Clube de Leitura J. G. R.

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COLETANDO VERSÕES DIGITAIS:

e derivações [isto aqui está aberto para edição/acréscimo de coisas futuras]

uso a palavra difícil, a linguagem inadequada

uso a palavra difícil
a linguagem inadequada
o verbo que comunica
demarca: de você
eu sou solidão
sou floresta inabitada
ruído ininteligível
ganido, grunhido, pio
coaxar, evapotranspiração

uso a palavra difícil
a linguagem inadequada
sou d’outra ordem:
não faço parte da tua razão
sou minério, selvagem, animal
sou tua comida, teu ar, teu chão

sou a palavra difícil
a linguagem inadequada
o que você não entende
ignora, vilipendia, desconhece
sou a intradução
o que não se olha
não se ouve nem se escreve

não sei ser gente
não faço sentido
não caibo no seu bolso
no seu papel-moeda
sou o que não se vende
o que não se compra
tampouco caibo em teu delírio
teu vil prazer e tua devastação

eu apenas uso a palavra difícil
a que reveste um coração latindo
as veias abertas
o que tu não vê
não enxerga e não repara

eu uso outra língua
sou inaudível aos teus sentidos
não habito teu vocabulário
sou das cores que não podes ver
eu desenho outros caminhos
sou a resistência, o contrapelo,
aquilo que você nunca entende.


Queimadas-no-Brasil-Nasa-2

exercício sobre a margem

meus abraços
cortejam a morte
e se olvidarmos a margem!?

se fossemos sempre a terceira margem!?
a canoa no meio do nada.

há acenos, mãos e braços
no outro lado do rio
uns dizem: volta!
outros dizem: vai!
outros dizem: nada.

não se sabem margens,
tão pouco rio.

nas margens deste rio
que vem de ti,
sentei-me: paisagem!

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Língua: Vidas em Português

«não há uma língua portuguesa. há línguas em português». José Saramago

Língua: Vidas em Português

[Língua: Vidas em Português é um documentário de aproximadamente 105 minutos coproduzido por Brasil e Portugal, com direção de Victor Lopes. As filmagens ocorreram no ano de 2001 em seis países. São eles: Brasil, Moçambique, Índia, Portugal, Japão e França]

«RESUMÉ» por Dorothy Parker

#umpoetaumpoemapordia #296 (22/8)

POETISA: DOROTHY PARKER

(Long Branch, Nova Jérsei, Estados Unidos, 22 de agosto de 1893 — Nova Iorque, 7 de julho de 1967) foi uma escritora, poetisa, dramaturga e crítica estadunidense, conhecida pelo olhar perspicaz sobre a sociedade norte-americana do início do século XX.

POEMA: RESUMÉ

Razors pain you;
Rivers are damp;
Acids stain you;
And drugs cause cramp.
Guns aren’t lawful;
Nooses give;
Gas smells awful;
You might as well live.

TRADUÇÃO DE:

Navalha dói. 
Rios são úmidos. 
Ácido mancha. 
Drogas dão cãibras. 
Revólveres são ilegais. 
Forcas cedem. 
O gás tem um cheiro horrível. 
Melhor ficar viva.

+ SOBRE

https://pt.wikipedia.org/wiki/Dorothy_Parker
https://flabbergasted2.wordpress.com/2011/03/26/excuse-my-dust-dorothy-parker/
http://formasfixas.blogspot.com/2014/02/07-poemas-de-dorothy-parker.html
http://transcriacao.blogspot.com/2013/05/menos-que-um-dorothy-parker-anti.html
https://www.escritas.org/pt/dorothy-parker
http://mundofantasmo.blogspot.com/2008/03/0331-dorothy-parker-1142004.html

OUTROS

Luis Felipe Vivanco, poeta espanhol
Carlos Geywitz, poeta chileno
Georges de Scudéry, autor francês, poeta e dramaturgo
Jean Regnault de Segrais, autor e poeta francês
James Kirke Paulding, poeta, dramaturgo e político americano
Samuel David Luzzatto, poeta e estudioso italiano
Gorch Fock, autor e poeta alemão

«UM DIA, DE REPENTE» por Lara de Lemos

#umpoetaumpoemapordia #265 (22/7)

POETISA: LARA DE LEMOS

Lara Fallabrino Sanz Chibelli de Lemos (Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil, 22 de julho de 1923 — 12 de outubro de 2010) foi uma poetisa, jornalista, tradutora e educadora brasileira.

