduzir em vibrações solenes
A saudade que a alma dilacera
Cantem, porém trabalhem sem descanso,
Que, fero o cenho, o capataz vigila.

+ SOBRE

http://tede2.pucrs.br/tede2/handle/tede/2017
https://pt.wikipedia.org/wiki/Apolin%C3%A1rio_Porto-Alegre
https://www.literaturabrasileira.ufsc.br/autores/?id=5500
http://repositorio.pucrs.br/dspace/handle/10923/4004

OUTROS

Oliver Wendell Holmes, escritor, poeta e professor estadunidense
Edward Carpenter, poeta britânico
Maurice Maeterlinck, dramaturgo e poeta belga
Juan Rico e Amat , poeta, historiador político, jornalista e dramaturgo espanhol
Manuel Machado , poeta espanhol
Janus Pannonius , bispo e poeta húngaro
Giovanni Battista Casti , poeta e autor italiano
Thom Gunn , poeta e acadêmico inglês-americano
Karen Hesse , autora e poeta americana

«O SOL É GRANDE» por Sá de Miranda

#umpoetaumpoemapordia #302 (28/8)

POETA: SÁ DE MIRANDA

Francisco de Sá de Miranda (Coimbra, Portugal, 28 de agosto de 1481 — Amares, 15 de março de 1558) foi um poeta português, introdutor do soneto e do Dolce Stil Nuovo na nossa língua.

POEMA: O SOL É GRANDE

O sol é grande: caem co’a calma as aves,
Do tempo em tal sazão, que sói ser fria.
Esta água que de alto cai acordar-me-ia,
Do sono não, mas de cuidados graves.

Ó cousas todas vãs, todas mudaves,
Qual é tal coração que em vós confia?
Passam os tempos, vai dia trás dia,
Incertos muito mais que ao vento as naves.

Eu vira já aqui sombras, vira flores,
Vi tantas águas, vi tanta verdura,
As aves todas cantavam de amores.

Tudo é seco e mudo; e, de mistura,
Também mudando-me eu fiz doutras cores.
E tudo o mais renova: isto é sem cura!

Sá de Miranda. In Poesias Escolhidas. Introdução, seleção e crítica de José V. de Pina Martins. Editorial Verbo, Lisboa, 1969

+ SOBRE

http://www.algumapoesia.com.br/poesia/poesianet065.htm
https://pt.wikipedia.org/wiki/Sá_de_Miranda
http://www.antoniomiranda.com.br/Iberoamerica/portugal/sa_de_miranda.html
https://daliedaqui.blogspot.com/2010/04/poesia-de-sa-de-miranda.html

Poesias de Sá de Miranda

OUTROS

Sá de Miranda, poeta português Francisco de Sá de Miranda , poeta português
Thomas Aird, poeta britânico
Hermes Fontes, compositor e poeta brasileiro
John Betjeman, poeta britânico
Johann Wolfgang von Goethe, romancista, poeta, cientista, dramaturgo e escritor romântico alemão
August Kippasto, lutador e poeta estoniano-australiano
Firaq Gorakhpuri, escritor, poeta e crítico indiano
Andrei Platonov, autor e poeta russo
Janet Frame, autor e poeta da Nova Zelândia
Rita Dove, poeta e ensaísta americana

«ESCAMOTEO…» por Amado Nervo

#umpoetaumpoemapordia #301 (27/8)

POETA: AMADO NERVO

pseudônimo de Juan Crisóstomo Ruiz de Nervo, (Tepic, Nayarit, México, 27 de agosto de 1870 — Montevidéu, 24 de maio de 1919) foi um poeta mexicano.

POEMA: ESCAMOTEO…

Con tu desaparición
es tal mi estupefacción,
mi pasmo, que a veces creo
que ha sido un escamoteo,
una burla, una ilusión;

que tal vez sueño despierto,
que muy pronto te veré,
y que me dirás: “¡No es cierto,
vida mía, no me he muerto;
ya no llores…, bésame!”

Marzo de 1912

+ SOBRE

http://bibliotecadigital.ilce.edu.mx/sites/fondo2000/vol2/27/htm/sec_9.html
https://www.poesi.as/anai0106.htm
http://amediavoz.com/nervo.htm
https://elrincondemisdesvarios.blogspot.com/2016/07/amado-nervo-6-poemas-de-amor.html
https://pt.wikipedia.org/wiki/Amado_Nervo
http://www.culturamas.es/blog/2010/07/04/la-amada-inmovil-de-amado-nervo-seleccion/

OUTROS

Theodore Dreiser, escritor e poeta americano
Manuel Acuña , poeta mexicano
Bertalan Szemere , poeta e político húngaro
Ivan Franko , autor e poeta ucraniano
Kenji Miyazawa , autor e poeta japonês
David Rowbotham , jornalista e poeta australiano
Jaswant Singh Neki , poeta e acadêmico indiano
Sri Chinmoy , guru e poeta indiano-americano
Tom Lanoye , autor, poeta e dramaturgo belga
András Petőcz , autor e poeta húngaro

«LA CARPE» por Guillaume Apollinaire

#umpoetaumpoemapordia #300 (26/8)

POETA: GUILLAUME APOLLINAIRE

(nascido Wilhelm Albert Włodzimierz Apolinary de Wąż-Kostrowicki, Roma, Itália, 26 de agosto de 1880 — Paris, França, 9 de novembro de 1918) foi um escritor e crítico de arte francês, possivelmente o mais importante ativista cultural das vanguardas do início do século XX, conhecido particularmente por sua poesia sem pontuação e gráfica, e por ter escrito manifestos importantes para as vanguardas na França, tais como o do Cubismo, além de ser o criador da palavra Surrealismo.

