«INVIERNO» por Hugo Lindo

#umpoetaumpoemapordia #348 (13/10)

POETA: LINDO HUGO

Lindo Hugo Olivares (La Union, El Salvador, 13 de outubro de 1917 – San Salvador, El Salvador, 09 de setembro de 1985) foi um escritor, diplomata, político e advogado de El Salvador.

POEMA: INVIERNO

Un día caerán las comisas de enfrente
y no tendrá la lluvia
en donde recoger sus palomas de vidrio
ni en donde mussitar el temblor de su música.
Entonces estaremos más allá del invierno.
Entonces estaremos más allá del invierno.
Nadie repetirá la voz de nuestra angustia.
Ya no tendremos lágrimas ni pájaros de asombro,
y una tristeza única,
emergerá de todos los instantes perdidos
y llovserá en la lluvia.

TRADUÇÃO DE: Aurélio Buarque de Holanda Ferreira

INVERNO

Um dia cairão as cortinas de em frente
e não terá a chuva
adonde recolher suas pombas de vidro,
nem onde cochichar o tremor de sua música.
Estaremos então mais para além do inverno.
Ninguém repetirá a voz de nossa angústia.
Já não teremos lágrimas nem pássaros de assombro,
e uma tristeza única,
emergirá de todos os instantes perdidos
e choverá na chuva.

+ SOBRE

http://www.antoniomiranda.com.br/Iberoamerica/el_salvador/hugo_lindo.html
https://es.wikipedia.org/wiki/San_Salvador
http://hugolindo.website/poesiah.htm

Hugo Lindo


http://www.prometeodigital.org/SIEMPRE_LINDO.htm

OUTROS

Graciela Rincon Calcaño, poetisa, narradora, colunista e autor dramática venezuelana
Ernest Myers, poeta e escritor inglês
Sasha Chorny, poeta e escritor russo
Arna Bontemps, bibliotecária americana, autora e poeta
Millosh Gjergj Nikolla, poeta e autor albanês
Richard Howard,crítico, tradutor e poeta americano
Walasse Ting, pintor e poeta sino-americano

«A UNA NARIZ» por Francisco de Quevedo

#umpoetaumpoemapordia #319 (14/9)

POETA: FRANCISCO DE QUEVEDO

Francisco Gómez de Quevedo y Santibáñez Villegas (Madri, Espanha, 14 de Setembro de 1580 – Villanueva de los Infantes, Cidade Real, 8 de Setembro de 1645) foi um escritor do período barroco espanhol, considerado um dos maiores nomes da literatura de seu país naquele período, hoje lembrado como o Século de Ouro.

POEMA: A UNA NARIZ

Érase un hombre a una nariz pegado,
érase una nariz superlativa,
érase una nariz sayón y escriba,
érase un peje espada muy barbado.

Era un reloj de sol mal encarado,
érase una alquitara pensativa,
érase un elefante boca arriba,
era Ovidio Nasón más narizado.

Érase un espolón de una galera,
érase una pirámide de Egipto,
las doce Tribus de narices era.

Érase un naricísimo infinito,
muchísimo nariz, nariz tan fiera
que en la cara de Anás fuera delito.

TRADUÇÃO DE: CLETO DE ASSIS

A um nariz

Era um homem a um nariz colado,
um raro nariz superlativo,
era um nariz perverso e esquivo,
era um peixe espada bem barbado.

Era um relógio de sol bem tartamudo,
era um alambique pensativo,
era um elefante ambulativo
era Ovídio Naso mais narigudo.

Era um quebra-mar de uma galera,
era uma pirâmide do Egito,
as doze Tribos de narizes era.

Era um narizíssimo infinito,
muitíssimo nariz, nariz tão fera
que na cara de Anás fora delito.

+ SOBRE

https://pt.wikipedia.org/wiki/Francisco_de_Quevedo
https://cdeassis.wordpress.com/2010/03/25/licoes-de-quevedo-400-anos-depois/

5 poemas de Quevedo


https://poemas.yavendras.com/francisco-de-quevedo/

OUTROS

Lola Rodríguez de Tió, poeta porto-riquenha, abolicionista e defensora dos direitos das mulheres
Hamlin Garland, romancista, poeta, ensaísta e escritor de contos americano
Théodore Botrel, cantor, compositor, poeta e dramaturgo francês
Mart Raud, poeta e autor estoniano
Yuri Ivask, poeta e crítico russo-americano
Volodymyr Melnykov, escritor, compositor e poeta ucraniano

«LA CARPE» por Guillaume Apollinaire

#umpoetaumpoemapordia #300 (26/8)

POETA: GUILLAUME APOLLINAIRE

(nascido Wilhelm Albert Włodzimierz Apolinary de Wąż-Kostrowicki, Roma, Itália, 26 de agosto de 1880 — Paris, França, 9 de novembro de 1918) foi um escritor e crítico de arte francês, possivelmente o mais importante ativista cultural das vanguardas do início do século XX, conhecido particularmente por sua poesia sem pontuação e gráfica, e por ter escrito manifestos importantes para as vanguardas na França, tais como o do Cubismo, além de ser o criador da palavra Surrealismo.

POEMA: LA CARPE

La carpe
Dans vos viviers, dans vos étangs,
Carpes, que vous vivez longtemps!
Est-ce que la mort vous oublie,
Poissons de la mélancolie.

TRADUÇÃO DE: Raymundo Magalhães Júnior

A carpa
Carpas, viveis tão longa vida
Nesses viveiros de água fria!
Será que a morte vos olvida,
Ó peixes da melancolia.

“As carpas”. In: Antologia de poetas franceses. [organização Raymundo Magalhães Jr.; vários tradutores]. Rio de Janeiro: Gráfica Tupy Ltda Editora, 1950.

+ SOBRE

https://pt.wikipedia.org/wiki/Guillaume_Apollinaire

Guillaume Apollinaire – poemas


http://www.jornalopcao.com.br/colunas/imprensa/quatro-traducoes-de-um-poema-de-guillaume-apollinaire
http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_visual/apollinaire.html
http://wwwpoetanarquista.blogspot.com/2013/11/poesia-guillaume-apollinaire.html
http://www.revistazunai.com/traducoes/guillaume_apollinaire.htm

Guillaume Apollinaire – Poema


https://www.escritas.org/pt/guillaume-apollinaire

OUTROS

Bartolomé Leonardo de Argensola, poeta e historiador espanhol
Juan B. Delgado, poeta mexicano
César Atahualpa Rodríguez, poeta peruano
Angel Guinda, poeta espanhol
Rafael Romero Valcárcel , poeta peruano.
Jules Romains , autor e poeta francês
Eleanor Dark , autor e poeta australiano
Fazıl Hüsnü Dağlarca , soldado e poeta turco
Nikky Finney , poeta americano e acadêmico

«INVICTUS» por William Ernest Henley

#umpoetaumpoemapordia #297 (23/8)

POETA: WILLIAM ERNEST HENLEY

(Gloucester, Gloucestershire, Inglaterra, Reino Unido – 23 de agosto de 1849 – Woking, Surrey 11 de julho de 1903), foi um escritor britânico.

POEMA: INVICTUS

Out of the night that covers me,
Black as the pit from pole to pole,
I thank whatever gods may be
For my unconquerable soul.

In the fell clutch of circumstance
I have not winced nor cried aloud.
Under the bludgeonings of chance
My head is bloody, but unbowed.

Beyond this place of wrath and tears
Looms but the Horror of the shade,
And yet the menace of the years
Finds and shall find me unafraid.

It matters not how strait the gate,
How charged with punishment the scroll,
I am the master of my fate:
I am the captain of my soul.

TRADUÇÃO DE: Bezerra de Freitas

Invictus

Do fundo da noite que me envolve,
Negra como o Inferno dum polo ao outro,
Eu agradeço aos deuses, não importa quais,
Pela minha alma inconquistável.

Dominado pelas circunstâncias,
Não me rebelei nem me insurgi.
Sob os golpes do destino
Minha cabeça está ensanguentada, mas não pendida.

Além deste vale de cóleras e lágrimas,
Cresce de forma nítida o horror das sombras,
E, no entanto, a ameaça dos anos,
Agora e sempre, me encontrou sem temor.

Não importa que estreito seja o portão,
Como cheio de castigos e pergaminho,
Eu sou o dono do meu destino:
Eu sou o comandante da minha alma.

HENLEY, William Ernest. Invictus. Tradução de Bezerra de Freitas. In: ALVES, Afonso Telles (Seleção e Notas). Antologia de poetas estrangeiros. São Paulo, SP: Logos, out. 1960. p. 165. (“Antologia da Literatura Mundial”; v. 8)

+ SOBRE

http://www.casadacultura.org/Literatura/Poesia/g12_traducoes_do_ingles/invictus_henley_masini.html
https://pt.wikipedia.org/wiki/Invictus_(poema)
http://www.entreculturas.com.br/2012/07/william-ernest-henley-invictus/
https://blogdocastorp.blogspot.com/2017/02/william-ernest-henley-invictus.html

OUTROS

Nazik Al-Malaika, poetisa iraquiana
Edgar Lee Masters , poeta americano
Vladimir Beekman, poeta e tradutor estoniano
Athena Farrokhzad, poeta, dramaturgo e crítico iraniano-sueco

«DU VAR VINDEN» por Olav H. Hauge

#umpoetaumpoemapordia #292 (18/8)

POETA: OLAV H. HAUGE

Olav Håkonson Hauge (Ulvik, Noruega, 18 de agosto de 1908 – Ulvik, 23 de maio de 1994) foi um horticultor, tradutor e poeta norueguês

POEMA: DU VAR VINDEN

Eg er ein båt
utan vind.
Du var vinden.
Var det den leidi eg skulde?
Kven spør etter leidi
når ein har slik vind!

TRADUÇÃO DE:

Foste o vento

Eu sou um barco
sem vento.
Tu foste o vento.
Era este, o meu rumo?
Ao diabo a rota
com um vento assim!

(In Dropar i Austavind (Gotas no Vento Oeste), ( 1966), Olav H. Hauge, um dos mais celebrados poetas noruegueses, tradutor de poesia, agricultor-fruticultor de toda a vida.

TRADUÇÃO DE: Amadeu Baptista

TU ERAS O VENTO

Sou um barco
sem vento.
Tu eras o vento.
Era esse o rumo que eu devia tomar?
A quem importa o rumo
com um vento assim!
Dropar i austavind, 1966

+ SOBRE

https://en.wikipedia.org/wiki/Olav_H._Hauge
http://qohelet.altervista.org/pagine/Sogno_Hauge/Hauge.htm

Poesía noruega: Olav H. Hauge


https://ancorasenefelibatas.net/2012/06/23/foste-o-vento-du-var-vinden/
https://poemadelasemana.wordpress.com/2008/11/10/olav-h-hauge-noruega-1908-1994/
https://ancorasenefelibatas.net/2013/03/11/ler-os-outros-mais-hauge-em-portugues/
http://amadeubaptista.blogspot.com/2013/03/olav-h-hauge.html
http://universosdesfeitos-insonia.blogspot.com/search?q=hauge
http://faustomarcelo.blogspot.com/2016/02/poemas-de-olav-h-hauge.html

OUTROS

Jami, poeta persa
Marko Marulić, poeta croata
Nettie Palmer, poeta e crítico australiano
Gulzar, poeta indiano, autor e diretor de cinema

«IT IS NOT A WORD» por Sara Teasdale

#umpoetaumpoemapordia #282 (8/8)

POETISA: SARA TEASDALE

(Saint Louis, Missouri, Estados Unidos, 8 de agosto de 1884 – New York City, New York, Estados Unidos, 29 de janeiro de 1933) foi uma poeta lírica estadunidense. Foi batizada Sarah Trevor Teasdale em St. Louis, Missouri, e passou a usar o nome Sara Teasdale Filsinger após o seu casamento, em 1914.