POEMA: UM DIA, DE REPENTE

Um dia, de repente,
arrastam-nos à força
para um lugar incerto.

Um dia, de repente,
Desnudam-nos impudica/
mente.

Um dia, de repente,
somos apenas um ser vivo:
verme ou gente?

+ SOBRE

https://pt.wikipedia.org/wiki/Lara_de_Lemos
http://subvertidas.blogspot.com/2013/06/versos-e-subversas-lara-de-lemos.html
http://www.antoniomiranda.com.br/Iberoamerica/brasil/lara_lemos.html
http://www.elfikurten.com.br/2015/07/lara-de-lemos.html
https://www.escritas.org/pt/lara-de-lemos

OUTROS

Emma Lazarus, poetisa estadunidense
Leon de Greiff , poeta colombiano.
Stephen Vincent Benét , escritor, poeta e romancista americano
Odell Shepard , poeta e político norte-americano

«VARIÁCIÓK» por Sándor Weöres

#umpoetaumpoemapordia #235 (22/6)

POETA: SÁNDOR WEÖRES

(Szombathely, Hungria, 22, em junho de 1913 – Budapeste, 22 de janeiro em 1989) foi um poeta, tradutor literário e escritor húngaro.

POEMA: VARIÁCIÓK

Weöres Sándor – Variáció
a hangok illata
az illatok íze
az ízek színe

a színek hangja
a hangok íze
az ízek illata

az illatok színe
a színek íze
az ízek hangja

a hangok színe
a színek illata
az illatok hangja

TRADUÇÃO DE: Francisco Guedes

o aroma dos sons
o sabor dos aromas
a cor dos sabores

o som das cores
o sabor dos sons
o aroma dos sabores

a cor dos aromas
o sabor das cores
o som dos sabores

a cor dos sons
o aroma das cores
o som dos aromas

+ SOBRE

https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=317308
http://www.enfocarte.com/2.13/magyar/weores.html
https://es.wikipedia.org/wiki/Sándor_Weöres
https://hungaromania.wordpress.com/tag/poesia-hungara/

OUTROS

Jacques Delille, poeta francês

«ITINERÁRIOS DE MATSUO BASHÔ, O PEREGRINO MESTRE DO HAICAI» por Márcio Catunda

#umpoetaumpoemapordia #204 (22/5)

POETA: MÁRCIO CATUNDA

Márcio Catunda Ferreira Gomes  (Fortaleza, 22 de maio de 1957) é um compositor, escritor, poeta e diplomata brasileiro.

POEMA: ITINERÁRIOS DE MATSUO BASHÔ, O PEREGRINO MESTRE DO HAICAI

Aos quarenta anos, Bashô partiu de sua choupana em
Ueno e nunca mais teve residência fixa.
Foi a Kyoto ver as pétalas que o vento lança no lago Biwa.
Peregrinou ao Monte Yoshino, ao sul de Nara, para contemplar
as cerejeiras florescidas.
Envolto em solidão e desamparo, cruzou perigosos
precipícios. Caminhou, longamente, às margens do rio Oi.
Pernoitou, insone, na Casa dos Caquis Caídos.
As noites frias embranqueciam-lhe o cabelo.
Partiu de Edo a Honshu, pelas margens dos pântanos,
com o companheiro Sora.
Em Fukushima, dormiu numa tapera e desmaiou de dor,
depois de uma noite em claro, picado por mosquitos e pulgas.
Recordou longamente a lua que se deixou ver no porto
de Tsuruga. Rastejou, nas rochas da encosta íngreme, até o
Pavilhão da Luz do Templo Chusonji, onde escutou, à noite
toda, o vento esvoaçar nos salgueiros.
Estações, vilarejos e santuários surgiam no transbordamento
das visões e no relevo da ilhas superpostas.
Se morresse nas estradas, seria por vontade do Céu.
Ao longo de dez anos de extenuantes aventuras,
forjou-se o semblante do Velho Mendigo. Um peregrino que
renunciava ao mundo material e insistia em seu itinerário nômade,
cultivando a impermanência de tudo.