POEMA: LA CARPE

La carpe
Dans vos viviers, dans vos étangs,
Carpes, que vous vivez longtemps!
Est-ce que la mort vous oublie,
Poissons de la mélancolie.

TRADUÇÃO DE: Raymundo Magalhães Júnior

A carpa
Carpas, viveis tão longa vida
Nesses viveiros de água fria!
Será que a morte vos olvida,
Ó peixes da melancolia.

“As carpas”. In: Antologia de poetas franceses. [organização Raymundo Magalhães Jr.; vários tradutores]. Rio de Janeiro: Gráfica Tupy Ltda Editora, 1950.

+ SOBRE

https://pt.wikipedia.org/wiki/Guillaume_Apollinaire

Guillaume Apollinaire – poemas


http://www.jornalopcao.com.br/colunas/imprensa/quatro-traducoes-de-um-poema-de-guillaume-apollinaire
http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_visual/apollinaire.html
http://wwwpoetanarquista.blogspot.com/2013/11/poesia-guillaume-apollinaire.html
http://www.revistazunai.com/traducoes/guillaume_apollinaire.htm

Guillaume Apollinaire – Poema


https://www.escritas.org/pt/guillaume-apollinaire

OUTROS

Bartolomé Leonardo de Argensola, poeta e historiador espanhol
Juan B. Delgado, poeta mexicano
César Atahualpa Rodríguez, poeta peruano
Angel Guinda, poeta espanhol
Rafael Romero Valcárcel , poeta peruano.
Jules Romains , autor e poeta francês
Eleanor Dark , autor e poeta australiano
Fazıl Hüsnü Dağlarca , soldado e poeta turco
Nikky Finney , poeta americano e acadêmico

«NEXT» por Charles Wright

#umpoetaumpoemapordia #299 (25/8)

POETA: CHARLES WRIGHT

(Pickwick Dam, Tennessee, EUA, 25 de agosto de 1935) é um poeta americano.

POEMA: NEXT

I am weary of daily things,
How the limbs of the sycamore
Dip to the snow surge and disaffect;
How the ice moans and the salt swells.
Where is that country I signed for, the one with the lamp,
The one with the penny in each shoe?

I want to lie down, I am so tired, and let
The crab grass seep through my heart,
Side by side with the inchworm and the fallen psalm,
Close to the river bank,
In autumn, the red leaves in the sky
Like lost flags, sidle and drift…

TRADUÇÃO DE: André Caramuru Aubert

Seguinte

Estou cansado das coisas rotineiras,
Como os galhos do plátano, que
Mergulham na força e na má vontade da neve;
Como o gelo se lamenta e o sal se dilata.
Onde fica aquele país no qual me inscrevi, aquele com a lâmpada,
Aquele com uma moeda em cada sapato?

Eu quero me deitar, estou tão cansado, e deixar
Que as ervas daninhas se infiltrem em meu coração,
Lado a lado com as lagartas e os salmos caídos,
Junto à margem do rio,
No outono, as folhas vermelhas no céu,
Como bandeiras que se perderam, à deriva…

+ SOBRE

https://en.wikipedia.org/wiki/Charles_Wright_(poet)
http://rascunho.com.br/charles-wright/

7 poemas de “Sestets” (2009), de Charles Wright

OUTROS

Johann Gottfried Herder, poeta, filósofo e crítico alemão
Nikolaus Lenau, poeta e autor romeno-austríaco
Bret Harte, escritor e poeta americano
David Shimoni, poeta e tradutor bielorrusso-israelense
Dorothea Tanning, pintora, escultora e poeta americana
Charles Ghigna, poeta e escritor americano

«EXISTE UM PLANETA» por Paulo Leminski

#umpoetaumpoemapordia #298 (24/8)

POETA: PAULO LEMINSKI

Paulo Leminski Filho (Curitiba, Paraná, Brasil, 24 de agosto de 1944 — Curitiba, 7 de junho de 1989) foi um escritor, poeta, crítico literário, tradutor e professor brasileiro.

POEMA: EXISTE UM PLANETA

existe um planeta
perdido numa dobra
do sistema solar

aí é fácil confundir
sorrir com chorar

difícil é distinguir
esse planeta de sonhar
– Paulo Leminski, no livro “Caprichos e relaxos”. 1983.