POEMA: IT IS NOT A WORD

It is not a word

It is not a word spoken,
Few words are said;
Nor even a look of the eyes
Nor a bend of the head,

But only a hush of the heart
That has too much to keep,
Only memories waking
That sleep so light a sleep.

TEASDALE, Sara. Collected Poems. New York: Buccaneer Books, 1996.

TRADUÇÃO DE: Adriano Nunes

Não é uma palavra

Não é uma palavra falada,
Poucas palavras são proferidas;
Nem mesmo dos olhos um olhar
Sequer da cabeça um arquear ,

Porém apenas a paz do peito
Que tem a sustentar o bastante,
Somente memórias vigilantes
Que dormem um sono tão ligeiro.

+ SOBRE

https://pt.wikipedia.org/wiki/Sara_Teasdale
http://serpoeta.blogspot.com/2016/05/outro-poema-de-sara-teasdale.html
https://poesia-sanderlei.blogspot.com/2017/01/wisdom-sara-teasdale.html
https://umbelarte.blogspot.com/2010/11/poemas-de-sara-teasdale.html
http://arspoeticaethumanitas.blogspot.com/2016/11/que-isto-seja-esquecido-sete-poemas-de.html
http://www.vidraguas.com.br/poemas-traduzidos-xci-adriano-nunes/

OUTROS

Francis Hutcheson, teólogo, poeta, escritor e filósofo irlandês
Joseph Roumanille, escritor e poeta francês
José María Fonollosa, poeta espanhol
Amalia Catharina, poeta e compositor alemão
Ferenc Kölcsey, poeta, crítico e político húngaro

«THE COLD» por Wendell Berry

#umpoetaumpoemapordia #279 (5/8)

POETA: WENDELL BERRY

Wendell Erdman Berry (Condado de Henry, Kentucky , EUA, em 5 de agosto de 1934) é um romancista, poeta, ativista ambiental, crítico cultural e agricultor Estadunidense

POEMA: THE COLD

How exactly good it is
to know myself
in the solitude of winter,

my body containing its own
warmth, divided from all
by the cold; and to go

separate and sure
among the trees cleanly
divided, thinking of you

perfect too in your solitude,
your life withdrawn into
your own keeping

— to be clear, poised
in perfect self-suspension
toward you, as though frozen.

And having known fully the
goodness of that, it will be
good also to melt.

TRADUÇÃO DE: André Caramuru Aubert

O frio

Quão exatamente bom é
saber quem sou
na solidão do inverno,

meu corpo contendo seu próprio
calor, separado de tudo o mais
pelo frio; e seguir

à parte e seguro
entre árvores limpidamente
separadas, pensando em você,

também perfeita em sua solidão,
sua vida apartada para dentro
de sua própria conservação

— para ser claro, equilibrada
em perfeita auto suspensão
voltada a você, como se congelada.

E tendo conhecido plenamente a
benevolência dele, será,
igualmente bom, derreter.

+ SOBRE

https://en.wikipedia.org/wiki/Wendell_Berry
http://rascunho.com.br/poemas-de-wendell-berry/
http://oralapluma.blogspot.com/2012/09/un-poema-de-wendell-berry.html
http://www.espacioluke.com/2016/Enero2016/bestiario.html
http://www.awakin.org/read/view.php?tid=2144&lang=Spanish

OUTROS

Ivar Aasen, poeta e linguista norueguês
Guy de Maupassant, escritor de contos, romancista e poeta francês
Conrad Aiken, escritor de contos, crítico, poeta e romancista americano
Jose Garcia Villa, escritor e poeta filipino
Peter Viereck, poeta e acadêmico americano

«A BLESSING IN DISGUISE [Um mal que vem para bem]» por John Ashbery

#umpoetaumpoemapordia #271 (28/7)

POETA: JOHN ASHBERY

(Rochester, Nova Iorque, EUA, 28 de julho de 1927 – Hudson, NY, EUA, 3 de setembro de 2017) foi um poeta estadunidense, considerado o principal representante da poesia da chamada “Escola de Nova Iorque”, escola estética predominatemente dos anos 1950 e 1960. Sua poesia corresponde ao que Ezra Pound chamou de logopéia, uma poesia que joga com as idéias, antes de nada. Seus poemas são, normalmente, longos. A dificuldade de compeender seus poemas pela maior parte do público em seu país não impediu que o poeta já tenha sido o mais vendido autor de poesia nos Estados Unidose que ele tenha ganho prêmios importantes como o Pulitzer.

POEMA: A BLESSING IN DISGUISE

Yes, they are alive and can have those colors,
But I, in my soul, am alive too.
I feel I must sing and dance, to tell
Of this in a way, that knowing you may be drawn to me.

And I sing amid despair and isolation
Of the chance to know you, to sing of me
Which are you. You see,
You hold me up to the light in a way

I should never have expected, or suspected, perhaps
Because you always tell me I am you,
And right. The great spruces loom.
I am yours to die with, to desire.

I cannot ever think of me, I desire you
For a room in which the chairs ever
Have their backs turned to the light
Inflicted on the stone and paths, the real trees

That seem to shine at me through a lattice toward you.
If the wild light of this January day is true
I pledge me to be truthful unto you
Whom I cannot ever stop remembering.

Remembering to forgive. Remember to pass beyond you into the day
On the wings of the secret you will never know.
Taking me from myself, in the path
Which the pastel girth of the day has assigned to me.

I prefer “you” in the plural, I want “you”
You must come to me, all golden and pale
Like the dew and the air.
And then I start getting this feeling of exaltation.

TRADUÇÃO DE: Adriano Scandolara

Um mal que vem para bem

Sim, eles estão vivos e podem ter essas cores,
Mas eu, em minha alma, estou vivo também.
Sinto que devo cantar e dançar, para dizer
Isso de certo jeito, sabendo que você pode estar atraído por mim.

E canto em meio ao desespero e o isolamento
A chance de te conhecer, de cantar de mim
O que é você. Você vê,
Você me segura contra a luz de um modo

Que nunca esperei ou suspeitei, talvez
Porque você sempre me diz que eu sou você,
E tenho razão. As grandes píceas rondam.
Sou seu para morrer junto, desejar.

Não posso jamais pensar em mim, eu desejo você
Num quarto em que as cadeiras
Estão com as costas viradas para a luz
Infligida sobre a pedra e os caminhos, as árvores reais

Que parecem brilhar para mim através das gelosias na sua direção.
Se a luz selvagem deste dia de janeiro é real
Eu me comprometo em ser-te verdadeiro,
Você que não consigo mais parar de lembrar.

Lembrar de perdoar. Lembrar de passar além de você, rumo ao dia
Nas asas do segredo que você jamais saberá.
Assumindo-me por mim mesmo, no caminho
Que os contornos pasteis do dia me atribuíram.

Prefiro “vocês” no plural, quero vocês
Vocês devem vir até mim, todos dourados e pálidos
Como o orvalho e o ar.
E então me começa a vir esse sentimento de exaltação.

+ SOBRE

https://escamandro.wordpress.com/2014/01/01/3-poemas-de-john-ashbery/
https://pt.wikipedia.org/wiki/John_Ashbery

Considerada ‘hermética’, poesia de John Ashbery buscou comunicar o desconhecido


https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2017/09/1918765-leia-traducoes-ineditas-de-poemas-de-john-ashbery-nunca-editado-no-brasil.shtml

John Ashbery traduzido por Paulo Henriques Britto

OUTROS

Gerard Manley Hopkins , poeta britânico
Gloria Fuertes , poeta espanhola
Malcolm Lowry , romancista e poeta inglês
Alan Brownjohn , poeta e escritor inglês
Arsen Dedić , cantor, compositor e poeta croata
Fahmida Riaz , poeta e ativista paquistanesa
Kārlis Vērdiņš , poeta letão

«DECIR AHÍ ES UNA FLOR DIFÍCIL» por Eduardo Milán

#umpoetaumpoemapordia #270 (27/7)

POETA: EDUARDO MILÁN

Eduardo Felix Milan (Rivera, Uruguai, 27 de julho de 1952 ) é um poeta, ensaísta e crítico literário uruguaio radicado no México.

POEMA: DECIR AHÍ ES UNA FLOR DIFÍCIL

Decir ahí es una flor difícil
decir ahí es pintar todo de pájaro
decir ahí es estar atraído
por la palabra áspera
cardo
y por el cardenal cardenal
decir ahí es decir todo de nuevo
y empezar por el caballo:
el caballo está solo
ahora está solo
no hay ahora oscuro
no hay ahora de silencio
no hay ahora de palabra
no hay ahora de silencio contra la pared:
el caballo está solo es decir está negro
saltó por encima de la blanca
purísima realidade

el caballo está ahí
fuga
por las hendiduras del día
florescencia
como la luna fluye

el caballo salta por encima de su sombra
salta por encima de su silencio
salta por encima de la realidad
salta por encima

de un universo todavía negro
antes de la suma
antes de la cima
de los colores:
montaña verde sobre cielo azul

la silueta del caballo es colorada
colorada de sol cuando se oculta
ahora se oculta
ahora se hunde en el caballo
moneda de sol
no hay ahora de silencio
no hay ahora de palabra
no hay ahora de caballo
De: Nervadura, 1985.

TRADUÇÃO DE:  Antonio Miranda

DIZER AÍ É UMA FLOR DIFÍCIL
dizer aí é pintar tudo de pássaro
dizer aí é estar atraído
pela palavra áspera
cardo
e por o cardeal cardeal
dizer aí é dizer tudo outra vez
a começar pelo cavalo:
o cavalo está só
agora está só
não existe agora escuro
não há agora de silêncio
não há agora de palavra
não há agora de silêncio contra a parede:
o cavalo está só é dizer é negro
saltou por cima da branca
puríssima realidade

o cavalo está aí
fuga
pelas fendas do dia
inflorescência
como flui a lua

o cavalo salta por cima de sua sombra
salta por cima de seu silêncio
salta por cima da realidade
salta por cima
de um universo ainda negro
antes da soma
antes da cimeira

das cores:
montanha verde sobre céu azul
a silhueta do cavalo é colorida
colorada de sol quando se oculta
agora se oculta
agora afunda no cavalo
moeda de sol
não existe agora de silêncio
não existe agora de palavra
não existe agora de cavalo

+ SOBRE

http://amediavoz.com/milan.htm
http://www.antoniomiranda.com.br/Iberoamerica/mexico/eduardo_milan.html
http://www.poetaspoemas.com/eduardo-milan
http://www.letraslibres.com/autor/eduardo-milan

Poesía latinoamericana ahora, de Eduardo Milán

OUTROS

Thomas Campbell , poeta britânico
Giosuè Carducci , poeta italiano
Denis Davydov , general e poeta russo
Francesco Gaeta , poeta italiano
Rayner Heppenstall , escritor e poeta inglês
August Sang , poeta e tradutor da Estônia
Michael Longley , poeta e acadêmico da Irlanda do Norte
Peter Reading , poeta e escritor inglês

«Poem-Play: A BEAUTIFUL DAY» por Ruth Krauss

#umpoetaumpoemapordia #268 (25/7)

POETISA: RUTH KRAUSS

Ruth Ida Krauss (Baltimore, Maryland, EUA, 25 de julho de 1901 – 10 de julho de 1993) foi uma escritora estadunidense de livros infantis, incluindo The Carrot Seed, e de poemas teatrais para leitores adultos.