+ SOBRE

 

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OUTROS

Gérard de Nerval, poeta, ensaísta e tradutor francês
Catulle Mendès , poeta francês
Julio Flórez , poeta colombiano
Johannes R. Becher , político alemão, romancista e poeta
Rita Cetina Gutiérrez , poetisa, educadora e ativista mexicana
Bernie Taupin , letrista, poeta e cantor britânico
Lucie Brock-Broido , poeta americana
Ahmed Fouad Negm , poeta egípcio
Bernie Taupin , cantor, compositor e poeta inglês
Sun Ra , pianista americano, compositor, líder de banda, poeta

«HESITATE TO CALL» por Louise Glück

#umpoetaumpoemapordia #174 (22/4)

POETISA: LOUISE GLÜCK

Louise Elisabeth Glück (Nova York, 22 de abril de 1943), é poetisa estadunidense.

POEMA: HESITATE TO CALL

Lived to see you throwing
Me aside. That fought
Like netted fish inside me. Saw you throbbing
In my syrups. Saw you sleep. And lived to see
That all that all flushed down
The refuse. Done?
It lives in me.
You live in me. Malignant.
Love, you ever want me, don’t.

TRADUÇÃO DE: ANDRÉ CARAMURU AUBERT

Hesitando em ligar

Vivi para ver você me jogando
Fora. Aquilo pelejou
Como peixe na rede dentro de mim. Vi você pulsando
Em meus melados. Vi você dormir. E vivi para ver
Que tudo tudo foi pelo ralo
A recusa. Feita?
Ela vive em mim.
Você vive em mim. Maligno.
Amor, você sempre me quis, não.

+ SOBRE:

https://es.wikipedia.org/wiki/Louise_Glück
http://rascunho.com.br/poemas-de-louise-gluck/
https://canaldepoesia.blogspot.com.br/2010/11/louise-gluck-paisagem.html
http://arspoeticaethumanitas.blogspot.com.br/2016/06/a-iris-selvagem-de-louise-gluck.html
http://ruadaspretas.blogspot.com.br/2015/03/louise-gluck-nostos.html

OUTROS:

Robert Choquette , autor, poeta e diplomata americano-canadense
William Jay Smith , poeta americano e acadêmico
Peter Kane Dufault , soldado americano, piloto e poeta
Ana María Shua , autora e poeta argentina

«NIHIL» por Guimarães Passos

#umpoetaumpoemapordia #143 (22/3)

POETA: GUIMARÃES PASSOS

Sebastião Cícero dos Guimarães Passos (Maceió, 22 de março de 1867 — Paris, 9 de setembro de 1909) foi um poeta brasileiro. Compareceu às reuniões de instalação da Academia Brasileira de Letras, onde fundou a cadeira 26, que tem como patrono Laurindo Rabelo

POEMA: NIHIL

Sem aos outros mentir, vivi meus dias
desditosos por dias bons tomando,
das pessoas alegres me afastando
e rindo às outras mais do que eu sombrias.

Enganava-me assim, não me enganando;
fiz dos passados males alegrias
do meu presente e das melancolias
sempre gozos futuros fui tirando.

Sem ser amado, fui feliz amante;
imaginei-me bom, culpado sendo;
e se chorava, ria ao mesmo instante.

E tanto tempo fui assim vivendo,
de enganar-me tornei-me tão constante,
que hoje nem creio no que estou dizendo.

+ SOBRE

https://pt.wikipedia.org/wiki/Guimarães_Passos
http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/alagoas/guimaraens_passos.html
http://bonavides75.blogspot.com.br/2013/03/o-poeta-guimaraes-passos.html

OUTROS

Guilherme Braga, poeta português
Guimarães Passos, jornalista e poeta brasileiro
Johannes Semper , poeta e estudioso estoniano
Billy Collins , poeta americano

«SHE WALKS IN BEAUTY» por Lord Byron – George Gordon Byron

#umpoetaumpoemapordia #084 (22/1)

POETA: LORD BYRON

Lord Byron – George Gordon Byron, 6º Barão Byron nasceu em Londres, Inglaterra, 22 de Janeiro de 1788 e morreu em 1824. Foi um poeta britânico e uma das figuras mais influentes do romantismo.