+ SOBRE

https://pt.wikipedia.org/wiki/Paulo_Leminski

15 melhores poemas de Paulo Leminski

Paulo Leminski – 40 Poemas

Paulo Leminski – poemas

OUTROS

Léo Ferré, músico e poeta monegasco
Donizete Galvão, poeta e jornalista brasileiro.
Linton Kwesi Johnson , poeta, músico e ativista jamaicano.
Robert Herrick , poeta britânico
John Taylor , poeta e escritor inglês
Malcolm Cowley , romancista americano, poeta, crítico literário
Jorge Luis Borges , escritor, ensaísta, poeta e tradutor argentino
Gaylord DuBois , autor e poeta americano
AS Byatt , romancista e poeta inglês
Vahur Afanasjev , autor e poeta estoniano
Rosmarie Waldropé um poetatradutora e editora contemporânea americana 

«INVICTUS» por William Ernest Henley

#umpoetaumpoemapordia #297 (23/8)

POETA: WILLIAM ERNEST HENLEY

(Gloucester, Gloucestershire, Inglaterra, Reino Unido – 23 de agosto de 1849 – Woking, Surrey 11 de julho de 1903), foi um escritor britânico.

POEMA: INVICTUS

Out of the night that covers me,
Black as the pit from pole to pole,
I thank whatever gods may be
For my unconquerable soul.

In the fell clutch of circumstance
I have not winced nor cried aloud.
Under the bludgeonings of chance
My head is bloody, but unbowed.

Beyond this place of wrath and tears
Looms but the Horror of the shade,
And yet the menace of the years
Finds and shall find me unafraid.

It matters not how strait the gate,
How charged with punishment the scroll,
I am the master of my fate:
I am the captain of my soul.

TRADUÇÃO DE: Bezerra de Freitas

Invictus

Do fundo da noite que me envolve,
Negra como o Inferno dum polo ao outro,
Eu agradeço aos deuses, não importa quais,
Pela minha alma inconquistável.

Dominado pelas circunstâncias,
Não me rebelei nem me insurgi.
Sob os golpes do destino
Minha cabeça está ensanguentada, mas não pendida.

Além deste vale de cóleras e lágrimas,
Cresce de forma nítida o horror das sombras,
E, no entanto, a ameaça dos anos,
Agora e sempre, me encontrou sem temor.

Não importa que estreito seja o portão,
Como cheio de castigos e pergaminho,
Eu sou o dono do meu destino:
Eu sou o comandante da minha alma.

HENLEY, William Ernest. Invictus. Tradução de Bezerra de Freitas. In: ALVES, Afonso Telles (Seleção e Notas). Antologia de poetas estrangeiros. São Paulo, SP: Logos, out. 1960. p. 165. (“Antologia da Literatura Mundial”; v. 8)

+ SOBRE

http://www.casadacultura.org/Literatura/Poesia/g12_traducoes_do_ingles/invictus_henley_masini.html
https://pt.wikipedia.org/wiki/Invictus_(poema)
http://www.entreculturas.com.br/2012/07/william-ernest-henley-invictus/
https://blogdocastorp.blogspot.com/2017/02/william-ernest-henley-invictus.html

OUTROS

Nazik Al-Malaika, poetisa iraquiana
Edgar Lee Masters , poeta americano
Vladimir Beekman, poeta e tradutor estoniano
Athena Farrokhzad, poeta, dramaturgo e crítico iraniano-sueco

«RESUMÉ» por Dorothy Parker

#umpoetaumpoemapordia #296 (22/8)

POETISA: DOROTHY PARKER

(Long Branch, Nova Jérsei, Estados Unidos, 22 de agosto de 1893 — Nova Iorque, 7 de julho de 1967) foi uma escritora, poetisa, dramaturga e crítica estadunidense, conhecida pelo olhar perspicaz sobre a sociedade norte-americana do início do século XX.

POEMA: RESUMÉ

Razors pain you;
Rivers are damp;
Acids stain you;
And drugs cause cramp.
Guns aren’t lawful;
Nooses give;
Gas smells awful;
You might as well live.

TRADUÇÃO DE:

Navalha dói. 
Rios são úmidos. 
Ácido mancha. 
Drogas dão cãibras. 
Revólveres são ilegais. 
Forcas cedem. 
O gás tem um cheiro horrível. 
Melhor ficar viva.

+ SOBRE

https://pt.wikipedia.org/wiki/Dorothy_Parker
https://flabbergasted2.wordpress.com/2011/03/26/excuse-my-dust-dorothy-parker/
http://formasfixas.blogspot.com/2014/02/07-poemas-de-dorothy-parker.html
http://transcriacao.blogspot.com/2013/05/menos-que-um-dorothy-parker-anti.html
https://www.escritas.org/pt/dorothy-parker
http://mundofantasmo.blogspot.com/2008/03/0331-dorothy-parker-1142004.html

OUTROS

Luis Felipe Vivanco, poeta espanhol
Carlos Geywitz, poeta chileno
Georges de Scudéry, autor francês, poeta e dramaturgo
Jean Regnault de Segrais, autor e poeta francês
James Kirke Paulding, poeta, dramaturgo e político americano
Samuel David Luzzatto, poeta e estudioso italiano
Gorch Fock, autor e poeta alemão

«CASA DESTELHADA» por Bento Prado Júnior

#umpoetaumpoemapordia #295 (21/8)

POETA: BENTO PRADO JR

Bento Prado de Almeida Ferraz Júnior, conhecido como Bento Prado, ou Prado Jr. (Jaú, 21 de agosto de 1937 — São Carlos, 12 de janeiro de 2007), foi filósofo, escritor, professor, crítico literário, tradutor e poeta brasileiro.

POEMA: CASA DESTELHADA

A casa é um templo humilde, em cujo teto
há goteiras que choram, noite e dia;
o seu recinto todo está repleto
do verde musgo, que a humanidade cria.