POEMA: Poem-Play: A BEAUTIFUL DAY

Girl: What a beautiful day!

the sun falls down onto the stage

end

TRADUÇÃO DE: Eugénia Vasques

Um Dia Lindo [Uma peça-poema]

Rapariga: Que lindo dia!
O Sol põe-se no palco

fim

+ SOBRE

https://en.wikipedia.org/wiki/Ruth_Krauss
https://core.ac.uk/download/pdf/47129808.pdf

OUTROS

Jaime Mendoza Gonzáles, médico, poeta, filantropo, escritor e geógrafo boliviano
Nicanor Vélez, poeta colombiano
Ibn Arabi, sufi, místico, poeta e filósofo andaluz
George Peele, tradutor, poeta e dramaturgo inglês
Pieter Langendijk, dramaturgo e poeta holandês
Shi Tao, jornalista e poeta chinês
Jovica Tasevski-Eternijan, poeta e crítica da Macedônia

«THE UNKNOWN EROS: A FAREWELL» por Coventry Patmore

#umpoetaumpoemapordia #266 (23/7)

POETA: COVENTRY PATMORE

Coventry Kersey Dighton Patmore (Woodford, Essex, Reino Unido, 23 de julho de 1823 — Lymington, Hampshire, 26 de novembro de 1896) foi um poeta e crítico inglês.

POEMA: THE UNKNOWN EROS: A FAREWELL

With all my will, but much against my heart,
We two now part.
My Very Dear,
Our solace is, the sad road lies so clear.
It needs no art,
With faint, averted feet
And many a tear,
In our opposed paths to persevere.
Go thou to East, I West.
We will not say
There’s any hope, it is so far away.
But, O, my Best,
When the one darling of our widowhead,
The nursling Grief,
Is dead,
And no dews blur our eyes
To see the peach-bloom come in evening skies,
Perchance we may,
Where now this night is day,
And even through faith of still averted feet,
Making full circle of our banishment,
Amazed meet;
The bitter journey to the bourne so sweet
Seasoning the termless feast of our content
With tears of recognition never dry

TRADUÇÃO DE: Ebal Martins Diniz Junior

Não quero, mas desejo
De adeus um beijo.
Querida,
Bom que a via é límpida.
Sem pejo,
Pés contrariados,
Lágrima vertida,
Prosseguimos a ida,
Tu para o oriente, eu para o ocidente.
Não teremos
Esperança, não vemos.
Mas se, meu bem,
Tivermos visto, como num aborto,
Nosso luto-de-peito
Morto
E vislumbrarmos a luz que emana
Do vespertino céu de porcelana,
Podemos
Na noite, pela luz (vemos),
Pela fé de pés ainda contrariados
Que cumprem seus tempos de exílio,
Ser, quem diria, conciliados;
Jornada amarga aos córregos adocicados
Temperando o eterno banquete de nosso idílio
Com as lágrimas nunca enxutas do encontro.

+ SOBRE

https://pt.wikipedia.org/wiki/Coventry_Patmore
http://literacomunicq.blogspot.com/2013/06/anjos-do-lar-o-longo-poema-de-patmore.html
https://www.revistas.usp.br/clt/article/viewFile/49357/53438

O anjo do lar: de Virginia Woolf a Madonna


http://elespejogotico.blogspot.com/2013/03/4-poemas-de-conventry-patmore.html
http://alicerces.blogspot.com/2005/06/alicerando-poesia-94-coventry-patmore.html

OUTROS

Danielle Collobert, autor, poeta e jornalista francês
René Ricard, poeta, pintor e crítico americano

«EL OLVIDO» por Silvina Ocampo

#umpoetaumpoemapordia #264 (21/7)

POETISA: SILVINA OCAMPO

Silvina Ocampo Inocencia (Buenos Aires, Argentina, 28 de julho 1903-14 Dezembro de 1993). Era uma escritora, contadora de histórias e poetisa Argentina. Seu primeiro livro foi Viaje Olvidado (1937) e Las Repeticiones, publicado postumamente em 2006. Durante a maior parte de sua vida, sua figura foi ofuscada por sua irmã Victoria, seu marido, Adolfo Bioy Casares, e seu amigo Jorge Luis Borges, mas com o tempo seu trabalho foi reconhecido e ela foi considerada uma autora fundamental da literatura argentina do século XX.

POEMA: EL OLVIDO

Desesperado amor, buscas olvido
como buscan la luz las mariposas
en el fulgor del fuego entristecido.
Yo siento que al sufrir en mí te posas
como en esos escuálidos jardines
donde canta la voz de una torcaza
perdida en la cornisa de una casa
doliente, en la ciudad, entre jazmines.

TRADUÇÃO DE: Antonio Miranda

OLVIDO

Desesperado amor, buscas o olvido
como buscam a luz as mariposas
no fulgor do fogo entristecido.
Sinto que ao sofrer em mim pousas
como nesses esquálidos jardins
onde canta a voz da pomba-torcaz
perdida na cornija de uma casa
dolente, na cidade, entre jasmins.

+ SOBRE

https://es.wikipedia.org/wiki/Silvina_Ocampo
http://www.antoniomiranda.com.br/Iberoamerica/argentina/silvina_ocampo.html

5 poemas de Silvina Ocampo


https://www.poeticous.com/silvina-ocampo?locale=es
Poemas Escogidos: Silvina Ocampo
http://prosacaotica.blogspot.com/2015/05/6-poemas-de-silvina-ocampo.html
.

OUTROS

Vasile Alecsandri, poeta, político e diplomata romeno
Matthew Prior , poeta e diplomata inglês
Hart Crane , poeta americano
Osiris Rodríguez Castillos , poeta e compositor uruguaio
Umashankar Joshi , autor indiano, poeta e estudioso
Anand Bakshi , poeta e compositor indiano
Wendy Cope , poeta, crítica e educadora inglesa

«ERA IL GIORNO EH ‘AL SOL SI SCOLORARO» por Francesco Petrarca

#umpoetaumpoemapordia #263 (20/7)

POETA: FRANCESCO PETRARCA

(Arezzo, Itália, 20 de julho de 1304 — Arquà, Itália, 19 de julho de 1374) foi um intelectual, poeta e humanista italiano, famoso, principalmente, devido ao seu romanceiro. É considerado o inventor do soneto, tipo de poema composto de 14 versos. Foi baseado no trabalho de Petrarca (e também de Dante e Boccaccio) que Pietro Bembo, no século XVI, criou o modelo para o italiano moderno, mais tarde adotado pela Accademia della Crusca.

POEMA: ERA IL GIORNO EH ‘AL SOL SI SCOLORARO

Era il giorno eh ‘al sol si scoloraro
per la pietà del suo fattore i rai,
quando i’ fui preso, e non me ne guardai,
ché i be’ vostr’occhi, donna, mi legaro.

Tempo non mi parea da far riparo
contr’ a’ colpi d’Amor-, però m’andai
secur, senza sospetto: onde i miei guai
nel commune dolor s’incominciaro.

Trovommi Amor del tutto disarmato,
et aperta la via per gli occhi al core,
che di lagrime son fatti uscio e varco.

Però, al mio parer, non li fu onore
ferir me de saetta in quello stato,
a voi armata nom mostrar pur l’arco.

TRADUÇÃO DE: Jamil Almansur Haddad

Era o dia em que o sol escurecia
Os raios por piedade ao seu Fator,
Quando eu mc vi submisso ao vivo ardor
De teu formoso olhar que me prendia.

Defender-me do golpe eu não queria;
Desabrigado achou-me então Amor;
Por isso acrescentou-se a minha dor
À dor universal que assaz crescia.

Achou-me Amor de todo desarmado,
Pelos olhos, ao peito aberta a estrada,
Olhos que se fizeram mar de pranto.

Porém a sua ação não o honra tanto:
Ferir-me, sendo inerme o meu estado,
Não te visar quando eras tão armada.

PETRARCA. Poemas de amor. Apresentação de Alexei Bueno. Tradução Jamil Almansur Haddad. Organização Alexei Bueno.

+ SOBRE

https://pt.wikipedia.org/wiki/Francesco_Petrarca
http://www.antoniomiranda.com.br/poesiamundialportugues/francesco%20petrarca.html
http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI4300111-EI13894,00-Os+classicos+Francesco+Petrarca+Cancioneiro+poema.html
https://poesiaspreferidas.wordpress.com/2013/07/23/soneto-xxii-francesco-petrarca/
https://www.comunidadeculturaearte.com/os-sonetos-humanos-de-petrarca/
https://www.wdl.org/pt/item/6587/
http://wwwpoetanarquista.blogspot.com/2014/07/poesia-francesco-petrarca.html

OUTROS

Erik Axel Karlfeldt, poeta sueco
Adrian Păunescu, poeta, jornalista e político romeno
Nicolás Fernández de Moratín , poeta espanhol, escritor de prosa e dramaturgo
Max Liebermann , poeta alemão
Nikolaes Heinsius the Elder , poeta holandês e erudito
Prvoslav Vujčić , poeta e filósofo sérvio-canadense

«Мой почерк [Minha letra]» por Ievguêni Ievtuchenko

#umpoetaumpoemapordia #261 (18/7)

POETA: IEVGUÊNI IEVTUSHÊNKO

Ievguêni Ievtuchenko (em russo: Евге́ний Алекса́ндрович Евтуше́нко, por vezes transliterado como Yevgeny Aleksandrovich Yevtushenko ou Ievgueni Ievtuchenko ou ainda Evgueni Ievtuchenko; Zima, 18 de julho de 1932[3] – Tulsa, Oklahoma, 1 de abril de 2017[4]) foi um poeta russo.

Escreveu, entre outros, os poemas Stantsiia Zima (Estação Zima, 1956) e Mamãe e a bomba atômica (1984), em que expressa suas convicções pacifistas.

POEMA: Мой почерк

Мой почерк не каллиграфичен.
За красотою не следя,
как будто бы от зуботычин,
кренясь,
шатаются слова.

Но ты, потомок, мой текстолог,
идя за прошлым по пятам,
учти условия тех штормов,
в какие предок попадал.

Он шёл на карбасе драчливом,
кичливом несколько,
но ты
увидь за почерком качливым
не только автора черты.

Ведь предок твой писал при качке,
не слишком шквалами согрет,
привычно,
будто бы при пачке
его обычных сигарет.

