«NOITES DE MACAU» por Sérgio Godinho

#umpoetaumpoemapordia #305 (31/8)

POETA: SÉRGIO GODINHO

Sérgio de Barros Godinho (Porto, Portugal, 31 de Agosto de 1945) é um poeta, compositor, intérprete e, também actor português.

POEMA: NOITES DE MACAU

Macau
São noites já perdidas
Macau
São noites encontradas ao luar
Uma paixão
São noites desgarradas
Esvaídas ao deitar do coração
Ao sangrar de um coração

Macau
Jogar o nada e o tudo
Macau
Um trono de veludo
No apostar de uma emoção
Esperanças penhoradas
Madrugadas
Já sem sombra de ilusão
Ao sangrar de um coração

É já dia
E as asas do morcego
Voo cego
já não batem em redor
Vem dar uma só hora
Ao nosso dia
Vem dar uma só hora
Um só dia à nossa hora
Meu amor

Macau
Viagens sem partidas
Macau
Esperanças ressurgidas
Num diamante já no chão
Apanhe-se ainda vivo
E que ele volte ao lugar
Vazio em vão
Ao lugar do coração

Macau
São noites já perdidas
Macau
São noites encontradas ao luar
Uma paixão
São noites desgarradas
Esvaídas ao deitar do coração
Ao sangrar de um coração

É já dia
E as asas do morcego
Voo cego
já não batem em redor
Vem dar uma só hora
Ao nosso dia
Vem dar uma só hora
Um só dia à nossa hora
Meu amor

+ SOBRE

https://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A9rgio_Godinho
https://www.vagalume.com.br/sergio-godinho/
http://anabelapmatias.blogspot.com/2016/05/sergio-godinho.html

OUTROS

Théophile Gautier, poeta francês
Agnes Bulmer, poeta e escritor inglês
August Alle, poeta e autor estoniano
Amrita Preetam, poeta e escritor indiano
György Károly, poeta e escritor húngaro
Raymond P. Hammond, poeta e crítico americano
Álvaro García, poeta espanhol

«JUAZEIRO» por Carlos Severiano Cavalcanti

#umpoetaumpoemapordia #274 (31/7)

POETA: CARLOS SEVERINO CAVALCANTI

(Fazenda Monte, Campina Grande, Paraíba, 31 de julho de 1936) é um poeta brasileiro

POEMA: JUAZEIRO

    (a Maria do Socorro Coutinho de Carvalho)

Recordo tanto, velho juazeiro,
em tua sombra, quando pequenino,
tu sempre foste terno companheiro,
junto a teu pés eu cria no destino.

E no verão passava o dia inteiro
no pastoreio, era um peregrino.
Tu tremulavas, rude e prazenteiro,
eu sonhava o meu sonho de menino…

Abraçado contigo certa vez
tive um desejo imenso que me fez
no teu tronco o meu nome transcrever.

E nunca mais nos vimos novamente.
Na barca da saudade, francamente,
singraria dilúvios pra te ver.

+ SOBRE

https://pt.wikipedia.org/wiki/Carlos_Severiano_Cavalcanti
http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/pernambuco/carlos_cavalcanti.html
http://sociedadedospoetasvivosdeolinda.blogspot.com/2011/11/poesia-de-carlos-severiano-cavalcanti.html

as consequências da seca em um poema de carlos severiano

OUTROS

Jacques Villon, poeta francês
Carlos Severiano Cavalcanti, poeta brasileiro
Rafael García Goyena , escritor, poeta e jurista equatoriano
Elise Cowen , poeta americana da geração Beat
Peter Rosegger , poeta e autor austríaco
Cees Nooteboom , jornalista holandês, autor e poeta
Ahmad Akbarpour , autor e poeta iraniano

«TO A STRANGER» por Walt Whitman

#umpoetaumpoemapordia #213 (31/5)

POETA: WALT WHITMAN

Walt Whitman (Huntington, Nova Iorque, EUA, em 31 de maio de 1819 – Camden, 26 de março de 1892) foi um poeta, ensaísta e jornalista norte-americano, considerado por muitos como o “pai do verso livre”. Paulo Leminski o considerava o grande poeta da Revolução americana, como Maiakovsky seria o grande poeta da Revolução russa. Sua obra  Folhas de Relva é considerada um marco na literatura universal, principalmente dentro do gênero poético.