Oculta um monge de sereno aspecto
na solidão do templo, a luz sombria.
Vota-lhe o monge singular afeto,
que lhe aviventa a fonte da poesia.

Nunca lhe entre os umbrais alma profana!
Lugar tão venerando dessa forma,
ofendê-lo-á, por certo, a vista humana!

Pois se procede, nesse ambiente sério,
ao milagre da dor, que se transforma,
no cadinho do amor, em refrigério…

+ SOBRE

https://www.escritas.org/pt/bento-prado-junior
http://www.jornaldepoesia.jor.br/bpra01.html

Bento Prado de Almeida Ferraz Júnior


http://tarrenego.blogspot.com/2016/08/bento-prado-junior.html
https://pt.wikipedia.org/wiki/Bento_Prado_Júnior

OUTROS

William Henry Ogilvie , poeta e autor escocês-australiano
Ruth Manning-Sanders , escritor e poeta galês-inglês
Can Yücel , poeta e tradutor turco
XJ Kennedy , poeta, tradutor, antologista, editor estadunidense

«CONSIDERAÇÕES DE ANINHA» por Cora Coralina

#umpoetaumpoemapordia #294 (20/8)

POETISA: CORA CORALINA

pseudônimo de Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas (Cidade de Goiás, Goiás, Brasil, 20 de agosto de 1889 — Goiânia, 10 de abril de 1985), foi uma poetisa e contista brasileira. Considerada uma das mais importantes escritoras brasileiras, ela teve seu primeiro livro publicado em junho de 1965 (Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais),[1] quando já tinha quase 76 anos de idade

POEMA: CONSIDERAÇÕES DE ANINHA

Melhor do que a criatura,
fez o criador a criação.
A criatura é limitada.
O tempo, o espaço,
normas e costumes.
Erros e acertos.
A criação é ilimitada.
Excede o tempo e o meio.
Projeta-se no Cosmos

+ SOBRE

https://pt.wikipedia.org/wiki/Cora_Coralina

Cinco poesias de Cora Coralina para ler e se encantar

3 inspiradores poemas de Cora Coralina


http://www.jornaldepoesia.jor.br/cora.html
https://www.portalraizes.com/livros-para-entrar-no-universo-de-cora-coralina/

Cora Coralina – 15 Poemas

OUTROS

Matias de Lima, poeta português
Dina Mangabeira, poetisa brasileira
Robustiana Armiño , poetisa espanhola
Dino Campana , poeta e autor italiano
Salvatore Quasimodo , poeta italiano, Prêmio Nobel de Literatura em 1959
Jean Gebser , poeta e linguista alemão
Jakub Bart-Ćišinski , poeta e dramaturgo alemão
Edgar Guest , poeta e escritor inglês-americano
Tarjei Vesaas , autor e poeta norueguês

«ENTRE» por Haroldo de Campos

#umpoetaumpoemapordia #293 (19/8)

POETA: HAROLDO DE CAMPOS

Haroldo Eurico Browne de Campos (São Paulo, SP, Brasil, 19 de agosto de 1929 — São Paulo, 16 de agosto de 2003) foi um poeta e tradutor brasileiro.

Em 1952, Décio, Haroldo e seu irmão Augusto de Campos rompem com o Clube, por divergirem quanto ao conservadorismo predominante entre os poetas, conhecidos como “Geração de 45”. Fundam, então, o grupo Noigandres, passando a publicar poemas na revista do grupo, de mesmo título. Nos anos seguintes, defendeu as teses que levariam os três a inaugurar, em 1956, o movimento concretista, ao qual se manteve fiel até o ano de 1963, quando inaugura um trajeto particular, centrando suas atenções no projeto do livro-poema “Galáxias”.

POEMA:

+ SOBRE

https://pt.wikipedia.org/wiki/Haroldo_de_Campos
http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_visual/hsroldo_de_campos.html
https://www.escritas.org/pt/haroldo-de-campos
http://www.elfikurten.com.br/2016/02/haroldo-de-campos.html
http://www.algumapoesia.com.br/poesia/poesianet033.htm
Enigma — poema de Haroldo de Campos

Haroldo de Campos – Poema Selecionado


https://mundoeducacao.bol.uol.com.br/literatura/a-poesia-visual-concretismo.htm
.
.

OUTROS

Íñigo López de Mendoza, 1º Marquês de Santillana, poeta espanhol
Ogden Nash, poeta norte-americano
Kátya Chamma, compositora, cantora e poeta brasileira
Ana Miranda , escritora, poeta e exploradora brasileira.
Gerbrand van den Eeckhout , pintor holandês, etcher e poeta
John Dryden , poeta inglês, crítico literário e dramaturgo
Claude Gauvreau , poeta e dramaturgo canadiano
Bodil Malmsten , autor e poeta sueco

«DU VAR VINDEN» por Olav H. Hauge

#umpoetaumpoemapordia #292 (18/8)

POETA: OLAV H. HAUGE

Olav Håkonson Hauge (Ulvik, Noruega, 18 de agosto de 1908 – Ulvik, 23 de maio de 1994) foi um horticultor, tradutor e poeta norueguês

POEMA: DU VAR VINDEN

Eg er ein båt
utan vind.
Du var vinden.
Var det den leidi eg skulde?
Kven spør etter leidi
når ein har slik vind!