Конечно, вдаль мы пёрли бодро,
но трудно выписать строку,
когда тебе о переборку
с размаху бухает башку.

Пойми всей шкурой и костями,
как это тяжко воспевать,
когда от виденного тянет
не воспевать, а лишь блевать.

Когда моторы заверть душит
и целит в лоб накат волны,
то кляксы лучше завитушек.
Они черны – зато верны.

Тут –
пальцы попросту немели.
Тут-
зыбь замучила хитро.
Тут –
от какой-то подлой мели
неверно дернулось перо.

Но если мысль сквозь всю корявость,
сквозь неуклюжести тиски
пробилась, как по Лене карбас
пробился все же до Тикси,-

потомок, стиль ругать помедли,
жестоко предка не суди
и даже в почерке поэта
разгадку времени найди.
1967

TRADUÇÃO DE: LAURO MACHADO COELHO

Minha letra não é caligráfica.
Sem seguir as regras da beleza,
as palavras se atropelam,
cambaleando,
como se tivessem levado um soco nos queixos.

Mas você, o descendente, meu crítico textual,
seguindo nos calcanhares do passado,
leve em contas esses escolhos
nos quais seu ancestral tropeçou.

Ele andou num belicoso barco de frete costeiro.
um tanto arrogante,
mas você
deveria poder ver, além da letra torta,
não apenas os traços do autor.

O seu ancestral escreveu atirado de um lado para o outro,
fustigado por rajadas de vento que não o mantinham aquecido,
e sem ter o consolo
de hábitos como o maço
de cigarros a que estava acostumado.

É claro, fomos corajosamente longe,
mas não é fácil escrever uma só linha,
quando estão batendo a sua cabeça, com gosto,
contra o tabique.

Arriscando pele e osso,
é difícil cantar loas,
quando o que você te compele,
não a louvar, mas a vomitar…

Quando água suja afoga o seu motor
e uma saraivada de golpes tem como alvo a sua testa,
hematomas são melhores do que floreios,
porque eles são pretos – mas verdadeiros.

Aqui –
os dedos simplesmente se entorpeceram
Aqui –
a curva secretamente atormenada.
Aqui –
a pena, cheia de incerteza, deu um salto,
afastando-se de algum mesquinho perigo oculto.

Mas se, através de toda essa falta de jeito,
através das garras da inaptidão,
uma ideia irrompe no caminho do cargueiro que segue pelo rio Lená,
irrompe até atingir as praias árticas –

então, descendente, não se apresse em amaldiçoar o estilo,
não julgue o seu ancestral severamente,
e até mesmo na letra do poeta
encontre a solução para o enigma de seu tempo.

+ SOBRE

https://pt.wikipedia.org/wiki/Ievguêni_Ievtuchenko
http://ruialme.blogspot.com/2004/05/yevgeny-yevtushenko-ftima-estive-na_13.html
https://traducaoliteraria.wordpress.com/2015/03/09/na-loja-poema-de-yevgeny-yevtushenko/
http://sylviabeirute.blogspot.com/2010/11/russia-yevgeny-yevtushenko-poema.html
http://ev-evt.net/stihi/m/kaligraf.php
https://ru.wikipedia.org/wiki/Евтушенко,ЕвгенийАлександрович

OUTROS

Tristan Corbière, poeta francês
Joaquín Romero Murube , poeta e ensaísta espanhol
Angel Crespo , poeta, ensaísta, crítico de arte e tradutor de espanhol
Saverio Bettinelli , poeta italiano, dramaturgo e crítico
William Makepeace Thackeray , escritor e poeta inglês
Bishnu Dey , poeta indiano, crítico e acadêmico
Alan Morrison , poeta britânico

«JOURNEY» por Wole Soyinka

#umpoetaumpoemapordia #256 (13/7)

POETA: WOLE SOYINKA

Akinwande Oluwole Babatunde Soyinka ( Yoruba : Akinwándé Oluwo̩lé Babátúndé S̩óyinká (Abeokuta, Estado de Ogun , Nigéria, 13 de julho de 1934) é um escritor nigeriano.

Em 1986 foi agraciado com o Nobel de Literatura, sendo considerado o dramaturgo mais notável da África.

POEMA: JOURNEY

I never feel I have arrived, though I come
To journey’s end. I took the road
That loses crest to questions, yet bears me
Down the other homeward earth. I know
My flesh is nibbled clean, lost
To fretful fish among the rusted hull
I passed them on my way.

And so with bread and wine
I lack the sharing with defeat and dearth
I passed them on my way.

I never feel I have arrived
Though love and welcome snare me home
Usurpers hand my cup at every
Feast, a last supper.

(Idanre and Other Poems)

TRADUÇÃO DE: Marie Antoinette 

Mesmo chegado ao fim da viagem,
jamais senti que tinha chegado.

Peguei a estrada
lentamente a subir a encosta das perguntas, e que me leva
inclusive a descer à terra que conduz a casa. Sei
que a minha carne está claramente mordiscada, perdida
para o perturbado peixe entre as vagas sussurrantes –
deixei-os para trás em minha rota

E assim também com o pão e o vinho
necessito a partilha da derrota e da carestia
deixei-os para trás em minha rota
jamais senti que tinha chegado.

Embora amor e boas vindas me acolham em casa
os usurpadores gastam o meu copo em cada
banquete como se fosse a última ceia.

TRADUÇÃO DE: Rafael Patiño

Viaje
Aunque llegué al final del viaje,
Jamás sentí que hubiera llegado.
Tomé la carretera
Que sube despacio la cuesta de las preguntas, y que me lleva
Incluso a descender a la tierra que conduce a casa. Yo sé
Que mi carne está limpiamente mordisqueada, perdida
Para el perturbado pez entre las vainas susurrantes-
Yo los dejé atrás en mi ruta
Y así también con el pan y el vino
Necesito la repartición de derrota y carestía
Yo los dejé atrás en mi ruta
Jamás sentí que hubiera llegado
Aunque amor y bienvenida me atrapan en casa
Los usurpadores pasan mi copa en cada
Banquete como en una última cena

+ SOBRE

https://www.catarse.me/escola_de_poesia_wole_soyinka_8636
https://pt.wikipedia.org/wiki/Wole_Soyinka
http://antoncastro.blogia.com/2010/012301-wole-soyinka-dos-poemas.php
http://faustomarcelo.blogspot.com/2015/09/poemas-de-wole-soyinka.html

POESIA AO AMANHECER – 391 – por Manuel Simões


http://www.postcolonialweb.org/soyinka/journey1.html
http://www.soyinka.com/the-works/
https://www.portaldeangola.com/2013/07/poema-de-wole-soyinka/

OUTROS

Naomi Shemer, cantora, compositora e poetisa israelense
Bhanu-Bhakta Acharia, poeta e tradutor nepalês
Murat Toptani, poeta e escultor albanês
Jaume Ferran Camps, poeta e professor universitário espanhol
István Pauli, sacerdote e poeta húngaro-esloveno
John Clare, poeta e escritor inglês
Sam Greenlee, autor e poeta americano

«FAREWELL, Y LOS SOLLOZOS» por Pablo Neruda

#umpoetaumpoemapordia #255 (12/7)

POETA: PABLO NERUDA

nascido Ricardo Eliécer Neftalí Reyes Basoalto (Parral, Chile, 12 de julho de 1904 — Santiago, 23 de setembro de 1973), foi um poeta chileno, considerado um dos mais importantes poetas da língua castelhana do século XX e cônsul do Chile na Espanha (1934 — 1938) e no México. Recebeu o Nobel de Literatura em 1971.

Originalmente um pseudônimo, a escolha do nome “Pablo Neruda” foi uma declaração de afinidade com o escritor checo Jan Neruda. Esse pseudônimo seria utilizado durante toda a vida e tornou-se seu nome legal, após ação de modificação do nome civil.

POEMA: FAREWELL, Y LOS SOLLOZOS

FAREWELL
1

DESDE el fondo de ti, y arrodillado,
un niño triste, como yo, nos mira.

Por esa vida que arderá en sus venas
tendrían que amarrarse nuestras vidas.

Por esas manos, hijas de tus manos,
tendrían que matar las manos mías.

Por sus ojos abiertos en la tierra
veré en los tuyos lágrimas un día.

2

YO NO lo quiero, Amada.

Para que nada nos amarre
que no nos una nada.

Ni la palabra que aromó tu boca,
ni lo que no dijeron las palabras.

Ni la fiesta de amor que no tuvimos,
ni tus sollozos junto a la ventana.

3

(AMO el amor de los marineros
que besan y se van.

Dejan una promesa.
No vuelven nunca más.

En cada puerto una mujer espera:
los marineros besan y se van.

Una noche se acuestan con la muerte
en el lecho del mar.

4

AMO el amor que se reparte
en besos, lecho y pan.

Amor que puede ser eterno
y puede ser fugaz.

Amor que quiere libertarse
para volver a amar.

Amor divinizado que se acerca
Amor divinizado que se va.)

5

YA NO se encantarán mis ojos en tus ojos,
ya no se endulzará junto a ti mi dolor.

Pero hacia donde vaya llevaré tu mirada
y hacia donde camines llevarás mi dolor.

Fui tuyo, fuiste mía. Qué más? Juntos hicimos
un recodo en la ruta donde el amor pasó.

Fui tuyo, fuiste mía. Tu serás del que te ame,
del que corte en tu huerto lo que he sembrado yo.

Yo me voy. Estoy triste: pero siempre estoy triste.
Vengo desde tus brazos. No sé hacia dónde voy.

…Desde tu corazón me dice adiós un niño.
Y yo le digo adiós.
– Pablo Neruda, em “Crepusculário”. [tradução José Eduardo Degrazia]. Edição Bilíngue. Porto Alegre: L&PM Pocket, 2011.

TRADUÇÃO DE: José Eduardo Degrazia

FAREWELL, E OS SOLUÇOS

FAREWELL
1
DESDE o mais fundo de ti e ajoelhado,
um menino triste, como eu, nos olha.

Por essa vida que arderá em tuas veias
teriam que amarrar-se nossas vidas.

Por essas mãos, que de tuas mãos são filhas,
teriam que matar-se as mãos tão minhas.

Por teus olhos abertos nessa terra
verei as lágrimas nos teus um dia.

2
Eu não o quero, Amada.

Para que nada nos amarre
que não nos una nada.

Nem a palavra que aromou tua boca,
nem o que não disseram as palavras.

Nem a festa de amor que não tivemos,
nem teus soluços junto da janela.

3
(Amo o amor dos marinheiros
que beijam e se vão.

Deixam promessa,
não voltam nunca mais.

Em cada porto uma mulher espera:
os marinheiros beijam e se vão.

Uma noite irão dormir com a morte
em seu leito de mar.

4
Amo o amor que se reparte
em beijos, leite e pão.

Amor que pode ser eterno
e pode ser fugaz.

Amor que quer liberdade
para voltar a amar.

Amor divinizado que vem vindo,
amor divinizado que se vai.)

5
Já não se encantarão meus olhos nos teus olhos,
já não se adoçará junto a ti minha dor.

Mas até onde for levarei o teu olhar
e a té onde tu fores levarás minha dor.