POEMA: TO A STRANGER

Passing stranger! you do not know how longingly I look upon you,
You must be he I was seeking, or she I was seeking, (it comes to me, as of a dream,)
I have somewhere surely lived a life of joy with you,
All is recall’d as we flit by each other, fluid, affectionate, chaste, matured,
You grew up with me, were a boy with me, or a girl with me,
I ate with you, and slept with you—your body has become not yours only, nor left my body mine only,
You give me the pleasure of your eyes, face, flesh, as we pass—you take of my beard, breast, hands, in return,
I am not to speak to you—I am to think of you when I sit alone, or wake at night alone,
I am to wait—I do not doubt I am to meet you again,
I am to see to it that I do not lose you.

TRADUÇÃO DE: ADRIANO SCANDOLARA

A um Estranho

Estranho que passa! você não sabe com quanta saudade eu lhe olho,
Você deve ser aquele a quem procuro, ou aquela a quem procuro, (isso me vem, como em um sonho,)
Vivi com certeza uma vida alegre com você em algum lugar,
Tudo é relembrado neste relance, fluído, afeiçoado, casto, maduro,
Você cresceu comigo, foi um menino comigo, ou uma menina comigo,
Eu comi com você e dormi com você – seu corpo se tornou não apenas seu, nem deixou o meu corpo somente meu,
Você me deu o prazer de seus olhos, rosto, carne, enquanto passamos – você tomou de minha barba, peito, mãos, em retorno,
Eu não devo falar com você – devo pensar em você quando sentar-me sozinho, ou acordar sozinho à noite,
Eu devo esperar – não duvido que lhe reencontrarei,
Eu devo garantir que não irei lhe perder.

+ SOBRE

https://pt.wikipedia.org/wiki/Walt_Whitman
http://notaterapia.com.br/2016/05/31/12-poemas-essenciais-para-conhecer-walt-whitman/
https://escamandro.wordpress.com/2012/02/02/alguns-poemas-breves-de-walt-whitman/

Walt Whitman – Canção de Mim Mesmo (trecho, traduzido)

Walt Whitman – poemas

“Vivas àqueles que sempre levaram a pior” – Fragmentos de Walt Whitman


http://www.algumapoesia.com.br/poesia2/poesianet183.htm
http://euliricoeu.blogspot.com/2009/06/tres-poemas-de-walt-whitman.html

OUTROS

Ludwig Tieck, poeta e escritor alemão
Walt Whitman, poeta norte-americano

«ENTRE IRSE Y QUEDARSE» por Octavio Paz

#umpoetaumpoemapordia #152 (31/3)

POETA: OCTAVIO PAZ

Octavio Paz Lozano; Cidade do México, México, 31 de março de 1914 – Cidade do México, México, 19 de abril de 1998) foi um poeta e diplomata mexicano.

POEMA: ENTRE IRSE Y QUEDARSE

Entre irse y quedarse duda el día,
enamorado de su transparencia.

Todo es visible y todo es elusivo,
todo está cerca y todo es intocable.

Los papeles, el libro, el vaso, el lápiz
reposan a la sombra de sus nombres.

Latir del tiempo que en mi sien repite
la misma terca sílaba de sangre.

La luz hace del muro indiferente
un espectral teatro de reflejos.

En el centro de un ojo me descubro;
no me mira, me miro en su mirada.

Se disipa el instante. Sin moverme,
yo me quedo y me voy: soy una pausa

TRADUÇÃO DE: ANDERSON BRAGA HORTA

ENTRE IR E FICAR
Entre ir e ficar hesita o dia,
de sua transparência enamorado.