TRADUÇÃO DE:

Foste o vento

Eu sou um barco
sem vento.
Tu foste o vento.
Era este, o meu rumo?
Ao diabo a rota
com um vento assim!

(In Dropar i Austavind (Gotas no Vento Oeste), ( 1966), Olav H. Hauge, um dos mais celebrados poetas noruegueses, tradutor de poesia, agricultor-fruticultor de toda a vida.

TRADUÇÃO DE: Amadeu Baptista

TU ERAS O VENTO

Sou um barco
sem vento.
Tu eras o vento.
Era esse o rumo que eu devia tomar?
A quem importa o rumo
com um vento assim!
Dropar i austavind, 1966

+ SOBRE

https://en.wikipedia.org/wiki/Olav_H._Hauge
http://qohelet.altervista.org/pagine/Sogno_Hauge/Hauge.htm

Poesía noruega: Olav H. Hauge


https://ancorasenefelibatas.net/2012/06/23/foste-o-vento-du-var-vinden/
https://poemadelasemana.wordpress.com/2008/11/10/olav-h-hauge-noruega-1908-1994/
https://ancorasenefelibatas.net/2013/03/11/ler-os-outros-mais-hauge-em-portugues/
http://amadeubaptista.blogspot.com/2013/03/olav-h-hauge.html
http://universosdesfeitos-insonia.blogspot.com/search?q=hauge
http://faustomarcelo.blogspot.com/2016/02/poemas-de-olav-h-hauge.html

OUTROS

Jami, poeta persa
Marko Marulić, poeta croata
Nettie Palmer, poeta e crítico australiano
Gulzar, poeta indiano, autor e diretor de cinema

«FIDELITY» por Ted Hughes

#umpoetaumpoemapordia #291 (17/8)

POETA: TED HUGHS

Edward James Hughes (West Yorkshire, Inglaterra, Reino Unido, 17 de agosto de 1930 – Londres, 28 de outubro de 1998) foi um poeta e escritor de livros infantis britânico, comummente considerado pela crítica como um dos melhores poetas de sua geração. Foi casado e teve dois filhos com a romancista e poetisa Sylvia Plath.

POEMA: FIDELITY

It was somewhere to live. I was
Just hanging around, courting you.
Afloat on the morning tide and tipsy feelings
Of my twenty-fifth year. Gutted, restyled
A la mode, the Alexandria House
Became a soup-kitchen. Those were the days
Before the avant-garde of coffee bars.
The canteen clatter of the British Restaurant,
One of the war’s utility leftovers,
Was still the place to repair the nights with breakfasts.
But Alexandria House was the place to be seen in.
The girls that helped to run it lived above it
With a retinue of loose-lifers, day-sleepers
Exhausted with night-owling.
Somehow I got a mattress up there, in a top room,
Overlooking Petty Cury. A bare
Mattress, on bare boards, in a bare room.
All I had, my notebook and that mattress.
Under the opening, bud-sticky chesnuts,
On into June, my job chucked, I laboured
Only at you, squandering all I’d saved.
Free of University I dangled
In its liberties.
Every night I slept on that mattress, under one blanket,
With a lovely girl, escaped freshly
From her husband to the frontier exposure
Of work in the soup-kitchen. What
Knighthood possessed me there? I think of it
As a kind of time that cannot pass,
That I never used, so still possess.
She and I slept in each other’s arms,
Naked and as easy as lovers, a month of nights,
Yet never once made love. A holy law
Had invented itself, somehow, for me.
But she too served it, like a priestess,
Tender, kind and stark naked beside me.
She traced out the fresh rips you had inscribed
Across my back, seeming to join me
In my obsession, in my concentration,
To keep my preoccupation intact.
She never once invited, never tempted.
And I never stirred a finger beyond
Sisterly comforting. I was like her sister.
It never seemed unnatural. I was focused,
So locked onto you, so brilliantly,
Everything that was not you was blind-spot.
I still puzzle over it — doubtful, now,
Whether to envy myself, or pity. Her friend,
Who had a bigger room, was wilder.
We moved in with her. That lofty room
Became a dormitory and HQ
Alternative to St Botolph’s. Plump and pretty,
With a shameless gap-tooth laugh, her friend
Did all she could to get me inside her.
And you will never know what a battle
I fought to keep the meaning of my words
Solid with the world we were making.
I was afraid, if I lost that fight,
Something might abandon us. Lifting
Each of those naked girls, as they smiled at me
In their early twenties, I laid them
Under the threshold of our unlikely future
As those who wanted protection for a new home
Used to bury, under the new threshold,
A sinless child.