Fui teu e foste minha. Mais? juntos fizemos
um desvio no caminho onde o amor passou.

Fui teu e foste minha. Serás do que te ame,
do que colha no teu horto o que eu plantei.

E me vou, estou triste: mas sempre estou triste.
Venho desde teus braços. Não sei aonde vou.

… Desde teu coração diz adeus um menino.
E eu lhe digo adeus.

+ SOBRE

https://pt.wikipedia.org/wiki/Pablo_Neruda

3 poemas de Neruda que farão com que o seu coração acelere, imediatamente.


http://www.elfikurten.com.br/2016/05/pablo-neruda-poemas.html.

OUTROS

Juan del Encina, poeta e compositor espanhol
Henry David Thoreau, autor, poeta e filósofo norte-americano
Stefan George , poeta e escritor alemão
Max Jacob, poeta francês
Manuel Antonio Pérez Sánchez, poeta galego
Han Yong-un , poeta coreano

«SONETO» por Luis de Góngora y Argote

#umpoetaumpoemapordia #254 (11/7)

POETA: LUIS DE GÓNGORA

Luis de Góngora y Argote (Córdoba, Espanha, 11 de julho de 1561 – ibidem, 23 de maio de 1627 ) foi um poeta e dramaturgo espanhol do Siglo de Oro.

POEMA: SONETO

Soneto

Mientras por competir con tu cabello
Oro bruñido al sol relumbra en vano,
Mientras con menosprecio en medio el llano
Mira tu blanca frente al lilio bello;

Mientras a cada labio, por cogello,
Siguen más ojos que al clavel temprano,
Y mientras triunfa con desdén lozano
Del luciente cristal tu gentil cuello,

Goza cuello, cabello, labio y frente,
Antes que lo que fue en tu edad dorada
Oro, lilio, clavel, cristal luciente,

No sólo en plata o vïola troncada
Se vuelva, más tú y ello juntamente
En tierra, en humo, en polvo, en sombra, en nada.

TRADUÇÃO DE: Érico Nogueira

Soneto

Enquanto, ao competir com teu cabelo,
ouro brunido ao sol deslumbra em vão;
enquanto com desprezo ao rés-do-chão
olha tua alva frente o lírio belo;

enquanto atrás do lábio, por querê-lo,
mais olhos que da rosa agora vão;
e enquanto triunfa com afetação
do luzente cristal teu ser de gelo;

goza gelo, cabelo, lábio e frente,
antes que esta que foi hora dourada
– ouro, lírio, rosal, cristal luzente –

não só em prata ou flor estiolada
se torne, mas tu e tudo juntamente
em terra, em fumo, em pó, em sombra, em nada.

+ SOBRE

https://es.wikipedia.org/wiki/Luis_de_Góngora

5 poemas de Góngora


https://www.uv.es/ivorra/Gongora/Gongora.htm
http://amediavoz.com/gongora.htm

Luis de Góngora y Argote


https://escamandro.wordpress.com/2016/05/02/luis-de-gongora-por-erico-nogueira/

OUTROS

Léon Bloy , autor e poeta francês
Dorothy Wilde , escritora e poeta inglesa

«Всему под звездами готов… [A todos los seres…]» por Vera Inber [Вера Инбер]

#umpoetaumpoemapordia #253 (10/7)

POETISA: VERA INBER [Вера Инбер]

Vera Inber, Vera Mijáilovna Ínber, de solteira Shpenzer (em cirílico russo, Ве́ра Миха́йловна И́нбер) Odessa, 10 de julho de 1890 — Moscou, 11 de novembro de 1972) foi uma poeta e tradutora ucraniana ligada ao grupo literário construtivista. Seu pai possuía uma editora chamada “Matemátika” e era primo de León Trotsky, o qual morou na casa de Vera quando esta era um bebê. Traduziu autores como Paul Éluard.

POEMA: Всему под звездами готов…

Всему под звездами готов
Его черед.
И время таянья снегов
Придет.
И тучи мая на гранит
Прольет печаль.
И лунный луч осеребрит
Миндаль.
И запах обретет вода
И плеск иной,
И я уеду, как всегда,
Весной.
И мы расстанемся, мой свет,
Моя любовь,
И встретимся с тобой иль нет
Вновь?

TRADUÇÃO DE: Natalia Litvinova

A todos los seres…

A todos los seres
que viven bajo las estrellas
les llegará su turno.
Y el tiempo de la nieve derretida
llegará.
Y la nube de mayo sobre la acera
derramará tristezas.
Y el rayo lunar teñirá de plata
todos los bosques.
Y el agua encontrará su olor,
hasta el chapoteo será diferente.
Y me iré, como siempre,
en primavera.
Y nos despediremos, mi luz,
mi amor
Y nos reencontraremos de nuevo,
o no?

+ SOBRE

http://scanpoetry.ru/poetry/2873
https://pt.wikipedia.org/wiki/Vera_Inber
http://scanpoetry.ru/poets/inber-vera
http://faustomarcelo.blogspot.com/2017/12/poemas-de-vera-inber.html

OUTROS

Pierre Gamarra, poeta, escritor e dramaturgo francês
Nicolás Guillén, poeta cubano
Antulio Sanjuan Ribes, ator de teatro e poeta espanhol
Salvador Espriu, poeta espanhol
Cho Shik, poeta e estudioso coreano

«CALLING ON ALL SILENT MINORITIES» por June Jordan

#umpoetaumpoemapordia #252 (9/7)

POETISA: JUNE JORDAN

June Millicent Jordan (Harlem, Nova York, EUA, 9 de julho de 1936 – 14 de junho de 2002, Berkeley, California, EUA) foi um poetisa, ensaísta, professora e ativista caribenho-americana. Ela usou sua escrita para discutir questões de gênero, raça, imigração e representação.

POEMA: CALLING ON ALL SILENT MINORITIES

CALLING ON ALL SILENT MINORITIES

HEY

C’MON
COME OUT

WHEREVER YOU ARE

WE NEED TO HAVE THIS MEETING
AT THIS TREE

AIN’ EVEN BEEN
PLANTED
YET

TRADUÇÃO DE: Sandra Santos

CHAMO TODAS AS MINORIAS SILENCIADAS

HEY

VÁ LÁ
ANDA LÁ

ESTEJAS ONDE ESTIVERES

NÓS PRECISAMOS DE NOS REUNIR
NESTA ÁRVORE

QUE NÃO FOI
PLANTADA
AINDA

+ SOBRE

https://en.wikipedia.org/wiki/June_Jordan
https://poemargens.blogspot.com/2017/07/june-jordan.html
https://escamandro.wordpress.com/2016/11/01/june-jordan-por-sandra-santos/
https://anarquivoo.blogspot.com/2017/11/june-jordan.html

OUTROS

Johann Nikolaus Götz, poeta e autor alemão
Ann Radcliffe, escritor e poeta inglês
Jan Neruda, jornalista e poeta checo
Michael Lederer, autor americano, poeta e dramaturgo
Ali Chumacero, poeta e editor mexicano
Akiane Kramarik, pintor e poeta americano

«A LES TRES COPES DIC AIXÒ» por Joan Vinyoli

#umpoetaumpoemapordia #246 (3/7)

POETA: JOAN VINYOLI

Joan Vinyoli i Pladevall (Barcelona, 03 de julho de 1914 – 30 de novembro de 1984 ) foi um poeta catalão.

POEMA: A LES TRES COPES DIC AIXÒ

Els nens que juguen i la gent
del bar em són amics. Passa una dona
de pressa amb el seu fill, entra un home blau fosc
amb clar designi: jugarem a cartes
o al dòmino, som tres.
He decidit escriure
poesies concretes. Envelleixo, calen
realitats, no fum.
I tanmateix, un fum
ara m’entela, s’interposa, fluix,
entre la Cosa i jo, que totes les arestes
afina: ja el món quasi no fa mal.

A les tres copes dic això: refia’t,
la barca de sant Pere, baixo

cansadament per les aigües
de l’altre temps. M’arriben als genolls.

Joan Vinyoli (Barcelona, 1914-1984), Obra poètica completa, Edicions 62, Barcelona, 2001)
Versiones de Jonio González

TRADUÇÃO DE: Jonio González

A las tres copas digo esto

Los niños que juegan y la gente
del bar son mis amigos. Pasa una mujer
deprisa con su hijo, entra un hombre azul oscuro
con un claro designio: jugaremos a las cartas
o al dominó, somos tres.
He decidido escribir
poesías concretas. Envejezco, se necesitan
realidades, no humo.
Y sin embargo un humo
me nubla la vista, se interpone, suavemente,
entre la Cosa y yo, y todas las aristas
pule: el mundo ya casi no hace mal.

A las tres copas digo esto: fíate,
barca de san Pedro, bajo
cansadamente por las aguas
de otro tiempo. Me llegan hasta las rodillas.

+ SOBRE

https://lletra.uoc.edu/especials/folch/vinyoli.htm
http://joanvinyoli.cat/portal/itinerari-poetic/itinerari-poetic-2/129-00-preambul
https://campodemaniobras.blogspot.com/2012/05/joan-vinyoli-dos-poemas.html
https://ca.wikipedia.org/wiki/Joan_Vinyoli_i_Pladevall

OUTROS

Edward Young, poeta inglês, dramaturgo e crítico literário (Night Thoughts)
William Henry Davies, poeta e escritor galês

«LUDZIE NA MOŚCIE [Gente na ponte]» por Wisława Szymborska

#umpoetaumpoemapordia #245 (2/7)

POETISA: WISŁAWA SZYMBORSKA

(Kórnik, 2 de julho de 1923 — Cracóvia, 1 de fevereiro de 2012) foi uma escritora polaca galardoada com o Prémio Nobel na área de literatura (1996). Poetisa, crítica literária e tradutora, viveu em Cracóvia, onde se formou em Filologia Polaca e Sociologia pela Universidade Jaguellonica. A sua extensa obra, traduzida em 36 línguas, foi caracterizada pela Academia de Estocolmo como «uma poesia que, com precisão irónica, permite que o contexto histórico e biológico se manifeste em fragmentos da realidade humana», tendo sido a poetisa definida, como «o Mozart da poesia» Wikipedia

POEMA: LUDZIE NA MOŚCIE

Dziwna planeta i dziwni na niej ludzie.
Ulegają czasowi, ale nie chcą go uznać.
Mają sposoby, żeby swój sprzeciw wyrazić.
Robią obrazki jak na przykład ten:

Nic szczególnego na pierwszy rzut oka.
Widać wodę.
Widać jeden z jej brzegów.
Widać czółno mozolnie płynące pod prąd.
Widać nad wodą most i widać ludzi na moście.
Ludzie wyraźnie przyśpieszają kroku,
bo właśnie z ciemnej chmury
zaczął deszcz ostro zacinać.

Cała rzecz w tym, że nic nie dzieje się dalej.
Chmura nie zmienia barwy ani kształtu.
Deszcz ani się nie wzmaga, ani nie ustaje.
Czółno płynie bez ruchu.
Ludzie na moście biegną
ściśle tam, co przed chwilą.