A tarde circular é já baía:
em seu quieto vaivém se mexe o mundo.

Tudo é visível e tudo elusivo,
tudo está perto e tudo é intocável.

O lápis, os papéis, o livro, o vaso
abrigam-se na sombra de seus nomes.

Pulsar do tempo, latejar-me à fonte,
teimosa, a mesma sílaba de sangue.

A luz tece no muro indiferente
um espectral teatro de reflexos.

Bem no centro de um olho me descubro:
não me fita, me fito em seu olhar.

O instante se dissipa. Sem mover-me,
eu me quedo e me vou: sou uma pausa.

 

+ SOBRE

https://en.wikipedia.org/wiki/Octavio_Paz
http://www.releituras.com/opaz_vida.asp
http://www.mallarmargens.com/2012/10/viii-poemas-de-octavio-paz-escolhidos-e.html

Octavio Paz – poemas


http://www.antoniomiranda.com.br/iberoamerica/mexico/octavio_paz.html

5 poemas de Octavio Paz

OUTROS

Edward FitzGerald, poeta britânico
Nichita Stănescu, poeta romeno
Andrew Marvell , poeta britânico
Markus Hediger , poeta e tradutor suíço.
Octavio Paz , poeta e diplomata mexicano, laureado com o Prêmio Nobel
Kamala Surayya , poeta e escritor indiano
Marge Piercy , poetisa e romancista americana

«LA FÍSICA ES MENTIRA (Septiembre Negro)» por Pedro Sevilha Gomez

#Umpoetaumpoemapordia #093 (31/1)

POETA: PEDRO SEVILHA GOMEZ

Pedro Sevilha Gomez (Arcos da fronteira, cádiz, 31 de enero de 1959) é um poeta e escritor espanhol.

 POEMA: LA FÍSICA ES MENTIRA

Pretende que me crea que el seno no es tu pecho / Sino una línea fría que cruza por un arco; / Quiere hacerme creer que el tiempo es el cociente / De partir el espacio por la velocidad… / Cuando yo sé del tiempo sus tiranas maneras / Deshojando rosales, adulterando besos / Como el mejor anuncio de la Margarett Astor. / O mucho me equivoco o mister Newton / Jamás supo las leyes de los álamos, / Su sereno temblor, sus tardes de nostalgia, / El tenue movimiento de una sombra / Que no volverá nunca a ser la misma. // Quizá yo diga esto porque es mayo / Y va la primavera por la calle / Desmintiendo teoremas, / Pintándole a las niñas en cuadernos de ciencia / Corazones con sangre de lapicero rojo. / Por eso cierro el libro / Aunque me expongo a un cero en el control de B.U.P. // Ya volveré en septiembre… / Cuando un otoño niño cuelgue de tus zarcillos / Dos fanales gemelos, / Dos gotitas iguales de luz entristecida, / Misteriosa y menguante como la luna añeja.
Septiembre negro (Renacimiento, 1992)
MAIS SOBRE:

«NOCHE DE AMOR» por Horacio Quiroga

#umpoetaumpoemapordia #062 (31/12)

POETA: HORACIO QUIROGA

Horacio Quiroga Silvestre Forteza ( Salto , Uruguai , 31 de dezembro de 1878 – Buenos Aires , Argentina , 19 de fevereiro de 1937 ) foi um escritor, dramaturgo e poeta uruguaio . Ele era o mestre da história latino-americana, de prosa vívida, naturalista e modernista . 1 Suas histórias, que muitas vezes retratam a natureza sob características temíveis e horripilantes, e como um inimigo do ser humano. Foi comparado ao americano Edgar Allan Poe .