TRADUÇÃO DE: Manuel Dias

ted hughes / fidelidade

Era um lugar para viver. Andava
só a ver passar o tempo, a namorar-te,
a flutuar na maré da manhã com as confusas sensações
dos meus vinte e cinco anos. Esvaziada e redecorada
À la mode, a Alexandra House
tinha-se tomado a sopa dos pobres. Estes eram os dias
anteriores à moda vanguardista dos cafés.
A ruidosa cantina do Restaurante Britânico,
uma das marcas deixadas pela guerra,
era um lugar para retemperar noitadas com pequenos-almoços.
Mas a Alexandra House era o lugar onde se ia para ser visto.
As raparigas que recebiam viviam no andar de cima,
acompanhadas por um grupo de perdidos, pessoas que só
dormiam de dia,
exaustos de andarem pela noite. Nem sei como
consegui um colchão ali, num quarto do andar de cima,
com vista para Petty Cury. Um colchão
sem mais, em cima de umas tábuas nuas, num quarto vazio.
Era tudo o que eu tinha, o meu caderno e aquele colchão.
Sob os pegajosos ouriços dos castanheiros que se abriam,
pelo mês de Junho, abandonei o emprego, preocupava-me
só contigo, esbanjando tudo o que tinha poupado.
Livre da Universidade perdia-me
nas suas liberdades. Todas as noites
dormia naquele colchão, debaixo de uma manta,
com uma rapariga encantadora, que acabava de se escapar
ao marido para aquela experiência limite
de servir na sopa dos pobres. Que
cavalheirismo se apoderou de mim? Penso nisto tudo
como se tivesse acontecido num tempo que nunca passou,
que nunca usei, e ainda está, portanto, em meu poder.
Essa rapariga e eu dormimos nos braços um do outro,
nus e tranquilos como amantes, todas as noites, durante um mês,
sem nunca termos feito amor. Uma qualquer lei sagrada
tinha sido inventada só para mim.
Mas também ela lhe obedecia, como uma sacerdotisa,
delicada e meiga e completamente nua a meu lado.
Seguia com o dedo os arranhões que tu tinhas acabado
de inscrever
a toda a largura das minhas costas, e até parecia que se queria
juntar a mim
na minha obsessão, na minha concentração,
para manter a minha preocupação intacta.
Nem uma única vez me convidou, nunca tentou nada.
E eu nunca movi um dedo para além
de um consolo fraterno. Eu era como uma irmã,
e aquilo nunca me pareceu antinatural. Estava absorto,
tão fechado em ti, de uma forma tão cega,
que tudo o que não fosses tu não existia para mim.
E ainda hoje medito — embora já tenha dúvidas
se é motivo para me orgulhar, ou para me lamentar. A sua amiga
tinha um quarto maior, e era mais selvagem.
Mudámo-nos e ficámos no quarto dela. Aquele quarto enorme
transformou-se em dormitório e em quartel-general
alternativo a St Botolph’s. Bonita e roliça,
com um desenvergonhado riso de dentes ralos, esta
sua amiga
fez tudo o que pôde para me ter dentro dela.
E nunca saberás da batalha
que eu travei para manter o sentido às minhas palavras,
no mundo que nós estávamos a construir.
Eu tinha medo que, se perdesse aquela luta,
alguma coisa nos abandonasse. Erguendo do solo uma
daquelas raparigas nuas, enquanto elas me sorriam
nos seus vinte e poucos anos, coloquei-as
no limiar do nosso improvável futuro
como aqueles que, precisando de proteger a sua casa
tinham por hábito sepultar, no limiar da nova casa,
uma criança inocente.

ted hughes
cartas de aniversário
trad. de manuel dias
relógio d´água
2000

+ SOBRE

https://pt.wikipedia.org/wiki/Ted_Hughes
http://www.babelmatrix.org/works/en/Hughes%2C_Ted-1930/Fidelity
https://canaldepoesia.blogspot.com/2012/01/ted-hughes-fidelidade.html
http://amediavoz.com/hughes.htm
http://www.elfikurten.com.br/2018/04/ted-hughes-poemas.html

OUTROS

Fagundes Varela, poeta brasileiro e patrono da Academia Brasileira de Letras
Liberato Marcial Rojas, político, jornalista e poeta paraguaio.
Carlos Alberto Leumann , jornalista e poeta argentino
Oliverio Girondo , poeta argentino
António Botto , poeta português
Wilfrid Scawen Blunt , poeta inglês e ativista
Evan S. Connell , romancista americano, poeta e escritor de contos
Rachel Pollack , autora americana, poeta e educadora
Herta Müller , poeta e escritora romeno-alemã, laureada com o Prêmio Nobel
Korrie Layun Rampan , autor indonésio, poeta e crítico
Laurence Overmire , poeta, escritor e ator americano

«POESIA MATEMÁTICA» por Millôr Fernandes

#umpoetaumpoemapordia #290 (16/8)

POETA: MILLÔR FERNANDES

Millôr Viola Fernandes (Rio de Janeiro, 16 de agosto de 1923[1] — 27 de março de 2012), foi um desenhista, humorista, dramaturgo, escritor, poeta, tradutor e jornalista brasileiro. Conquistou notoriedade por suas colunas de humor gráfico em publicações como Veja, O Pasquim e Jornal do Brasil.