Trudno tu obejść się bez komentarza:
To nie jest wcale obrazek niewinny.
Zatrzymano tu czas.
Przestano liczyć się z prawami jego.
Pozbawiono go wpływu na rozwój wypadków.
Zlekceważono go i znieważono.

Za sprawą buntownika
jakiegoś Hiroshige Utagawy,
(istoty, która zresztą
dawno i jak należy minęła),
czas potknął się i upadł.

Może to tylko psota bez znaczenia,
wybryk na skalę paru zaledwie galaktyk,
na wszelki jednak wypadek
dodajmy, co następuje:

Bywa tu w dobrym tonie
wysoko sobie cenić ten obrazek,
zachwycać się nim i wzruszać od pokoleń.

Są tacy, którym i to nie wystarcza.
Słyszą nawet szum deszczu,
czują chłód kropel na karkach i plecach,
patrzą na most i ludzi,
jakby widzieli tam siebie,
w tym samym biegu nigdy nie dobiegającym
drogą bez końca, wiecznie do odbycia
i wierzą w swoim zuchwalstwie,
że tak jest rzeczywiście.

TRADUÇÃO DE: Regina Przybycien

Gente na ponte

Estranho planeta e nele essa gente estranha.
Sujeita ao tempo, não o reconhece.
Tem seu jeito de expressar seu desagrado.
Faz pequenas pinturas assim como esta:

Nada especial à primeira vista.
Vê-se a água.
Vê-se uma das suas margens.
Vê-se uma canoa forçando seu curso contra a corrente.
Vê-se uma ponte sobre a água e vê-se gente na ponte.
Essa gente claramente apressa o passo,
porque de uma nuvem escura
começou a cair uma bruta chuva.

A questão é que ali nada mais acontece.
A nuvem não muda a cor nem a forma.
A chuva nem aumenta nem cessa.
A canoa navega sem se mover.
A gente na ponte corre
no mesmo lugar de ainda há pouco.

É difícil passar sem um comentário:
Esse não é de modo algum um quadro inocente.
Aqui o tempo foi suspenso.
Deixou-se de levar em conta suas leis.

Foi privado da influência no curso dos eventos.
Foi desrespeitado e insultado.

Por causa de um rebelde
um tal Hiroshige Utagawa
(um ser que por sinal,
como sói acontecer, faz muito que se foi),
o tempo tropeçou e caiu.

Talvez seja só uma simples brincadeira,
uma travessura na escala de um par de galáxias,
em todo caso porém
acrescentemos o seguinte:

Tem sido de bom-tom há gerações
ter a obra em alta conta,
deslumbrar-se e comover-se com ela.

Tem aqueles para quem nem isso basta.
Ouvem até o barulho da chuva,
sentem as gotas frias no pescoço e nas costas,
olham a ponte e as pessoas,
como se lá também se vissem,
na mesma corrida que nunca termina
na estrada sem fim, eternamente à frente
e acreditam, na sua desfaçatez,
que de fato é assim.

+ SOBRE

O poeta e o mundo


http://www.algumapoesia.com.br/poesia3/poesianet372.htm
http://revistamododeusar.blogspot.com/2012/02/wislawa-szymborska-1923-2012.html

Gabinete de curiosidades – Dois poemas de Wislawa Szymborska e uma música de Leonard Cohen


https://armonte.wordpress.com/2012/02/05/um-poema-de-wislawa-szymborska-para-cada-dia-da-semana/

três poemas de Wislawa Szymborska

Poesia, ironia e resistência. Wisława Szymborska olha para o totalitarismo – Piotr Kilanowski


https://viciodapoesia.com/tag/wislawa-szymborska/
http://wiersze.bfcior.pl/wislawa-szymborska.php?show=ludzie_na_moscie
https://pt.wikipedia.org/wiki/Wisława_Szymborska
http://universosdesfeitos-insonia.blogspot.com/2016/07/um-poema-de-wisawa-szymborska.html

[PDF]poemas – Companhia das Letras

OUTROS

Friedrich Gottlieb Klopstock , poeta e autor alemão
Hermann Hesse , poeta, romancista e pintor suíço nascido na Alemanha, ganhador do Prêmio Nobel
Wisława Szymborska , poeta polonês e tradutor, laureado com o Prêmio Nobel
Alexandros Panagoulis , poeta e político grego
Evelyn Lau , poeta e autor canadense

«SPOMENIK KISEONIKU [MONUMENTO AO OXIGÊNIO]» por Vasko Popa

#umpoetaumpoemapordia #242 (29/6)

POETA: VASKO POPA

Васко Попа, (Grébenatz, atual Sérvia, Voivodina, 29 de junho de 1922 — Belgrado, 5 de janeiro de 1991), foi um dos mais representativos poetas da Iugoslávia, muito reconhecido na Europa, e admirado por poetas e teóricos como Sophia de Mello Breyner e Octavio Paz. Segundo Haroldo de Campos, é “um dos maiores poetas da Iugoslávia e figura marcante no cenário poético internacional”

POEMA: SPOMENIK KISEONIKU

Rujni neki vetar me naneo
U ovu širokogrudu zemlju
Iz čijeg srca je izraslo
Zelenooko drvo života
Diše i tako napaja
Jednu malokrvnu zvezdu
Prestrašili me spomenici lutkanima
Opremljenim hladnim i vatrenim
I drugim nevidljivim oružjem
Nigde me nije obradovao
Spomenik kiseoniku

Naoružanom lišćem
I cvećem i plodovima
I drugim zrelim istinama

TRADUÇÃO DE: Haroldo de Campos

MONUMENTO AO OXIGÊNIO

um vinho rubro-terra me destina
a este país-braços-abertos
do coração do qual frondeja
a árvore da vida de olhos verdes

respira e assim anima
— exânime — uma estrela

me aterrorizam monumentos
grandes fantoches sobreerguidos
com frio e fogo e outras — invisíveis — armas

em parte alguma jubilou-me
um monumento ao oxigênio

todo armado de folhas
de flores e de frutos
e de outras verdades maduras

( Transcriação de Haroldo de Campos,
com a colaboração do Autor.)

+ SOBRE

http://www.culturapara.art.br/opoema/vaskopopa/vaskopopa.htm
http://revistamododeusar.blogspot.com/2011/07/vasko-popa-1922-1991.html
https://pt.wikipedia.org/wiki/Vasko_Popa
https://www.escritas.org/pt/vasko-popa

Osso a Osso (Vasko Popa)


http://pordiaumpoema.blogspot.com/2013/07/monumento-aooxigenio-um-vinho-rubro.html
http://cantarapeledelontra.blogspot.com/2013/10/poemas-de-vasko-popa.html

Vasko Popa


http://poezija.darkbb.com/t1109-vasko-popa

OUTROS

Willibald Alexis, autor e poeta alemão
Giacomo Leopardi, poeta e filósofo italiano
Thomas Dunn English, poeta americano, dramaturgo e político
Celia Thaxter, poetisa e escritora americana
Antoine de Saint-Exupéry , poeta e piloto francês
Manuel Altolaguirre , poeta espanhol.
Pablo García Baena , poeta espanhol.
Jorge Edwards , poeta, diplomata, jornalista chileno.
Louis Scutenaire, foi um poeta, anarquista , surrealista belga.

«CHIÙ [O CHORO DO MOCHO]» por Luigi Pirandello

#umpoetaumpoemapordia #241 (28/6)

POETA: LUIGI PIRANDELLO

(Girgenti, 28 de Junho de 1867 – Roma,10 de Dezembro de 1936) foi um dramaturgo , escritor e poeta italiano, agraciado com o Prêmio Nobel de literatura em 1934. Para a sua produção, as questões abordadas e inovação da narrativa teatral é considerado um dos maiores dramaturgos do século XX . Entre suas obras estão várias novelas e contos (em italiano e siciliano) e cerca de quarenta dramas, o último dos quais é incompleto.

POEMA: CHIÙ

Che hai fatto? Dimmi, forse perché
sei nato gufo, piangi così?
Credi forse che peggio di te
non ci sian bestie, gufo? Ma sì,
ce n’è, ce n’è!
Io ne conosco,
non lì nel bosco – tante ce n’è!

TRADUÇÃO DE: Karen Kremer

O CHORO DO MOCHO
Que houve? Dize-me, talvez porque
sejas mocho, te lamentas assim?
Pior que mocho por acaso crês
não haja outros animais? Mas sim,
existem, existem!
Conheço bem,
não aí no mato – mas muitos existem!

Tradução de um poema de Luigi Pirandello: um exercício comentado

+ SOBRE

https://www.portaldaliteratura.com/autores.php?autor=391
https://it.wikipedia.org/wiki/Luigi_Pirandello
http://oguari.blogspot.com/p/luigi-pirandello-o-filho-do-caos.html
http://www.releituras.com/lpirandello_luz.asp

O MAL DE VIVER NA POESIA DE LUIGI PIRANDELLO

OUTROS

Giovanni della Casa, autor e poeta italiano
Heinrich Albert, compositor e poeta alemão
John Boyle O’Reilly, poeta irlandês, jornalista e escritor de ficção
Enis Batur, poeta e escritor turco
Baltasar Elisio de Medinilla, poeta espanhol
José María Gabriel y Galán, poeta espanhol

«I AM ACCUSED OF TENDING TO THE PAST» por Lucille Clifton

#umpoetaumpoemapordia #240 (27/6)

POETISA: LUCILLE CLIFTON

(27 de junho de 1936 Depew, Nova York, EUA – 13 de fevereiro de 2010 Baltimore, Maryland, EUA) foi uma escritora e poetisa norte-americana. Tópicos comum em sua poesia incluem a celebração da herança afro-americana, e temas feministas, com particular ênfase para o corpo feminino.

POEMA: I AM ACCUSED OF TENDING TO THE PAST

i am accused of tending to the past
as if i made it,
as if i sculpted it
with my own hands. i did not.
this past was waiting for me
when i came,
a monstrous unnamed baby,
and i with my mother’s itch
took it to breast
and named it
History.
she is more human now,
learning languages everyday,
remembering faces, names and dates.
when she is strong enough to travel
on her own, beware, she will.

TRADUÇÃO DE: Igor Cruz

sou acusada de cuidar do passado
como se o tivesse feito,
como se o tivesse esculpido
com minhas próprias mãos. mas não.
este passado estava me esperando
quando eu cheguei,
um monstruoso bebê sem nome,
e eu com o comichão da minha mãe
o coloquei no peito
e o chamei de
História.
ela está mais humana agora,
aprendendo línguas todos os dias,
lembrando caras, nomes e datas.
quando ela estiver forte o suficiente para viajar
sozinha, cuidado, ela irá.

+ SOBRE

https://oquintalpoetico.wordpress.com/tag/lucille-clifton/

Morre a poeta norte-americana Lucille Clifton, aos 73


http://arspoeticaethumanitas.blogspot.com/2016/05/lucille-clifton.html
https://pt.wikipedia.org/wiki/Lucille_Clifton

OUTROS

Bankim Chandra Chattopadhyay, jornalista indiano, autor e poeta
Paul Laurence Dunbar, autor americano, poeta e dramaturgo
Gaston Bachelard, foi um filósofo e poeta francês.
Vernon Watkins, poeta e pintor galês-americano
Ivan Vazov, poeta búlgaro
He Xiangning,  何香凝, revolucionária, feminista, pintora e poetisa chinesa
Francisco Serrano, poeta mexicano

«Эвридика [EURÍDICE]» por Arseny Tarkovsky

#umpoetaumpoemapordia #237 (24/6)

POETA: ARSENY TARKOVSKY

Arseny Alexandrovich Tarkovsky (Арсений Александрович Тарковский); Elisavetgrad, 24 de Junho de 1907 — Moscou, 27 de Maio de 1989) foi um poeta e tradutor russo, pai do conhecido realizador Andrei Tarkovsky.