POEMA: SHE WALKS IN BEAUTY

She walks in Beauty like the night / Of cloudless climes and starry skies; / And all that’s best of dark and bright / Meet in her aspect and her eyes: / Thus mellowed to that tender light / Which Heaven to gaudy day denies. // One shade the more, one ray the less, / Had half impaired the nameless grace / Which waves in every raven tress, / Or softly lightens o’er her face; / Where thoughts serenely sweet express, / How pure, how dear their dwelling-place. // And on that cheek, and o’er that brow, / So soft, so calm, yet eloquent, / The smiles that win, the tints that glow, / But tell of days in goodness spent, / A mind at peace with all below, / A heart whose love is innocent!

ELA CAMINHA EM FORMOSURA (Tradução de Fernando Guimarães)

Ela caminha em formosura, como uma noite / Em que o céu está sem nuvens e com estrelas palpitantes, / E o que há de bom em treva ou resplendor / Se encontra em seu olhar e em seu semblante: / Ela amadureceu à luz tão branda / Que o Céu denega ao dia em seu fulgor. / Uma sombra de mais, em raio que faltasse, / Teriam diminuído a graça indefinível / Que em suas tranças cor de corvo ondeia / Ou meigamente lhe ilumina a face: / E nesse rosto mostra, qualquer doce idéia, / Como é puro seu lar, como é aprazível. // Nessas feições tão cheias de serenidade, / Nesses traços tão calmos e eloquentes, / O sorriso que vence e a tez que se enrubesce / Dizem apenas de um passado de bondade: / De uma alma cuja paz com todos transparece, / De um coração de amores inocentes.

ELA CAMINHA EM BELEZA ( Tradução por Wagner Primo)

Ela caminha em beleza como a noite / De clima sem nuvens e céu estrelado; / E todo a perfeição da escuridão e da luz encontra-se / Em seu semblante e seus olhos / Dessa forma enternecida até esta luz suave / Que o céus ao dia fúlgido negam. // Uma sombra a mais, um raio a menos / Teria parcialmente danificado a indescritível beleza / Que ondula em cada negra trança de seu cabelo / E ternamente brilha em seu rosto; / Onde os pensamentos serenamente expressam / Quão puro, quão querido é o lugar que habitam. // E nessa face, e sobre essa fronte / Tão gentil, tão suave contudo eloqüente, / Jazem o sorriso que conquista, as cores que dardejam / Mas que falam de dias em benevolência passados / Uma mente em paz com tudo / Um coração cujo amor é inocente.

MAIS SOBRE

A GRANDE POESIA – “Ela caminha em formosura” – : George Gordon (Lord) Byron


http://prolittera.blogspot.com.br/2009/03/she-walks-in-beauty.html

ps: dia consagrado a Apolo, o Deus Sol, deus das artes e da poesia na mitologia grega.

«AMA A PRISA» por Manuel Gutiérrez Nájera

#umpoetaumpoemapordia #053 (22/12)

POETA: MANUEL GUTIÉRREZ NÁJERA

Manuel Gutiérrez Nájera (Cidade do México, 22 de dezembro de 1859 – . Ib , 3 de fevereiro de 1895 ) foi um poeta, escritor e cirurgião mexicano , trabalhou como um observador repórter. Como ele trabalhava em hospitais diferentes, ele usava vários pseudônimos, no entanto, entre seus colegas e o público, o mais arraigado era The Duke Job. Ele é considerado o iniciador do modernismo literário no México. Wikipedia

POEMA: AMA A PRISA

Mientras ufana la risa
de tus labios no se aleje,
si quieres que te aconseje
¡ama aprisa!

Con raudo mariposeo
se va de esta a aquella flor
en las alas del deseo,
libando el licor hibleo del amor.

¡Seres y cosas felices
jamás tuvieron raíces!
Se ven marchitas las rosas
y mustias las margaritas…
¡Pero no se ven marchitas
ni alondras ni mariposas!

Con gentileza y donaire
se paran en donde quieren,
y cuando al cabo se mueren
su libre tumba es el aire.

Ama a cuantas
te quieran también amar,
porque siendo tantas, tantas
¡no las podrás recordar!

¡Ama al velo
que solo las almas malas
están prendidas al suelo.
¡Todo lo que sube al cielo
tiene alas!

Hay, aquí; mañana, allá;
sin locura ni pasión
como quien de paso va
y seguro de que está
en casa su corazón.

Haz la amorosa comedia
o la comedia divina…
¡Mas córtala si declina
en tragedia!

¡Todo en risa, todo en risa!
¡Todo entre galán y dama!
Sin amar a todas, ama…
pero aprisa, muy aprisa.