POEMA: POESIA MATEMÁTICA

Às folhas tantas
Do livro matemático
Um Quociente apaixonou-se
Um dia
Doidamente
Por uma Incógnita.
Olhou-a com seu olhar inumerável
E viu-a, do Ápice à Base,
Uma Figura Ímpar;
Olhos rombóides, boca trapezóide,
Corpo otogonal, seios esferóides.
Fez da sua
Uma vida
Paralela a dela
Até que se encontraram
No Infinito.
“Quem és tu?”indagou ele
Com ânsia radical.
“Sou a soma dos quadrados dos catetos.
Mas pode me chamar de Hipotenusa.”
E de falarem descobriram que eram
– O que, em aritmética, corresponde
A almas irmãs –
Primos-entre-si.
E assim se amaram
Ao quadrado da velocidade da luz
Numa sexta potenciação
Traçando
Ao sabor do momento
E da paixão
Retas, curvas, círculos e linhas sinoidais.
Escandalizaram os ortodoxos das fórmulas euclideanas
E os exegetas do Universo Finito.
Romperam convenções newtonianas e pitagóricas.
E, enfim, resolveram se casar
Constituir um lar.
Mais que um lar,
Uma perpendicular.

Convidaram para padrinhos
O Poliedro e a Bissetriz.
E fizeram planos, equações e diagramas para o futuro
Sonhando com uma felicidade
Integral
E diferencial.
E se casaram e tiveram uma secante e três cones
Muito engraçadinhos
E foram felizes
Até aquele dia
Em que tudo, afinal,
Vira monotonia.
Foi então que surgiu
O Máximo Divisor Comum
Freqüentador de Círculos Concêntricos.
Viciosos.
Ofereceu-lhe, a ela,
Uma Grandeza Absoluta,
E reduziu-a a um Denominador Comum.
Ele, Quociente, percebeu
Que com ela não formava mais Um Todo,
Uma Unidade. Era o Triângulo,
Tanto chamado amoroso.
Desse problema ela era a fração
Mais ordinária.
Mas foi então que o Einstein descobriu a Relatividade
E tudo que era expúrio passou a ser
Moralidade
Como, aliás, em qualquer
Sociedade.

+ SOBRE

https://pt.wikipedia.org/wiki/Millôr_Fernandes
http://www.jornaldepoesia.jor.br/millor.html
http://www.jornaldepoesia.jor.br/millor07.html
https://cdeassis.wordpress.com/tag/millor-fernandes/
https://www1.folha.uol.com.br/livrariadafolha/2014/07/1493236-leia-poemas-de-millor-fernandes-escritos-na-decada-de-1940.shtml
https://www.luso-poemas.net/modules/news03/article.php?storyid=1602

Poesia Geométrica – Millor Fernandes

OUTROS

Jules Laforgue, poeta franco-uruguaio
António Nobre, poeta romântico português
Charles Bukowski , escritor e poeta americano
Eduardo Cote Lamus , poeta e político colombiano
Mary Gilmore , socialista, poeta e jornalista australiana
Reiner Kunze , poeta e tradutor alemão

«BRIGA DE TOUROS» por Zeno Cardoso

#umpoetaumpoemapordia #289 (15/8)

POETA: ZENO CARDOSO

Zeno Cardoso Nunes (São Francisco de Paula, RS, Brasil, 15 de agosto de 1917 – Porto Alegre, 27 de fevereiro de 2011) foi um advogado, escritor e jornalista brasileiro.

POEMA: BRIGA DE TOUROS

A chuva de verão passou. Veio a estiada.
O sol, a pino. A terra, inda molhada.
Um Zebu está esperando no rodeio
outro touro, um Crioulo guapo e feio
que sempre fora o dono da invernada,
e a passo largo vem se aproximando,
e vem cavando terra, e vem berrando
tão grosso que parece trovoada!
Encontram-se e pelejam com denodo,
pondo em agitação o gado todo.
As aspas do Zebu, velozes como o raio,
riscam do contendor o pêlo baio
que ao sol reluz e brilha,
enquanto os cascos de ambos, como arados,
sulcam os pêlos verdes e molhados
do lombo da coxilha!
No ardor da luta entesam os pescoços,
enrijecendo os músculos potentes
em férrea contração!
Depois vão se golpeando duramente,
com orgulho de touro não vencido,
com destreza de tigre enfurecido,
com raiva e decisão!
Uma hora eles passam nessa luta
de esforços colossais,
mas, envoltos na fúria do mormaço,
sentem fraquear os músculos de aço,
lutar nem podem mais.
Há pairando no ar morno e pesado
um forte cheiro de chifre queimado.
Os dois touros, briosos e valentes,
são iguais na coragem, no valor.
Mas no entrechoque bárbaro das guampas
o destemido filho aqui dos pampas
começa a demonstrar que é superior.
O zebu bem conhece a luta bruta
lá da Índia selvagem de onde veio,
mas não pode vencer, por mais que o queira,
o touro aqui da terra brasileira
que o obriga a deixar o seu rodeio.
E triste, machucado e abatido,
depois de luta tão desesperada,
o pobre touro, além de ser vencido,
inda foi pelo outro perseguido
até sair de dentro da invernada.
Dias depois os corvos carniceiros,
voejando por cima de um banhado,
indicavam aos olhos dos campeiros
o lugar onde estava, entre espinheiros,
o cadáver do touro derrotado.
O seu corpo, que o sol acariciava,
parece que tranquilo descansava
do combate fatal,
enquanto em torno o gado, compungido,
cheirando o chão, de um jeito comovido,
berrava tristemente em funeral,].
Dentre aquela sentida orquestração
destacou-se um mugido forte e grosso
que reboou plangente no rincão:
Era o berro do touro brasileiro
lamentando o destino do estrangeiro
que quisera ser dono do seu chão.
P. Alegre. 1942