POEMA: NOCHE DE AMOR

Noche de amor. Bajo la sombra cómplice:
La ingenua tentación. En la arboleda
El motivo de vida va pecando
Como un ensueño de precoz histeria,
Hay quemantes sudores en las pieles:
Sorda germinación en las arterias;
Protestas en las curvas no labradas
Y en tu pupila audaz, francas ofertas.
La idealidad se tiñe de rubores
Como un pálido lirio, de vergüenzas:
En los lechos abiertos y manchados
Se tiende la pasión. La noche arquea
Su gran complicidad sobre la falta;
El lirio de tu sexo se doblega,
Y señala tu carne temblorosa
El índice fatal de mis torpezas.
¡Oh la sed de mis labios, cuyos besos
Recargan la intención que nos rodea!
¡Oh el carmín de tus labios, cuyo orgullo
Palidece al fulgor de tus caderas!
Dame tu cuerpo. Mi perdón de macho
Velará la extinción de tu pureza,
Como un fauno potente y pensativo
Sobre el derrumbe de una estatua griega.

 

+ SOBRE

https://es.wikipedia.org/wiki/Horacio_Quiroga
http://www.elterritorio.com.ar/un-poema-de-horacio-quiroga-entre-los-manuscritos-hallados-en-buenos-aires-7338303546276647-et
https://www.poeticous.com/horacio-quiroga?locale=es
https://www.taringa.net/posts/apuntes-y-monografias/19080310/5-Poemas-cortos-Horacio-Quiroga.html
https://verbiclara.wordpress.com/2014/12/31/noche-de-amor-poema-de-horacio-quiroga/

Horacio Quiroga: una literatura a selva o muerte

http://www.releituras.com/hquiroga_menu.asp

http://osuicidario.blogspot.com.br/2013/10/horacio-quiroga.html

Voz, Sexo e Abismo: Alfonsina Storni e Horacio Quiroga – http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-33002013000300007

 

OUTROS

Giovanni Pascoli , poeta italiano

Vincas Kudirka , poeta lituano

Horacio Quiroga , escritor de contos, dramaturgo e poeta uruguaio

Gottfried August Bürger , poeta e acadêmico alemão

Alexander Smith , poeta e crítico escocês

Sam Ragan , jornalista americano, autor e poeta

Taylor Mead , ator e poeta americano

Ameer Muhammad Akram Awan , autor, poeta e estudioso indiano

 

lavrador da escuridão

I

lavrador da escuridão,
minerador de pensamentos,
cava o fragmento,
na busca do gozo
no silêncio
no tumulto interno…
e o que explode
feito dinamite
é a vontade daquela mina,
em toda sua profundidade de carvão.

II

lavrador da escuridão,
minerador de pensamentos,
por dentro não
há claro-escuro,
por dentro não se
sabe pedra ou suor.

III

lavrador da escuridão,
minerador de pensamentos,
no subterrâneo
defronta-se com
o minério do não,
e toda saliva,
e todo verbo,
e toda língua,
e todo atrito,
cruzam a noite,
trepam delírios,
mas não suportam
os olhos vazios
que não se tocam
na luz

IV

lavrador da escuridão,
minerador de pensamentos,
escava o homem nu,
esse bicho oco,
de coração opaco,
boca morna e muda,
e o profundo sexo dela
deseja o gosto que transcende
a superfície rochosa,
isto que existe, e exige
que tua picareta pudesse
lavrar o sol,
a luz e o carvão.

[seg] 31 de agosto de 2015

ao mar um poetema!

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as vezes falta sentido.
as palavras simplesmente não dizem
não dizem o que sinto
então, me calo,
apenas sinto…

com estes olhos cerrados e bem abertos
com este pele em neve e ardendo em fogo
com estes dentes cravados e rindo-se..
com este corpo de leve, ao cair do sol, e firme, em pé, ao nascer do dia…

as vezes falta sentido,
e zarpo às ondas,
ao azul
e me levo,
faço-me da poesia sentida,

cheia de azul.

Sambaqui (Florianópolis), 31.12.2008.