Que así, yendo sin cesar
de esta flor a aquella flor,
cuando te quiera buscar
no te encontrará el dolor.

Mas ¡ay! que en esta infinita
mudanza eterna del alma
todo nuestro ser agita
sed insaciable de calma.

Sé para el amor travieso
en labios de hermosas locas,
y allí conoce las bocas…
¡pero no conoce el beso!

En las breñas del camino
se queda el alma cansada,
como túnica de lino
por las zarzas desgarrada.

Noche helada
cae al campo solitario,
como las noches del polo,
y envuelto en ese sudario
queda el espíritu solo.

Quiso Dios
que abran las almas el vuelo;
más solo llegan al cielo
las que van de dos en dos.

Las otras vagan errantes,
en el espacio perdidas…
Pero, muertos o inconstantes,
ya no vendrán los amantes
de esas blancas prometidas.

Busca, busca a la mujer
que da paz al pecho herido,
y en llegándola a tener,
forma un nido.

¡Los pájaros son muy sabios!
Huye la risa de prisa,
y cuando se va la risa
¡qué secos quedan los labios!

No vuelan las ilusiones
ni ostentan sus ricas galas
sino teniendo par alas
dos alas de corazones.

Haz pues lo que te aconsejo;
como la hermosa un espejo,
así el alma busca ansiosa
otra alma tierna y amada,
y solo se mira hermosa
si en ella está retratada.

Intranquilo cazador
que marchas entre las flores,
sabe que huyen los amores
y que es eterno el amor.

Y mientras para él no existe,
pierde el mirto su follaje
y aparece enfermo y triste;
mas ya verás cuál se viste
en mayo, con rojo encaje.

Impacientes las palomas
vuelan por valles y lomas
de libres hacienda alarde,
con caprichoso volar,
pera cuando cae la tarde,
regresan al palomar.

+ SOBRE

https://es.wikipedia.org/wiki/Manuel_Gutiérrez_Nájera
https://www.poemas-del-alma.com/manuel-gutierrez-najera.htm
http://amediavoz.com/gutierreznajera.htm
http://amediavoz.com/gutierreznajera.htm
http://www.los-poetas.com/l/naj1.htm
https://www.poeticous.com/manuel-gutierrez-najera?locale=es

http://www.elem.mx/obra/datos/6752

OUTROS

Filippo Tommaso Marinetti, escritor e poeta italiano

Kenneth Rexroth, poeta norte-americano

Félix Araújo, poeta e político brasileiro

Paulo Camelo, poeta brasileiro

Edwin Arlington Robinson , poeta americano

Iakovos Kambanelis , poeta e escritor grego

Jean Racine , poeta e dramaturgo francês

Guru Gobind Singh , guru e poeta indiano

Johan Sebastian Welhaven , autor, poeta e crítico norueguês

Eduard Uspensky , autor, poeta e dramaturgo russo

Álvaro Cunqueiro , romancista, poeta, dramaturgo, jornalista e gastrônomo espanhol

 

«EMLÉKEZÉS EGY NYÁR-ÉJSZAKÁRA (Recordação de uma noite de verão)» por Endre Ady

#umpoetaumpoemapordia #023 (22/11)

POETA: ENDRE ADY

Endre Ady (Érmindszent, Szatmár megye, 22 de novembro de 1877 — Budapeste, 27 de janeiro de 1919) foi um poeta húngaro que causou controvérsia na época em que escreveu poemas sobre uma mistura de erotismo, profecia, teologia calvinista, patriotismo desesperado, política radical etc.

Foi o grande pioneiro da literatura húngara moderna e, apesar de estar vinculado ao Simbolismo, é considerado o introdutor das vanguardas na Hungria. Wikipedia