POEMA: Эвридика

Арсений Тарковский

У человека тело
Одно, как одиночка.
Душе осточертела
Сплошная оболочка
С ушами и глазами
Величиной в пятак
И кожей – шрам на шраме,
Надетой на костяк.

Летит сквозь роговицу
В небесную криницу,
На ледяную спицу,
На птичью колесницу
И слышит сквозь решетку
Живой тюрьмы своей
Лесов и нив трещотку,
Трубу семи морей.

Душе грешно без тела,
Как телу без сорочки, –
Ни помысла, ни дела,
Ни замысла, ни строчки.
Загадка без разгадки:
Кто возвратится вспять,
Сплясав на той площадке,
Где некому плясать?

И снится мне другая
Душа, в другой одежде:
Горит, перебегая
От робости к надежде,
Огнем, как спирт, без тени
Уходит по земле,
На память гроздь сирени
Оставив на столе.

Дитя, беги, не сетуй
Над Эвридикой бедной
И палочкой по свету
Гони свой обруч медный,
Пока хоть в четверть слуха
В ответ на каждый шаг
И весело и сухо
Земля шумит в ушах.

1961

TRADUÇÃO DE: Paulo da Costa Domingos

EURÍDICE

Temos um só corpo
singular, solitário
a alma teve que baste
ali dentro fechada
caixa com olhos e orelhas
do tamanho de um botão
e a pele – costura após costura –
cobrindo a estrutura óssea

sai da córnea voando
para o cálice celeste
para o gelado raio
da roda voadora das aves
e escuta pelas grades
da sua cela viva
o crepitar do bosque e da seara
e a trombeta dos sete mares

corpo sem alma é pecado
é um corpo sem camisa
nada feito sem intenção
sem inspiração, nenhuma linha
insolúvel charada:
quem no fim irá voltar
à pista de dança quando
ninguém houver para dançar?

sonhei com uma alma outra
de um modo outro vestida:
ardia na fuga
da timidez à esperança
espirituosa e límpida
como o fogo habita a terra
sobre a mesa pondo lilases
para que lembrada seja

corre, criança, não pares
pela pobre Eurídice
rola o arco e a gancheta
no mundo roda
até subires uma oitava
no tom alegre, e calma
porque a cada passo a terra
faz soar guizos nos teus ouvidos

  • Traduções de Paulo da Costa Domingos, publicada na revista escamandro.

+ SOBRE

https://escamandro.wordpress.com/2012/09/03/arseny-tarkovsky/
https://pt.wikipedia.org/wiki/Arseny_Tarkovski
https://deanimaverbum.weebly.com/de-anima-verbum/arseny-tarkovski-redes-repletas-de-imortalidade
http://revistamododeusar.blogspot.com/2012/12/arseni-tarkovski-1907-1989_25.html
https://anaveextraviada.blogspot.com/2016/05/tres-poemas-de-arseni-tarkovski.html
http://www.ruthenia.ru/60s/tarkovskij/evridika.htm
.

OUTROS

George Shiels, autor, poeta e dramaturgo irlandês-canadense
Willard Maas, poeta e educador americano
Fernand Dumont, sociólogo, filósofo e poeta canadense
Yves Bonnefoy, poeta, tradutor e crítico da arte francesa.
Frei António das Chagas, de seu nome António da Fonseca Soares, também conhecido por Padre António da Fonseca, foi um frade franciscano e poeta português, destacando-se na história portuguesa mais pela sua faceta literária que propriamente eclesiástica.

«Я пришла к поэту в гости… [Eu visitei o poeta]» por Anna Akhmátova

#umpoetaumpoemapordia #236 (23/6)

POETISA: ANNA AKHMÁTOVA

А́нна Ахма́това, Odessa, 23 de junho de 1889 — Leningrado, 5 de março de 1966) pseudônimo de Anna Andreevna Gorenko (А́нна Андре́евна Горе́нко)(А́нна Андрі́ївна Горе́нко), foi uma das mais importantes poetisas acmeístas russas.

POEMA: “Я пришла к поэту в гости…”

Александру Блоку

Я пришла к поэту в гости.
Ровно полдень. Воскресенье.
Тихо в комнате просторной,
А за окнами мороз.
И малиновое солнце
Над лохматым сизым дымом…
Как хозяин молчаливый
Ясно смотрит на меня.
У него глаза такие,
Что запомнить каждый должен,
Мне же лучше, осторожной,
В них и вовсе не глядеть.
Но запомнится беседа,
Дымный полдень, воскресенье,
В доме сером и высоком
У морских ворот Невы.

Январь 1914

TRADUÇÃO DE: LAURO MACHADO COELHO

Eu visitei o poeta
Para Aleksandr Blok

Eu visitei o poeta
ao meio-dia em ponto. Domingo.
Quietude no amplo quarto
e, fora das janelas, o frio
e um sol cor de amoras silvestres,
envolto em névoa hirsuta e azulada…
Com que olhar aguçado o taciturno
anfitrião olhava para mim!
Tinha olhos daquele tipo
de que a gente nunca se esquece;
melhor seria, cuidadosa,
eu não devolver seu olhar.
Mas me lembrarei sempre da conversa,
o meio dia nevoento, domingo,
naquela casa alta e cinzenta,
junto aos portões do Nevá para o mar.

janeiro de 1914

  • Anna Akhmátova (Анна Ахматова). “Eu visitei o poeta | Я пришла к поэту в гости”.. [tradução Lauro Machado Coelho]. no livro “Poemas russos”. [organização Mariana Pithon e Nathalia Campos]. Belo Horizonte: FALE/UFMG, 2011, p. 63.

+ SOBRE

https://traducaoliteraria.wordpress.com/2016/03/04/anna-akhmatova-poemas/
https://escamandro.wordpress.com/2014/05/12/ana-akhmatova-1889-1966/

Anna Akhmátova – poemas


http://www.elfikurten.com.br/2016/06/anna-akhmatova.html
https://pt.wikipedia.org/wiki/Anna_Akhmátova
https://poemargens.blogspot.com/2015/04/anna-akhmatova.html
http://hotblog7faces.blogspot.com/2013/03/6-poemas-de-ana-akhmatova.html

OUTROS

Albert Giraud, poeta e bibliotecário belga
Ahmet Hamdi Tanpınar, autor turco, poeta e estudioso
Magda Herzberger , autora romena, poeta e compositora, sobrevivente do Holocausto
Anthony Thwaite, poeta inglês, crítico e acadêmico

«VARIÁCIÓK» por Sándor Weöres

#umpoetaumpoemapordia #235 (22/6)

POETA: SÁNDOR WEÖRES

(Szombathely, Hungria, 22, em junho de 1913 – Budapeste, 22 de janeiro em 1989) foi um poeta, tradutor literário e escritor húngaro.

POEMA: VARIÁCIÓK

Weöres Sándor – Variáció
a hangok illata
az illatok íze
az ízek színe

a színek hangja
a hangok íze
az ízek illata

az illatok színe
a színek íze
az ízek hangja

a hangok színe
a színek illata
az illatok hangja

TRADUÇÃO DE: Francisco Guedes

o aroma dos sons
o sabor dos aromas
a cor dos sabores

o som das cores
o sabor dos sons
o aroma dos sabores

a cor dos aromas
o sabor das cores
o som dos sabores

a cor dos sons
o aroma das cores
o som dos aromas

+ SOBRE

https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=317308
http://www.enfocarte.com/2.13/magyar/weores.html
https://es.wikipedia.org/wiki/Sándor_Weöres
https://hungaromania.wordpress.com/tag/poesia-hungara/

OUTROS

Jacques Delille, poeta francês

«An Anna Blume» por Kurt Schwitters e traduções

#umpoetaumpoemapordia #233 (20/6)

POETA: KURT SCHWITTERS

Hannover, Alemanha 20 de junho de 1887 – Ambleside, Reino Unido, 8 de janeiro de 1948) foi um artista plástico, poeta, pintor e escultoralemão, além de ter se aventurado por outras artes. Conhecido do grande público atualmente, principalmente, por suas colagens, foi, no entanto, um multi-artista que inventou a arte de instalações artísticas e precursor da chamada Nova Tipografia. Suas inovações iriam, definitivamente, conduzir muito da arte dos século XX e início do XXI e, através de sua influência na Bauhaus, definir novos rumos para o design publicitário.

POEMA: AN ANNA BLUME

Merzgedicht I
(um 1919)

O du, Geliebte meiner siebenundzwanzig Sinne, ich
liebe dir! — Du deiner dich dir, ich dir, du mir.
— Wir?
Das gehört (beiläufig) nicht hierher.
Wer bist du, ungezähltes Frauenzimmer? Du bist
— bist du? — Die Leute sagen, du wärest — lass
sie sagen, sie wissen nicht, wie der Kirchturm steht.
Du trägst den Hut auf deinen Füssen und wanderst
auf die Hände, auf den Händen wanderst du.
Hallo, deine roten Kleider, in weisse Falten zersägt.
Rot liebe ich Anna Blume, rot liebe ich dir! — Du
deiner dich dir, ich dir, du mir. — Wir?
Das gehört (beiläufig) in die kalte Glut.
Rote Blume, rote Anna Blume, wie sagen die Leute?
Preisfrage: 1.) Anna Blume hat ein Vogel.
2.) Anna Blume ist rot.
3.) Welche Farbe hat der Vogel?
Blau ist die Farbe deines gelben Haares.
Rot ist das Girren deines grünen Vogels.
Du schlichtes Mädchen im Alltagskleid, du liebes
grünes Tier, ich liebe dir! — Du deiner dich dir, ich
dir, du mir, — Wir?
Das gehört (beiläufig) in die Glutenkiste.
Anna Blume! Anna, a-n-n-a, ich träufle deinen Namen.
Dein Name tropft wie weiches Rindertalg.
Weiss du es, Anna, weisst du es schon?
Man kann dich auch von hinten lesen, und du, du
Herrlichste von allen, du bist von hinten wie von
vorne: »a-n-n-a«.
Rindertalg träufelt streicheln über meinen Rücken.
Anna Blume, du tropfes Tier, ich liebe dir!