+ SOBRE

http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/rio_grade_sul/zeno_cardoso.html
https://pt.wikipedia.org/wiki/Zeno_Cardoso_Nunes
http://www.paginadogaucho.com.br/poes/zcn-bt.htm

OUTROS

Luigi Pulci, poeta italiano
Matthias Claudius, poeta alemão
Frei Luis de León, poeta e religioso agostiniano espanhol
Sri Aurobindo, guru indiano, poeta, filósofo, político, e iogue indiano
Walter Scott, romancista, dramaturgo e poeta escocês
E. Nesbit, escritor e poeta inglês
Jan Brzechwa, escritor e poeta polonês

«ESTA TIERRA ES HERMOSA» por Manuel J. Castilla

#umpoetaumpoemapordia #288 (14/8)

POETA: MANUEL J. CASTILLA

José Manuel Castilla (Cerrillos, Província de Salta, Argentina, 14 em agosto de 1918 – Salta, 19 de julho de 1980), geralmente citado como Manuel J. Castilla, era um poeta, letrista, escritor e jornalista argentino.

POEMA: ESTA TIERRA ES HERMOSA

Esta tierra es hermosa.
Crece sobre mis ojos como una abierta claridad asombrada.
La nombro con las cosas que voy amando y que me duelen;
Montañas pensativas, lunas que se alzan sobre el chaco
Como una boca de horno de pan recién prendido,
Yuchanes de leyenda
En donde duermen indios y ríos esplendentes,
Gauchos envueltos en una gruesa cáscara de silencio
Y bejucos volcando su azulina inocencia.
Todo eso quiero.
Y hablo de contrapuntos encrespados
Y de lo que ellos para virilmente sangrientos
Cuando el vino en la muerte es un adiós morado.

Esta tierra es hermosa.
Déjenme que la alabe desbordado,
Que la vaya cavando
De canto en canto turbio
Y en semilla y semilla demorado.
Ocurre que me pasa que la pienso despacio
Y que empieza a dolerme casi como un recuerdo,
Y sin embargo, triste, la festejo.
Mato los colibríes que la elogian
Como quien apagara los pétalos del aire.
Hondeo como un niño ángeles y campanas
Y cuando así, dolido, la desnudo,
Cuando así la lastimo,
Me crece, ay, una lágrima en la que apenas si me reconozco.

Digo que me le entrego.
Digo que sin saber la voy amando,
Y digo que me vaya perdonando
Y en un perdón y en otro que le pido
Digo que alegremente voy sangrando.

+ SOBRE

https://licricardososa.wordpress.com/2011/11/06/manuel-j-castilla-poesia/
http://poeticamentecorrecto.blogspot.com/2007/03/algunos-poemas-de-manuel-castilla.html
https://es.wikipedia.org/wiki/Manuel_J._Castilla
http://amaabaria.over-blog.com/article-manuel-j-castilla-el-gozante-87858035.html

OUTROS

Letitia Elizabeth Landon, poetisa e romancista britânica
Robert Hayman, poeta e político inglês-canadense
Ernest Thayer, poeta e autor americano.

«A UM SABIÁ» por Gonçalves de Magalhães

#umpoetaumpoemapordia #287 (13/8)

POETA: GONÇALVES DE MAGALHÃES

Domingos José Gonçalves de Magalhães, primeiro e único barão e visconde do Araguaia, (Rio de Janeiro, Brasil, 13 de agosto de 1811 – Roma, 10 de julho de 1882) foi um médico, professor, diplomata, político, poeta e ensaísta brasileiro, tendo participado de missões diplomáticas na França, Itália, Vaticano, Argentina, Uruguai e Paraguai, além de ter representado a província do Rio Grande do Sul na sexta Assembleia Geral.

POEMA: A UM SABIÁ

Mimoso Sabiá, temo e canoro,
Alma dos bosques que o Brasil enfeitam,
Como seu mestre as aves te respeitam,
E os homens como o Orfeu do aéreo coro.

Os Amores, e Lilia por quem choro,
Teu doce canto por tributo aceitam;
Eles folgam contigo, e se deleitam,
Eu pasmo de te ouvir, e a um Deus adoro.

Tu vives em contínua primavera;
Lilia te afaga, Lilia ouve teu canto!
A tua feliz sorte, oh, quem m’a dera !

Então o meu penar não fora tanto ;
Pois seu peito abrandado já tivera
Co´a voz que ao seio d’alma leva o encanto.

Extraído de SONETOS BRASILEIROS Século XVII – XX. Colletanea organisada por Laudelino Freire. Rio de Janeiro: F. Briguiet & Cie., 1913

TRADUÇÃO DE:

+ SOBRE

https://pt.wikipedia.org/wiki/Gonçalves_de_Magalhães
https://www.escritas.org/pt/l/goncalves-de-magalhaes
http://www.jornaldepoesia.jor.br/maga01.html
https://www.literaturabrasileira.ufsc.br/documentos/?action=download&id=37540
http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/rio_de_janeiro/domingos_jose_goncalves_de_magalhaes.html

Gonçalves de Magalhães

OUTROS

Francisco Gomes de Amorim, poeta português
Onildo Almeida, compositor, músico e poeta brasileiro
Tomás Borge , político, revolucionário, poeta e escritor nicaraguense