POEMA: EMLÉKEZÉS EGY NYÁR-ÉJSZAKÁRA

Az Égből dühödt angyal dobolt
Riadót a szomoru Földre,
Legalább száz ifjú bomolt,
Legalább száz csillag lehullott,
Legalább száz párta omolt:
Különös,
Különös nyár-éjszaka volt,
Kigyúladt öreg méhesünk,
Legszebb csikónk a lábát törte,
Álmomban élő volt a holt,
Jó kutyánk, Burkus, elveszett
S Mári szolgálónk, a néma,
Hirtelen hars nótákat dalolt:
Különös,
Különös nyár-éjszaka volt.
Csörtettek bátran a senkik
És meglapult az igaz ember
S a kényes rabló is rabolt:
Különös,
Különös nyár-éjszaka volt.
Tudtuk, hogy az ember esendő
S nagyon adós a szeretettel:
Hiába, mégis furcsa volt
Fordulása élt s volt világnak.
Csúfolódóbb sohse volt a Hold:
Sohse volt még kisebb az ember,
Mint azon az éjszaka volt:
Különös,
Különös nyár-éjszaka volt.
Az iszonyúság a lelkekre
Kaján örömmel ráhajolt,
Minden emberbe beköltözött
Minden ősének titkos sorsa,
Véres, szörnyű lakodalomba
Részegen indult a Gondolat,
Az Ember büszke legénye,
Ki, íme, senki béna volt:
Különös,
Különös nyár-éjszaka volt.
Azt hittem, akkor azt hittem,
Valamely elhanyagolt Isten
Életre kap s halálba visz
S, íme, mindmostanig itt élek
Akként, amaz éjszaka kivé tett
S Isten-várón emlékezem
Egy világot elsülyesztő
Rettenetes éjszakára:
Különös,
Különös nyár-éjszaka volt.

TRADUÇÃO DE NELSON ASCHER

Recordação de uma noite de verão

Do alto do céu um anjo enraivecido
tocou o alarme para a terra triste.
Endoidaram cem jovens pelo menos,
caíram pelo menos cem estrelas,
pelo menos cem virgens se perderam:
foi uma estranha,
estranhíssima noite de verão.
Nossa velha colméia pegou fogo,
nosso potro melhor quebrou a pata,
os mortos, no meu sonho, estavam vivos
e Burkus, nosso cão fiel, sumiu,
nossa criada Mári, que era muda,
esganiçou de pronto uma canção:
foi uma estranha,
estranhíssima noite de verão.
Os ninguéns exultavam de ousadia,
os justos encolhiam-se e o ladrão,
mesmo o mais tímido, roubou então:
foi uma estranha,
estranhíssima noite de verão.
Sabíamos da imperfeição dos homens,
de suas grandes dívidas de amor:
mas era singular, ainda assim,
o fim de um mundo que chegava ao fim.
Jamais tão zombeteira esteve a lua
e nunca foi menor o ser humano
do que foi nessa tal noite em questão:
foi uma estranha,
estranhíssima noite de verão.
Perversamente em júbilo, a agonia
sobre todas as almas se abatia,
os homens imbuíram-se do fado
recôndito de cada antepassado
e, rumo a bodas de um horror sangrento,
seguia embriagado o pensamento,
o altivo servidor do ser humano,
este, por sua vez, mero aleijão:
foi uma estranha,
estranhíssima noite de verão.
Pensava então, pensava eu, todavia,
que um deus negligenciado voltaria
à vida para me levar à morte,
mas eis que vivo e ainda sou o mesmo
no qual me converteu aquela noite
e, à espera desse deus, recordo agora
uma só noite mais que aterradora
que fez um mundo inteiro soçobrar:
foi uma estranha,
estranhíssima noite de verão.

 

+ SOBRE

https://pt.wikipedia.org/wiki/Endre_Ady
http://revistamododeusar.blogspot.com.br/2014/12/endre-ady-1877-1919.html
http://ezredveg.vasaros.com/z/html/zf_158.html
http://www.dicta.com.br/edicoes/edicao-3/poesia-hungara-moderna/

El silencio blanco. 5 poemas de Endre Ady

8 poemas de “Sangre y oro” (1907), de Endre Ady


https://ladraodetorradas.wordpress.com/category/poesia-hungara/endre-ady/
http://varejosortido.blogspot.com.br/2011/02/endre-ady-poesia-hungara.html
https://poetassigloveintiuno.blogspot.com.br/2010/12/2227-endre-ady.html

 

exercício no trem

exercício no trem (ou um homem chora)

um vagão após o outro
de quadro a quadro
como um fotograma
que grava na retina
as lágrimas alheias,
os pássaros em bando,
essa gente amontoada,
esse caminho que se esvai no tempo…

o poeta, co’o corpo espremido,
e o peito apertado entre
tanta gente e destroços…
imprime verbo a verbo,
em cada gráfico signo,
um sentido nesse movimento
de partidas e chegadas…

extraí o sal de prata,
e o que fica retido,
o que torna a película
ocular sensível…

é o instante em que:
na última hora do sol,
pelo janela,
um bando avoa
borrando o arrebol.

e ao acaso,
deste ocaso,
do outro lado,
no último vagão do trem,
(só, e entre tantos,)
um homem chora.