TRADUÇÃO DE: FABIANA MACCHI

Para Anna Flor*
Poema Merz I
(c. 1919)

Ó tu, amada dos meus vinte e sete sentidos, eu
lhe amo! — Tu teu te a ti, eu a ti, tu a mim.
— Nós?
Isto (aliás) não vem ao caso.
Quem és tu, dona inumerável? Tu és
— és? — Dizem que serias — deixa
que digam, eles nem sabem como a torre da igreja se sustém.
O chapéu sobre os pés, caminhas
sobre as mãos, com as mãos tu caminhas.
Olá, teus vestidos vermelhos, serrados em pregas brancas.
Eu amo Anna Flor vermelho, vermelho eu lhe amo! — Tu
teu te a ti, eu a ti, tu a mim. — Nós?
Isto (aliás) é coisa para a brasa fria.
Flor vermelha, vermelha Anna Flor, o que andam dizendo?
Responda e ganhe: 1. Anna Flor tem um macaco no sótão.
2. Anna Flor é vermelha.
3. Qual é a cor do macaco?
Azul é a cor do teu cabelo amarelo.
Vermelho é o chiado do teu macaco verde.
Tu, moça simples de vestido de chita, tu, doce
bicho verde, eu lhe amo! — Tu teu te a ti, eu
a ti, tu a mim, — Nós?
Isto (aliás) é coisa para o braseiro.
Anna Flor! Anna, a-n-n-a, gotejo o teu nome.
Teu nome pinga como tenra gordura bovina.
Sabes, Anna? Já o sabes?
Posso ler-te também de trás para frente, e tu,
a mais formosa de todas, serás sempre, de trás para frente e de
frente para trás: »a-n-n-a«.
Gordura bovina goteja acaricia minhas costas.
Anna Flor, tu, bicho gotejante, eu lhe amo!

Tradução Fabiana Macchi / Publicado em Sibila – Revista de Poesia e Cultura, Ano 4, n. 7, 2004

TRADUÇÃO DE: LUCI COLLIN LAVALLE

À ANA FLOR
Ah tu, amada de meus vinte e sete sentidos, eu
te amo! – Tu teu te a ti, eu a ti, tu a mim.
– Nós?
Isto (a propósito) não vem ao caso.
Quem eras tu, incontável ordinária? Tu és
– és tu? – As pessoas dizem, tu serias – deixa
que digam, nada sabem, como se situa a torre da igreja.
Tu usas teu chapéu nos pés e vagueias
com tuas mãos, com tuas mãos vagueias.
Olá, tuas vestes vermelhas, cortadas em pregas brancas.
Vermelho amo Ana Flor, vermelho amo a ti! – Tu
teu te a ti, eu a ti, tu a mim. – Nós?
Isto (a propósito) faz parte do frio fervor.
Vermelha flor, vermelha Ana Flor, como dizem as pessoas?
Adivinha:
1. Ana Flor tem um pássaro.
2. Ana Flor é vermelha.
3. Que cor tem o pássaro?
Azul é a cor de teus cabelos amarelos.
Vermelho é o arrulho de teus pássaros verdes
Tu simples donzela em trajes cotidianos, tu querido
animal verde, eu te amo! – Tu teu te a ti, eu
a ti, tu a mim – nós?
Isto (a propósito) faz parte do braseiro incandescente.
Ana Flor! Ana, A——N——N——A, eu destilo teu
nome. Teu nome goteja como suave sebo de vaca.
Sabes disto, Ana, já sabes?
Pode-se também te ler de trás para frente e tu, tu
a mais magnífica de todas, tu és por trás como pela
frente: “A——N——N——A”.
Sebo de vaca se destila acariciando minhas costas.
Ana Flor, animal gotejante, eu—— te—— amo!

Cadernos de Literatura em Tradução no
. 4, p. 9-12

TRADUÇÃO DE: HAROLDO DE CAMPOS

ANAFLOR

Ó amada dos meus vinte-e-sete sentidos, eu
Te amo! – Tu, te, ti, contigo, eu te, tu me.
– Nós?
Isto (de passagem) não vai bem aqui.
Quem és tu, mulher inumerável? Tu és
– és? – Eras, andam dizendo, – deixa
que digam, nem sabem em que pé
está o campanário.
Chapéu nos pés, caminhas sobre as mãos,
volante sobre as mãos.
Olá, pregas brancas serram tua roupa rubra,
Rubroteamo Anaflor, em rubro te me amo! – Tu
teu te a ti, eu te, tu me. – Nós?
Isto (de passagem) lança-se à brisa fria.
Rubraflor, rubra Anaflor, que andam dizendo?
Adivinha: 1.) A doidiv’Ana tem uma ave.
2.) Anaflor é rubra.
3.) E a ave? Quem sabe?
Azul é a cor dos teus cabelos louros.
Rubro é o arrulho de tua ave oliva.
Tu criatura simples num vestido cotidiano, bem-amado
animal verde, eu te amo! Tu te ti contigo, eu
a ti, tu a mim, – Nós?
Isto (de passagem) vai para o braseiro.
Anaflor! Ana, a-n-a, gotejo teu
nome. Teu nome em gotas, tenra gordura bovina.
Sabes Ana? Já o sabes?
de trás para diante podes ser lida, e tu
a mais bela de todas, para trás
ou para diante
serás: a-n-a.
Gordura bovina goteja ternura em meu dorso.
Anaflor, animal gotejante, eu te me amo.

+ SOBRE

https://pt.wikipedia.org/wiki/An_Anna_Blume
https://forega.wordpress.com/2010/02/16/kurt-schwitters-an-anna-blume-un-poema-dadaista-pero-no-tanto-con-sus-versiones-en-aleman-espanol-ingles-y-frances/
https://viciodapoesia.com/2011/03/08/a-ana-flor-–-um-poema-dadaista-de-kurt-schwitters-1887-–-1948-em-dia-da-mulher/
http://fabianamacchi.blogspot.com.br/2010/09/kurt-schwitters-poema.html
http://dr.rb.tripod.com/id13.html
https://www.revistas.usp.br/clt/article/viewFile/49339/53420
http://dadoacaso.blogspot.com.br/2011/04/kurt-schwitters-o-dada-alemao-ii-por.html
http://poemaqueaflora.blogspot.com.br/2011/09/anna-blumeanaflor-kurt-schwitters.html

.
.

https://www.youtube.com/watch?v=N6avr-3nC40

 

 

 

 

 

 

OUTROS

Athol Williams , poeta sul-africano e filósofo social
Vikram Seth , autor e poeta indiano
Paul Muldoon , poeta irlandês e acadêmico
Robert Rozhdestvensky , poeta e autor russo
Simin Behbahani , poeta e ativista iraniano
Josephine Johnson , autora e poeta americana
Joseph Autran , poeta e autor francês
Marceline Desbordes-Valmore , poeta e escritor francês
Nicholas Rowe , poeta britânico
Aleksander Fredro , poeta polonês, dramaturgo e escritor

«FUI AL RÍO» por Juan L. Ortiz

#umpoetaumpoemapordia #224 (11/6)

POETA: JUAN L. ORTIZ

Juan Laurentino Ortiz (Puerto Ruiz, departamento de Gualeguay, Entre Rios, Argentina, em 11 de junho de 1896 – Paraná, Entre Rios, Argentina, em 2 em setembro de 1978), mais conhecido como Juan L. Ortiz , foi um poeta argentino, considerado pelo escritor  Juan José Saer como “o maior poeta argentino Século XX”.

POEMA: FUI AL RÍO

Fui al río, y lo sentía
cerca de mí, enfrente de mí.
Las ramas tenían voces
que no llegaban hasta mí.
La corriente decía
cosas que no entendía.
Me angustiaba casi.
Quería comprenderlo,
sentir qué decía el cielo vago y pálido en él
con sus primeras sílabas alargadas,
pero no podía.

Regresaba
—¿Era yo el que regresaba?—
en la angustia vaga
de sentirme solo entre las cosas últimas y secretas.
De pronto sentí el río en mí,
corría en mí
con sus orillas trémulas de señas,
con sus hondos reflejos apenas estrellados.
Corría el río en mí con sus ramajes.
Era yo un río en el anochecer,
y suspiraban en mí los árboles,
y el sendero y las hierbas se apagaban en mí.
Me atravesaba un río, me atravesaba un río!

TRADUÇÃO DE: RICARDO DOMENECK

Fui ao rio e o sentia
próximo de mim, diante de mim.
Os ramos tinham vozes
que não chegavam a mim.
A corrente dizia
coisas que eu não entendia.
Quase me angustiava.
Queria compreendê-lo,
sentir o que nele o céu pálido e vago dizia
com suas primeiras sílabas alargadas,
mas não conseguia.

Retornava.
– Era eu o que retornava? –
na angústia vaga
de sentir-me só entre as coisas, últimas e secretas.
De repente senti o rio em mim,
corria em mim
com suas margens trêmulas de sinais,
com seus fundos reflexos apenas estrelados.
Corria em mim o rio com suas ramagens.
Eu era um rio ao anoitecer
e suspiravam em mim as árvores
e se apagavam em mim as veredas e o capim.
Me atravessava um rio, me atravessava um rio!

+ SOBRE

https://es.wikipedia.org/wiki/Juan_L._Ortiz
http://www.paginadepoesia.com.ar/clas_ar_ortiz1.html
http://revistamododeusar.blogspot.com/2011/04/juan-l-ortiz-1896-1978.html
https://www.revistaforum.com.br/juan-l-ortiz-tres-poemas/

OUTROS

Ludovico Zacconi , compositor italiano
Ben Jonson , poeta e dramaturgo britânico.
Renée Vivien , poeta e escritor inglês-francês
Barnabe Googe , poeta e tradutor inglês
George Wither , poeta inglês

«WE REAL COOL» por Gwendolyn Brooks

#umpoetaumpoemapordia #220 (7/6)

POETISA: GWENDOLYN BROOKS

Gwendolyn Elizabeth Brooks (Topeka, Kansas, EUA, de 7 de junho de 1917 – South Side, Chicago, Illinois, EUA, de 3 de dezembro de 2000) foi uma poetisa, autora e professora estadunidense. Gwendolyn Brooks é uma das poetisas mais respeitadas, influentes e amplamente lidas da poesia americana do século XX. Ela foi a primeira autora negra a ganhar o Prêmio Pulitzer.

POEMA: WE REAL COOL

We real cool

The pool players.
Seven at the golden shovel.

We real cool. We
Left school. We
Lurk late. We
Strike straight. We
Sing sin. We
Thin gin. We
Jazz June. We
Die soon.

TRADUÇÃO DE: LAURO MAIA AMORIM

A gente é da hora

Jogadores de sinuca.
Sete no taco de ouro.

A gente é da hora. A gente
Largou a escola. A gente
Embala na balada. A gente
Ataca na tacada. A gente
Xinga sim. A gente
Ginga gim. A gente
Funkeia fevereiro. A gente
Morre bem cedo.

+ SOBRE

https://en.wikipedia.org/wiki/Gwendolyn_Brooks
http://arspoeticaethumanitas.blogspot.com/2016/04/gwendolyn-brooks.html
https://zocalopoets.com/category/a-few-favourites-una-muestra-de-favoritos/gwendolyn-brooks-poemas-traducidos/
http://revistamododeusar.blogspot.com/2017/04/gwendolyn-brooks-1917-2000.html

A NEGRITUDE EM DOIS POEMAS DE GWENDOLYN BROOKS

O drama e a alegria da tradução: Gwendolyn Brooks versando a vida em três poemas

OUTROS

Eduardo Sterzi, poeta, jornalista e crítico brasileiro.
Euler Granda , poeta e psiquiatra equatoriano
Louise Erdrich , escritora e poeta americana