22/julho – 22/setembro.

barbarismo

[ter] 22 de julho de 2014
barbarismo
«um ganesh na coxa…
um habitué»
um esquife negro
uma pá de pensamentos tristes

e não há ordem às palavras,
imagens sobrepõem-se
pelos dias, horas, semanas
tudo é incerto
exceto a dor derivada
do incomunicado
do nó emaranhado
dessa estranha película impermeável
dos substantivos prefixados

onde o nome já não é o que era
e o amor é algo primitivo…
eu sou apenas um prefixo mudo e distante.
escrevo palavras erradas,
realizo a impossibilidade,
o não poema duma epopeia,
toda palavra desconexa,
o vil verme, o val enlevado,
a vã espera, o homem subnegado,

o doce e o amargo na língua
e dos vícios desta linguagem – isso das coisas que significam, eu, ente, coisa consciente, reifico…
coisifico, essa história, esses meus dias secos e sigo a sina, o fado, a fuga de toda e qualquer possibilidade de amar e desamar
habito esta terra morta, pertenço a este povo triste.

exercício sobre os grandes azuis

22 jan, 2010. [sex]

à antonin artaud.

aos poeta-antropófago-fotógrafo raul felipe schmidt machado, josé carlos pilon junior, ayrton de magalhães. pela companhia poética inspiradora, repleta de fotogramas anotados. 

estas palavras não são minhas, e por não serem minhas são tão minhas, assim.

I.

somos pedra. sorvemos assim como subvertem-se animais. a bruta beleza no meio do caminho, poeta! e transei este poema em várias pessoas e de tantas formas que foram horas afins de papéis, angústias e gostos mastigando palavras que dançaram, as baratas dançaram, outros poetas berraram aos ouvidos. arquitetávamos juntos, bardos, o efeito de cada palavra navalha sangrando o papel de carta amarelo, a consciência dormente dos amoldados. pois querias aquilo, o poema fim, a poesia meio, o delírio do mundo que ainda move-se.

II.

entravam pelos olhos, na rua. esse desespero essa mudez não-silêncio essa polifonia de corpos conurbados essa covardia tão humana essa neurose de tijolos grades e dor. estupidez, ousam não ousar e sem sentir que somos um ininterrupto poema, um mó, um verbo-vômito de entranhas ao vórtice… engoli teus olhos e perdi-me. lhes falta porra, tão sóbrios demais estes bois.

III.

ontem diríamos, bailarinos, exalando poesia, percorrendo a verdade da manhã, que somos deste modo como estes que não deixam alguém para trás porque o que mais queremos somos nós mesmos por inteiros. e entre goles pedimos mais porra-louquice, para foder a terra nus descalços, mais árvores, raízes, entranhas… essa é nossa poesia

IV.

porque assim somos. destes que não fazem ideia de quem somos, somos estes de passagem, somos assim porque o que mais queremos

V.

somos nós mesmos por inteiro. o coletivo. é não engasgar com o silêncio dos que ficam, este habitat de tantos animais. vem, vamos cuspir de sexo pra fora na cara dos caretas e dos sem caras, vamos cuspir no bom dia deles, no faz de conta deles, que morrem hora à hora pela ordem! vamos varrer o mundo, vamos morrer em gozo, vamos arrancar esse ar, essa derrota de tantas caras, erramos, erraríamos porque somos para foder, porra!

VI.

e rir! gritemos porra! somos porra-louquice!!!

VII.

não entendem. por que um homem chora? por que um homem escreve? por que homens não trabalham? tu vives, e queremos viver o mundo real, queremos viver o mundo, queremos viver, queremos toda a sarjeta, o chute no saco, o frio na barriga, a dor no cotovelo, o aperto, a morte-amor… e perdoa por não haver nunca nenhuma culpa lhe amamos como um homem pode amar um outro homem ou um animal qualquer outro animal assim!

trindade/sambaqui (Florianópolis), 20/22 jan. 2010.


osgrandesazuisjohanpjonsson
Johan P. Jonsson – grandes azuis